20.1.09

O Comentário Esperado

Antes que caia a noite, e com ela outros seres das trevas, e a propósito dos comentários que festejam a virtual execução sumária de pelo menos um dos supostos assassinos do cabo da Rotam, postados na caixinha do post A Farda Executa, de hoje, informo que vou suspender temporariamente as moderações naquele espaço.
Considero a defesa da virtual execução absolutamente absurda e desprezível, tanto mais quando citam, em sua defesa, os mortos pelo crime nesta última temporada.
Os comentários, contra ou a favor, só voltarão a ser moderados depois que algum parente dos mortos pela violência, os que mobilizaram a sociedade, que pressionaram as autoridades, que choraram e ainda choram a dor de seus mortos, aqui vier para defender este tipo de ação da PM, enviando o comentário para meu e.mail ( juvencioarruda@gmail.com), com telefone e endereço para confirmação.
Ou, como presumo que o farão - assim o fizeram em praça pública, debaixo de minha janela - virão para mostrar aos recalcitrantes as lições, de vida e sociedade, que a dor infelizmente lhes causou.
A sociedade agradecerá a vinda deste comentário, oportuníssimo, antes que a escalada da violência, agora policial, prospere. Há interessados.
Enquanto isso, seguimos com o blog.

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Atualizada às 18:50.

Da advogada Mary Cohen, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PA, o blog recebe:

Estamos assistindo, assustados, os acontecimentos estampados na mídia.Jovens e velhos, todos com medo da violência cada vez mais próxima, cada vez mais cruel (como se toda violência já não o fosse).

Li, estarrecida, a execução sumária, segundo noticiário da mídia, de cinco jovens entre 20 e 24 anos de idade, pela polícia do Estado do Pará. Fiquei tão chocada como quando vi o corpo do médico Salvador Namhias, abatido por assaltantes em plena luz do dia, próximo a um dos meus locais de trabalho ou quando soube, por telefonema de uma colega advogada, que o advogado Marcelo Castelo Branco havia sido assassinado próximo à sua residência.

A diferença entre essas mortes é que, quando uma barbaridade se abate sobre uma vítima fora do contexto da pobreza, o choque de realidade segue implacável rotina. Governantes ostentam sua indignação e solidariedade com as famílias das vítimas, legisladores ameaçam votar projetos de lei a toque de caixa, passeatas clamam pela paz...

E o que muda, de verdade?

Nada, ou melhor, muda muitas vezes para pior. O que está acontecendo, com a morte desses acusados, não vai contribuir, como muitos podem, ingenuamente, pensar, para conter a onda de violência.

Ninguém quer enfrentar o desafio de fazer um debate aprofundado sobre a prevenção da violência. Isso é entediante demais, frio diante da tragédia.

Ja retórica do sangue é ágil, combina docemente com a sede de vingança. Encontra eco até nos cidadãos de bem, desesperançados diante da insegurança que não lhes garante o retorno vivo para casa. Falar de prevenção da violência e reforma da polícia (estrutura intocada desde a ditadura), apurar adequadamente crimes cometidos por agentes do Estado, assegurar plenamente o acesso à Justiça, mencionar eficiência e transparência ao divulgar informações sobre criminalidade e ação policial, proteção das vítimas etc. dá trabalho e rende pouquíssimo ibope.

Matar suspeitos, deixando livres os chefes do crime, saciar a sede de vingança não trará paz. Ao contrário, alargará ainda mais a insegurança, enganando a população até a próxima temporada de guerra, incompetente, ao crime.

Mary Cohen – Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PA

30 comentários:

Lafayette disse...

Juva, você já tem os dados do levantamento da segurança pública daqui?

Vi na TV agorinha, mas já procurei na net, e não encontrei nada!

Com os dados, dará para melhorar o debate.

Ps.: Acabei de chegar de uma audiência em Abaeté... fui pela Alça Viária e voltei pela antiga 151, para voltar, nostalgicamente, de balsa... meu caro, aquele trecho até balsa está ruim, ops, melhor, está uma merda!

Tem trecho que já está quase na piçarra, e olha que Barcarena é a neo menina dos olhos de muitos políticos.

E a balsa então...

Juvencio de Arruda disse...

Lafayette, estão no Portal ORM.
Andei por lá recentemente e ea estrada está do jeito que vc descreveu.
A cidade de Barcarena, por seu turno, está igual a cara do ex prefeito, e tb do atual, parecidíssimos.

