30.5.07

Primeira Crise

Na mais nova edição do Jornal Pessoal, de Lucio Flavio Pinto, nas bancas hoje, nas ruas de Nova Déli e no Estado do Tapajos, sua visão sobre o affair Carlos Guedes.


O secretário estadual de planejamento, Carlos Guedes, foi na noite do dia 22 ao Centro Integrado do Governo, na avenida Nazaré (onde o Idesp morreu e ainda não conseguiu ressuscitar, apesar de todas as promessas dos possíveis salvadores), para um encontro com a governadora Ana Júlia Carepa.
Comunicou-lhe verbalmente a decisão de deixar o cargo. Não aceitava que sua secretaria deixasse de exercer o controle da liberação de recursos e da programação financeira. As duas diretorias, que integram a estrutura da Sepof, passarão para o âmbito da Secretaria da Fazenda.
A mudança foi tomada, com a aprovação de Ana Júlia, sem consulta a Guedes. Aceitar a amputação significaria, no entendimento dele, se submeter a uma significativa perda de poder. O secretário preferia sair, voltando ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), do qual é funcionário de carreira.
Como estes são fatos, já bastante conhecidos, o mínimo que se podia esperar dos seus personagens é que os admitissem. Ao invés disso, o governo preferiu enveredar pelo perigoso caminho do desmentido.
De certa forma surpreso pela reação negativa ao afastamento de Guedes, que esperava minimizar, procurou contemporizar a situação e tentar demover o secretário demissionário antes que ele oficialize seu ato, o que está previsto – e foi acertado no encontro com a governadora – para o dia 4.
Mas se prevalecer a disposição do titular do planejamento, só haverá meia-volta se as duas diretorias permanecerem sob sua jurisdição. Logo, com todos os desgastes, o mais provável é que continue a ir embora.
O problema é que a intensa atuação de Guedes, resultante tanto de sua habilidade pessoal quanto dos instrumentos institucionais à sua disposição (sugestivamente, criados no governo de Simão Jatene), provocou reação dentro do governo, do PT e da tendência petista dominante no poder, a Democracia Socialista.
Dominante, mas já não mais una: a DS se cindiu – e Guedes ficou na minoridade interna, um microscópio quantitativo de poder em contraste com sua expressão qualitativa, se tal adjetivo pode ser aplicado a esse caso concreto. Se é de qualidade que realmente se trata,
O secretário de planejamento, além de ser o de maior mobilidade externa, circulando pelo Estado e contatando diferentes (e até antagônicos) interlocutores, tornou-se também peça essencial na engrenagem que movimenta os recursos do governo. Essa engrenagem não funcionou automaticamente quando precisou liberar a primeira parcela do conturbado convênio do Estado com o Aeroclube, para a formação dos pilotos de helicópteros. Embora a destinação do dinheiro tenha sido aprovada, a máquina engasgou por tempo suficiente para alertar para o risco da operação. Seus idealizadores queriam, no entanto, que a deglutição fosse bem suave, sem qualquer contratempo, como se exige de uma confraria.
O ligeiro incidente reforçou as prevenções de um grupo da DS que pretende exercer o controle total – ou, se impossível, pelo menos hegemônico – do governo. Essa facção fora alertada para as pretensões políticas do secretário de planejamento, que estaria planejando candidatar-se à Câmara Federal nas próximas eleições, criando seu próprio campo de influência e de poder, independente do círculo mais estritamente palaciano.
Para prevenir essa expansão, foi decidido que era melhor retirar do seu âmbito as diretorias que controlam as saídas de dinheiro do tesouro.
A Sepof também ficará sem o Fundo de Desenvolvimento do Estado, que se tornou o mais fisiológico de todos os instrumentos do governo, com poderosos efeitos políticos. A própria Secretaria de Planejamento constatara esse fato ao iniciar a auditagem do fundo.
Todos os sete municípios já fiscalizados apresentavam enormes desvios de verbas. A secretaria se propunha a corrigir essas distorções e submeter o funcionamento do fundo a um controle colegiado. Mas o FDE deverá passar para a órbita da Secretaria Especial de Integração Regional. E dificilmente mudará. Mudança, aliás, é algo que vai se tornando cada vez mais peça de museu na administração petista.
Se mantiver seu propósito de não aceitar o encolhimento da secretaria que assumiu há cinco meses, Carlos Guedes se tornará, no dia 4, a primeira grande baixa do governo Ana Júlia.
Se não voltar atrás do entendimento que firmou com seus parceiros mais próximos em relação ao integrante menos “orgânico” da Democracia Socialista, Ana Júlia demitirá Guedes nesse dia, com todos os elogios de praxe. E assim continuará a humanidade a caminhar.

