22.10.08

Branco, Opção em Quadros Extremos

O primeiro dos tres artigos prometidos aos leitores do Quinta, versando sobre as alternativas de voto no próximo dia 26, segue abaixo.

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Porque Votar em Branco

Por Rodolfo Marques (*)

Num sistema político-legal-eleitoral como o brasileiro, em que há a obrigatoriedade do exercício do direito de votar (nada mais confuso, não?!), o eleitor pode ser perguntar, mesmo que não ciente da idéia da escolha racional, a seguinte questão: que candidato, se eleito, trará benefícios para mim?
Se não houve uma resposta positiva ou específica a este intento, a tendência é buscar as fugas institucionais, que podem se solidificar com um Voto Branco, um Voto Nulo ou uma Abstenção.
O Voto Branco só é alternativa quando há uma rejeição muito grande aos candidatos em questão. Num segundo turno eleitoral, como o que estamos vivendo em várias capitais brasileiras, ganha maior espaço porque há uma polarização que, para o eleitor médio, pode não permitir uma diferenciação maior entre uma ou outra opção. É um quadro que aparenta ser o mais perceptível em Belém.
Então, por que votar branco e não se abster? Posso apresentar duas premissas básicas para defender tal tese:
a) entrar para a contabilidade eleitoral: pois o voto branco é tabulado, contado, e expressa uma rejeição em questão, sem se auto-alijar do processo, algo que na abstenção não é possível perceber, pois esta pode estar ligada a várias outras causas, como uma viagem ou uma doença. É uma espécie de um protesto da "minoria silenciosa", tese defendida pela alemã Elisabeth Noelle-Neuman(1).

b) buscar a legitimidade, já que essa idéia pode ser espraiada por outros grupos sociais, até mesmo numa lógica de ação coletiva, como defende o autor Mancur Olson (2).
O eleitor busca, muitas vezes, algo em que possa acreditar – e votar em branco pode ser um desses caminhos: é uma forma ter conceitos claros e o que defender num pleito eleitoral.
A partir da leitura de pesquisa e visualização do mercado eleitoral, tenciono a dizer que, nas eleições deste domingo, 26 de outubro, o índice de Votos Brancos, Nulos e Abstenções beire os 40% - num universo de quase 1 milhão de eleitores na capital paraense.
E isso acaba por beneficiar o candidato situacionista - Duciomar Costa (PTB) - pois, apesar de ter um índice de rejeição maior, tem um recall maior, ou seja, uma lembrança maior do eleitorado, para o bem e para o mal. E quem o rejeita (não votando, “embranquecendo” ou anulando o voto) acaba por não elevar o candidato da oposição, no caso, José Priante (PMBD).
Então, votar em branco, pode ser, em si, uma opção real em quadros extremos.
E quadros extremos requerem medidas extremas.


(1) Autora alemã da Teoria da Espiral do Silêncio.
(2) Autor do livro A Lógica da Ação Coletiva

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(*) Rodolfo Marques é jornalista, professor universitário e mestrando em Ciência Política.

12 comentários:

Anônimo disse...

vote em branco e favoreça o Duciomar.

Anônimo disse...

Luluquefala:
Adeus amor, eu vou partir, para nunca mais voltar !
Adeus amor...
José Priante Barbalho

Anônimo disse...

Juca,
Mudando um pouquinho de assunto...
o Chiquinho tem alguma relação com o programa de hoje, do Pirante?
Sei lah... o programa de hoje (guardando-se as devidas proporções) me lembrou demais a campanha do Candidato (então petista), em 2000,que era produzida pela Vanguarda Propaganda... Acho que melhorou bastante... ou eu tô doida?
Beijos,
Flor

Anônimo disse...

Ah, meu querido Juca... estamos mesmo mal das pernas e da cabeça. Não temos políticos decentes em quem votar e poucos jornalistas com coragem pra se revoltar. Pois, eis que fui assistir a um pseudo debate sobre cobertura jornalística na Amazônia, promovido pelo IMAZON e o convidado, Cláudio Angelo,da folha de São Paulo,além de abrir a boca pra dizer só que todo mundo já está careca de saber. Teve a cara de pau de afirmar que não há jornalistas locais contratáveis para cobrir a Amazônia, e teve gente da mesa que embarcou.Felizmente, o jornalista Raimundo Pinto, do alto da sua bem sucedida experiência discordou e vomitou na cara dele, com toda a polidez de homem educado que é, todo o seu conhecimento sobre a realidade da Amazônia. Francamente, chamar alguém de fora pra falar de cobertura jornalística na Amazônia é de uma insensataz sem precedentes, meu querido Juca.Por essas bandas, quem dá show de cobertura são os Pintos. "Com todo o respeito, é claro!" Uso aspas porque tomei emprestado a frase do poster.

