31.10.05
Seis por ½ Dúzia
A frase pichada na sede do PT em São Paulo - Lula traidor da nação - resume o sentimento de grande parte do eleitorado brasileiro. Mas o ato em si é muito parecido com o cartaz que hitlerizou Bornhausen, que também resume a impressão da maioria.
Cartas Marcadas
É de uma desfaçatez impressionante a postura das autoridades estaduais em relação à jogatina, que voltou com força total em Belém. Nenhuma sabe de nada.Só os jogadores, a imprensa e a população.
Imortal
O jurista e cartorário Zeno Veloso é candidato a uma vaga na Academia Paraense de Letras. Parecerista e conferencista aclamado, as letras, um dia, lhe foram madrastas.
Em sua última eleição investiu pesado na cidade de Altamira.
Esperava 6000 votos, contados a bons dobrados.
Dias antes da eleição chega de lá um experiente político e disse a Zeno que não ouviu seu nome na área.
Confiante, Zeno esperou as urnas e... surpresa!Contou menos de 300 votos.
Foi cobrar de seu cabo eleitoral e ouviu um relato surpreendente.
Seu nome, diferente, esquisito - Zeno!? – teria embaralhado o eleitor.
Desconfiado, Zeno perguntou-lhe quantos votos obteve o mais votado na cidade. Pouco a vontade, Anfrísio Nunes disse-lhe: 5.700.
E Zeno, nervoso, perguntou: E qual é o nome dele?
Num fio de voz (e caráter), Nunes sussurrou: Wandenkolk.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Isso foi há quase vinte anos e Zeno,que não se elegeu, deve ter aprendido a lição. Tomara que ele vença a eleição na Academia.
Merece.
Em sua última eleição investiu pesado na cidade de Altamira.
Esperava 6000 votos, contados a bons dobrados.
Dias antes da eleição chega de lá um experiente político e disse a Zeno que não ouviu seu nome na área.
Confiante, Zeno esperou as urnas e... surpresa!Contou menos de 300 votos.
Foi cobrar de seu cabo eleitoral e ouviu um relato surpreendente.
Seu nome, diferente, esquisito - Zeno!? – teria embaralhado o eleitor.
Desconfiado, Zeno perguntou-lhe quantos votos obteve o mais votado na cidade. Pouco a vontade, Anfrísio Nunes disse-lhe: 5.700.
E Zeno, nervoso, perguntou: E qual é o nome dele?
Num fio de voz (e caráter), Nunes sussurrou: Wandenkolk.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Isso foi há quase vinte anos e Zeno,que não se elegeu, deve ter aprendido a lição. Tomara que ele vença a eleição na Academia.
Merece.
29.10.05
Festival
O Globonline traz a proposta de demolição dos presídios em áreas metropolitanas e a construção de novas unidades em ilhas distantes da costa brasileira, como a da Trindade e Martin Vaz, no litoral do ES.
As hordas, imediatamente, concordaram.
Não, a proposta não foi do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).
Foi do presidente do STJ, Edson Vidigal.
Lembrei do Stanislaw Ponte Preta, que num caso assim teria dito:
“Chegou ao limite da ignorância e não obstante prosseguiu”.
As hordas, imediatamente, concordaram.
Não, a proposta não foi do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).
Foi do presidente do STJ, Edson Vidigal.
Lembrei do Stanislaw Ponte Preta, que num caso assim teria dito:
“Chegou ao limite da ignorância e não obstante prosseguiu”.
Sem Fim
A rosca que aperta Lula deu mais uma volta neste final de semana. Sai uma cuba libre aí, faz favor!
BV
O presidente da TV Bandeirantes, Johnny Saad, em palestra no Maxicom, chamou de “mensalão” a bonificação por volume, o famoso BV, pago pelos veículos às agencias de propaganda.
A Band é a emissora que as agencias e anunciantes premiam todos os anos no item independência editorial.