12 comentários:

Anônimo disse...

Acho que o Lúcio Flávio Pinto cometeu pelo menos 2 falhas no relato:

1 - Ao contrário do que ele diz, o governo não negou nem confirmou a existência de uma crise envolvendo o secretário Guedes. O governo simplesmente não se manifestou sobre isso.

2 - A "Nota de esclarecimento" divulgada pela assessoria de comunicação social -- e veiculada na íntegra aqui mesmo, no 5ª -- afirma expressamente que, por determinação do secretário Guedes, técnicos da Sepof estão trabalhando, conjuntamente com técnicos da Sefa, na reestruturação da área contábil e financeira do governo.

Ou seja, segundo a comunicação social da Sepof, o secretário Guedes não só não é contra a tal mudança, como até está ajudando a realizá-la.

Claro que não se trata de dizer que a crise não existe. Mas também é fato que a tal "disposição" contrária do secretário Guedes, em relação à retirada do "F" da Sepof, é bem menor do que o Lúcio Flávio Pinto acreditou que fosse.

Anônimo disse...

Juvêncio.
O Diário do Pará de domingo, acusou o Jatene de ser o pivô de tudo isso, pois o modêlo tucano de governar é que gerou a tal crise.
o fato é que só depois de preenchido os cargos, descobriu-se que o Guedes estava com tudo. Pensavam que a chave do cofre era a SEFA e não a SEPOF.
Como dizia o ex-deputado Antonio Armando, em sessão da Assembléia, após passar o rolo na bancada do PT, "camarão que dorme, a maré leva"

Anônimo disse...

Talvez por ser gaúcho o Guedes não soubesse de um ditado bem amazônico: Jacaré que não se cuida vira bolsa de madame.
Virou bolsa.

Anônimo disse...

Caiu durinho dia 22 mesmo. E sairá entre abraços públicos .

Anônimo disse...

Governo da mudança que não mudou.
Nem mudará. Nada.
Tudo igual, as vezes até pior.
LFP tem razão.

Anônimo disse...

juca, é Jornal, não jonal. tô chata hoje com as lombas.

Juvencio de Arruda disse...

Na boa. Revisão feita. Obrigado.

DAMAS disse...

Caro Juvêncio,
Essa lorota de que construiram um contexto para detonar o cara, só porque ele "tinha/tem" pretensões políticas já caiu em desuso. Com todo o respeito pelo gigante e qualitativo trabalho do Lucio, quando não tiver o que dizer, melhor não dizer nada. E se a fonte o induzir ao erro, melhor parar pra pemsar antes de especular. Pra isso já temos o gigante e desqualificado trabalho das Mirians Leitões da vida nacional...

Anônimo disse...

A aaseessoria de imprensa do Guedes, fez aquilo que jornalista sabe bem o que significa, quando a notícia é verdadeira: "Não é verdade....".

Anônimo disse...

Vamos esperar os próximos capítulos para confirmar ou não as informações do Lúcio.
No entanto, o que me intriga é a perseguição do jornalista aos governos petista.Vamos lembrar:Qualquer nomeação ou exoneração no governo do Edmilson, até do gari, era notícia para o Jornal Pessoal.No governo do DUDU, basta lembrar da exoneração do secretári Zeno Veloso, que saiu do desgoverno, logo depois das crises H. Sírio Libanês e operação do MPF nos carros da guarda municipal, que não mereceu sequer um comentário do respeitado jornalista.

Anônimo disse...

Não entendo a pressa de alguns anônimos em criticar o LFP. Como na matéria ele colocou uma data para haver o desfecho, pq não esperar e depois cobrar ou dá a mão à palmatória?

Anônimo disse...

O LFP geralmente tem razão. Vamos dar tempo ao tempo.