27.2.07

Roteiro do Guia

Parsifal Pontes, depois de longa e compreensível ausência - chegou à Assembléia Legislativa na cota peemedebista - volta ao blog em caloroso estilo, comentando o post sobre uma viagem à Cuba.
Parece que andou bastante por lá, pois teve tempo até prá trocar seu celular por dois passeios de carroça nas quebradas de Havana. Com certeza com aquele chapéu bege com a cinta de seda preta.
Já me sinto lá.

Desde já, uma ótima estada em Cuba.
À título de colaboração, de quem já esteve várias vezes na Ilha, passo-lhe algumas considerações que lhe poderão ser úteis:Perambule pela parte antiga da Villa de San Cristóbal de La Habana, ou simplesmente, La Havana.
A área é denominada Vedado, e é exatamente aquela declarada pela Unesco Patrimônio da Humanidade.O Vedado está sendo todo recuperado: lá estão os seculares casarões, palacetes e igrejas, com fachadas em estilo pré-barroco, barroco, neoclássico, art nouveau, e art deco.
No vedado, também, está a Catedral de La Havana, o Museu das Armas e a Plaza Vieja, onde está a maioria das edificações históricas.
Pode andar a pé pela cidade e se misturar com o povo. O cubano é algo assim como os paraenses: dado à falar de si e querer saber dos outros.
Os cubanos nos adoram pelas nossas novelas, que são sucesso por lá: El Comandante, de vez em quando, se refere a elas em seus discursos.Ainda ficam babando pelos pertences dos turistas, tais como, relógios, óculos, e outras espécies da nossa querida sociedade de consumo.
Alguns, menos contidos, pedem o que você está usando, como presente de la amistad.Na última vez que eu estive lá fiz um ótimo negócio: troquei o meu aparelho celular, um nokia de R$300,00, por 6 horas, divididas em dois dias, de perambulação de carroça, pela parte residencial de La Havana, onde estão as residências coletivas e o verdadeiro cotidiano da cidade, jamais mostrado por La Oficialidad.
Não deixe de andar por esta parte da cidade: com mais cautela, é claro, pois, como em qualquer metrópole, a malandragem corre solta.Nos hotéis estão à serviço modernos táxis estatais.
A frota está composta, em sua maioria, de mercedez e citroëns: a época dos ladas já passou.Todavia, não deixe de pegar os táxis que circulam pela cidade. São táxis coletivos, mais ou menos como as nossas vans: aí ainda estão os ladas e aqueles peculiares modelos norte-americanos pré-revolução, que os cubanos fazem mágica para manter em circulação.
Têm, também, como já citei, as carroças de tração animal, e uma engenhoca que chamam de Coco Táxi, uma espécie de triciclo motorizado com capacidade para dois passageiros: é ótimo ver cuba de dentro deles.
O tradicional das visitas, é a Plaza de la Revolución, principal ponto de manifestações cívicas de La Havana, onde acontecem os longos discursos de El Comandante Fidel, o Museu do Rum, onde se pode ver a bebida sendo fabricada, a fábrica de Charutos Partagás, onde se vê os puros sendo elaborados, o Museu da Cidade, com peças da colonização hispânica, e o romântico Museu da Revolução, onde estão os objetos que marcaram a entrada de Fidel e Che em Cuba, para iniciar a batalha revolucionária, desde Sierra Maestra até a entrada triunfal em La Havana, em 1959.
No dito museu está o minúsculo Granma: barco em que Fidel e os revolucionários navegaram do México a Cuba.
La Havana também tem o seu Capitolio Nacional, cópia fiel do de Washington, mas, dizendo os cubanos, um poquito mas largo (eu nunca me dei ao trabalho de medir, para conferir), e a sua Quinta Avenida, onde estão a maioria das embaixadas.
Não deixe de visitar o Hotel Nacional, o mais chique da cidade: uma espécie de Copacabana Palace cubano.Tem um belo restaurante e era lá que se hospedavam os artistas de Hollywood, na época em que La Havana era o balneário preferido dos sobrinhos do Tio Sam.
A orquestra do salão de bailes do Nacional ainda tocava para os burgueses rodopiarem quando as tropas de Fidel fizeram a última parada na véspera da entrada na cidade: um deja vu de Titanic em terra firme.
Passeie pelos jardins do Nacional, que dão frente para El Malecon.
Na extrema direita dos jardins, em um pequeno promontório, está fincada a bandeira cubana: um ótimo ponto para uma tradicional foto.Mas o hotel deveras peculiar é o Havana Livre, ex Havana Hilton.
Foi nele que El Comandante, El Che, Cienfuegos – o verdadeiro articulador militar da Revolução - e assessores, estabeleceram o Quartel General ao chegarem em La Havana.Contam os cubanos que o atual nome do hotel se deu em virtude da frase proferida por Fidel, que, ao adentrar no lobby, instou os revolucionários a um brinde: ergueu um copo com rum e exclamou: “Havana es livre!”
Bem, o Tropicana ainda é a melhor revista de La Havana e La Bodeguita Del Médio o boteco mais famoso das Américas.
Desculpe, Juvêncio, acho que me empolguei e vou parar por aqui.
Acabei fazendo um artigo daquilo que seriam algumas dicas: vou adaptar e colocar na minha página, com a sua permissão, é claro, pois escrevi para o seu blog.