Anônimo disse...

Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar
Eu sei que ela pode te foder

Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa de polícia
Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa de polícia

Dizem pra você obedecer
Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar
Dizem pra você respeitar

Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa de polícia
Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa de polícia

Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa de polícia
Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa de polícia

Lafayette disse...

rsrsrs. Cara esburacada é acne mal curada.

Égua, não sabia que o portal da ORM era, agora, a fonte estatal de dados de segurança pública! rsrsrs

Ora cacete, os dados só são de 2005 pra cá!

Gostaria de ver os dados dos últimos 10 anos, no mínimo.

Mas, agora vai... o Dr. Geraldo disse que: "Os números preocupam mas dão uma direção ao Estado, para que possamos planejar ações".

Oba, agora sabemos a direção... resta saber se o piloto tem capacidade para dirigir!

Sofre, coração, sofre...

Anônimo disse...

Sábia decisão. Vamos ouvir a dor de quem sentiu na pele a insegurança em nossa cidade. Mas, Juva, esperemos ouvir os dois lados com as devidas versões e opiniões.

Anônimo disse...

Enquanto isso, há mais de uma semana, uma propaganda do Governo do Estado,de forma insistente em quase todos os intervalos e em todas as emissoras de TV, tenta passar para a opinião pública a idéia de que a situação está sob controle, e que a segurança não é problema depois que 70 carros foram entregues no dia do aniversário de Belém.

JCF disse...

Bom, caro mestre, me atrevo a comentar histórias do tempo em que aqui quando não se sabia quem era o bandido: se a polícia, o segurança do prefeito, do empresário ou da "otoridade" constituida.
Por aqui, em Itaituba, muitos podem falar das barbáries que aconteceram, de jovens políticos sendo executados (caso do Pinto), de putas que foram executadas porque o "pagador" não foi com a cara dela (uma foi executada com um tiro na testa por um garimpeiro), de devedores contumazes (nãopagou...caixão), daqueles que o "chefão" dizia que "não vou com a cara do fulano", de adolescentes sendo "mortas" pela sanha sexual de empresários da noite, de indígenas sendo executados porque eram indíos e de tantos outros que não se fala.
Sabemos de estórias de políticos que tiveram que ficar dias abrigados embaixo da cama, com seguranças armados em todos os cantos da casa até que passasse a fobia da morte anunciada.
Já vi um grupamento de indígenas mundurukus tentar invadir a casa de político, incentivados por elementos derrotados na política.
Já soube de casos de morte de inocente porque um indígena embriagado e seus comparsas assim decidiram e o fizeram friamente.
Já vi um coronel da PM tratar um ex-detento (que pagou sua pena com a sociedade, presume-se) e que trabalha na Fábrica Esperança como se continuasse sendo o marginal de sempre. É assim que a PM se sente com os que estiveram em presídios? Será que age assim com os políticos que passaram por estes locais? Ou com os riquinhos que estiveram por lá? Ou será que é só com quem é pobre e humilde?
Muitos desses casos citados foram abafados por delegados corruptos, por policiais militares mais corruptos ainda, que eram orientados por comandantes de quartéis para "trazer ouro dos garimpos" mesmo à custa do suor e da vida de inocentes e culpados. Por pessoas que tem pavor de se envolver em denúncias a policiais, porque eles ameaçam mesmo e partem pra barbárie quando tem oportunidade.
Vivo ainda numa região hostil a muitos de nós.E é aqui, ali ou em qualquer lugar.
Também por aqui não se pode transitar livremente (é menos perigoso que Belém) nas ruas. É pior ainda no trânsito, onde motoristas embriagados atropelam e matam impunemente e onde motoqueiros usam seu meio de transporte como arma letal.
E onde está o erro disso tudo?
Somos compelidos a tratar a violência com violência.
Somos orientados a "dar a outra face" quando agredidos, mas não reagimos assim. Partimos pra cima como animais. Selvagemente.
Esse é o grande erro: não podemos confiar na polícia armada e/ou desarmada; pois ainda é corrupta; pois ainda gosta de ficar só do lado da "otoridade" do município; pois não dá atenção a ameaças de morte, não gosta de investigar nada, pois é mais simples executar; pois os comandantes e chefões de segurança são corruptos, em sua grande maioria. E porque acamos que se eles não resolvem, resolvemos nós.
Muitos de nós sonhamos em estar e continuar tranquilos em um restaurante (vc lembra de um caso que foi contado aqui no 5a sobre um sequestro em um restaurante onde vc tava, né? sabe a qual caso me refiro) e sair de lá também com tranquilidade.
Queríamos deixar o carro em um local e voltar a ele sem ter que pagar ao flanelinha, que poderá ser um dos informantes de bandidos (também já ocorreu em Belém).
Para tudo isso bastaria que houvesse SEGURANÇA para que nós começassemos a nos sentir seguros.
Vai ocorrer isso?
Se o secretário de segurança sabe dos níveis atuais e não conseguiu diminuir nem um pouquinho, o que será do amanhã?
Acredito que só teremos retorno às afirmações da governadora feitas durante a campanha eleitoral, quando for colocado um fim nos desmandos governamentais (extinção dos gastos desnecessários com diárias, com o caixxa 2 do Hangar, com a negociata política, etc.), para que os marginais não se sintam "roubados" e parem de compartilhar com os facínoras do poder.
Ou teremos que ser os justiceiros, os detetives para elucidar crimes e delitos comuns nesta sociedade?
Será que os órgãos e conselhos de classe (OAB, CREA, CRAS, CONFECON, COREN,CONSELHO DE MEDICINA, etc.) terão coragem de excluir de seu seio aqueles que são marginais das normas e da ética profissional?
A Justiça, que se diz cega para julgar, extirpará seus tumores malignos?
A corregedoria das "PULIÇA" terá coragem de abrir inquérito para punir os responsáveis por esta e outras barbáries e colocará os malfeitores de sua corporação atrás das grades?
Temos muitas perguntas a serem feitas e poucas respostas. Muito poucas mesmo.
E o tempo urge. E ruge também.

