31.5.07

Interesses Maiores

Da comentarista Bia, que desfila no lado esquerdo do coração deste blog, sobre o post Desintegração Regional, de hoje.

Como não acredito em coincidências, a revigoração do debate sobre a divisão do estado está alimentada por “vitaminas” onde a publicação do estudo da CVRD sobre o hiper desenvolvimento do sul e sudeste do estado, foi antecedida pela contratação do CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos pelo Governo Federal para elaborar o PPA 2007-2010, onde pontifica a emérita (não é ironia) Professora Tânia Bacelar, a mesma professora responsável pela linha de estudo "Metropolização, dinâmicas intermetropolitanas e o território nacional", parte de um estudo global (2005-2008) contratado pelo Instituto do Milênio, onde as regiões metropolitanas são analisadas a fundo, incluindo Belém.
Todos os estudos têm como foco o território e sua "otimização", sendo a mesma professora a economista responsável também pelo estudo contratado pela CVRD, executado pela Diagonal e divulgado com estardalhaço esta semana na imprensa.
Acho que a divisão do estado sairá sim. Mas não pelo desejo dos brasileiros do sul e sudeste do Pará.
A Tânia Bacelar é pernambucana e é uma das mais dignas e competentes pesquisadoras deste país. Fez parte da equipe de Ciro Gomes quando este assumiu o Ministério de Integração Regional e, parece, pediu demissão quando percebeu que a recriação da SUDENE não era pra valer. Ou não era nos moldes de ag~encia de desenvolvimento, pelo qual ela tanto batalhou.
Acho que concordamos que os interesses da grande irmã CVRD mais do que coincidem com os interesses do Governo Federal na região (ou vice-versa?). Muitas vezes, os interesses prioritários são escamoteados por grandes e competentes análises que são socialmente justas e estatisticamente corretas e coordenadas por gente séria e competente.
Sobre o que não se tem controle é se dará tempo para fazer prevalecer o interesse comum sobre os interesses da empresa e/ou do governo federal, destacando-se que hoje a CVRD desloca o poder para onde seus interesses econômicos prevalecem.

24 comentários:

Anônimo disse...

Tem interesse demais nessa história. Tem interesse da CVRD, tem interesse do governo federal, tem interesse de separatistas, mas interesse do povo, que é bom, ninguém fala.

Anônimo disse...

A ficha ainda não caiu para a grandde massa.
Comentários como esse da Bia dsesanuviam temas tão polêmicos como o do divisionismo.
Pensar que a Vale está macumunada para dividir o Pará é acreditar que a Vale não gosta mesmo do Pará.
Mais do que isso, a Vale quer algo mais do que ser uma empesa: ser o próprio Estado. Aliás, com a grana que tem, ee mesmo maior do que o Estado. Mas daí, fomentar o dovisionismo, é traição. Enquanto isso, os políticos paraenses, os governantes, ficam aí com essa política comezinha, rasteira e lamacenta. Mais: quanto casta implantar um Estado, algo para mais de 10 bilhões de verdinhas? Daria para resolver todos os nossos probelams de infra-estrutura, em todos os quadrantes do Estado. Mas, pergunte qual o senador, deputado que queira entrar nessa polêmica? Nenhum, afinal nenhum quer se meter nisso porque seria perder voto no sul/sudeste, afinals eria cotnra o divisionismo.
E, assim, os paraenses comuns ficam assistindo, imobilizados, didvidirem, retalharem, estrupiarem, cortarem nossa carne sem que possam fazer nada.
A Vale, grande irmã? Não há melhor adjetivo. Uma graaaande irmã. Pra não dizer ao contræårio.

a) paraense (sem xenofobia, por favor).

Jeso Carneiro disse...

E os separatistas, por um acaso, são o quê? Essa história de invocar o "santo nome do povo" em vão é típica de quem não tem argumentos, de quem se orienta apenas pela manada. Estudos sérios, calcados em análises consistentes estão aparecendo, convém analisá-los, lê-los e, só depois, fazer o contraponto. Interesses? Sempre existiram. Existem. Sempre existirão. Inclusive o do nobre anônimo. E eles são normais, absolutamente normais numa sociedade pluralista e democrática. Ave, o debate!

Val-André Mutran disse...