A Band é a emissora que as agencias e anunciantes premiam todos os anos no item independência editorial.
Dose Dupla
Já afirmei que mais rápido que blog só a política.
Poucas horas depois da vitória de Sarney na votação da MP do Bem no Senado, a Câmara dos Deputados sepultou a Zona de Sarney.
No dia seguinte o STF re-empossou Capibaribe (AP) no Senado.
O folclórico Gilvan Borges vai esperar mais um pouco. Sarney tem que inventar outra...
Poucas horas depois da vitória de Sarney na votação da MP do Bem no Senado, a Câmara dos Deputados sepultou a Zona de Sarney.
No dia seguinte o STF re-empossou Capibaribe (AP) no Senado.
O folclórico Gilvan Borges vai esperar mais um pouco. Sarney tem que inventar outra...
Choque
E sem essa de choque entre poderes ou intromissão do Judiciário no Legislativo, como quer Helena Chagas, em seu exelente blog n'O Globo. Quando eles funcionam plenamente podem ocorrer, aqui ou ali, fatos como esse.
Diferença
Ministério Público Estadual quer afastar o Presidente da Assembléia Legislativa!
Lá no Espírito Santo, bem entendido.
Lá no Espírito Santo, bem entendido.
Correndo Por Fora
Tem mais embalagem que comida nas cestas dos flagelados da seca no Oeste do Pará. Depois do Governo do Pará é a vez da prefeitura petista de Santarém pregar sua logomarca.
Adivinhem quem vai tirar proveito do malfeito?
Bem feito!
Adivinhem quem vai tirar proveito do malfeito?
Bem feito!
28.10.05
Decomposição
Walter Pinto
- Espoca fora, moleque!
O grito saia forte, no mesmo instante em que o cajado descia rápido, na cabeça do vivente que estivesse na reta.
Ninguém ousava disputar com o velho Mané do Banjo a primazia sobre o produto depositado, todo dia, no leito da rua. Eram os anos 50. E aquele, o lixo da cidade.
O velho era muito velho. Por essa época, diziam que teve uma desilusão amorosa. Tornou-se um bêbado, perdeu o emprego, vendeu a casa e foi morar no meio do lixo. Cavucou por muitos anos até a prefeitura transferir o lixão para os lados do Aurá. Morreu de desgosto, não suportando mais outra desilusão.
Diariamente, canais que cortam Belém depositam cerca de 70 toneladas de carga orgânica na baía do Guajará.
Havia duas coisas que faziam o Babôco delirar. Uma era fumar uns tarugos enormes que vinham no lixo da Sousa Cruz. Apreciava, sobretudo, os cigarros grandes, de vinte centímetros, refugo que não passava pela máquina de cortar. Com um cigarro daqueles na mão, o Babôco parecia um rei. Havia classe naquele moleque esmirrado, de barriga inchada e pernas tuíras, de pouco mais de sete anos. O modo como os dedos seguravam o cigarro, a calma tranqüila dos bons apreciadores, a fumaça levemente jogada para cima, denunciavam – quem saberia? – alguma antiga nobreza perdida.
A outra coisa que fazia o Babôco delirar era comer barro. Uma compulsão, uma vontade desenfreada que começava furando aqui, futucando ali, cutucando acolá e quando dava por si, já estava a parede toda cheia de buracos.
A mãe bem que tentou, colocando-o de castigo, trancado no banheiro. Mas a casa era toda de barro. Babôco não resistia. Um dia, a velha casa, enfraquecida pelo solapar das paredes, veio abaixo. A mãe morreu soterrada. Babôco passava o dia olhando para os escombros, pesaroso, enquanto a fumaça do cigarro descrevia macilentas curvas no ar fétido.
Seguindo a maré, a matéria orgânica em decomposição é conduzida pela correnteza, deixando um rastro brilhante de chorume nas águas.