Anônimo disse...

Nós já estamos em guerra, ilustre advogada. E é uma guerra desleal, porque só um lado está armado. E nós, sitiados em nossas casas e locais de trabalho, indefesos. Sujeitos a termos nossas vidas ceifadas por um celular. Seja qual for a classe social ou bairro. Infelizmente, a repercussão de um crime contra um médico é maior do que um simples cidadão sem estudos. Mas, nem por isso menos hediondo. A sociedade é assim, façamos nossa parte para mudar.
Mas também, deixemos de fazer essas comparações, pois em nada contribuem. Cite, por favor, o nome de algum marginal na dita alta-classe, que matou após ter roubado uma pessoa e não foi severamente punido, ou que a sociedade tolerou tal ato, por ele ser da dita classe-alta. Nós somos iguais, principalmente, quando cometemos um crime. O que difere é o poder aquisitivo para pagar bons advogados. Aí, doutora, a culpa não é de quem mora em Nazaré, tem curso superior ou de quem mora no Benguí e tem curso primário.
Agora, também, quando a vítima é dentro do “contexto da pobreza” – conforme suas palavras. Já vimos várias vezes passeatas e gritos de protestos, inclusive na frente do Fórum. O que é comum, infelizmente. E nesses casos sempre, felizmente, sempre há alguém dos Direito Humanos. Se o trabalho é pro bono, mais responsabilidade tem, do que aquele que recebe. E se não tem repercussão (Ibope), não é a meta também. Sem retóricas.
Em contrapartida, ao parágrafo anterior, sempre seremos desiguais, por mais que se queira o contrário. Isso já foi demonstrado desde que o mundo é mundo. Mas, podemos sim, cobrar tratamento igual, por mais difícil que seja. Assassino é assassino, sempre. Rico ou pobre. Queremos sim, uma Justiça célere e eficiente. E ela o é, quando quer.
Querer ver exemplarmente punido um assassino, não é vingança, e sim justiça. Se o assassino reage, terá que sofrer outra reação. Se houve excessos e ilegalidades, ela, a Justiça, esta aí pra decidir. Se houve a “execução sumária”, esta assertiva também, só quem poderá dizer é a Justiça. Dois fatos são patentes o assassinato do Cabo e a morte dos jovens. Será que o Cabo foi responsável por sua própria morte? Será que os policiais iriam à caça de pessoas, sem pistas ou evidências e os matariam, sem mais nem menos?
Respeito à dor de todos os familiares. E isso que devemos buscar.
E esperar para não ficar com o gosto amargo da impotência e impunidade.

Anônimo disse...

