23.4.08

A Economia Ilegal e Seus Defensores

O deputado estadual Arnaldo Jordy (PPS) classificou como “absurda” a pretensão dos senadores que integram a Subcomissão Temporária para acompanhar a Crise Ambiental na Amazônia e a Comissão Temporária Externa de Risco Ambiental, vinculadas à Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado, que devem propor nesta terça-feira (22.04) a obstrução da pauta de votações até que a Operação Arco de Fogo seja suspensa no Estado.
O grupo esteve este final de semana no Pará, onde realizou audiências públicas para verificar os desmatamentos em Tailândia, Paragominas e Breves. Para Jordy, os resultados da operação comprovam a atividade ilegal na região e, antes de suspendê-la, o que se deve é propor medidas que levem à viabilidade e à legalidade do setor madeireiro.
A Operação Arco de Fogo, executada em conjunto pela Polícia Federal, IBAMA e Força Nacional, visa restabelecer o marco da legalidade na exploração de madeiras e nas atividades afins, assim como combater o desmatamento desenfreado no Estado do Pará. Desde que foi iniciada, foram aplicados, aproximadamente, R$ 3 bilhões em multas e apreendido cerca de 1 milhão m3 de madeira (em tora e serrada) oriunda de extração ilegal. Além disso, 678 pessoas foram presas em atividade irregular, inclusive porte ilegal de armas.
“Dos senadores da República e, especialmente, dos que representam o nosso Estado e a nossa região, o que se espera é que viabilizem propostas para conter e punir o desmatamento da Amazônia”, afirma o parlamentar.

Entre essas propostas, Jordy destaca a estruturação do IBAMA e da recém criada Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), a fim de desempenharem a missão de regular e fiscalizar a atividade madeireira, já que a ação ilegal só ocorre devido à ausência, omissão e conivência dos agentes públicos e de seus representantes.
Para Jordy, deve-se lutar, neste momento, por ações efetivas de recuperação e conservação da floresta, com ganhos para as populações que ali vivem, bem como para as gerações futuras. “O que queremos dos representantes de nossa região é que garantam recursos para viabilizar o zoneamento econômico-ecológico já aprovado e que reafirmem o apoio e o estímulo necessários à atividade florestal como vertente natural da sustentabilidade da Amazônia e não como atividade ilegal e criminosa”, justifica.
Em documento protocolado durante a sessão desta terça, o deputado pede que a Assembléia Legislativa do Pará manifeste apelo ao presidente do Senado Federal no sentido de não permitir a obstrução da pauta de votação, proposta encabeçada pelos senadores Flexa Ribeiro (PSDB/PA), Expedito Júnior (PR/RO) e Jayme Campos (DEM/MT) como forma de exigir a suspensão da Operação Arco de Fogo.


Fonte: Assessoria de Imprensa do deputado Arnaldo Jordy.

24 comentários:

Anônimo disse...

Os senadores amarelaram e nem tocaram em obstrução da pauta. Ontem e hoje defenderam prorrogação do seguro desemprego para os desempregados de Tailândia e análise dos planos de manejo. Foi factóide com tiro no pé.Lamentável.

Anônimo disse...

Hum, percebe-se como a operação está encomodando os ilegais!!!!
Não morro de amores pelo Jordy, mais ele foi muito feliz, temos condições de presevar e viver na legalidade.Agora com a palavra o governo do Estado!!!

Anônimo disse...

Essa solução do nosso senador Flexa Ribeiro com certeza visa socorrer algum devastador inescrupuloso. O que importa é o dinheiro, o poder. O meio ambiente é o de menos importância!

João Salame disse...

O deputado Jordy está certo. Fazer obstrução para defender quem exerce atividade ilegal é algo totalmente descabido. Mas temos que ter claro: devemos ser radicalmente contra qualquer atividade ilegal na floresta. Mas é preciso, também, denunciar fortemente o estado que empurra o setor produtivo para a ilegalidade ao não liberar planos de manejo; não promover a regularização fundiária; não equacionar de maneira inteligente a questão da reserva legal; não prover de financiamento farto o reflorestamento; não criar compensação ambiental para quem preserva; não estruturar Sema e Ibama para exercer fiscalização cotidiana, etc...
Aplaudir devastadores que estão na contramão da história e impedir atividades produtivas sustentáveis para garantir a sobrevivência de 20 milhões de brasileiros que habitam a Amazônia por causa da inoperância do Estado são dois crimes de duas faces de uma mesma moeda.
O grande Aristóteles, que dizia que a verdade não se encontra nos extremos, deve estar tremendo nas catacumbas diante de tanta estupidez. A jusante e a montante.

João Salame

Anônimo disse...

Tá todo mundo descobrindo a pólvora.

Anônimo disse...

Ao anônimo das 8:45.

É verdade tá todo mundo descobrindo a pólvora, mas não é sempre assim? O Senador Flexa parece que está começando a incomodar!!!

Anônimo disse...

É verdade, o senador está mesmo incomodando. Àqueles que sonham com um País que não seja liderado por bandidos, onde tividades ilegais sejam dissolvidas no nascedouros. O senador, por outro lado, alimenta as esperanças da bandidagem de que tudo continue como está.

Bia disse...

Bom dia, Juca querido:

Mestre Aurélio, não discute sustentabilidade, mas a define secamente como qualidade do sustentável. Ele garante que “a jusante” é para o lado em que vaza a maré, como único significado da palavra. Já “a montante”, o Mestre diz que é para o lado da nascente do rio, mas diz também que o sentido da palavra pode ser “capital acrescido de juros”, ou “ qualquer peça vertical de sustentação que, numa estrutura, não possa ser considerada coluna ou pilastra”.