Um dia minha mãe proibiu que olhássemos à janela. Trancou-as todas. Só restou-nos ouvir os ruídos medonhos dos terçados se cruzando na briga terrível do velho Vanderlei com Seu Raimundo. Brigaram por causa de um poço que o segundo encomendara ao primeiro.
Vanderlei recebeu o pagamento adiantado e tratou de cavar o poço. Logo encontrou água. Mas água insalubre, própria de lençol contaminado por chorume. Deu a obra por concluída. Seu Raimundo, porém, exigiu devolução do dinheiro.
Não chegando a nenhum acordo, cada um se armou de terçado e a questão foi resolvida no meio da rua, entre terçadadas que levantaram faíscas, segundo relato de pessoas que assistiram a refrega.
Vanderlei não devolveu o dinheiro, nem cavou outro poço. Morreu naquele mesmo dia.
Parte da matéria que desce o rio vai ficando pelas margens, onde crianças tomam banho, fingindo ser praia o que não passa de lama.
Um dia apareceu um homem se dizendo químico. Tinha montado uma fábrica de detergente sanitário e precisava de latas vazias de óleo para envasar o produto.Chegou para negociar com os catadores a compra das latas coletadas no lixo. Pagaria cinco centavos por cada. Os velhos catadores não deram bola, mais preocupados em arranjar o que comer. As crianças, porém, foram à cata.
Durante os dias da semana, montanhas de latas foram se acumulando nos quintais das casas. O químico apareceu no sábado com uma fubica caindo aos pedaços. Comprou todo o estoque. Para a molecada, dias de luxo, cinema e revistinhas de caubói. Acertou-se nova entrega para o sábado seguinte. Foi então, que o negócio revelou o mau-caráter do Rolinha, o tratorista da Limpeza Pública.
Sem que ninguém soubesse, Rolhinha baixou o preço da lata. Depois deu uma carteirada: cercou o lixão usando a prerrogativa de funcionário da Limpeza Pública. Botou placa contratando quem quisesse catar lata a 1 centavo. Ganhou muito dinheiro. Seis meses depois, foi demitido do emprego e escorraçado pelos catadores.
Icoaraci, a Vila Sorriso, é a primeira parada dos coliformes fecais conduzidos pelas águas barrentas da baía de Guajará.
- Espoca fora, moleque!
O grito saia forte, no mesmo instante em que o cajado descia rápido, na cabeça do vivente que estivesse na reta.
Ninguém ousava disputar com o velho Mané do Banjo a primazia sobre o produto depositado, todo dia, no leito da rua. Eram os anos 50. E aquele, o lixo da cidade.
O velho era muito velho. Por essa época, diziam que teve uma desilusão amorosa. Tornou-se um bêbado, perdeu o emprego, vendeu a casa e foi morar no meio do lixo. Cavucou por muitos anos até a prefeitura transferir o lixão para os lados do Aurá. Morreu de desgosto, não suportando mais outra desilusão.
Diariamente, canais que cortam Belém depositam cerca de 70 toneladas de carga orgânica na baía do Guajará.
Havia duas coisas que faziam o Babôco delirar. Uma era fumar uns tarugos enormes que vinham no lixo da Sousa Cruz. Apreciava, sobretudo, os cigarros grandes, de vinte centímetros, refugo que não passava pela máquina de cortar. Com um cigarro daqueles na mão, o Babôco parecia um rei. Havia classe naquele moleque esmirrado, de barriga inchada e pernas tuíras, de pouco mais de sete anos. O modo como os dedos seguravam o cigarro, a calma tranqüila dos bons apreciadores, a fumaça levemente jogada para cima, denunciavam – quem saberia? – alguma antiga nobreza perdida.
A outra coisa que fazia o Babôco delirar era comer barro. Uma compulsão, uma vontade desenfreada que começava furando aqui, futucando ali, cutucando acolá e quando dava por si, já estava a parede toda cheia de buracos.