Carniceiros fardados com armas na mão
Se dizem defensores da população
Nas ruas da cidade eu não posso andar
Pois eles estão prestes a me parar
Um assalto na esquina e quem vai socorrer
Pois eles estão de costas e fingem não ver

Sinto medo, sinto medo de andar
Sinto medo da polícia militar

Saindo do trabalho eu estou abatido
Mão na cabeça você está detido
Não quero, não posso, não consigo entender
E eu não sei mais a uem ocorrer
Espancam e matam estão na captura
Eles só são homens com um cano na cintura
Fizeram a lei para se respeitar
Mas eles são os primeiros a violar

Sinto medo, sinto medo de andar
Sinto medo da polícia militar.

Anônimo disse...

Juca!
Perfeito o comentário do anônimo das 9:06.
Abs,
O Vigiador.

Anônimo disse...

Acredito que a escalada da violência deva ser combatida em três frentes: prevenção, com ações do estado que possibilitem igualdade de oportunidades e inclusão social; repressão, com ações da polícia, as quais exigem treinamento, estímulo à tropa (inclusive financeiro para combater a corrupção), recursos materiais adequados; e maior agilidade do judiciário, incuindo revisão de algumas leis obsoletas, sem a qual todo o trabalho da polícia resulta em tempo perdido. Quanto à OAB-PA, com seu histórico recente de omissão, para dizer o mínimo, em episódios de desrespeito aos direitos civis praticados por poderosos locais, como agressão a jornalista, entre outros, parece-me ter perdido credibilidade para participar do debate.

Kleber

Juvencio de Arruda disse...

A OAB paga, e caro, não pela sua omissão no caso da agressão ao jornalista Lucio Flavio Pinto. Mais do que isso. Desgasta-se por ter coonestado com ela, ao não aplicar nenhuma sanção ao agressor que aliás, valeu-se dos préstimos de um malandro da PM para fazê-la porque sozinho não seria capaz, covarde que é.
Mas não considero correto desqualificá-la ao debate em razão disso.
No caso deste post, específicamente, embora assinada por um membro da Ordem e que lá ocupa a presidencia de uma comissão, a opinião é de cunho pessoal.
Repare que não está escrito "nota oficial da OAB".
É a observação que gostaria de fazer em seu equlibrado comentário, Kleber.

Yúdice Andrade disse...

Decisão sábia, caro Juvêncio. Tomara que algum familiar sacie nosso anseio.

Anônimo disse...

Que tal essa modalidade de crime em que bandos obrigam famílias inteiras e abandonar suas casas próprias, à base de agressões, em bairros como o Bengui e o Curuçambá. Isso é algo que pode levar alguém ao desespero. Pior é saber que, se presos, esses bandidos serão logo soltos e voltarão para cumprir as ameaças. Acho que em Chicago nos anos 20 deveria ser mais fácil de viver.

Anônimo disse...

Juca!
Sinceramente ... alguém acredita em coelinho da páscoa, papai noel ou outros congêneres?
Acreditar que os "garotos" assassinados (não estou adentrando no mérito da atitude da Polícia) eram inocentes, é a mesma coisa que aplaudir o falsário por suas "benfeitorias".
Quanto as matérias publicadas nos jornais, em que a maioria das pessoas se baseia para tecer seus comentários, tem alguém que ainda deposita algum crédito? Será que não percebem que as mesmas tem o único intuito comercial, sem se preocupar com a veracidades das informações?
De outro lado, qual pai ou mãe afirmariam, peremptoriamente, que o filho era bandido e merecia morrer? Não só pela própria relação de afetividade, mas também pelas medidas oblíquas que irão surgir (ação de indenização contra o estado e outros). Lembro que a avó de um deles confirmou que um dos rapazes "praticava uns assaltozinhos de vez em quando", mas que ele agora era de bem. Tá bom, vou fingir que acredito!
Resolvi comentar pois meu cunhado é Oficial da PM e conhecia o Cabo Cunha e o outro rapaz que o acompanhava no momento, o qual afirmou que o Cabo foi cruelmente executado, após ser baleado.
Transcrevo, ipsis literis, conversa entabulada entre meu cunhado e a viúva do Cabo:
"Coronel, meu mundo desabou. O que vou fazer agora? Como vão ficar meu filhos?"
É Juca, a teoria é fácil. O difícil é a prática, ainda mais com a violência progressiva e iminente. Quando um desses que "defendem os bandidos" vier a ser (Deus queira que não) acometido por alguma tipo de violência, é que eu quero ver.
Um abraço,
O Vigiador.

