14.1.09

A Primeira Sessão da CPI da Pedofilia

A primeira sessão pública da CPI da Pedofilia terminou há pouco. O bispo do Marajó, Dom Luiz Azcona, repetiu o que já havia dito à imprensa e os deputados se limitaram a ratificar toda disposição para cumprir os trabalhos.
O petista Carlos Bordalo requereu a convocação do Poder Judiciário para saber a quantas andam as pencas de denúncias que recebeu, e convidou do diretor da escola Rafael Gonzaga, em Portel, denunciada pelo bispo Azcona como cercada de bocas-de-fumo. A escola é um território onde quadrilhas assediam menores de idade para a exploração sexual infanto-juvenil e tráfico de drogas.
Acaba de começar a reunião a portas fechadas, quando o bispo deverá dar o nome dos pedófilos e expor os detalhes das provas minunciosas que apresentou aos deputados.
O caso Seffer, por hora, está suspenso.
Dizem alguns parlamentares que "o momento certo", que não tardará, vai jogar o deputado acusado no centro da CPI.

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Também não tardarão a chegar à opinião pública mais informações sobre as denúncias de pedofilia que atingem um parente próximo da governadora do Pará, conforme anunciado pelo Diário do Pará na edição de domingo, 11. Não há notícias sobre a investigação da denúncia, feita no final de setembro do ano passado, antes, portanto, do caso Sefer sair do armário.

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Atualizada às 17:35.

No blog da Franssinete Florenzano mais informações sobre o depoimento do bispo Dom Luiz Azcona, que comprovou a omissão da OAB e do MPE em relação às mesmas denúncias, por eles recebidas há mais tempo.
No Portal ORM a informação de que o bispo denunciou o envolvimento de juízes nos crimes.

9 comentários:

Anônimo disse...

PERGUNTE A ANGELA SALLES:
"Dom Azcona - que está marcado para morrer porque optou por defender as crianças e jovens explorados - concluiu seu emocionante depoimento exortando os membros da CPI a não deixar tudo acabar em pizza, a exemplo de tantas outras, lembrando ainda que já entregou essas mesmas denúncias à OAB-PA e ao Ministério Público, que nada fizeram além de dar entrevistas."

Anônimo disse...

Juca, em Dezembro, quando foi efetivamente instalada a CPI, foram deliberadas duas reuniões para janeira, uma dia 14 e outra dia 22/01, em que a primeira seria para ouvir o bispo e a segunda para ouvir seffer. Mas, repentinamente a presidência resolveu não mais realizar a segunda (por que será?). Além disso, ficam criando uma penca de factóides para travar os trabalhos da CPI...Para completar, um certo proprietário de televisão e jornal no Pará determinou a seus jornalistas que de lá não sai nenhuma notícia sobre a denúncia contra Seffer.
Está em curso o planejamento realizado na sede de um partido na Alameda Moreira da Costa para neutralizar a CPI, colocando massa de macarrão na sopa para engrossar!!!
So não entendo como os deputados que estão fazendo isto e que tem filhos não se comovem com tanta barbaridade...

Juvencio de Arruda disse...

A alteração a data da arguição do deputado efer, segundo me foi dito por um parlamentar que é membro efetivo da CPI, deveu-se ao entendimento de que seria necessário avançar o máximo possível nas investigações, a modo de extrair o máximo de produtividade da arguição do acusado.
Quanto à pocilga, embora tenha saído pelo menos uma matéria no jornal da organização, o blog já comentou a cobertura precária sobre o caso.
Qual é o partido que tem sede nesta alameda?

Anônimo disse...

PSDB... é o escritório político do Senador engenheiro...

Mary disse...