O anônimo infelizmente carece de uma informação: os movimentos sociais, organizações de classe produtiva e trabalhadora, organizações não governamentais (exceto as que obedecem ordens do capital transnacional), comitês regionais, militantes políticos de todas as legendas com representatividade, Igreja, Prefeituras e Câmara dos Vereadores, além da atuação de deputados estaduais e federais (eleitos ou não pela região)e, de maneira menos contundente, os representantes do senado federal; contra ou a favor da divisão do Pará - na região do Carajás -, discutem a questão há pelo menos 25 anos.
A informação é facilmente checada se você for aos arquivos dos jornais Correio do Tocantins e Opinião que cobrem a região.

Juvencio de Arruda disse...

Ave, comentaristas.

Anônimo disse...

Ao carneiro, lembro que uma reunião de indivíduos acolitados no genérico de separatistas do sul e oeste do Pará, necessariamente, não pode ser compreendido como povo. Até porque, a maior parte dele, o povo, reside bem longe dessa região. Ou você entende assim, ou exclui o povo da discussão e revela um viés mais lupino que ovino.

Juvencio de Arruda disse...

...rsrs

Bia disse...

Obrigada, Juca, pela honra da ribalta!
Só uma correção que não fiz: o período do PPA obviamente é 2007-2010 e não 2001.

Beijão renovado.

francisco rocha junior disse...

Bia, não quero dar uma de Madame Natasha, mas se compreendi bem, você quis dizer que os estudos não fazem conclusões afirmativas sobre os benefícios da divisão do Estado para a população local e do remanescente indiviso; só se fala de viabilidade econômica. É isso, ou faltou algo?

Jeso Carneiro disse...

Ao anônimo das 9h16. Quer dizer que entre os separatistas não existe "povo"? Pior: nas regiões separatistas não há "povo", há "povinho"? A sua lavra-tese reflete bem o espírito colonial com que o interior é "pensado" pelos que não enxergam além da baía do Guajará. Fundamentação zero.

Dirceu Silva disse...

Afe... E onde não há interesse em jogo? Tudo na vida gira em torno disso. Política, economia, até mesmo debaixo do nosso teto há interesse, a vida é assim, o capitalismo e todas as outras formas de governo são assim. Sem interesse não há nem sexo quanto mais dinheiro pra sustentar um estado, uma nação.
É o famoso contrato Caracú, a CVRD entra com a cara e o nós, paraenses, vamos entrando com o...

Anônimo disse...

Os comentaristas seperatitas (a rigor superatistas)querem sperar as diferenças regionais retirando o sofá da sala.
Divide que a gente melhora.
Ora, se o Estado brasileiro tem dinheiro para bancar novos estados, porque não siuplifica a coisa e investe nas soluções que o Pará tanto reclama?
Se os separatistas têm dinheiro suficiente para implantar novos estados, por que não se juntam e resolvem os problemas do Pará? Não. O que tem por trás é interesse de caciques políticos. O povo, incluindo carneiros, vacas, bois e muares de todas as origens, são massa de manobra, isntrumentos dessas lideranças que, na maioria, não têm raiz aqui, não tem cultura nascida aqui. Vejm quem é o deptuado autor do proejto de criação dos novos Estados. é lá de rondônia.
Isso diz tudo.
Pode parecer xenofobia, mas é sentimento de pura união (não União pelo Pará, que isso é também discurso de político). O queremos é um Pará forte, não dividido. Mas, como estão de olho no dinheiro da Vale, e a Vale alimenta essa hsitória de divisonismo, é bem capaz que a coisa cole porque o Plansalto, o Lula e seus minsitros não gostam também do Pará. E a govrnadora baixa a cabeça como vagca de presépio. Os políticpos, a rogor, todos se acomodam. pra o bem e para o mal.
É por isso que a discussão se restinge a guetos. Ora, os jornais de Marbá forma que opinião (sem rtocadilho)? Não são diferentes dos da capital.
Ora, se o Estado não está presente, então que se cobre mais eficiência do Estado.
E não venham me dizer que o incremento da pecuária é obra da Vale ou das lideranbças isoladas do sul maravilha paranese? É resultado da efeitva presença do estado na região: a pecuária vai dar um salto a troco de que?
A aftosa é resutlado de ação do estado (com os empresários, seja-se justos).
As rodovias, a anergia elétrica, os hospitais de alta complexidade em Marabá e Redenção... são por acaso obra de quem?
Querem mesmo é desmontar o Pará, num gesto de separatismo xiita. Vejam os comentários, raivosos e contundentes.
Tudo com a ajuda da Vale.
A Vale não gosta do Pará, não gosta dos governantes do Pará. Dos ppolíticos mais ainda (o Carmona sabe muito bem o porque) e isso alimenta , retroalimenta o separatismo.
Recado para o comentarista- separatista: estou mais bem informdo do que você pensa.