Juvencio de Arruda disse...

Fábio, por mim tá tudo certo para logo mais no final da tarde.
Abs

Juvencio de Arruda disse...

Blz, Fabio.

Lafayette disse...

Juva, quando alguém, e não o Estado, claro, opina sobre o que "merece um assassino", se a lei ou pena de talião, tirando os insanos de carterinha, devemos tentar nos afastar do pessoal, do passional.

Quando se está diretamente envolvido, a "solução" é pena de talião, quando se consegue o distanciamento, as medidas legais e sociais dão lugar.

Por isso perguntei, na caixinha do "A Farda Executa" se, entre os comentaristas havia algum irmão.

O Vigiador, e alguns outros, se encaixam perfeitamente. O Vigiador, que conhece de perto, alguém que conhecia o Cabo e sua infeliz viúva, leva a medida a ser tomada para o passional, imagine, então, um parente próximo, amigo etc..

Se um bandido mata meu irmão, minha mulher, meus pais, quero vê-lo morto, e com morte demorada, sofrida, quase perene, e de preferencia, executada por mim. Um filho então, nem se fala... começava pela unha do pé.

Mas, aí não vale a opinião, ou melhor, vale para não ser seguida.

O Kleber disse bem. Basicamente são três os pilares que sustentariam o combate estatal à criminalidade: Prevenção (combate em campo), melhorias sócio-econômicas, e, não diria alteração das Leis Penais, mas, sim, bastaria a aplicação das Leis.

Leis, sejam elas penais, constitucionais ou a do Estatuto da Criança e do Adolescente. Digo-lhe, com certeza, fora algum acerto aqui e acolá, a legislação que está posta, em vigor, é mais do que suficiente, tanto para o Estado, quanto para sociedade - que, a rigor, é a mesma cosia.

Certa vez, escrevi sobre isto, quando falava sobre o salário mínimo e sua missão constitucional. Trago pra cá, parte do texto:

"NO MÍNIMO, A CONSTITUIÇÃO

[...]

Está na Constituição que, ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. E os atendimentos nos hospitais públicos deste País? E as filas no INSS, nos Postos de Saúde etc? Nada mais desumano, nada mais degradante!

Diz a Lei Maior que, é garantido o direito de propriedade. E as invasões? E o abril, maio vermelhos? A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, diz. E a contribuição dos inativos?

Todos terão acesso à justiça. E as custas judiciais altas? E o desaparelhamento das Defensorias Públicas? Aliás, poucos sabem, São Paulo nem Defensoria Pública estruturada tem!

Ninguém será preso se não em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, ou, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada, ou ainda preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. Brincadeira... Sem comentário!

Sabiam que, a saúde é direito de todos e dever do Estado. Que, a assistência social será prestada a quem dela necessitar, e tem por objetivos a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice, o amparo às crianças e adolescentes carentes.

E a educação, que é direito de todos e dever do Estado, com garantia de padrão de qualidade? E os direitos da criança, dos idosos e dos portadores de deficiência?

Bastaria o Poder Público seguir, no mínimo, a Constituição, para melhorar a vida do povo, pois, se era para desdenhar, não promulgava."

E por aí vai...

Anônimo disse...

você sai de casa e não sabe se vai voltar
a sociedade está em apuros, quando isso vai mudar ?
com sua violência e corrupção a polícia não ajuda o
pobre cidadão

segurança é o que queremos
violência é o que nos temos
polícia decadente......decadente

o sistema penitenciário está falido
os criminosos nunca são detidos
e se forem fogem da detenção
cavando um túnel por debaixo da prisão

segurança é o que queremos
violência é o que nos temos
polícia decadente......decadente

o suborno e a propina estão em todo lugar
quem tem dinheiro não é preso não
é o pobre que rouba um pão
fica mais de 5 anos na prisão

segurança é o que queremos
violência é o que nos temos
polícia decadente
decadente, decadente, decadente, polícia decadente

Lafayette disse...

Pô, anônimo das 12:39PM, pelo menos dê o crédito e coloque:

"Polícia Decadente (Garotos Podre)"

O mesmo digo para o das 11:26:

"Polícia (Subviventes)"

Não mencionar a fonte é também uma forma de desonestidade, inclusive e principalmnente com o artista. Pensem nisto!