Oi Juca,

Passei por aqui e penso ser necessário esclarecer a participação da OAB/PA com relação às denúncias da exploração sexual contra crianças e adolescentes na região do Marajó.
Veja bem, desde 2006, quando o Ophir Júnior recebeu as primeiras denúncias, fui destacada para acompanhar as audiências públicas, tendo viajado para a região por diversas vezes, onde tomamos vários os depoimentos. Acompanhada do Promotor de Justiça Aldir Viana, fizemos um levantamento da situação, o que gerou um relatório e pedido de providencias por parte daquele promotor.
Após, a Ordem solicitou proteção para as adolescentes ameaçadas e suas famílias no PROVITA, além de fornecer ajuda às mesmas até a proteção ser garantida.
Todo esse trabalho estava sendo acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, sendo que cheguei a viajar até Brasília em busca de ajuda e lá conversei com o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, à época presidente da comissão, para viabilizarmos uma parceria com a OAB/PA.
Aqui, acompanhamos o trabalho de Amarildo Geraldo Formentini, assessor da comissão, morto tragicamente em dezembro de 2007. Amarildo apurava as denúncias hoje levadas à CPI por Dom José e nesse trabalho tínhamos reuniões constantes, não somente aqui mas em Brasília, para analisar o material colhido e preparar relatórios.
Os casos que chegaram até nós estão a nível do judiciário, infelizmente sem a resposta que a sociedade quer e merece...os motivos todos sabemos, infelizmente.
Se hoje temos uma CPI, que vamos acompanhar incansavelmente, é porque todos trabalhamos, inclusive o deputado Bordalo e a ex-deputada Aracely Lemos.
Portanto, fica o esclarecimento, até porque penso que o jornalista ou qualquer profissional de comunicação, deve ter o compromisso com a verdade dos fatos e declarações de que a OAB ficou só nas entrevistas demonstra, no mínimo, o desconhecimento do trabalho de uma equipe de profissionais que abre mão do lazer e muitas vezes até do trabalho remunerado, para dedicar-se aos direitos humanos, na busca de um mundo melhor para todos.
Bjs
Mary Cohen – Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PA

Franssinete Florenzano disse...

Juca, obrigada pela referência. Além do post no meu blog, publiquei no site do Uruá-Tapera - em www.uruatapera.com - a matéria ""Marajó: corpos à venda na beira do rio em troca de comida",que escrevi a partir do depoimento de Dom José Luiz Azcona Hermoso, ontem, na CPI da Pedofilia. Leiam. É medonha a situação, e não se limita ao arquipélago do Marajó.

Juvencio de Arruda disse...

Mary, obrigado mais uma vez pela atenção ao bog e seus leitores.
Pelas suas palavras, entende-se que as responsabilidades teriam sido cumpridas pela OAB.
Isto posto, pergunto: em algum momento a Ordem se pronunciou a este respeito, à falta de resposta da Justiça?
Existem cobranças formais, ao Poder Judiciário, sobre a infeliz ausência de resposta à sociedade?
Qual seria(m) o(s) juiz(es) encarregado(s) do caso e por que razão ainda não teria levado a cabo suas responsabilidades?
No site mencionado acima, coincidentemente pela jornalista e advogada Franssinete Florenzano, que acabo de ver, há denúncias gravíssimas contra um Promotor que teria tentado subverter a investigação da CDHM,realizada com a participação da Ordem.
A Ordem compartilha da denúncia? Se positvio, encaminhou-a, também, ao Judiciário?
Qual é o nome do promotor?
Mary, é sempre um prazer recebê-la por aqui.
Bjs

Juvencio de Arruda disse...

Franssinete, seu post, e meu link, como pode ser lido no comentário, foram contestados pela dra. Mary.
E na materia do Uruá-Tapera há novas denuncias, desta vez contra um promotor que trabalhado conra a atução da CDHM, por sua vez auxiliada pela OAB.
É possível dar mais esclarecimentos sobre o caso?
Abs

Franssinete Florenzano disse...

Como acabo de ver e responder ao post lá em cima, repito aqui, Juca:O próprio Dom José Luiz Azcona disse ontem na reunião da CPi (que deve ter sido gravada) que levou à OAB-PA as denúncias e que o então presidente, Ophir Cavalcante Jr., deu entrevista a O Liberal sobre o assunto e designou a Comissão de Direitos Humanos da Ordem para acompanhar as Audiências Públicas e demais desdobramentos. Mais do que isso, a Ordem não fez. Poderia, no mínimo, ter mantido o assunto em evidência, levá-lo em nível nacional à OAB e internacional, através dO Unicef, ONU, Anistia Internacional e tantas outras organizações que se empenham nessas questão. Ou ainda, quem sabe, acionar o governo do Estado para cumprir a obrigação de fazer. Como se vê, é pretexto corriqueiro acusar a imprensa de ser irresponsável quando irresponsável é quem acha que basta uma notinha para desmentir décadas de gritantes omissões.