18.6.09

Diploma de Bem Informar

Em seu site, o jornalista Paulo Hemrique Amorim sintetiza, com rara propriedade, parte dos efeitos que a exigência do dipoma de jornalista causou à sociedade brasileira. A Fenaj tem razão quando diz que a decisão do STF representa um duro golpe à categoria.
Vamos assistir a um longo processo de reestruturação em todo o setor: sindicatos, faculdades, currículos e aspirações juvenis que tranformaram os cursos de Comunicação num dos mais concorridos do Brasil.
A vocação deverá se impor nas escolhas dos vestibulandos, muita gordura trans terá que ser extirpada das grades de disciplinas, e os sindicatos precisarão se ajustar às novas regras, não podendo mais ser admitidas patuscadas vergonhosas como o silêncio do Sinjor no episódio da agressão ao jornalista Lucio Flavio Pinto pelo notório Ronaldo Maiorana e seus bate paus indecentes.
Não deverá ter sucesso o bypass que a Fenaj prepara, via Congresso.
Ao final deste processo de reacomodação, assim espero, teremos a convivência pacífica e mutuamente proveitosa nas redações dos mídias, entre formados e bem formados.
Todos tem a ganhar com a decisão do STF.
Menos, é claro, os incompetentes ou embalados pela moda e os que se acostumaram a garantir(?) o mercado com ações corporativas.

23 comentários:

Samuel Mota disse...

Caríssimo mestre, é com imenso prazer que a partir de agora vou me aprimorar na leitura e decoreba das leis, para exercer "o direito" na defesa dessa sociedade. Principalmente no interlan. Dentro do contexto, vou me especializar para dar aula de matemática, já que domino bem as equações algébricas desde pequeno.
Abs, Samuel Mota (um saudoso do jornalismo)

Juvencio de Arruda disse...

Caríssimo Mestre Samuel, vc sim, boa sorte em sua empreitada.
O interland é um ótimo espaço da defesa dos direitos da sociedade.
A Matemática é uma linguagem poderosíssima!
Não esqueça de deixar seus contatos.
Abs

Heloísa Helena disse...

Acabo de ler o parecer de Gilmar Mendes sobre a exigência do diploma para exercer a função de jornalista. Confesso que é um primor, tudo o que penso sobre este caso foi muito bem argumentado pelo ministro. Apesar de ter por ele profundo desprezo não posso negar que ele domina as ferramentas de seu ofício.
Estou muito feliz com o fim desse verdadeiro atentado à democracia e ao direito de expressão que era a exigência do diploma.
Tenho a convicção que muito teremos a ganhar neste feudo que é a Indústria da Mídia.
Agora vamos ver que são os "donos" dos sindicatos dos jornalistas. Agora sim vamos ver se tem capacidade de mobilização e se são de fato os guardiãos da liberdade de expressão. se vão deixar de ser meros arrecadadores de contribuições sindicais e outras cositas mais.
Jamais esquecerei da atuação desse senhores no espisódio Lúcio Flávio x Ronaldo Maiorana.
Vamos lá meu caros sindicalistas, vão estudar a ação coletiva e trabalhar pela sociedade democrática e pela Amazônia, chega de vida fácil.

Ale Carvalho disse...

Querido Juca, tenho orgulho de dizer que aprendi jornalismo com várias pessoas que não eram formadas em jornalismo, mas que eram exemplares no papel. Ao passo, que encontrei pela vida uma sorte de jornalistas com diploma e aspirantes ao canudo que não valiam nada!
Conheci alunos que já sabiam escrever um bom texto noticioso no terceiro semestre, mas que necessitavam de outros conhecimentos, mais aprendizado, mais experimentação.

Eu lamento muito por todos aqueles que julgam que uma faculdade só é importante por causa do diploma oferecido no fim. Um curso de jornalismo com boa estrutura curricular e profissional faz muita diferença.
Por outro lado, você já pensou o que ia acontecer se exigem diploma de sociologia para todos os que fazem pesquisa social no Brasil? rsrs.
Estou de acordo com vc. Sou otimista.

(já discuti isso tanto ontem na web, que cansei..rs.)
bjs

Ale Carvalho disse...

E um textinho feliz da profa. Ivana Bentes, diretora da ECO-UFRJ http://www.trezentos.blog.br/?p=1839

Evandro Santos disse...

A decisão do STF tornar ainda mais combalida a categoria em todo o país. No caso de Belém, onde empresas exploram diplomados, pagam mal e não respeitam o direito dos profissionais, a não exigência do diploma deve desmoralizar de vez as relações entre empregador e empregado. É lamentável.

Cássio disse...