Anônimo disse...

Ei, já chega desse rap! Manda pro fórum Hip-Hop do FSM.

Anônimo disse...

Grato pela atenção, Juvencio. Em relação à OAB-PA estar desqualificada para o debate, corrijo-me, sem deixar de ponderar: a OAB está desgastada para o debate. Quanto à manifestação da advogada da OAB, de fato tinha dúvida se falava pela instituição ou era uma manifestação pessoal. Você esclareceu.
Um abraço,
Kleber

Juvencio de Arruda disse...

Obrigado por seu gentil retorno, Kleber.
Um abs

Anônimo disse...

Lafa! (posso lhe chamar assim? rsrsrs)
Respeito sua opinião, pois, como o substantivo sugere, esta "é a forma que cada um tem de expressar suas idéias".
Geralmente, é ensinado que devemos ouvir as opiniões dos outros na mesma proporção que devemos opinar. (e você está fazendo, como um gentleman).
Então (e você tem razão) no seu comentário quanto a minha pessoa, eu nasci na época errada. Deveria ter sido súdito de Hamurabi.
Essa prática é pregada no Velho Testamento, salvo engano, no Êxodo 21:24. É claro que sei que Jesus condenava essa prática de maneira enfática. Mas, se tivesse vivido antes de cristo, talvez minha alma fosse salva hehehe.
Brincadeiras a parte, posso citar o fato de que essa prática (olho por olho, dente por dente) nunca poderá levar a paz, como é o caso, a guisa de exemplos, do Oriente Médio. Pelo contrário, certamente, incita a violência e a destruição, como disseram em outro post acertadamente.
Mas, ao ponto que chegamos, minha idéia é apenas e tão somente esta. Mas, sei que estou pensando pelo lado emocional, assim como seiu que o correto, como o Kleber colocou, seria uma série de medidas, como comentei alhures, aqui no quinta.
Um abraço,
O Vigiador.

Lafayette disse...

Vigi, é claro que a insustentável leveza do ser, também caminha, e se cruza, com o lado instintivo natural do homem: a autoproteção e de sua prole. É papo de gene, dizem por aí.

O homem sempre tolerou a pena de talião, sempre, por todo sua história por aqui. Ela aparece no Código Civil, no Código Penal, na Constituição e em vários outros momentos.

O que não pode, e isto "até" as autoridades sabem, é o Estado agir fora do princípio da legalidade. Aí, caso contrário, teremos que nos mudar para Marte.

Quando o Estado é tomado posse pelo crime, organizado ou não, o tecido democrático se esfarela, como por exemplo, o que aconteceu com a Croácia, Bósnia, Turcomenistão logo após a queda do muro, onde o lícito e o ilícito, o público e o privado, o político-bandido e o bandido-político, misturaram-se e se infiltraram em todos os setores.

De um modo geral, acredito, o Brasil ainda não chegou lá, e talvez não chegue mesmo já que temos Felício's e Gazeta's de montão por aí, sentando a maçaranduba em pilantras.

Lafayette disse...

Ainda por aqui, mestre?

Juvencio de Arruda disse...

Sempre na aárea, mestre...eheh

Lafayette disse...

Eu acabei de vim do Willys. Até domingo termino, finalmente, a reforma que já dura quase 3 anos.

Está uma jóia, verás!

Dos que conheço, talvez seja o único CJ5 Willys, diesel, motor Nissan OHC, com caixa de marcha da F 1000 (babando, é claro rsrss).

Anônimo disse...

Juva,

Você disse que a dra. Mary Cohen dá uma opinião pessoal. Permita-me discordar, pelo que vejo ela assina a missiva como "Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PA". Fica claro, então, que ela escreve como representante de uma comissão do Conselho Estadual, caracterizando-se como oficial, já que, para isso ele foi eleita.
Do contrário, teria assinado somente com sua nominata.

Abs,

Juvencio de Arruda disse...

Das 9:33, vc tem razão.
Desculpe o erro.
É que no e.mail que recebi havia uma observação que se tratava de uma opinião pessoal.Era a opinião pessoal da presidente da Comissão.
Não transcrevi isto na nota.
A dra. Mary foi bem clara, eu é que não.
Kleber, camarada, minhas desculpas valem pra vc também.
Obrigado e abs.