Juvencio de Arruda disse...

Não, Flor. Ao que sei Chico Militante no segundo turno está em São Luís.
Bjs

Anônimo disse...

Luluquefala:
O Chico, ou chiquinho, só apareceu por aqui pra colocar a barbie no ar. Só isso, e mais umas baixarias básicas.
Bem ao seu estilo.
Será que ele pensa que a gente não pensa ?

Anônimo disse...

Flor acho que posso responder sua pergunta,quem está no camando da TV Priante chama-se Pelégio Godim, paraense residente em Brasília.

Quanto a essa teoria do primeiro mundo que explica o voto nulo vejo sem lógica para ser aplicada no caso de Belém, coisa do primeiro mundo serve para o primeiro mundo, aqui é muito diferente, é o mundo cão mesmo de povo desprovido de consciência política.

É a velha formula dos espertalhões que pregam, há na política só tem ladrão, aí o que acontece, o cidadão de bem, honesto e bem intencionado sai do páreo e entrega de mãos beijadas para os santinhos concorrerem entre si, isso acontece em todo o país.

Principalmente quando os mais politizados se escondem por trás do voto nulo e entregam aos inocentes, os sem razão de ser para decidirem quem vai governá-los, quando o correto seria eleger quem quer que seja mais cobrar rigorosamente, pois a maioria do povo de Belém é da pobreza emotiva que vota na escuridão.

Se omitir é fugir da responsabilidade de poder mudar a própria história, se eu tenho consciência, tenho saber, assim tenho mais responsabilidade com o meu irmão que está na condição menor, e não entregar a ele o destino de todos e depois condena-lo por praticar o erro já sabido.

Por isso e por muito mais é que sou contra o voto nulo, tem que eleger alguém e cobrar rigorosamente os projetos de campanha.

Nelson Vinencci

Juvencio de Arruda disse...

Com sua licença, mestre Vinenci, retificando: Pelágio Gondim.

Abs

RONALDO GIUSTI disse...

Com todo respeito ao professor, acho que a pergunta inicial seria: que candidato, se eleito, trará benefícios para a coletividade?

Anônimo disse...

Caro Juca,

Em um post antigo seu, falando do resultado do 1º turno, vc disse que Belém seria entregue às garras de Dudu ou Pirante, essa frase me causou espécie e quando em vez volta pra ficar me remoendo. Eu pergunto: haveria uma outra dupla? Quero dizer os demais não teriam garras tb?

Votar em branco, anular ou abster ajuda o Dudu, votar no Pirante ajuda-o, óbvio. Mudar pra Ananindeua? É melhor votar logo no Pirante, menos transtorno com móveis, despesas, etc.. Alguém sabe de algo barato pra alugar em Marituba?

J. BEÁ

Juvencio de Arruda disse...

Bom dia, poeta e advogado.
Deveria ser, concordo com vc.
Nao viveremos o suficiente para ver o verbo no presente, mas trabalhamos para isso.
Abs

Maiores detalhes sobre a teoria da escolha racional, aqui:

http://www.google.com.br/search?sourceid=navclient&hl=pt-BR&ie=UTF-8&rlz=1T4GGLL_pt-BR&q=%22Escolha+Racional%22

Juvencio de Arruda disse...

Jota, bom dia.

A dupla detém as piores garras.
Se são nacionais do mesmo coturno, tanto faz, pelo candidato, a escolha do voto.
Tirando os eleitores que os dois amealharam no primeiro turno - 56% do eleitorado - a composição das alianças e a escolha do voto, agora, reflete muito mais as preferências e necessidades de inserção no cenário eleitoral pós 2008, do que propriamente uma escolha entre candidatos.
Cada eleitor é soberano para fazer suas escolhas e todos as escolhas são legítimas.
Inclusive os votos em branco, os nulos e as abstenções.

Marituba é uma boa?...rs