Juvêncio, que diriam os juízes se o Judiciário fosse administrado por pessoas sem formação no Direito? Será que o "coronel de toga" teria coragem de comparar juízes a cozinheiros? Com todo respeito a sua opinião, Juvêncio, nem todos ganham com essa lamentável decisão do STF, principalmente a formação jornalística sistematizada, embasada pela teoria comunicativa e pela experiência. Diga-se de passagem, que a ANJ, a ABERT e a ALERT soltaram loas a essa decisão. Estranho, não? Concordo, porém com você que muitas práticas sindicais devem ser mudadas a partir disso, notadamente quanto às picuinhas históricas e inúteis entre jornalistas e trabalhadores de empresas de radioteledifusão (radialistas para os íntimos). Quem sabe o SINJOR comece a tomar posições menos dúbias. Sem trocadilhos com a piada de "Filadélfia", já é o começo de uma boa história...

Anônimo disse...

Sou a favor também que se acabe com os diplomas para advogados, assistentes sociais, sociólogos, odontológos etc. Afinal, tem pessoas que conhecem leis mais do que muitos advogados, assim como também tem muita gente que "arranca dentes" melhor que muitos dentistas.

Vamos fazer melhor: cada um exerce a profissão que quiser sem precisar passar pelos crivos das faculdades/universidades. Basta ter a prática e um mínimo de conhecimento sobre o assunto para trabalhar em que quiser, afinal conhecimento nem sempre se adquire nas academias.

E quanto aos professores? Vamos rasgar a LDB que exigiu que todos professores tenham curso superior.

A dona Raimundinha da esquina não lecionava antes, porque não pode continuar lecionando?


ABAIXO OS DIPLOMAS....

Anônimo disse...

ESCREVER é algo nato. Extrair um dente depende da prática; advogar depende da prática; ensinar também é algo nato e que depende da prática.

Gosto de escrever, embora não seja jornalista. E daí? O que escrevo não coloca em risco a vida nem a saúde de terceiros. Se colocasse eu não escreveria.

Creio que alguns jornalistas que fizeram curso específico para o jornalismo, talvez veem nisso um risco para sua atividade, mas principalmente para a sua sobrevivência, ou seja, deixarão de comer.

Quem é bom não deve ter medo de concorrência. Ademais, imaginemos então uma situação em que alguém que tem inteligência nata, seja impedido de mostrar o que sabe.

Uma pergunta: o primeiro homem a escrever, acaso teve que frequentar alguma escola para o fazer?

Quanto a gramática tudo bem, é bom conhecer as regras. Mas quanto ao conteúdo, o que tá dentro da "cachola"? Nenhum diploma consegue fazer com que alguém tenha conteúdo.

Não tenham medo de morrer de fome. Existem infinitas atividades nesse mundo.

Anônimo disse...

E Já que os juízes do supremo estão tão preocupados com a liberdade de expressão, vamos pedir que eles acabem com as eternas renovações das concessões de emissoras de rádio e televisão que só beneficiam umas poucas famílias, essas sim, as verdadeiras donas da "liberdade de expressão" no Brasil.

Anônimo disse...

Parabens anonimo das 2:03...é o meu pensamento tambem...Mestre dos blogs, sobre o arbitro do jgo do Brasil segunda, foi a consicencia dele viu ? rsrsrs..1 abraço do Mediador de Emoção,

Juvencio de Arruda disse...

rsrs. Registrado, Grande Med.
E com a consciência ninguém brinca, se não ela não deixa a gente dormir...eheh
Abs

Anônimo disse...

Escrever todo mundo pode e deve, mas não é isso que caractariza a profissão de jornalista...

É por essa falta de desconhecimento da profissão e, também, por um jogo de interesses economicos, que derrubaram o diploma.

Anônimo disse...

Só acho que a decisão do STF acabou por nivelar por baixo a profissão de jornalista. Daqui a pouco não vão faltar nas redações, pessoas aceitando ganhar R$500 por mês para aprender o ofício. E quem conhece as redações de hoje, sabe que o que se menos faz é ensinar quem está começando. E a qualidade dos jornais vai descendo a ladeira...
Ora, e quem disse que trabalhar como jornalista nos veiculos de comunicação é assegurar a liberdade de expressão? só se for a do dono do jornal.
Além disso, para se escrever o que quer , como quer, têm os artigos, blogs da vida, fórum de discussão, que não são necessariamente veiculos jornalisticos, mas que interagem tanto quanto no processo de comunicação social.
Acho que esta decisão do ministro vai de encontro com tudo que se planeja no sentido de organizar carreiras e a qualificação profissional.

Anônimo disse...

No meio de tanta paixão, de tanta necessidade de reserva de mercado, de tanto corporativismo inexplicável, de tantos argumentos energúmenos sobre "vou ensinar direito, vou exercer a medicina ( talvez um admirador do Dudu), etc, um primor de lucidez a nota da doutora - em jornalismo - Alessandra Carvalho, que usa o diploma para aprimorar a prática jornalística no País e não para garantir seu lugarzinho na Grande Imprensa
Sérgio Palmquist

Diógenes Brandão disse...

