6.3.08

O Cheiro da Mídia

Por Walter Rodrigues.

Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, os principais países da América do Sul condenam a violação do território do Equador pelo Exército e Força Aérea da Colômbia. Os Estados Unidos apóiam a Colômbia.Dito isso, quem haveria de duvidar que o partido único da mídia brasileira —Folha, Estadão, Globo, Veja, Época, TV Globo, Band, CBN etc — ficaria com Bush e Uribe contra a Sul-América?
É mais uma evidência de que a democracia brasileira não dura muito tempo, se mais cedo do que tarde não se consegue “repartir” a mídia, democratizá-la.Não é possível que pensem todos do mesmo jeito, seja o assunto Alca, Iraque, Cuba, Venezuela, Irã, reforma agrária, CPMF, bolsa família, eleição presidencial.
Não é possível que nunca estejam em desacordo com os EUA, salvo em assuntos superficiais. De que adianta a liberdade de ter três ou quatro ou cinco grandes jornais, várias emissoras de TV, canais abertos e fechados, se ao cabo de tudo as agências de notícia são as mesmas, as fontes idênticas, iguaizinhos os preconceitos, os interesses, as manipulações?
Se até a linguagem é a mesma: “narcoguerrilha”, “armas de destruição em massa”, “clérigo radical xiita”, “organização terrorista”, “radicais islâmicos”, “insurgência”, “comunidade internacional”...
Com honrosas e respeitabilíssimas exceções, a mídia brasileira fede.

15 comentários:

a.coutinho disse...

Juca,

O amigo Walter esqueceu de mencionar que as FARC tem um brilhante projeto revolucionário para a América do Sul, embasado em práticas terroristas e financiado por tráfico de drogas, eles são bem maiores do que imaginamos.
Prefiro ficar com o lado fétido da mídia do que com los hermanos bolivarianos. O contexto é outro meu caro...

Juvencio de Arruda disse...

Fala Coutinho, sumido do blog.
O texto do WR é provocador. É claro que o contexto é outro, e é difícil admitir a prática terrorista. Isto não retira, no entanto, o caráter servil da grande imprensa que subtrai da patuléia os interesses americanos na AL, contra e por sobre a autodeterminação dos países sul americanos.
Entre os hermanos bolivarianos e o lado fétido da mídia, prefiro a discussão aberta e o contraditório, como estratégia para informar e entender.
Abs prá vc.

Marcelo disse...

É Gente,
o Millôr não está com nada. Mídia boa é aquela que concorda com com o governo Lula. A que discorda é o verdadeiro armazém de secos e molhados. Por que, na verdade,o incômodo é este- não as fronteiras do Equador.
É claro que a mídia brasileira precisa ser questionada, defendo isso até a medula, mas me assustam os "ganchos" e os raciocínios que, me perdoem, desqualificam a crítica.
A questão de verdade não é estar contra ou a favor de Bush ou Chávez, mas do bom senso e da democracia. E esse cerne da questão não é nem de perto tocado no posto do bravo WR. Uma pena!

Abraço
Marcelo Vieira

Juvencio de Arruda disse...

Fala professor.
Discordamos um ponto: o cerne da democracia passa pela transparência da informação, que a grande imprensa passa ao largo. Disto o nosso bravo WR nao deve ser acusado.
Abs pra vc!

Anônimo disse...

Boa a lembrança do comentarista das 10:06, sobre o grande Millôr, que partia da premissa de que a imprensa , necessariamente, tem de ser oposição e crítica.
Perfeita e pertinente a sua apreciação, Marcelo.
É rizivel a "licença poética" que a imprensa chapa-branca concede a esses movimentos e facções que tem como premissa básica única a violência.
Devem ficar com a coluna doída de tantos "contorcionismos" para não parecerem demasiadamente coniventes com esses agrupamentos sanguinários.
O resto é blá, blá, blá.

Em tempo: boa deve ser a Record e a Folha Universal , que se dedicam a tecer loas a Lula e Chavez.

Alan Lemos disse...

Tenho pena de quem lê e acredita nessas mídias. Infelizmente tenho familiares próximos nessa condição.

a.coutinho disse...

Viva o Jornal Pessoal!

Juvencio de Arruda disse...

Marcelo, meu caro, por um lapso perdi seu segundo comments. Sorry.
Marise manda um abs.
E eu outro.

Anônimo disse...

AK DIZ:
Partido Único da Mídia Brasileira.

