28.10.07

Os Ambientais

O nome do nacional Jean de Jesus Nunes voltou à mídia com força ambiental, digo total, através de uma nota no Repórter Diário na quinta, 24.
Jean Carlos, dizia a nota, era assessor do prefeito Duciomar e, de uma hora para outra, assumiu a Belém Ambiental, uma espetacular armação.
Puxando pela memória, lembrei de um post do saudoso Nec Plus , de 14 de março, sobre Jean de Jesus, Belém Ambiental e o cheiro pestilento que exala da prefeitura, de Duciomar Costa, e de seus asseclas.
Com voces, Jean de Jesus Nunes, ou Duciomar Costa, a escolha.


Muito Barulho

Um integrante do G-11 reage a manipulação de seu "ponto G". É o vereador Carlos Augusto Barbosa (PFL), que demonstra que o fruto não cai muito longe do pé da árvore, no caso de sua mãe, a valente e combativa ex-deputada estadual Maria de Nazaré.
Como previsto pelo Juvêncio de Arruda (www.quintaemenda. blogspot.com), o cerco ao prefeito se aperta.
Na sessão de hoje, dia 14, o vereador Carlos Augusto apresentou em longo pronunciamento, novas denúncias contra o prefeito de Belém. Segundo o vereador do PFL, todo o maquinário entregue ao Prefeito, pelo então governador Simão Jatene, logo nos primeiros dias da administração de Duciomar - com a finalidade de limpar e desobstruir as ruas da cidade - estaria sendo usado por empresas particulares, todas com o mesmo endereço e sempre comandadas, pelo mesmo proprietário, um ex-assessor do prefeito de Belém, que vem acompanhando o gestor municipal desde Brasília.
O ex-assessor seria o Sr. Jean de Jesus Nunes e entre as empresas constariam a Módulo Engenharia e a Belém Ambiental, que seriam empresas de fachada. O principal sócio de ambas seria o Sr. Jean de Jesus Nunes, que passou a representar os interesses da empresa através de procuração concedida pelos antigos proprietários, Jacó Barata e Jacó Barata Filho, cujo documento foi expedido em 15 de dezembro de 2005 pelo cartório de São Luiz do Curú (sic), no Ceará.
O detalhe, segundo a denúncia, é que Jean Nunes acumulava cargos públicos e depois se tornou sócio proprietário de empresas prestadoras de serviços contratadas pela prefeitura. Aqui em Belém, o Sr. Jean Nunes foi assessor especial do gabinete do prefeito de Belém, nomeado para ocupar um DAS-02 no dia 1º de janeiro de 2005 e exonerado no dia 1º de maio de 2006. Em Brasília, ocupou cargo na quarta secretaria legislativa do Senado Federal, de onde só foi exonerado em 15 de fevereiro de 2005.
Além das duas empresas já citadas, Jean Nunes também se tornou sócio – ao lado de Gilberto Jesus Nascimento - de uma terceira empresa, da PGI Construções e Serviços de Limpeza Ltda, originada da fusão da Belém Ambiental S/A e Dados Empreendimentos Participação S/A, esta, teve sua sede transferida para o Rio de Janeiro. Outra coincidência estranha, segundo o vereador Barbosa, é que todas essas empresas funcionaram no mesmo endereço, Avenida Tavares Bastos,1486, no bairro da Marambaia.
Essa última empresa - inserida no contexto de irregularidades - teria vindo transferida de Santa Maria do Pará em 26 de junho de 2006, onde se chamava PIG. Em Belém só inverteu as letras e passou denominar-se PGI e se instalou com um capital inicial de 500 mil reais, tomando mais uma vez como sócio o mesmo Jean Nunes.
Dentre os vários contratos firmados entre a prefeitura e essas empresas possivelmente fantasmas, estão obras que nunca foram construídas em Belém. Como é o caso da ciclovia de Icoaraci e da ciclovia do Guamá, duas obras que nunca foram executadas, mas que de acordo com a tomada de preço e com a concorrência pública, vencidas pela Belém Ambiental em 2006, custaram aos cofres públicos mais de 1 milhão e 300 mil reais.
A mesma empresa também teria vencido a Tomada de Preços nº 018 de 2006, para implantação de duas células no aterro do Aura, no valor de 1 milhão e 51 mil reais. Essa providência (das células) teria sido tomada para receber justamente a empresa CONESTOGA-ROVERS, a mesma que responde pelo contrato que também foi motivo de denúncia na Câmara, e que hoje é responsável pela queima de gases no lixão do Aura.
Baseado em notícias divulgadas pelo Ministério Público Federal, nos jornais de hoje - em que uma promotora cobrava do representante da Sesma para dar explicações sobre a situação da dengue em Belém - o vereador Carlos Augusto aproveitou para cobrar da Câmara uma postura mais severa, inclusive, com instalação de CPI, para apurar as constantes denúncias de irregularidades na atual administração municipal.



