26.6.09

Se Sarney Renuncia, Acaba

Por Walter Rodrigues, no blogue de Colunão, sob título acima.

Por mais duro que pareça aos sarneístas, tem razão o senador Pedro Simon (PMDB-RS) quando sugere a “licença” de José Sarney da presidência do Senado, como forma de preservar a instituição e arrefecer o denuncismo midiático.
Com três ressalvas, porém:
1) Licenciar-se é um modo menos doloroso de renunciar, pois quem sai em circunstâncias tão adversas depois não tem como voltar;
2) “Preservar a instituição” significa arranjar um meio de salvar a pele de todo mundo — senadores e altos burocratas, com duas ou três exceções entre esses últimos —, enquanto a de Sarney é lentamente consumida pelo descrédito.
3) O denuncismo midiático existe, sim, no sentido de que a grande imprensa do sudeste está em campanha para derrubar o presidente do Senado e parte do que publica é exagerado, distorcido ou simplesmente injusto.
Mas há muito que o Senado convive com graves irregularidades de que somente a alta burocracia tinha pleno conhecimento — mas nenhum dos senadores ignorava por completo. Nesse sentido, a imprensa contribui para melhorar o Poder Legislativo quando lhe expõe as mazelas e força a criação de mecanismo de transparência que já deveriam existir há muito tempo.

Não é como Renan

É pouco provável que Sarney aceite licenciar-se, assim como não se vislumbra a possibilidade de que seja destituído por seus pares. Cair de um cargo tão elevado com quase 80 anos, após uma carreira quase sempre ascendente, é mais do que Sarney conseguiria aguentar política e talvez até fisicamente.
Renam Calheiros pôde renunciar e continuar no jogo, quase com a mesma força. Sarney, não. Se renuncia, está morto.
A questão é saber se aguenta mais uma semana de bombardeio.

10 comentários:

caco ishak disse...

http://www.youtube.com/watch?v=4LyeGC6fGX4

e pensar que tudo começou assim..

Anônimo disse...

Todo mundo falando da corrupção no Senado, nepotismo do Sarney, na Donana, e dos arbítrios do Dudu, que é um anônimo, um ser invisível que não fede nem cheira.
Mas todos aqui, tampouco a grande imprensa e o governo se esquecem dos desvios milionários que o setor de licitações das Forças Armadas fazem. Tem muito coronelzinho se empachando de dindin ali nos escritórios, através da compra de equipamentos, peças e serviços.
E é muuuito dinheiro.

Anônimo disse...

Há uma campanha para que Sarney renuncie como se Sarney fosse um Jader ou um Renan. Não é. Ele não é apenas um cacique político, ex-presidente do país, ex-presidente do Senado, mas um dos políticos mais poderosos DENTRO DO CONGRESSO NACIONAl. E esse poder não lhe é conferido pela opinião pública, mas por tentáculos que vão até onde não se enxerga. O DEM, que havia negociado com Sarney, resolveu aumentar o preço da proteção, mas o PSDB já baixou o tom e o PMDB, afora amalucados como Pedro Simon, que sempre faz o mesmo discurso pedindo a renúncia de alguém, está com o ex-presidente. Ele não cairá.

www.muraldemaraba.blogspot.com disse...

Morre nada! Temos até hoje suportado a Sarney e seus pares e não morremos.

Por que ele morreria apenas pela perda do controle do senado, sendo que continuará senador e com os mesmos benefícios?

Ainda morre!!!

Bia disse...

Caríssimo,

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou terça-feira uma emenda que altera a localização das estrelas na bandeira nacional. Nesta brincadeira, nossa estrela, aquela lá do alto, que representa o Pará, será substituída pela esbórnia conhecida como Distrito Federal, sem ofensa aos seus habitantes hbituais mas lembrando seus habitantes eventuais.

No fundo acho isso tudo uma palhaçada, uma droga, uma fanfarronice que não significa que seremos mais ou melhor, menos ou piores, mas alguma coisa me aborrece e mexe com meus brios de paulistana paraense. Divido o desconforto com você.

Beijão.

Val-André Mutran disse...