Representantes :
Folha, Estadão, Globo, Veja, Época, TV Globo, Band, CBN, etc.

Quem diz isso é o Walter Rodrigues, que conheci muito pouco há muitos anos, mas sei ser um jornalista sério.

Acompanho, desde o comêço, o bafafá do Luis Nassif com a revista
Veja. Quem está acompanhando, sabe do que falo e porque estou fazendo esse comentário.

Essa discussão não é bem só do Nassif com a Veja, mas de uma parte da mídia contra outra parte da mídia.

E que mexe com todos os assuntos que essas mídias tocam,Bush ou não Bush, Brasil, Venezuela, Colômbia, Equador, etcs.

Midião, de bilhão. De dólares, euros ou até de real. Muito, mas bote muiticíssimo, e exagere no íssimo, nisso, do que a de Nova Dheli.

O Walter - é o primeiro que leio listar nomes dos orgãos de comunicação nesse tema - indicou os que, para ele, formam o

PARTIDO ÚNICO DA MÍDIA BRASILEIRA

Será que é único?

Creio que, com esse corajoso post do Walter, o debate sobre de que lado - e o que significa cada lado, ou lados - avança muito além
do bafafá - pelo menos como está - entre o Nassif e a Veja.

Afonso Klautau

Juvencio de Arruda disse...

É, Ak. Acho que há inclusive "diretórios regionais" dos PUMB's.

Ale Carvalho disse...

ai, que bom ler o txt do WR e que bom ler o que diz o Klautau... Valeu, Jucarruda. Ah, veja tb o Azenha. http://www.viomundo.com.br/blog/quem-atacou-o-equador/

Juvencio de Arruda disse...

Blz, professora.
Vou lá no Azenha.
Aliás, conheci-o em Santarém, na mediação do debate dos candidatos à prefeitura em 2000, na TV Tapajós.
Foi um debate tenso pois Bené Bicudo ameaçou algemar Lira Maia no ar, e ele era rapidíssimo no gesto.
Lira Maia, que sabia do risco, suava que nem aquele bicho gordo que faz óinc...rs
No final contamos pro Azenha que riu muito da história.

Bjs

Anônimo disse...

Quando da invasão do Iraque pelo Hitlerzinho do petroleo (eu imagino se esse cara fosse alemão e cometesse a barbaridade que ele comete , meu deus , o que se falaria dele , nossa) minha mulher por conta do trabalho ganhava de presente a Veja e eu acompanhei semanalmente os contorcionismos ridículos em tentar justificar o injustificável era risível , por várias vezes mandei cartas a redação pedindo para eles mandarem as matérias em inglês que cairia melhor e economizaria tradutor.Por outro lado vcs devem ter lido Carta Capital desta semana e puxa vida saí correndo pro sebo pra garimpar Mafalda.
Abraços
Tadeu

Cris Moreno disse...

A mídia brasileira é uma grande empresa. E ponto final. Os alternativos é que são os média. Ponto.

Beijos.
Boa noite, Juca.

Marcelo Vieira disse...

Caríssimo,

eu tinha comentado que não poderia haver divergência entre nós, pois nunca afirmei o contrário da sua frase(" o cerne da democracia passa pela transparência da informação"). Apenas,repudio a crítica partidária que prega a liberdade de imprensa desde que atrelada aos pontos de vista de uma determinado projeto. São lobos em pelo de cordeiro, não caio nessa. Não à toa, estão aparecendo "pingadas" as tais exceções honrosas: Nassif, Carta Capital... Se os comentários se alongarem mais um pouco logo, logo aparece o Paulo Henrique Amorim- todos profundamente ligados à defesa do governo. Chega a ser irônico criticar a imprensa apelando a "argumentos" do tipo "dize-me com quem andas e te direi quem és". Como a maioria dos amigos aqui do blog, prego a eterna vigilância à imprensa, seja lá de que tamanho for o órgão (ops, fica melhor o veículo, né não?, meus alunos podem depor em meu favor neste ponto. Mas me assustam certos "ganchos" e raciocínios que, me perdoem, desqualificam a crítica, cmo no caso em questão. Definir esa questão como "de que lado vc. está" é tão desinformativo como as práticas a que se quer combater. O certo é contextualizar como fez o Coutinho lá em cima.
Também considero pouco útil a divisão entre grande imprensa e imprensa alternativa, há bons e maus veículos em ambos os grupos.

Abs

Marcelo Vieira