Muito bem.
Agora que já leram o post do Cjk, faço-lhes uma pergunta: para onde vai o dinheiro ambientalmente correto obtido pelo senhor Jean de Jesus Nunes?
Entre outros destinos, para esbórnias como a que segue, em post do Quinta Emenda de 15 de março, no dia seguinte ao de Cjk, portanto.


Dolce Vita

É desgastante o poder em Brasília.
Em Nova Déli, onde relaxa, o hemorrágico prefeito Duciomar Costa adora fazer passeios noturnos.
Vale-se, para tal, de uma belíssima lancha regional chamada Tornado, que pertencia ao doleiro José Lima.
Com dois conveses, capacidade para mais de 50 pessoas e um motor MWM de 11o cavalos, a proada do navio aponta para a bucólica ilha do Mosqueiro, onde lança âncora às proximidades do igarapé do Cajueiro.
A embarcação foi modificada logo após sua aquisição, controversa, sublinhe-se. Há quem diga que o mimo teria custado R$ 300 mil. Gente do ramo afirma que vale a metade. Uma diferença de 100%.
Mandou-se construir duas suites espetaculares, coisa de cinema.
Numa viaja ele, Dudu, e na outra, sua alma gêmea, o famoso Paulo Castelo, preso em flagrante em 1999 pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília, agarradinho a uma pasta repleta de dinheiro, extorquido à empresa Eidai do Brasil.
Que eu me lembre, um dos episódios onde mais fácilmente caiu um patinho safado.
Quando não está singrando as ondas suaves da baía do Guajará, a Tornado pode ser vista fundeada na frente do antigo Iate Clube do Pará, o quartel general de Paulo Castelo.
Aliás, o desativado clube é , digamos, o canteiro de obras informal do famigerado Projeto Orla, onde, sabe-se, a prefeitura tenta torrar algo em torno de duas centenas de milhões, emprestados ao BID.
Mas, justiça se faça, o embarque e desembarque da dupla é o mais discreto possível, protegida pela escuridão da noite e pelo porto do clube, distante 1/8 de milha da Av. Bernardo Sayão.
E a cidade de Nova Déli, pode perguntar o amigo leitor.
Bem, devo dizer que as "luzes da cidade" estão ainda mais longe do "bicho do mato". Azar dela, dane-se!
Sim, a feliz proprietária da Tornado é a Módulo Engenharia e Serviços de Limpeza, com base em Ananindeua.
Mas isso é apenas um detalhe.
Se bem que, às vezes, detalhes fazem toda a diferença.

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Sete meses se passaram desde os posts acima, e os detalhes fizeram a diferença. Na conta bancária de Jean Duciomar de Jesus Nunes da Costa - vide a obra da av. Duque de Caxias - que acaba de engordar seu cofrinho em mais alguns milhões de ambientais, digo, reais.
Duvido que em alguma capital brasileira uma série de ataques aos recursos públicos aconteça impunemente e de forma tão escancarada como em Nova Déli. E só acontece, e perdura, pela mistura absolutamente insuportável do apoio político de deuseomundo, da mídia calada à peso de ouro, da Câmara de Vereadores que não se dá ao respeito, e dos conhecidos, e convenientemente nunca resolvidos, problemas do judiciário.
O saque continua.

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Um bom domingo a todos e até amanhã.

21 comentários:

Anônimo disse...

Com a palavra, o zeloso doutor Jorge Mendonça do Ministério Público Estadual.

Val-André Mutran disse...

É um acinte, um escárnio. Dá vergonha de ser paraense ao saber que nada se faz para enjaular esse inominável.

Anônimo disse...

Juvêncio, este Jean Nunes é neto do velho Sapuarú, ex-vereador de Belém que esta hora deve estar tremendo de raiva em seu local de paz...É uma vergonha que o povo de Belém tenha que aturar o DUDU ainda um ano e três meses.

Anônimo disse...