A mãe bem que tentou, colocando-o de castigo, trancado no banheiro. Mas a casa era toda de barro. Babôco não resistia. Um dia, a velha casa, enfraquecida pelo solapar das paredes, veio abaixo. A mãe morreu soterrada. Babôco passava o dia olhando para os escombros, pesaroso, enquanto a fumaça do cigarro descrevia macilentas curvas no ar fétido.
Seguindo a maré, a matéria orgânica em decomposição é conduzida pela correnteza, deixando um rastro brilhante de chorume nas águas.
Um dia minha mãe proibiu que olhássemos à janela. Trancou-as todas. Só restou-nos ouvir os ruídos medonhos dos terçados se cruzando na briga terrível do velho Vanderlei com Seu Raimundo. Brigaram por causa de um poço que o segundo encomendara ao primeiro.
Vanderlei recebeu o pagamento adiantado e tratou de cavar o poço. Logo encontrou água. Mas água insalubre, própria de lençol contaminado por chorume. Deu a obra por concluída. Seu Raimundo, porém, exigiu devolução do dinheiro.
Não chegando a nenhum acordo, cada um se armou de terçado e a questão foi resolvida no meio da rua, entre terçadadas que levantaram faíscas, segundo relato de pessoas que assistiram a refrega.
Vanderlei não devolveu o dinheiro, nem cavou outro poço. Morreu naquele mesmo dia.
Parte da matéria que desce o rio vai ficando pelas margens, onde crianças tomam banho, fingindo ser praia o que não passa de lama.
Um dia apareceu um homem se dizendo químico. Tinha montado uma fábrica de detergente sanitário e precisava de latas vazias de óleo para envasar o produto.Chegou para negociar com os catadores a compra das latas coletadas no lixo. Pagaria cinco centavos por cada. Os velhos catadores não deram bola, mais preocupados em arranjar o que comer. As crianças, porém, foram à cata.
Durante os dias da semana, montanhas de latas foram se acumulando nos quintais das casas. O químico apareceu no sábado com uma fubica caindo aos pedaços. Comprou todo o estoque. Para a molecada, dias de luxo, cinema e revistinhas de caubói. Acertou-se nova entrega para o sábado seguinte. Foi então, que o negócio revelou o mau-caráter do Rolinha, o tratorista da Limpeza Pública.
Sem que ninguém soubesse, Rolhinha baixou o preço da lata. Depois deu uma carteirada: cercou o lixão usando a prerrogativa de funcionário da Limpeza Pública. Botou placa contratando quem quisesse catar lata a 1 centavo. Ganhou muito dinheiro. Seis meses depois, foi demitido do emprego e escorraçado pelos catadores.
Icoaraci, a Vila Sorriso, é a primeira parada dos coliformes fecais conduzidos pelas águas barrentas da baía de Guajará.
Às 5 da manhã, o Abílio passava para o trabalho. Descia e subia as montanhas de lixo acumulado. Era açougueiro em São Braz. Passava calmo e sereno, em seu jaleco de trabalho imaculadamente branco.
Às 5 da tarde voltava em frangalhos, trôpego, exalando longe a maldita cachaça. Já não era mais o Abílio. A molecada chamava-o de Bebe Água. Ninguém acreditava que daria contar de atravessar a cadeia de lixo erguida à sua frente, mas ele conseguia.
Dona Maria Madeirinha, nossa vizinha, dizia sempre que Deus protegia as criancinhas e os bêbados. Bem, isso ela dizia antes de se tornar evangélica, quando ainda apreciava uns gorós. Mas ela mudou, é preciso que reconheçamos. Quem nunca mudou foi o Bebe Água. Ou melhor, salvo entre 5 da manhã e 5 da tarde.
Outeiro é o segundo porto visitado pela carga fétida. As águas contaminadas não afastam os banhistas, quase todos da periferia de Belém.