Valeu a visita, deputado.Vou seguir o guia.

13 comentários:

Anônimo disse...

Juca...nunca fui a Cuba,mas estarei indo em dezembro
nesse roteiro do Parsifal ele esqueceu do bairro Buena Vista..Vê se não deixa de ir por lá
Hasta luego

oliver disse...

Alguns reparos:
Primeiro: Vedado é um bairro residencial de Havana velha, que teve o seu conjunto arquitetônico tombado pela UNESCO. É um bairro em que se encontram casas de luxo e mansões, hoje utilizadas por embaixadas e organismos internacionais. Recebeu esse nome porque antes da revolução somente pessoas autorizadas - proprietários, hóspedes e empregad0s - estavam autorizados a circular alí. Para os demais era vedado.
Segundo: Havana velha tem seus lugares perigosos, alguns deles de elevada criminalidade, objeto de projetos sociais específicos do governo. Correu risco, e sem necessidade, o Pontes. Definitivamente não recomendo esse tipo de "aventura".
Terceiro: acresceria aos monumentos lembrados para visita o Teatro Nacional, ao lado do Capitolio cubano (uma construção magnífica, por dentro e por fora); a Universidade de La Habana; a rua que, salvo erro, passa pelo lado do Hotel Nacional, abandonados pelos donos depois da revolução, hoje habitações coletivas; os shows no último andar no Teatro Karl Marx (pagava-se um dólar e se esbaldava em diversão que dia de mágicas à cancha de Omara Portuondo), uma visita ao magnífico forte colonial que defende a baia e dá um skiline sensacional de Havana velha (nele tem um pequeno museu sobre o Che, que teve nele seu escritório)e acontece a cerimônia do canhonaço, lembrança dos tempos que a ilha era colônia de Espanha. Se ainda tiver tempo, um bom almoço nas colina de Cojimar para saborear um peixe no restaurante que Hemingway frequentava (quando vivo, o pescador que inspirou O Velho e o Mar vez por outra aparecia).

francisco rocha junior disse...

Rapaz... o blog se transformou em um excelente guia de viagens! Sempre que for viajar a algum lugar novo, vou provocar esse pessoal finíssimo que anda por aqui. Show de bola!

Anônimo disse...

Rapaz,

Parece que o Pontes foi à cuba para experimentar veiculos. Tem de tudo...
O cara andou de carroça, triciclo, táxi velho, táxi novo, charrete, bicicleta, monociclo e, dizem as más linguas cubanas, até uma biga romana adaptada ele experimentou.

Um jeito meio esquisito de fazer turismo. Não achas?

Abraços

Flanar disse...

Bem. TEMOS que acrescentar as correções do Oliver. Alguém aí já fez Machu Pichu e poderia contribuir com algumas dicas?

Juvencio de Arruda disse...