Meu caro Juca,

Olha que faz dois meses que venho lendo de artigos á comentários em tudo que é blog desse espaço virtual, já que papel pra mim, só serve para enxugar as mãos em banheiro público. Aqui encontrei resumidamente a gênese do debate:

A questão é a competência de uns e o medo de outros.

Mas o motivo de minha inferência é similiar ao professor Palmquist pai de uma jornalista amiga minha e que concordo no que tange a análise deste sobre os interesses e melindres feridos.

Você e tantos outros continuam sendo meus mestres, os quais acompanho como aluno daqui mesmo, de onde quer que abra meu computador, conecte e pronto: mais uma aula!

Sem falar dos livros que em meu quarto e só lá, insisto em mantê-los por deles ser contaminado anos atrás, como por exemplo meu predileto da área da comunicação: Elementos para uma teoria dos meios de comunicação do Alemão Hans Magnus Enzensberger.

Valeu Juca, as Falas continuam!

Juvencio de Arruda disse...

Brandão, obrigado. Aprendemos uns com os outros. Tb gosto do trabalho do alemão.
Valeu, e vamos às Falas.

Helena disse...

Quanto à finada obrigatoriedade, foi morte natural, para o bem ou para o mal. Retuitando o Inagaki: "O STF não acabou com a obrigatoriedade de bom texto, bagagem cultural, triagem, apuração, credibilidade. Temer o quê?"
Mas vamos concordar? A argumentação dos ministros foi a mais rasa que já ouvi, acompanhando esses julgamentos momentosos do STF por obrigação (jornalística) há uns dois anos. Dizer que jornalismo não exige nenhum conhecimento técnico é prova de total ignorância sobre o que eles estavam julgando. Pior: dizer que erro de jornalista não é tão grave quanto erro de médico? O julgamento todo foi, na minha opinião, um espetáculo deprimente do quanto o Judiciário despreza e não entende os jornalistas (com ou sem diploma) e o jornalismo.

Juvencio de Arruda disse...

Perfeito, querida.

Ana Lucia Prado disse...

Helena, Juca,
Até que enfim alguém coloca no devido lugar o que foi parte das argumentações dos senhores magistrados do Supremo. Afinal, quem acompanhou voto a voto o julgamento pode de facto dizer que pouco se sabe de quase nada, discursos frágeis, retórica vazia. De "achismo" o mundo está cheio. Edgar Morin deve se remoer ao ouvir tamanhas simplificações. Sérgio Paulo Rouane tb. E, nem não vou entrar no mérito da questão em si, até pq cansei do tema e decisão judicial é pra ser cumprida, ou não é? Como vai ficar daqui pra frente não se sabe ao certo, pode-se arriscar algumas hipóteses, o resto são exercícios futurológicos sem razão.
Mas, o momento é para reflexão, no mínimo sobre o próprio jornalismo brasileiro. E nesse momento, é bom ler o que defendem Kovack e Rosenstiel em "Os Elementos do Jornalismo". Apesar da afirmação de um dos ministro de que jornalismo não é ciência, o estudo dele é.
Abraços

caco ishak disse...

o que mais me deixa mais besta nessa história toda é ver o bando de paus mandados - principalmente de nossas redações paraoaras - encher a boca pra falar em ética, compromisso, quando praticam justamente o contrário (e se cagando nas calças de tanto medo do patrãozinho).

Juvencio de Arruda disse...

Certeiro, bro!
Essa cambada vai toda pro buraco.

Anônimo disse...

Nenhuma empresa de comunicação jamais deu a mínima pra diploma de jornalista, o mercado sempre se regulou e contratou somente pela competência de cada um, pela capacidade de cada profissional em gerar lucro pras empresas. Isso não vai mudar, com ou sem obrigatoriedade pra diploma.. O que eu não entendo é o motivo de tanta raiva contra as pessoas honestas que trabalham duro nas redações, seja na dos Jader ou dos Maiorana. São pessoas em sua maioria honestas, lutando pra sobreviver, como todo mundo e que não têm culpa se os seus patrões são quem são. Nem todo mundo é bem nascido, que vive de hobbys e não precisa trabalhar de verdade pra poder sustentar a si e a sua família. Nem todo mundo é "bacana" ou vive de enganar os outros. Nem todo mundo pode viver sem precisar trabalhar ou sem se borrar de medo de patrões lobos maus.. Toda essa raiva contra essa "cambada" é fruto de uma motivação consistente?... Ou de sentimento menos nobres?... Tenho cá minhas dúvidas...