No barraco da Zilica pendiam do teto centenas de bonecas, a grande maioria sem cabeça ou perna. Havia, na regularidade impressionante da disposição delas, uma paixão de colecionador e uma sensibilidade de artista autodidata.
Zilica se ocupava apenas e tão somente de catar bonecas. Não queria saber de restos de comida, bebida ou qualquer outra coisa que poderia se transformar em dinheiro. Dali só queria bonecas.
Enfim, os coliformes se espalham por todas as praias do Mosqueiro,
Ilha até recentemente chamada de bucólica pelo saudoso colunista.
Alheio ao mundo que o rodeava, o Narciso quase não era percebido. Dormia a maior parte do dia e desaparecia do barraco à noite. Às vezes, sumia por meses.
Só lembrávamos dele quando a rádio-patrulha dobrava a esquina, cantando pneus e cuspindo bala para tudo quanto é lado. Narciso, então fugia pelos fundos, ganhava os outros quintais e ia se refugiar bem longe dali. Era assaltante profissional, coisa que o Sabará, ladrão de galinha, pé-de-chinelo, nunca conseguiu ser, até que um dia foi encontrado morto, perfurado de balas, sobre um monte de lixo da Lobrás, entre sonhos de valsa mofados, frutas podres e moscas varejeiras.
(*) Walter Pinto de Oliveira é jornalista.
27.10.05
Sérgio Traça
( www.belemtemdisso.com.br)

----------------------------------------------------------------------------------
Saí da maternidade e fui morar bem na frente desse coreto. Até os quatro anos,quando me mudei,brinquei muito nele. Era O Palácio e sua conquista, animadíssima. Escalar essas pedras era ótimo.
Exatos 50 anos depois, muitos endereços nas costas, volto a morar na frente dele, no edifício ao lado do primeiro.
Fica na belíssima Praça da República, onde pontificam a estátua de Ariadne, uma obra de arte; o Theatro da Paz ,uma escala menor do Scala milanês; o Theatro Waldemar Henrique,dizem que um dos melhores teatros experimentais do Brasil;o Núcleo de Artes da UFPA,um centenário prédio erguido para abrigar uma Feira da Indústria;um chafariz de ferro espetacular,cercado de açaís;dois coretos enormes,ufa...hora de chegar nele,o bar mais charmoso da cidade, o Bar do Parque.No barato 70% da praça na sombra. Paris tropical, decadente vintage.
Mas namorar que é bom, não. Nunca namorei por lá.

----------------------------------------------------------------------------------
Saí da maternidade e fui morar bem na frente desse coreto. Até os quatro anos,quando me mudei,brinquei muito nele. Era O Palácio e sua conquista, animadíssima. Escalar essas pedras era ótimo.
Exatos 50 anos depois, muitos endereços nas costas, volto a morar na frente dele, no edifício ao lado do primeiro.
Fica na belíssima Praça da República, onde pontificam a estátua de Ariadne, uma obra de arte; o Theatro da Paz ,uma escala menor do Scala milanês; o Theatro Waldemar Henrique,dizem que um dos melhores teatros experimentais do Brasil;o Núcleo de Artes da UFPA,um centenário prédio erguido para abrigar uma Feira da Indústria;um chafariz de ferro espetacular,cercado de açaís;dois coretos enormes,ufa...hora de chegar nele,o bar mais charmoso da cidade, o Bar do Parque.No barato 70% da praça na sombra. Paris tropical, decadente vintage.
Mas namorar que é bom, não. Nunca namorei por lá.
Sarney Venceu
A aprovação da MP do Bem foi pode ter sido mal pro Pará.
Mexendo todos os cordéis que dispõe e com a habilidade de sempre, Sarney levou a Zona Franca para o Amapá. Pode liquidar a fatura eleitoral em 2006 por lá, mas teve que ceder.
Aliás, ele não, desta vez. A extensão dos favores já havia sido ofertada. O Pará leva três Zonas: Barcarena (a 60 km de Belém), Almeirim e Santarém no Oeste do estado.