Val-André Mutran disse...

Ao anônimo das 12:18. Seus argumentos são exatmaente os mesmos dos quais a grande amaioria dos engajados na causa utilizam. Mas, como sempre muito criticados por isso, as ações estão concentradas em outras estrégias, muito mais eficazes.
Noto preconceito e insisto que você é preconceituoso e desinformado.
Os jornais da região do Carajás, há muito superam em qualidade e profissionalismo os da Capital, em que os dois principais diários estão a serviço de famílias encasteladas no poder político e financeiro. É ou não é?

Anônimo disse...

A discussão está quentíssima e apaixonada, como não poderia deixar de ser. Há pessoas sérias, como o Jeso Carneiro que, como santareno, pensa em melhorias para sua região, sempre esquecida pelo governo central. Pelas bandas do Sul é a mesma coisa. Mas a defesa é mesmo pelas vantagen$$ que muitos ( mas poucos diante da massa da população) podem auferir, pela possibilidade das oligarquias regionais adquirirem muito mais poder, pelas possibilidades de empresas mineradoras conseguirem ( como conseguiram durante a ditadura militar) fazer o que querem e bem entendem ( o que já fazem hoje, só que com riscos de gritas aqui e ali, o que pode perturbar os negócios internacionais das mesmas).
Há uma questão séria que alguns levantaram aqui, mas que não alcança repercussão: se há tanto dinheiro para criar novos estados, por que não usar esse dinheiro na criação de condições para as regiões que (segundo uma minoria poderosa) querem se separar? Não seria melhor para o País e para as economias regionais? Pra que criar novos governos, parlamentos, judiciários, todos vórtices de corrupção, como o País vê há séculos?

Rômulo Sampaio disse...

Sou a favor do desmembramento para benefício geral da região.Estados precisam ser menores ,ageis e eficientes.Se não querem dividir, sugiro uma nova capital administrativa melhor localizada geograficamente dentro do atual Estado do Pará.Lá poderia ser criado um novo modelo urbano para a Amazônia.Fica a sugestão.
Bia, voce não é Charles Chaplin mas merece as "Luzes da ribalta", ah como merece.
Abraço carinhoso a todos que dão vida ao 'Quintão do Jucão " rsss

Juvencio de Arruda disse...

Obrigado Rômulo.
Somos todos povão por aqui...rs
Abs

Bia disse...

Caro Francisco,

O estudo da CGEE é geral e não se atém ao Pará, mas o link é importante, tendo em vista ter dsido instrumento para o PPA.
Do estudo da CVRD, o que foi divulgado demonstra a viabilidade econômica da divisão, sem entrar no mérito se o Pará deve ou não ser partilhado. Mas, como afirmei no comentário, estou experiente demais - pra não dizer velha! - para acreditar em coincidências.

O que me aflige, caro amigo, é que enquanto nos esvaímos em torneios anti e pró-separatismo, talvez não consigamos enxergar que há uma quase "fatalidade": a divisão será efetivada. Há interesses nacionais e privados muito mais fortes do que nossas vontades ou antagonismos.

Quem sabe se lidarmos com esta realidade, independente de gostarmos dela ou não, possamos passar pro segundo ponto da pauta: discutir os benefícios que os brasileiros do Pará - os que vão para o lado de lá e os que ficam do lado de cá - efetivamente terão com a divisão.

Mesmo você não tendo perguntado, declro não ser favorável à partilha do estado. Mas, reconheço que é mais produtivo enfrentarmos a discussão do que me manter tristonha, lamentando meu desejo que não se realizará. Meu desejo? Um Pará unitário, livre e justo.