Juvêncio,
Cadê o Ministério Público? incompetente Ministério Público. Talvez seja o caso de denunciar o promotor responsável pela defesa do patrimônio público por prevaricação. Pois neste caso está prevaricando sim.
O ministério público (com letra minúscula), que em todo Brasil se apresenta como a esperança de moralização da coisa pública, de defensor dos interesses da sociedade,em nosso Estado se mostra omisso e até conivente, com a robalheira.
Veja que após 12 anos de visível corrupção do último governo estadual nenhuma ação foi protocolada, nenhuminha. Procure saber Juvêncio, quantos promotores estão lotados em Belém, e procure saber quantas ações civis públicas foram protocoladas, talvés não dê uma por promotor.
Isso é fruto da falta de vocação de mseus membros para exercer esta nobre função. Está na hora de reformular este órgão. O Conselho Nacional do Ministério Público, precisa saber o que está acontecendo aqui no Estado do Pará. Talvez assim alguma providência seja tomada

Anônimo disse...

ontem a noite a duque era um escandalo com uma festança do dudu para dizer que estava entregando a avenida pronta.
A grama verdinha colocada e superfaturada.parece que custou apenas 3 milhões de reais a grama da duque onde quem pasta é o morador de belém que sustenta esse safado e a ambiental dele . O Pronto Socorro do Guamá feito pelo edmilson custou 4 milhões (com tudo pronto) e agora só a grama de uma avenida cuista 3 milhões porque foi trazida de marte
eii ministerio publico, acorda

Anônimo disse...

Aiiiiií... O vic tá que tá...

Juvencio de Arruda disse...

No site do MPE vc poderá encontrar todos os membros do parquet.
Não concordo que esteja havendo prevaricação nesta questão, mas não é bom, nunca foi, na média de todas as promotorias, o desempenho do MPE paroara.
Cabe outro reparo: o MPE instaurou sim, várias ações contra a administração anterior, inclusive contra alguns de seus membros, cmo o próprio ex chefe do MPE, Manoel Santino e seu colega coronel que comandava a PM na época do gverno Jatene.
Outra foi instaurada contra o ex secretário Dourado.
Na semana retrasada, o promotor da Infancia e Adolescência pediu a prisão do falso médico prefeito.
Todas caminham.
O GEPROC tem atuação destacada.
Os promotores da área ambiental idem.
Em compensação o MPE emgoliu mosca no caso Cerpasa, obra do ex chefe, Francisco Barbosa, aquele que fazia cara de mau e não assustava nem menino de colégio.
Mas precisa melhorar, e muito, e essa melhor tem que atingir a todas as promotorias.

Juvencio de Arruda disse...

Das 10:00, acertou em vc,né bandido? É prá acertar mesmo...rs

Bia disse...

Bom dia, Juca querido

se fossemos uns desavisados e não estivéssemos acostumados aos seus posts, este seria um péssimo domingo, apesar dos seus bons votos.

Aliás, a culpa não é dos seus posts. A culpa é de nos acostumarmos, ainda que se proteste a dois, a três ou a quatro, com a ignomínia que é a cidadania na nossa cidade.

Passei pela Duque ontem, um pouco antes da festa. Vi que agora temos faixas de pedestres de primeiro mundo. Mas, são pouca coisa, com um Prefeito de quinto mundo - sem ofensa ao Quinta e a Uganda - e cidadãos aflitos com prioridades como a sobrevivência, onde se encaixava o ônibus gratuito do Dudu. E a culpa é nossa mesmo, que ainda coonestamos,pelo silêncio, pela omissão ou pelo empenho insuficiente em mudar os dirigentes da "nossa" vida. Afinal, para nós a água ainda bate só nos tornozelos. E quando estamos muito zangados, temos canais para o esperneio. E aí, fica a sensação de meio dever cuprido.

A crítica não é pra você, não. Acho que faço é uma auto-crítica aqui. Aliás, sentimento que você sempre ativa em mim!!!...rsrsrs...

Também desejo a você um bom domingo. Mas, confesso, ao pé do seu ouvido, que tá difícil. Muito difícil, mesmo que eu, pra ignorar o entorno, tente olhar apenas o sorriso da minha neta.

Beijão

Yúdice Andrade disse...

Na gestão Edmilson Rodrigues, também surgiram acusações de irregularidades envolvendo coleta de lixo. Dizia-se que um irmão do prefeito era testa de ferro na empresa contratada. Agora, o mesmo tema parece dominar o universo de falcatruas municipais.
Está claro, portanto, que os serviços de limpeza urbana são uma mina de ouro. Como todos já sabemos disso, não seria hora de criar normas mais claras e rigorosas para esse setor, bem como de todas as autoridades - MP, tribunais de contas, etc. - sejam elas confiáveis ou não, ficaram de olhos bem abertos para o dito setor?
Impressionante é esse pouco caso com um assunto que é multirrecorrente em matéria de problemas.

