31.1.07

Paraenses? Humpf!

Do blog Agonia ou Êxtase, do geólogo Jubal Cabral.

Em Manaus, a discriminação contra os paraenses é ilimitada.
O jornal "A Crítica" publicou uma matéria onde mostra que a migração dos paraense é contínua e constante em busca de melhores condições de vida.
Dentro do CREA-AM uma funcionária tentou fazer uma "graça" quando pedi que fossem incluídos todos os 143 municípios paraenses no local que pede o endereço do residente/solicitante de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).
Ela me perguntou o nome do município e eu disse: "Jacareacanga".
Ela retrucou: "Só podia ser no Pará".
Bom, daí...
Resumindo: aceitei o pedido de desculpas de seu chefe.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ora, a secretária te ironizou esquecendo que Eirunepé e Urucará são municípios amazonenses. Nomes esses belamente sonoros, tanto quanto o paraense Jacareacanga, que beliscou os ouvidos daquela manauara.
Mas essa coisa de Pará x Amazonas é uma coisa de besta, própria de quem sempre foi sub-desenvolvido e sabe continuar sendo. Ocorre que a pujança econômica de Manaus decorre exatamente de duas palavrinhas mágicas: Zona Franca - sede de um polo industrial que obrigatoriamente emprega pessoas para montar tecnologia produzida em outros sítios, que é bem diferente do modelo agro-mineral tucano do Pará, altamente concentrador e excludente, e responsável pelo exôdo paraense resumido no lema "Pará rico, povo pobre e corrido".
Mas, continuarão os amazonenses a viverem eternamente de subsídios, sendo Manaus praticamente o único município economicamente viável do Estado, e que por isso alberga quase toda a população amazonense e ainda chama gente de fora?
Afinal qual foi o problema para ficarem num desenvolvimento capenga, insulado no empobrecimento dos demais municípios amazonenses... Não deu pra crescer primeiro e depois repartir, porque os velhos coronéis primeiro sempre repartem entre si o maná e depois mandam o povo pro mato catar as favas do crescimento?
Como se vê são males perenes que sugam a energia dos dois estados e ainda dá aos seus povos - na realidade o mesmo povo em raiz - a falsa impressão de que um é melhor que o outro, enganando-os a ponto de não terem distinguido o imenso iceberg que os afundaria na crise econômica da Borracha na primeira década do século XX.
Quais seriam os perigos de hoje? São os mesmos. Como na época do desmoranamento da economia gomífera, as elites são predatórias e o capital sempre procura produzir onde a carga fiscal lhe é mais leve, onde o escoamento da produção é assegurada e menos arriscada, tocada com bons profissionais, salários e encargos sociais menores. Mas, são perigos mais perigosos que outrora, porque hoje os portos se multiplicaram para além de Liverpool; estão globalizados, o que obriga aos países em desenvolvimento a terem planos arrojados que obriguem investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias - e nesse aspecto nos dão boa lição a Índia, a China, Israel e a Coréia. Ou seja, quem até hoje apenas viveu da miragem da montagem de motocicletas, televisores e som três em um está sob um risco econômico bem maior do que aquele que sempre viveu de dar licença a quem queira cavucar minérios no chão. Risco econômico eu disse, porque o social é igual para ambos nessa nova /velha (des) ordem mundial.
Mas usemos de ternura e aliviemos, porque senão vou deixar a secretaria, a Bia e o Hardy HaHa mais chateados que nunca. Reconheçamos que os amazonenses fizeram um gol de placa quando produziram comercialmente o pós-moderno Boi de Parintins. E aqui está nossa redenção com bons pecadores dos trópicos: Se o Azul e o Vermelho não desenvolverem o Amazonas ao menos o deixarão mais colorido, mais fraterno e feliz.

Juvencio de Arruda disse...

Mas que delícia de comentário!
Obrigado pela visita.
Amanhã irá prá ribalta, é claro, e eu comentarei minhas rápidas e humildes ressalvas.
É importantíssimo sermos mais colcoridos ,fraternos e felizes.