Abração

Anônimo disse...

Alguem sabe quanto custaria essa divisão? E a grana de onde vem?
Cinco milhões, seis ou dez? e se essa grana toda investido em politicas publicas eficiente, não sairia mais barato?
Desse turma toda, quantos são paraense?
Os gauchos, capixabas, mineiros etc, defendem a divisão do seu estado de origem?
Perguntas meu caro Juquinha, que precisam de respostas
Um forte abraço

Lafayette disse...

Juvêncio, gostaria de ver aqui discutida outra divisão, ou melhor outras divisões: a do estado por municípios.

A divisão do estado em vários municípios (tal como é São Paulo, por exemplo), seria uma saída?

Juvencio de Arruda disse...

Olha, Lafa, a última leva de novos municípios, viabilizada pelo nefasto ex deputado Nicías Ribeiro,em nada mudou o panorama nas regiões objeto da divisão.
Atulmente, ao que saiba, um caso está em andamento, em Mojuí dos Campos, possívelmente abandado de Santarém.
Mas tem gente torcendo que não saia agora, pois a população da Pérola pode passar de 200.000 eleitores, viabilizando assim a eleição em dois turnos no ano que vem...eheh.
Acho um descalabro o gasto público nessas questões.
mas sua proposta t[a aí, para algum comentarista do Quinta dar sua opinião.

Lafayette disse...

Sempre me pergunto sobre a necessiadade de tais divisões municipais toda vez que viajo por interior.

Como o sr. Prefeito de Altamira, por exemplo, pode cuidar de Castelo dos Sonhos, que, talvez, seja mais longe, em linha reta, que Belém? Ou outros e outros exemplos.

Claro que as divisões não podem ser justificadas só por questão da distância, mas, mas...

Val-André Mutran disse...

Há intenso trabalho para a aprovação no Senado Federal da PEC 13/2003 de 04/04/2003, de autoria do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), que altera a redação do § 4º do artigo 18 da Constituição Federal, dispondo sobre a organização de Municípios.

Há dez anos não cria novos municípios no Brasil.

Caso aprovada a PEC, retorna às Assembléias Legislativas a legislação da matéria: "Criação de novos Municípios", através de Lei Complementar a ser aprovada pelo Congresso Nacional.

Em meu blog há um levantamento completo sobre as propostas de criações de novos Municípios no Estado do Pará que estão tramitando na Assembléia Legislativa.

Se os municípios emancipados por iniciativa de projetos do ex-deputado Nicias Ribeiro não acrescentaram o desenvolvimento esperado; o contrário ocorreu com os municípios que emanciparam-se no Sul/Sudeste do Pará, leia-se: Parauapebas, Redenção...

O ideal, segundo projeções que temos em mãos, seria que o Pará criasse mais 40 Municípios. Seria uma revolução.

Há, evidentemente, uma série de pré-requisitos a serem observados para a criação de novos municípios e, os mesmos já estão previstos na referida PEC proposta pelo senador gaúcho.

Numa pesquisa que fiz sobre o assunto, há outras proposições que serão apensadas, assim que a matéria, se aprovada, for remetida à Câmara dos Deputados, tornando a proposição muito mais relevante.

Vamos aguardar.

Juvencio de Arruda disse...

Obrigado pela contribuição, comandante. E ótimo final de semana na grande festa.

Lafayette, taí prá voce.

francisco rocha junior disse...

Juvêncio, a qualidade e a diversidade dos comentaristas, tornando o blog pluralíssimo, é que é bacana.
Confesso que não tenho opinião formada sobre o assunto, fora aquela romântica do Pará unido. A discussão ferve, cada vez mais, com contribuições elegantes e argumentos fortes, o que me leva a querer aprofundar-me no assunto.
Juro que vou me esforçar para estudar a matéria com mais afinco e, a partir de argumentos como os da Bia, do Val-André, do Lafayette e dos outros comentaristas, partir pra 'porrada' - no bom sentido, é claro.
Como os blogs terão muito - ainda mais do que hoje - a contribuir para as discussões que realmente interessam à sociedade, creio que em pouco tempo o que já dissemos (e ainda diremos) por aqui irá influenciar muitas das discussões sobre o tema, travadas nos fóruns tradicionais.