31.5.07

Desintegração Regional

A apresentação dos estudos da Diagonal, consultoria contratada pela CVRD para dar mais um pouco de gás aos separatistas do sul/sudeste do Pará, ontem a tarde em Marabá, atingiu os objetivos, a julgar pelos primeiros comentários que desembarcam aqui no Quinta.
É possível que o presente da mineradora seja o mais destacado dos estudos, pois o do IPEA foi um placebo - admitem, em privado, alguns de seus encomendantes - e a consultoria da Fundação Getúlio Vargas está práticamente descartada em razão do preço cobrado a Associação dos Municípios da região.
Nessa discussão, o secretário de Integração Regional, André Farias, encontra-se em local incerto e não sabido.
Decerto acha que pode fazer a omelete sem quebrar os ovos.

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Atualizada às 13:43

Da Seir - secretaria de Integração Regional - o blog recebe a nota abaixo.

1. A Assessoria de Comunicação Social da Secretaria de Integração Regional (Seir) informa que o secretário André Farias está em viagem oficial à Itália, com o objetivo de captar recursos e construir parcerias que efetivamente gerem o processo de integração regional. Vale destacar que dentre os vários itens da pauta Pará-Itália, dois estão diretamente relacionados com as regiões sul e sudeste do Estado do Pará. Trata-se da captação de financiamento para um Plano de Desenvolvimento Regional para o Araguaia e Carajás e a troca de experiências que visem à implementação de uma Agência de Desenvolvimento Regional para as comarcas em questão;


2. Outrossim, vale ressaltar que a Seir não se absteve do debate à cerca da “desintegração” do Estado. Na última sexta-feira (25), o assessor da secretaria, Carlos Cidade, esteve em Marabá, onde participou do “2º Congresso de Vereadores do Sul e Sudeste do Pará”, a fim de apresentar aos participantes o projeto de integração regional do Governo do Estado e as ações destinadas à região;


3. Ademais, o diretor de descentralização administrativa da Seir, Ademir Martins, encontra-se, nesta quinta-feira (31), juntamente a secretária de Desenvolvimento Urbano e Regional Suely Oliveira, no município de Marabá, onde discute com políticos daquela comarca a continuidade dos investimentos e a conclusão de obras na região. De forma que a Seir, em nenhum momento, está se abstendo do debate e das suas atribuições, que seriam fazer com que o conjunto de políticas públicas chegue, de forma articulada, no território a partir de um debate claro e aberto com a população.


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Ao tempo que agradece o envio da nota - tomara que a ( saudável) prática seja mantida - o blog faz uma observação: o local incerto e não sabido a que se refere o post é direcionado à ausência de um discurso firme do governo na questão, e não à presença física do secretário André, sabidamente na Itália conforme o DOE informou na semana que passou.
Neste momento, na modesta opinião do blog, não bastam as (necessárias e bem vindas) medidas de caráter descentralizador ou ações mitigadoras do poder público.
É preciso que o estado do Pará chame à centralidade da discussão as nuances federativas do problema, como por exemplo convocar os governadores dos estados emissores das levas de migrantes que acorrem ao estado neste momento de decolagem nos investimentos de grandes empresas, e de lá vindos pela ausência de dinamismo em suas economias.
Ou isto não é uma federação?
Para cada investimento privado na região deveria ser exigido, no licenciamento do empreedimento - e para além das compensações sociais do empreendedor - as cotas parte dos estados emissores de pessoas, e do governo federal.
Parece-me, volto a dizer, modestamente, que ações como o discutível projeto do "poluidor pagador", em tramitação na AL, perturbam o encaminhamento da questão.
E confinam o Pará à fortísima probabilidade da replicagem das pressões demográficas e mazelas sociais que se tem registro na esteira de todos - absolutamente todos - empreendimentos de vulto.
Tudo pode ser discutido e negociado.
Menos uma coisa: a continuidade da espiral socialmente devastadora que acomete o Pará.
No meio dela, o recrudescimento do separatismo, num grau de organização e suporte nunca dantes verificado.
Ou será que Ana Julia acha que as saídas usuais vão dar conta dos problemas?
Afirmo que não!

7 comentários:

Anônimo disse...