Não gosto de incentivos fiscais, principalmente quando a vertente espacial da política é usada tão delimitada.
Você cria novas “áreas foco” de problemas com o dinheiro que deixa de arrecadar pra encarar os problemas de outras “áreas foco”, ao menos nos níveis que estão.
São instrumentos concentradores da renda, geram pressões sociais e desequilíbrios demográficos de vulto.
Três impactos que, desde sempre, não são bem mitigados pelo Estado.
Tomara que não perturbem o desenho anterior: amadurecimento e verticalização da economia mineral, conclusão da infra-estrutura eclusas-hidrelétrica do Xingu.
Jatene perdeu?Hummm... Não. Apenas não conseguiu sensibilizar mais adeptos (cinco grandes estados exportadores do sul/sudeste) para a causa e fez bem, sim, em não voltar de mãos vazias. Ou se esqueceram que ele também tem eleição em 2006?
Mexendo todos os cordéis que dispõe e com a habilidade de sempre, Sarney levou a Zona Franca para o Amapá. Pode liquidar a fatura eleitoral em 2006 por lá, mas teve que ceder.
Aliás, ele não, desta vez. A extensão dos favores já havia sido ofertada. O Pará leva três Zonas: Barcarena (a 60 km de Belém), Almeirim e Santarém no Oeste do estado.
Não gosto de incentivos fiscais, principalmente quando a vertente espacial da política é usada tão delimitada.
Você cria novas “áreas foco” de problemas com o dinheiro que deixa de arrecadar pra encarar os problemas de outras “áreas foco”, ao menos nos níveis que estão.
São instrumentos concentradores da renda, geram pressões sociais e desequilíbrios demográficos de vulto.
Três impactos que, desde sempre, não são bem mitigados pelo Estado.
Tomara que não perturbem o desenho anterior: amadurecimento e verticalização da economia mineral, conclusão da infra-estrutura eclusas-hidrelétrica do Xingu.
Jatene perdeu?Hummm... Não. Apenas não conseguiu sensibilizar mais adeptos (cinco grandes estados exportadores do sul/sudeste) para a causa e fez bem, sim, em não voltar de mãos vazias. Ou se esqueceram que ele também tem eleição em 2006?
Como é que é?
Glória Perez bateu o pé diante das qualis da Globo e disse: vai ter beijo sim no final de América. Ta certa a Glória, Roteiro em cima de quali é cruel. Mas esse beijo do Gaggliasso pera aí...
Amanhã Tem Conto
Mais uma colaboração para o blog. Mais um brilho.
È um conto de Walter Pinto, cartunista premiadíssimo e jornalista, que assinava a coluna Cantos de Belém no semanário O Paraense, de curta e vigorosa carreira no início do século. “Decomposição” está selecionado para o XI Concurso de Cantos do Norte, o mais importante do gênero na Amazônia.
È um conto de Walter Pinto, cartunista premiadíssimo e jornalista, que assinava a coluna Cantos de Belém no semanário O Paraense, de curta e vigorosa carreira no início do século. “Decomposição” está selecionado para o XI Concurso de Cantos do Norte, o mais importante do gênero na Amazônia.
26.10.05
Vagal
Mal o galo cantou três vezes depois que Governo Federal fechou acordo com a Igreja, pra debater mais amplamente a transposição do São Francisco com a sociedade, encerrando a greve de fome do Bispo de Barra, na Bahia, vem o Ministro Ciro Gomes dizer que as obras “vão começar imediatamente”.
Morre pela boca o Ciro.
Morre pela boca o Ciro.
À Deriva
Quem gosta de olhar o passado sabe que portos sempre foram lugar de malfeitores. É nesse ambiente, entre estivadores caminhões e guindastes, ao invés de uma hidroviária, que os passageiros embarcam para uma aventura de final imprevisível, mas arriscado,quando resolvem conhecer um dos mais belos ecossistemas amazônicos,a ilha do Marajó.
