26.10.08

Será Que Ele É?

Por Mino Carta, em seu blog.

O Partido dos Trabalhadores, cujo nascimento acompanhei de perto, surgiu com um ideário fortemente esquerdista, embora Lula me diga hoje nunca ter sido de esquerda. De saída, e por largos anos, secretário e orientador do PT foi Francisco Weffort, professor da USP, casado com a filha de Paulo Freire, marxista convicto. Conheci Weffort muito bem e fui eu quem o convidou a colaborar com Istoé quando a dirigi nos anos turvos da ditadura, até fevereiro de 1981. Eu saí, como seria óbvio ao confrontar o novo patrão, Fernando Moreira Salles, mas Weffort não arredou pé. “Preciso manter espaço”, explicou. Era então o grão-mestre dos congressos, conferências e reuniões petistas, era o verbo encarnado do partido. A trajetória de Weffort é terrivelmente emblemática. Para encurtá-la observo que lá pelas tantas tucanizou e virou ministro de Fernando Henrique Cardoso. Enredo tipicamente brasileiro. Tais são, em boa parte, os nossos varões de Plutarco. O PT, no seu desenvolvimento, não repete Weffort. Mudou bastante, porém. Em princípio, não enxergo nisso o seu pecado. O partido teria de adequar-se a tempos novos. O Partido Comunista Italiano, o maior e melhor partido de esquerda ocidental, mudou bastante no pós-guerra, de Togliatti a Berlinguer. Adaptou-se. Para mim, o pecado do PT está na passagem de oposição a situação. Naquela condição, foi a primeira agremiação política brasileira com feições de partido autêntico, no meu entendimento. Nesta, igualou-se aos demais. Tenho dúvidas de que lhe caiba, agora, a definição de social democrata. Quanto a mim, aviso que nunca militei no PT.

7 comentários:

Anônimo disse...

Acordou os galos hoje Juvêncio?

Juvencio de Arruda disse...

Durmo cada vez menos.
É a idade.

Bia disse...

Bom dia, Juca querido:

e continua o nosso italiano a sua auto-crítica. Pelo menos, ele a faz. Com muuuuuuita elegância, mas faz. Com uma pontinha de tentativa de salvo-conduto- " nunca militei no PT", mas faz. E iso é bom. Para ele e para todos.

Beijão.

Meg Barros disse...

Juvencio,
Tenho uma concepcao que extrapola a ciencia politica, posto que a praxe orienta a teoria, e nao o oposto. Acredito que nenhum partido "esquerdista" que chegue ao Poder mantem-se nele sem adequar-se a estrutura politico-partidaria vigente. E' necessario, pois, travar aliancas de forma a adquirir governabilidade, ao contrario sim, seriam todos os partidos iguais. Deixe-me explicar: na minha concepcao o que diferencia o PT dos demais partidos nao e' a adequacao necessaria que todo o partido faz ao chegar ao Governo, e sim as politicas publicas voltadas para a melhoria de vida da populacao realmente pobre. A esta politica/ideologia o partido se mantem fiel desde o primeiro Governo Lula - expoente maior do PT. Se o PT teve base socialista, nao sei. O que me mantem nele sao os resultados dessa politica, que aprovo com louvor.

Juvencio de Arruda disse...

Queridona, auto-crítica são sempre bem vindas. Principalmente quando elegantes...eheh.
Como vc.
Bjão

Juvencio de Arruda disse...

Meg,

O problema acontece quando, em nome da governabilidade, reproduzem as velhas práticas que, com certeza, vc e eu condenamos.
Há inegáveis avanços: nos programas de renda mínima, na educação,no combate à corrupção.
Mas o governo petista, melhor, os governos petistas, poderiam ter avcançado mais na cultura política do país. E aí a teoria não foi consoderada como deveria. E, mais uma vez, optou-se pelo caminho mais curto e mais barato.
Ainda assim está dando certo.
Basta ver os milhões de votos que, a cada eleição, perdem o PSDB e o DEM.
Aproveito para dizer que considero Mino Carta, antes de tudo,um texto precioso e fundamentado.
O que não quer dizer que o blog, necessariamente, concorde com todas suas proposições.
Obrigado por sua gentil visita, um gesto elegante.
Abs

Juvencio de Arruda disse...

Dá-lhe "batriça".
Abs