29.10.08

Prossegue

O horário eleitoral não terminou.
O prefeito reeleito de Nova Déli assina uma pérola de cinismo na edição de hoje do jornal que fraudou o IVC.

9 comentários:

Anônimo disse...

Luluquefala:
Vocês queriam o que ?
Que ele mudasse da noite para o dia ?
Assim como não existe ex viado, também não existe ex falsificador de diploma e ex corrupto.
Esse cara, vai morrer assim, com essa cara de paisagem, enganando meio mundo.
Aliás, 60% do mundo.

Anônimo disse...

Um elemento que deixa 133 mil crianças fora da escola e 60% da população ratifica o seu nome, o que fazer, em um futuro bem próximo não reclamem se 10% (análise otimista)enveredarem para o mundo do crime. Prefeito medíocre para 60% de imbecis.

Anônimo disse...

A peça está, também, no jornal que tem o IVC, mas nem por isso divulga a sua tiragem...

Roberto Souza

Anônimo disse...

Pelo menos ele agradeceu, ao contrário de muito mal agradecido, que não conseguiu emplacar seus pedidos. Ou melhor, impor que certas secretarias fossem subordinadas a ele.

Anônimo disse...

Belém merece. Não sabia se a outra opção seria melhor. Mas, confesso, começo a duvidar dessa percepção depois de ver e ler um dos maiores exemplos de calhordice que já tive oportunidade na vida.

Bia disse...

Bom dia, de novo, querido:

acho com a avaliação caolha que fazemos da eleição, o nosso oculista vai navegar em maré mansa.

Eu também não sei o que aconteceu mas tenho alguns indícios.

Incluo-me nesta revisão, que deve desconsiderar a nossa raiva - raiva de sermos tão declaradamente enganados pelo diploma falso, pelos processos no MPF, pela bandalheira tão divulgadaou intuída na gestão amarelenta - e considerar o que é que 400 mil belenenses enxergam no moço.

Já disse por aqui que muitos de nós nos arrogamos conhecer o caminho das pedras e a chave da luz. Mas, creio que poucos de nós metiam os pés na lama quando saiam de casa.

Nós também achamos que a saúde é uma droga, mas temos o plano de saúde chinfrim que nos faz imaginar que estamos no andar de cima do populacho e não perdemos nosso precioso tempo brigando no Posto de Saúde da Pedreira por um atendimento melhor, nem participamos do hoje cooptado Conselho Municipal de Saúde.

A escola dos nossos filhos e netos é privada e sequer vamos descer das nossas tamancas para participar da reunião de pais e alunos da escola vizinha a nossa casa, cujas paredes estão descascadas e os banheiros estão ruindo, E por traz da cortina da sala, olhamos os meninos sairem mais cedo porque o professor faltou. E nem nos importamos se eles vão pra casa ou para o beco mais próximo. Isso só nos incomoda mesmo é quando um nos toma o relógio.

A notável re-eleição do oculista pode nos levar a enxergar melhor: seus votos foram massivos nas áreas nobres da cidade, onde o recapeamento da rua ou a abertura de uma grande avenida facilitou a vida de muitos. Mas o foram também nos bairros periféricos, onde as pessoas deixaram de pisar na lama quando saem de casa. Tudo em nome do deus-asfalto. Que o oculista chama de saneamento.

A saúde? Continua blindada pelas promessas e pela descaracterização da saúde como direito, sendo oferecida pelo poder público como benemerência. Assim benemerência pode vir do jeito que vier. Poucos protestam.

A educação? É ruim, mas é pior ainda aquela que é mantida pela rede estadual. Na comparação de ruins, a rede municipal leva vantagem. Que, aliás, responde por apenas 30% do ensino fundamental em Belém. Nossos péssimos indicadores educacionais são proporcionalmente mais responsabilidade do estado do que do município. Isso nem o Professor Mário quis lembrar na campanha.

Segurança? Ora. Ela está aí, nos carros de polícia fazendo boquinha nas pizzarias, churrascarias e lanchonetes, nos horários de almoço e jantar. Fora isso, os esquadrões da morte vigiam os bairros periféricos, enquanto nós nos protegemos com as milícias privadas doscondomínios, as cercas elétricas, os "vigias".

Urbanidade ou uirbanismo? Nada disso. Enquanto eu puder colocar impunemente meu carro sobre a calçada, jogar lixo na porta antes do horário da coleta, tudo bem. Ainda que no meu caso, eu tenha que passar pelo meio da avenida, me arriscando a ser atropelada pelo ônibus, porque o Posto Invencível ocupa toda a lateral da calçada da Lomas com seus fregueses. Mas, quando chego em caso, tranco a porta, e meu reino está salvo. Só vou me lembrar amanhã, de novo, quando passar por ali.

A indiferença, a soberba, a descontinuidade da nossa participação cidadã vai nos levar à calma, em breve, até a próxima eleição. E o oculista terá tempo de enxergar mais longe e, quem sabe, definir seus projetos, suas alianças, seu novo rumo. Ainda que nós fiquemos rangendo os dentes, que, aliás, não tratamos no Posto Odontológico 24 horas.

Acho que é isso, querido. Muito superficialmente, é isso.

Beijão.

Anônimo disse...

Você está coberta de razão, Bia. Parabéns pela análise. Acertou em cheio.

Roberto Souza

Yúdice Andrade disse...

Não que isso traga alguma diferença na prática, mas lembremos, tendo em vista as menções nos dois primeiros comentários, que o indigitado foi reeleito por 60% dos votantes de domingo passado e não 60% da população da cidade, como se dá a entender, nem sequer 60% do eleitorado, posto que neste também se inserem os votos brancos e nulos, além das abstenções.
Nada, nada, é menos gente a ter que carregar esse peso nos ombros.

Juvencio de Arruda disse...

Sensível diferença, professor, muito bem apanhada.