As duas empresas licenciadas pelo Governo do Estado se estapeiam pra ver qual a que mais comete irregularidades, submetendo aos usuários constrangimentos de toda sorte.
Não tomam conhecimento da agência reguladora estadual.
E vice versa.
Tripulações despreparadas para o trato com os passageiros, máquinas sucateadas em cascos quase centenários, banheiros imundos, bancos desconfortáveis, atrasos, superlotação, partidas antes do horário, bares inqualificáveis.
Essa linha do Marajó, que atende diretamente a três municípios, é a que leva os turistas, do mundo inteiro, que se rendem aos apelos do lugar. Mas não se ouve um pio de promotores e prefeitos.
A Capitania dos Portos tem umas lanchinhas sim, que aparecem na hora que o barco já está atracando em Belém, na volta. Isso mesmo!Há cinco ou dez minutos do porto. Uma lástima.
Até o Bispo (da Prelazia do Marajó) já se queixou, veja só!
E a burocracia sempre tirando o seu da reta (o dela, não o do Bispo).Quem sabe falta uma tragédia?
As duas empresas licenciadas pelo Governo do Estado se estapeiam pra ver qual a que mais comete irregularidades, submetendo aos usuários constrangimentos de toda sorte.
Não tomam conhecimento da agência reguladora estadual.
E vice versa.
Tripulações despreparadas para o trato com os passageiros, máquinas sucateadas em cascos quase centenários, banheiros imundos, bancos desconfortáveis, atrasos, superlotação, partidas antes do horário, bares inqualificáveis.
Essa linha do Marajó, que atende diretamente a três municípios, é a que leva os turistas, do mundo inteiro, que se rendem aos apelos do lugar. Mas não se ouve um pio de promotores e prefeitos.
A Capitania dos Portos tem umas lanchinhas sim, que aparecem na hora que o barco já está atracando em Belém, na volta. Isso mesmo!Há cinco ou dez minutos do porto. Uma lástima.
Até o Bispo (da Prelazia do Marajó) já se queixou, veja só!
E a burocracia sempre tirando o seu da reta (o dela, não o do Bispo).Quem sabe falta uma tragédia?
A Zona de Sarney
Sempre tive José Sarney na conta da figura mais sombria da República. Há 40 anos no poder e o Maranhão na mais completa miséria. Enfraquecido na política do estado, refugiou-se no Amapá, onde circula em péssimas companhias.
Uma delas, talvez a mais ridícula, toma posse hoje no Senado. Podem chamá-lo de Gilvan Borges.
Ontem, pela enésima vez, tentou aprovar uma medida criando uma zona franca nas áreas de seu interesse, com graves prejuízos à economia brasileira. Derrotado, ameaçou paralisar as votações do Congresso, segundo o Blog do Josias.
A insistência de Sarney em fazer essa Zona merece uma investigação.
Uma delas, talvez a mais ridícula, toma posse hoje no Senado. Podem chamá-lo de Gilvan Borges.
Ontem, pela enésima vez, tentou aprovar uma medida criando uma zona franca nas áreas de seu interesse, com graves prejuízos à economia brasileira. Derrotado, ameaçou paralisar as votações do Congresso, segundo o Blog do Josias.
A insistência de Sarney em fazer essa Zona merece uma investigação.
Desenhos
A partir de amanhã o cartunista Sérgio Bastos dá um brilho no blog. Carioca, vive em Belém desde pequeno. Começou como diagramador e hoje é Diretor de Arte da agencia Griffo, depois de passar pela Imagine (São Luis), Mark (Fortaleza), Propeg (Recife) e Revista Ligação (São Paulo). Fundou a primeira webagency da região, a Cobra Grande. Seus desenhos combinam lugares, pessoas e modos de fazer a vida do povo paraense.