27.2.06

Against periodicals

Na sexta publiquei um post que detonava com os blogs – Against blogs - escrito por um jornalista americano, do Financial Time. Houve reclamações. Para compensar, ofereço uma réplica, em comemoração ao milésimo post deste blog.

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O Lamaçal

Um jornal, em qualquer lugar do mundo, é uma empresa como outra qualquer.
Tem donos, interesses e mercado.
Seu patrimônio começa com o título, alguns com lugar de destaque na história da imprensa.
Avança pelas máquinas que rodam suas páginas, cada vez mais sofisticadas.
Passa, evidentemente, pela redação, o coração do veículo, onde a informação é tratada para ser oferecida ao leitor.
É aqui que os caminhos da linha editorial se cruzam com a linha comercial, os interesses do dinheiro, que mantém o jornal, os salários dos funcionários, o pro labore de seus diretores, os dividendos de seus acionistas.
Existem sim, jornais onde o comercial trabalha com saúde e não determina a política editorial do jornal.
Ou, ao menos, não a esconde do leitor.
Em outros jornais, a volúpia do comercial é maior que o juízo editorial.
Instaura-se a promiscuidade.
A partir desse ponto um jornal deixa de ser o mítico informante da sociedade e passa a ser um gigolô, a fim de satisfazer desejos, frustrações, complexos, desvios de personalidade, patranhas, negociatas, achaques, extorsões e delitos de toda sorte.
Neste momento ele deixa de ser um veículo de comunicação, e passa a ser um caso de polícia, de Justiça.
Como um bordel, um ponto de venda de drogas, ou um cassino.
Às vezes as três coisas juntas. Às vezes pior.
Neste ponto o leitor ficou pra trás.
Indefeso, não percebe que passou a ser um sócio indireto do lamaçal quando compra o jornal. A partir daí, junto com ele, mas sem saber, o leitor é cúmplice do lamaçal.
Existem algumas pistas para evitar a co-autoria dos delitos.
Poucas é verdade, mas existem. Vamos a elas.
.Excessiva aderência a um partido ou a determinado político.
.Auto promoção compulsiva.
.Bajulação extremada e/ou exclusão pura e simples, de fatos, idéias e personalidades.
.Participação em campanhas eleitorais de forma subterrânea, não declarada abertamente.
.Construção de mitos, heróis, líderes e tabus.
.Recalcitrância em assumir erros.
.Tendência a dourar a realidade e o cotidiano.
.Subtração de notícias e fatos contrários à sua linha comercial.

Se o leitor perceber um ou mais dos indícios listados acima, é hora de mudar de jornal.
Prá sair do lamaçal.
Ou mudar para os blogs, lama medicinal.

6 comentários:

milton toshiba disse...

http://obscurestore.com/

Juca, não me lembro quando postei sobre o Jim Romanesco, jornalista blogueiro americano, que derrubou o diretor do NYT. Este protegia aquele jornalista que publicava notícias falsas, mas ninguém do NYT, abuia a boca. Mas o poder das manifestações no blog do Romanesko, o fez postar sobre o assunto, fazendo que o diretor pedisse demissão do cargo.

Desculpe-me, mas não me lembro dos nomes dos protagonistas.

Abraço

Juvencio de Arruda disse...

Ahahah...aqui em Déli não tem menor chance disto acontecer.
Mas eu lembro desse seu poster, acho que foi em novembro.
Aqui, demissões de editores chefe só quando a Rede Globo intervém.
Segue o Carnaval.
Em Veneza então...chiquérrimo, belíssimo.

Miguel Oliveira, jornalista disse...

Assim como nos blogs, a exceção confirma a regra.Há jornais bandidos e blogs escritos por bandidos, também.
Não dá para afirmar que só os jornais são lamaçais e os blogs são lamas medicinais.
Sobre os jornais, via de regra, as assertivas são corretas, embora carregadas de um certo maniqueísmos.
Jornal não é feito por ET. É feito por pessoas. Não me consta que os blogs sejam alimentados por alienigenas.
Feitas as ressalvas, afirmo que há centenas de blogs cujos titulares são 'venais', 'imorais','promiscuos', 'gigolôs', 'safados, 'ladrões' etc.
Como então ficam os incautos leitores desses blogs? Há lama medicinal para eles?
Como já dizia Batista Campos, 'boi é boi, ladrão é ladrão", não importa se em jornal ou em blog.
Miguel Oliveira
Jornalista há 27 anos.

Juvencio de Arruda disse...

Miguel, o polemista!
Obrigado por incendiar a contenda.
Este blog aguarda outras. manifestações, de blogueiros e jornalistas.
Ou simples comentaristas,bem vindos igualmente.

Marcelo Medeiros disse...

Pior que tudo isso são as "notícias plantadas", seja em jornais como em blogs. E isso, meu caro bloger, você sabe que existem.
Uma pena, né não?
E o leitor, ah o leitor, como fica nisso tudo?

Juvencio de Arruda disse...

É o famoso jornalismo "agrícola" Marcelo...eheh.
Mas não achemos que o leitor, de blogs principalmente, é sempre e tão ingênuo.
Nos jornais a situação é pior,acho.