18.6.09

Lula e Seu Aliado Incomum

No blog do Colunão, por Walter Rodrigues, sob o título acima.

Sarney é um importante aliado de Lula, não de agora, mas desde pelo menos o 2o turno de 1989, quando articulou secretamente em favor do candidato do PT contra Collor. Depois foi um crescendo de declarações, afagos recíprocos, até que em 2002 o ex-presidente embarcou de ponta-cabeça na campanha de Lula, após a explosão da candidatura Roseana no caso Lunus.
Natural que se ajudem quando um deles se vê em dificuldades. Foi assim na época do mensalão e em vários episódios anteriores nos quais se pôs em dúvida a honestidade do atual presidente da República.
Mas Lula passou do ponto ao declarar que Sarney não pode ser tratado como “homem comum”, do qual se cobra qualquer deslize.
Pelo contrário. Quanto mais alto o cargo, a posição, maior exigência de probidade e decoro.
O homem comum, quando pode — geralmente não pode — dá um drible no imposto de renda, viaja com passagem cedida por um órgão público, pendura a filha ou a sobrinho num faz-de-conta qualquer, enfim, se vira. Às vezes é até um caso de “inexigibilidade de outra conduta”. Do homem “incomum”, que já desfruta de tantas prerrogativas, é natural que se exija mais.
Decano do Senado, presidente da casa pela terceira vez, ex-presidente da República, Sarney não é muito diferente da grande maioria de seus pares ao dispor do patrimônio público. Do celular do petista Tião Viana às passagens do “verde” Gabeira — tão maduro nessas coisas que transformou limão em limonada só na conversa — praticamente não escapa ninguém.

Matilde

A ex-ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, também achava que podia comprar artigos de luxo num free shop com seu cartão oficial, e ainda houve quem dissesse que foi racismo reclamar do comportamento dela...
Muito menos a moralidade seria o apanágio de um ricaço arrogante como Tasso Jereissati ou seu colega tucano Arthur Virgílio, que surfam na presente onda com a complacênca da mídia antipetista. Até mesmo um símbolo da “austeridade” como Pedro Simon derramou-se em elogios quando se viu diante de Duda Mendonça na CPI do Mensalão — Duda tinha feito a campanha do senador no Rio Grande do Sul, naturalmente sem caixa 2...
Nada disso muda o essencial. Sarney não cometeu nenhum crime hediondo que justifique o massacre que vem sofrendo. Muito pior fez o seu principal inimigo político no Maranhão, o ex-governador Jackson Lago, que entretanto ainda posa de vestal para colunistas desinformados de São Paulo ou Brasília. Mas daí a querer que Sarney seja inimputável só porque conduziu com tolerância a transição para a democracia — depois de ter sido presidente do partido da ditadura — ou porque defende o governo Lula contra o golpismo endêmico na política brasileira, vai uma distância muito grande.
Sarney não é homem “comum”. Por isso mesmo o homem comum, base essencial do governo Lula, exige que eles não se portem como qualquer um.

Modus “namorandi”

Fernando Henrique fez um filho na jornalista e entregou a conta à Rede Globo. Renan Calheiros, idem, aceitou os préstimos de uma empreiteira. Fernando Sarney preferiu pendurar a filha no gabinete do senador Cafeteira, que lhe devia “favores”.
João do Valle dizia que o amor é bandoleiro, pode até custar dinheiro, é uma flor que não tem cheiro e todo mundo quer cheirar.
Ruim é pagar a despesa dos outros.

6 comentários:

Hilder Branco disse...

O Dep. Parsifal Pontes, publicou em seu site, que o problema do governo petista não está na falta de verba e, sim, nos ratos que compõem a equipe,ao dizer:
- Transformando a ópera em MPB, o Cazuza cai bem na moral da modinha: “a piscina de alguém está cheia de ratos, suas idéias não correspondem aos fatos”.

Hilder Branco disse...

O Grande problema é que o do dep. Parsifal Pontes, parece esquecer, que a sua esposa, Ann Pontes,também, faz parte da equipe do governo petista.
Ela é a Secretária de Turismo do Estado do Pará - Paratur.

Anônimo disse...

Numa coisa o presidente da República tem razão: Sarney não é um homem comum. Não é comum alguém prejudicar durante décadas seu Estado e seu País e ainda posar de vestal, com os aplausos do presidente da República. Aliás, uma república fora do comum.

Prof. Alan disse...

Juvencio, Mano Velho, lembras do "Xô, Sareny!"?

Será que ainda dá tempo de ressuscitar?

Juvencio de Arruda disse...

Parente, a queridíssima Alcinea, lá do Amapá, está co uma nova campnha no blog (link ao lado.
Este péssimo elemento agora virou um ursinho de pelúcia..rs

Raphael Teixeira disse...

Na terça eu já não estava entendendo mais nada quando Sarney foi chorar lágrimas de crocodilo da tribuna, pedindo uma carta branca à Nação, usando a presunção da auto-inocência.

Mas a coisa piorou mesmo pra mim foi na quarta, quando vi que havia alguém que concordava com ele (Sarney)! E que pra piorar era o super popular Presidente da República.

Por conta daquelas coisas que a minha ingenuidade não me deixa compreender, eu fiquei pensando porque cargas dágua um presidente com índices ostensivos de popularidade precisa passar a mão na cabeça careca do bigodudo maranhense.

Porque alguém com o cacife de Lula (e não estou querendo com isso dizer que ele também não é 'pessoa comum'), precisa ficar manchando a biografia com quem já está todo sujo? Sujo e cego ao não se reconhecer entre os sujos. Espelho espelho meu...