Por duas vezes esse tal de André Farias, pseudo-secretário de Integração Regional, se comprometeu em visitar Marabá em dois eventos importantes e não apareceu. Os eventos foram o Seminário de Desenvolvimento Sustentável do Pólo Carajás, promovido pela Câmara Municipal, e Encontro de Vereadores da Uvespa (União dos Vereadores do Sul e Sudeste do Pará). Nos dois, Farias tinha sido anunciado como palestrante.
Uma tremenda falta de educação.

Bia disse...

Juca querido, já fiz o comentário abaixo no blog do AK e no Quaradouro e o reproduzo aqui. Acho que estamos desencorajados de enfrentar uma discussão onde sabemos que o final não será do tipo"...e foram felizes para sempre".
Porém, a felicidade enganosa é pior do que a relativa melancolia centrada na realidade.
Beijão

"Como não acredito em coincidências, a revigoração do debate sobre a divisão do estado está alimentada por “vitaminas” onde a publicação do estudo da CVRD sobre o hiper desenvolvimento do sul e sudeste do estado, foi antecedida pela contratação do CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos pelo Governo Federal para elaborar o PPA 2007-2001, onde pontifica a emérita (não é ironia) Professora Tânia Bacelar, a mesma professora responsável pela linha de estudo "Metropolização, dinâmicas intermetropolitanas e o território nacional", parte de um estudo global (2005-2008) contratado pelo Instituto do Milênio, onde as regiões metropolitanas são analisadas a fundo, incluindo Belém. Todos os estudos têm como foco o território e sua "otimização", sendo a mesma professora a economista responsável também pelo estudo contratado pela CVRD, executado pela Diagonal e divulgado com estardalhaço esta semana na imprensa.
Acho que a divisão do estado sairá sim. Mas não pelo desejo dos brasileiros do sul e sudeste do Pará.

A Tânia Bacelar é pernambucana e é uma das mais dignas e competentes pesquisadoras deste país. Fez parte da equipe de Ciro Gomes quando este assumiu o Ministério de Integração Regional e, parece, pediu demissão quando percebeu que a recriação da SUDENE não era pra valer. Ou não era nos moldes de ag~encia de desenvolvimento, pelo qual ela tanto batalhou.

Acho que concordamos que os interesses da grande irmã CVRD mais do que coincidem com os interesses do Governo Federal na região (ou vice-versa?). Muitas vezes, os interesses prioritários são escamoteados por grandes e competentes análises que são socialmente justas e estatisticamente corretas e coordenadas por gente séria e competente.
Sobre o que não se tem controle é se dará tempo para fazer prevalecer o interesse comum sobre os interesses da empresa e/ou do governo federal, destacando-se que hoje a CVRD desloca o poder para onde seus interesses econômicos prevalecem."

Juvencio de Arruda disse...

Ribalta pro seu comentário, querida, uma perspectiva inédita até aqui.Embora latente...rsrsrs
Bjão e ótimo dia.

Val-André Mutran disse...

Uma correção. O estudo da FGV não está descartado de maneira alguma. Pode levar um tempo, pois, está sendo negociado.

Juvencio de Arruda disse...

Obrigado, Val-André.

RONALDO GIUSTI disse...

Com efeito,

Vicente Cidade esteve aqui e palestrou, no 25 de maio, no 2 Congresso dos Vereadores do Sul e Sudeste do Pará, sobre a Política de Integração Regional do Governo do Estado. Desde ontem, 31 de maio, Ademir Martins e Suely Oliveira estão na região, acompanhando obras tocadas com recursos do Pará-Urbe, nos municípios de Eldorado dos Carajás, São Geraldo do Araguaia, Brejo Grande do Araguaia e São João do Araguaia.
Entendo que a política de integração regional só será efetivada se for amplamente debatida pela sociedade, o que ocorrerá, pois a gestão atual já deu sinais de que tem disposição e competência para enfrentar os desafios do desenvolvimento do Estado.

Juvencio de Arruda disse...

De acrodo, Ronaldo. Considero um avanço a chegada de técnicos e políticos do interior na cúpula da administração estadual.
Conhecem melhor que os da capital,a realidade do estado, e vão lutar para a reversão da histórica postura das costas voltadas para o interior.
Agora a CRVD entrou na parada.
Vamos ver o qque vi acontecer.
Valeu a visita!