Ahahha...biga romana é ótimo.

Franssinete Florenzano disse...

Flanar, Machu Picchu é fascinante. Impressiona o conhecimento de canalização de água, engenharia, arquitetura e o sistema de comunicação do império inca, além, é claro, da viagem ao passado, com todas as suas nuances míticas. Lá, nos restaurantes em frente à estação de trem, dá para ver, de cima do penhasco, a nascente do nosso rio Amazonas, tão estreitinho, parece um filete de água.
Antes, é imprescindível ir a Cuzco, capital do império inca, o "Umbigo do Mundo", onde há vários sítios arqueológicos e catedrais portentosas construídas pelos conquistadores espanhóis em cima dos templos incas...
Chegando a Cuzco, é preciso tomar logo um chá de coca, para compensar o mal-estar pela altitude, o "soroche". E depois muitos outros, para ter disposição a 3.500 metros.
Há vários meios de transporte de Cuzco a Machu Picchu (ônibus,táxi, bicicleta (na magrela só com guia), de mocotó movel, para os aventureiros que adoram uma trilha, e até de helicóptero. Mas bacana mesmo é ir de trem. Há três tipos (de acordo com o bolso).A melhor época é de maio a setembro, com calor e céu claro de dia e friozinho à noite. Não deixe de conhecer também o Vale Sagrado.Vá lá e aproveite!

Parsifal Pontes disse...

Para o anônimo: de fato eu esqueci de mencionar o bairro Buena Vista, todavia, embora seja boa uma caminhada por lá, nada tem o bairro de peculiar, a não ser ter sido o local onde outrora foi o assaz famoso Buena Vista Social Club, que era um clube de idosos, que não existe mais, imortalizado pela banda musical de mesmo nome. Mas, peço-lhe permissão para acrescer isto no meu roteiro.

Para o Oliver: com a sua permissão, quero também acrescentar no meu roteiro, as suas observações, que considerei não como reparos, mas, como valiosos adendos. Peço-lhe vênia, não obstante, para insistir na ida às paragens que você adjetivou de "aventura": é preciso ver aquilo para que a visão de Cuba seja completa.

Ao Francisco: obrigado, pela parte que me toca...

Ao anônimo: eu não me lembro desta biga adaptada, mas garanto-lhe, se os cubanos achassem uma biga, com certeza, eles iriam fazê-la andar, e eu andaria nela.
Na verdade, nunca fui à Cuba por turismo. Meus motivos primeiros na Ilha foram ideológicos, depois, quando endureci, pero sin perder la ternura, passei a ir por gostar de estar por lá. Fiz amigos.

Para Flanar: também já estive em Machu Pichu. É espetacular. Tenho algo escrito a respeito, mas achei algo piegas o que escrevi e nunca publiquei. Vou tentar adaptar para um roteiro e quando estiver pronto eu aviso.

Para o Juvêncio: lembrei de algo importantíssimo. Entre na fila da Copelia e tome um sorvete. Já foram bem melhores, mas não se pode voltar de Cuba sem ter tomado un helado Copelia.

Um abraço a todos

Parsifal
Um abraço a todos.

Flanar disse...

Fantástico! Estaremos indo à Machu Pichu em Julho deste ano. E já consegui 2 excelentes roteiros aqui no quinta. Desde já agradeço à Franssinete e Parsifal.

Anônimo disse...

Parsi,

Além de cosmopolita vc tem um bom humor refinado. Coisas raras na classe política. A biga foi pura gozação para descontrair.

Abraços de verdade, irmão.

stefani henrique disse...

Ir a Cuba tem quer ir a Varadeiro, um mar lindissimo, e lagostas a preços baratissimos, me esbaldei quando estive lá, além de passear de motos que vc pode alugar.

Juvencio de Arruda disse...

Essa das lagostas a preços baratíssimos é uma ótima dica,general.
Mas...pô!
Todos os leitores do Quinta já foram à Cuba!?
Abs, Stefani.

Luciane Fiuza de Mello disse...

Meu novo post é pra te desejar boa viagem. Com muita dança e música.
Abs!
Lu.