O denuncismo midiático ao qual o nobre colega se refere talvez carece de maior sustentação.
Diminui o trabalho cruel, dificílimo em que estão submetidos meus colegas que cobrem --como eu cubro--, porém, em outro nível, o Congresso Nacional.
Desvendar esse pântano de sujeiras que a todos envergonha, somente não à eles (políticos safados, patrimonialistas, nepotistas incorrigíveis e que se pensam mais espoertos que nós repórteres, não é desafio para qualquer um.
Essa indigitada famíglia, representa hoje um poder em decadência como deve ser o poder das famílias que ousaram se utilizar de prepotência, arrogância, violência e outros quetais que revelam a pequenês humana em busca desesperada para manter o vício inebriante do poder e, acima de tudo, do dinheiro.
Dois elementos que revelam a personalidade real de qualquer ser humano.
Faço aqui minha mea culpa por atos que estava de fraldas ou, saindo delas quando alguns poucos membros de minha própria família praticaram.
Deu no que deu: só sobrou os bons no sentido lato sensu da palavra. Visto que muito dinheiro na mão é vendaval para aqueles que não o respeitam.
E ai vem logo a minha mente outra coisa que considero muito importante nesse meio de poder, dinheiro e o desígnios das vidas de pessoas que eles (políticos) jamais vão conhecer: o ato da escolha. Deles e de quem os elege.
A escolha é um ato nobre e um privilégio, pois não são todos os que podem fazê-la. Pessoas nascem sendo conduzidas por um caminho, que não necessariamente condiz com àquilo que elas desejavam para suas vidas. Vivem uma realidade que elas não queriam. Diante dessa afirmativa, você deve estar falando: Ninguém está muito satisfeito pela vida ou pelo que tem! Sim, concordo, mas é justamente aí que reside todo o problema. Às vezes, nos pegamos reclamando da casa, do carro, da vida, do trabalho, da escola, dos amigos, dos filhos e da família que temos. Mas será que temos feito algo para mudar essa realidade? Temos feito algo para mudar nós mesmos, no sentido de que possamos nós também, constituir mudança em nós, nos outros e na nossa própria realidade? Mudar nossas atitudes, ações e atos, é o primeiro passo para construir uma nova realidade. Reclamar não muda nada, só piora a situação. Devemos parar e pensar no que temos feito, vivido e experimentado. Será que estamos certos em cobiçar o que o vizinho têm ou o melhor é buscar trabalhar para também conquistarmos? Nós, como já dito, podemos ao menos escolher que caminho seguir. Inúmeras são as pessoas no mundo, que não puderam escolher. Nasceram pobres e sabem que dificilmente deixarão para trás esta realidade, ainda que exceções ocorram em expressivo número. Não fique parado no tempo, vendo as mudanças que ocorrem no espaço que ocupas. Tome iniciativa, mude, construa, edifique, gere, renove, revigore, seja você, o teu próprio herói. Afinal, nossos inimigos somos nós mesmos!
E os Sarney são declaradamente um clã de escolhas erradas para o povo do Maranhão e (toc, toc, toc, na maçaranduba) do Brasil.
A ponto, vejam vocês. De Sarney Filho, deputado federal, VERDE, ex-ministro do Meio Ambiente, essa semana se retirar de uma reunião multiministerial para resolver o problema do passivo ambiental da produção, simplesmente porquê foi repreendido na Mesa de Negociação de sua postura.
Sabem vocês o que o herdeiro do presidente do Senado Federal defendia: a prisão imediata dos produtores com passivo ambiental.
É uma quinta essência de um político hipócrita que foi à imprensa do sudeste negar a pilantragem de seu filho banqueiro.
Assim ó, com Agaciel Maia, afilhado político de Sarney.
É com esse tipo de elementos que tenho que conciver aqui.
- Eh! E para encerrar. Adoro o Maranhão.

Barroso disse...

Acredito que toda esta situação deve ser finalizada com penalizações a a quem de fato com ela tenha contribuído, independente de idade, cargo, etc. O que precisa ser restaurado, não é somente a credibilidade do senado. Precisamos restaurar e rever nossa honradez como responsáveis pela eleições dos parlamentares. Porque o Siafi não é disponibilizado para consulta pública? Acredito que os únicos gastos que deveriam ser preservados de divulgação, são aqueles relativos à segurança nacional. Assim seria coroado o princípio constitucional da publicidade, irmão siamês do princípio da moralidade.

Dulcivania Freitas disse...

Que morra, então.

Anônimo disse...

"Informamos que o portal Transparência Pará está em manuntenção". Essa é a mensagem que permanece estampada no site da Auditoria Geral do Estado. Pois bem, alguém poderia dizer há quanto tempo e até quando continuará fora da órbita???

Anônimo disse...

Oi Juca,
Que me desculpe o Walter Rodrigues. Mas, pra mim, o Sarney é culpado sim,até por omissão. Eu tô adorando essa "Campanha midiática" contra ele. E não quero que ele saia não. Quero que ele continue lá, no canto do ringue, apanhando. O povo do Maranhão, expoliado pela famiglia durante todos esses anos, tenho certeza que agradece.