18.1.07

Rebaixamento

Relatos de um viajante, enviado ao blog por e.mail.

Na primeira vez que estive em Lima, coisa de quase vinte anos já passados, visitando o aristocrático bairro de San Izidro, a pé, senti um cheiro esquisito - no sentido que a palavra tem em português - e era mesmo o que me parecia à primeira cheirada, confirmada à primeira vista. Era merda mesmo. E urina também, claro. Humanas.
Confesso que aquele cheiro me acompanhou por muito tempo.
Era o trauma pós-cagada.
Voltei lá anos depois, já sob Fujimori, e o cheiro não mais existia. Bom.
Também senti falta das quechuas - que, dizem, não usam calcinhas - e dos quechuas, com suas coloridas roupas (nunca consegui entender como elas equilíbram aqueles chapéus de feltro na cabeça). Me disse o guia - ainda na primeira vez que lá estive - que havia relação de causa e efeito. Dei-lhe fé.
Caminhando por Belém, a Metrópole da Amazônia, vindo de Ananindeua, onde moro - estou treinando para fazer o Caminho de Santiago de Compostela, por motivos não religiosos - tenho sentido o mesmo cheiro em muitos lugares. O trauma voltou. Agora a sensação de ser assaltado pelo mau cheiro a cada esquina me persegue.
Espero, sinceramente, que a coisa melhore.

Ou então Belém vai ser rebaixada e passará a ser a Merdópolis da Amazônia.
Com toda a falta de respeito.

3 comentários:

Anônimo disse...

LIMPA BELEM!
Esse foi o principal mote da campanha do prefeito Duciomar. Estamos vendo que estão sendo limpas outras coisas!

JOSÉ DE ALENCAR disse...

Espero que essa ameaça de rebaixamente - real e iminente - ponha a cidade e seus cidadãos em brios, como diria Jarbas Passarinho.
Se serve de consolo - e de exemplo - Paris também já teve seus piores dias. No Século XIX - antes da reforma urbana do Barão Haussmann - ela andava tão mal das pernas que o abusado Arthur Rimbaud (1854-1891) dela dizia ser Parmerde. Quando Tenochtitlan já era uma grande cidade azteca, Londres ainda era um amontoado de choças na beira do Tâmisa e alguns poucos palácios.
Barcelona também estava decadente quando, por vontade férrea de seus cidadãos e governantes, reverteu a situação e é hoje exemplo para o mundo inteiro.
Acho que o IV Centenário da cidade bem que poderia servir de mote para essa reversão.

Anônimo disse...

Em 1996, no govêrno Helio Gueiros, a cidade de Belém fedia muito, devido o lançamento, dos caminhões limpa-fossas, de resíduos fecais nos bueiros e caixas subterrâneas de eletricidade por toda a cidade.
Com o prefeito Edmilson, foi construido um leito de secagem de resíduos fecais no Aurá e resolveu-se a questão, voltando Belém a ser a cidade dos muitos e variados perfumes.
Alguma coisa não deve estar funcionando no govêrno Duciomar...