Juvencio de Arruda disse...

Bom dia, queridona.

Nem vou discutir a culpa, de tão clara que é, mas lutar pelo sobrestamento dessa onda.
É iontolerável que essa carnificina com os recursos públicos prossiga.
Daí a peia, que vai até o fim, mas vai até o fim!
Mesmo sendo tão difícil, e é, e sem ter uma netinha prá olhar...rs
Bjão nas duas.

Juvencio de Arruda disse...

Professor, esse irmão também teria se envolvido numa das primeiras sem vergonhices do Chico Ferreira, um negócio de uma gráfica, salvo engano.
As lixeiriras são uma sem vergonhice só, em todo o país.
Acontece que elas financiam meio mundo que tá aí com mandato.
Basta ver o olímpico silêncio e o apoio dos comandos políticos ao sedizente, o que os deixa parecidíssimos. E são.

Anônimo disse...

Anônimo das 10:00
Não me procure por aí por cima, que você não vai me achar.
Sinceramente não acredito que o MP não esteja tomando todas as medidas necessárias para acabar com essa farra do prefeito Duciomar e sua gang.
Acho que é só uma questão de tempo.
Vic Pires Franco
Deputado Federal

José Carlos Lima disse...

Para colaborar aí vai a Resolução do TRE que mostra que o Jean foi candidato a deputado pelo partido de quem? de quem? do Dudu é claro.

RESOLUÇÃO Nº 2.425

Processo nº :0002/99 - DV
Autos de :Prestação de Contas de Campanha Eleitoral
Interessado :Jean de Jesus Nunes, candidato ao cargo de Deputado Estadual pelo PSD, nº 41.116
Referência :Campanha Eleitoral de 1998.
Relatora :Desembargadora. YVONNE SANTIAGO MARINHO

Prestação de Contas de candidato a Deputado Estadual.
Intempestividade - Eleições 1998.
A não abertura de conta bancária por si só não enseja a desaprovação das contas - Irregularidade que não maculou a prestação de contas apresentada.

RESOLVEM os Juízes Membros do Tribunal Regional Eleitoral do Pará, à unanimidade, aprovar as contas do candidato Jean de Jesus Nunes, nos termos do voto da Relatora.
Sala das Sessões do Tribunal Regional Eleitoral do Pará, em 09 de fevereiro de 1999.

Desembargador ELZAMAN DA CONCEIÇÃO BITENCOURT – Presidente, Desembargadora YVONNE SANTIAGO MARINHO – Relatora, Juiz RUBENS ROLLO D’OLIVEIRA, Juiz RONALDO MARQUES VALLE, Juiz RAPHAEL CELDA LUCAS FILHO, Dr. JOSÉ AUGUSTO TORRES POTIGUAR - Procurador Regional Eleitoral



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Publicada no DOE, de 24.02.99

Helena Saria disse...

É como disse o Lúcio Flávio essa semana num seminário sobre hidrelétricas no MPF: "quero dividir minha angústia com vocês...", te entendo, mas desespera qualquer um se sentir impotente diante desses desmandos. Espero que os posts gerem mais do que angústia. Gerem também pautas, notas, matérias, ações judiciais e recomendações do MP.
A meta é essa.
Bom domingo também.

Juvencio de Arruda disse...

Zé Calos, estou acompanhando o cerco que o indecente, através do não menos vereador Orlando Reis, está fazendo ao PV, e os eforços em contrário.
Mas o partido tem que dizer à população se vale mais do que o cargo que Raul Meirelles ocupa, ou se mostra os fundilhos por ele.
Boa sorte.

Juvencio de Arruda disse...

Helena, não vamos dar trégua aos malandros nem um minuto. Até eles entrarem na jaula, é claro.
Todos sórdidos.
Mandem a pauta aí...rs
Bjs

Anônimo disse...

Luluquefala:
O tempo passa
o tempo voa
e o Dudu continua numa boa...

Anônimo disse...

Anônimo das 8:05, só esperemos que o Dudu continue numa boa como a poupança Bamerindus, que já era...

Anônimo disse...

Exatamente anônimo das 4:32

Anônimo disse...

E para os mal informados, não foi a Belém Ambiental que fez a Duque. A empresa responsável pelo trabalho foi a TerraPlena.

Acompanhem o trabalho que está sendo realizado pela Belém Ambiental na Terra Firme, já que ela é uma empresa de "faixada".

S.S.