Não sei se entendi o que o deputado João Salame define como estupidez no contexto do seu comentário e como cita Aristóteles numa afirmação genérica sobre a verdade, penso que o deputado nos induz a raciocinar que a verdade tem muitas faces e que não está a jusante nem a montante.

É, concordo com ele.

Ela está submersa.

Neste país como diz nosso Presidente, ninguém mais aplaude devastadores descaradamente. Em silêncio, o que fazem é privilegiá-los através de financiamentos, apoios espúrios, recebendo em troca as benesses que lhes convém.

A atividade madeireira – legal ou ilegal – não traz benefícios diretos às populações conforme o IMAZON já comprovou. Os municípios brasileiros – e não só os paraenses – onde a atividade é prevalente, têm baixo IDH. O que explica também que a devastação é irmã siamesa da pobreza.

A moeda tem duas faces, mas as duas não estão ligadas a crimes. A atividade madeireira gera emprego e renda e isso ninguém contesta. Mas há dezenas de outras atividades – onde o conceito de sustentabilidade do Mestre Aurélio embora seco é perfeito – que nessa imensa Amazônia é secularmente testada pela população. Aí sim a omissão, a incompetência, a conivência e a ineficácia do estado brasileiro fizeram ferida.

Será que o estímulo – não esse arremedo de agricultura familiar abandonada ao deus-dará – à atividade agrícola familiar não traria emprego, renda, sustentabilidade e conservação e/ou recuperação do meio ambiente, inclusive o já degradado? A agroindústria - e não o hoje suspeitíssimo agronegócio - não é uma saída?

Ater-se à atividade madeireira sustentável como a salvação da lavoura ou a rendição da Amazônia é mergulhar numa vertente contemporânea da ecotecnocracia que na maior parte das vezes pretende justificar o saque. É temerário esse argumento quando posto como o melhor caminho para a geração de emprego e renda.

São indagações. A jusante. Tentando entender para que lado vaza a maré.


Beijão.

Juvencio de Arruda disse...

Bom dia queridona.

O deputado sabe muito bem disso, mas combina suas preocupações do cotidiano parlamentar com os os olhos na reeleição ou, quem sabe, na candidatura à prefeitura de Marabá.
O pragmatismo da política o impulsiona nesta direção, onde tenta se equilibrar aristotélicamente.
Resolvi não mais perder meu tempo, por enquanto, discutindo a geração de empregos enquanto fator de justificativa da descompressão das ações sobre a economia ilegal.
A tendência é sem volta.
É claro que as alternativas já estão colocadas, mas as sombras querem manter o criminoso padrão anterior, como bem atesta a indecente atuação do senador Flexa Devastação Ribeiro.
Coitado de Aristóteles, à jusante ou à montante.

Bjão pra vc e saudades.

Anônimo disse...

Não existe desenvolvimento sem sustentabilidade social e ambiental. Se há economia que se expandiu ignorando as questões sociais e ambientais não é desenvolvimento sustentável. Desenvolvimento é aliado indesgrudável (kkkkkkk) da sustentabilidade.

Beijos Juvêncio

Juvencio de Arruda disse...

Isso mesmo!
Dez para o seu comentário.
Alias, 11, pelo indesgrudável...rs
Bjs pra vc também

João Salame disse...

Meus caros Juca e Bia

Quando trato da questão florestal e como deve ser enfrentada é porque o debate está centrado nela. Tenho dito que o Pará tem áreas devastadas que correspondem ao tamanho do estado de São Paulo. Dá pra se plantar e produzir tudo, a partir do micro-zoneamento econômico-ecológico. Inclusive e sobretudo para a agricultura familiar. Para mim, não há contradição com a existência da atividade florestal-madeireira. Se temos divergências é de concepção e nenhum interesse me move nessa direção.
Isso não tem nada a ver com uma suposta candidatura minha a prefeito de Marabá onde há muito anos a atividade madeireira não tem importância alguma depois que dizimaram a floresta, sobretudo com a atividade pecuária. Também não acho que a geração de empregos deve ser justificativa para o desmatamento ilegal. Disse isso numa plenária em Tailândia, no olho do furacão, no auge da comoção que a Operação Arcos de Fogo causou, que o mundo não aceita mais esse modelo de exploração. Que justificar atividade alegal sob alegação de gerar emprego é o mesmo que defender a plantação de maconha. Agora, acho que é psosível produzir de forma sustentável e só vejo na produção a forma dae garantir dignidade para as pessoas. Por isso defendo a exist~encia do pólo siderúrgico em Marabá e outras atividades produtivas, que devem caminhar rapidamente pelo terreno da legalização. Portanto, minha posição é clara.
Venho aos blogs pelo prazer de debater idéias, como sempre fiz, de forma às vezes crítica, mas sempre respeitosa e sem preconceito com os interlocutores. Não passei décadas recebendo salários do tucanato para só depois "descobrir" que a atividade ilegal na floresta, o fisiologismo na política, o clientelismo e outras pragas existem. Sempre as combati de forma pública e continuarei a combatê-las. É fácil escrever textos e ser crítico quando se está fora do poder. E apenas pensar e não verbalizar quando se está mamando em alguma têta. Quem reler o Opinião desde que surgiu vai ver textos críticos assinados por mim em relação ao Almir Gabriel, Jatene, PFL paraense, etc, que muitas vezes eram meus aliados. Não mudei. Continuo o mesmo, me posicionando independente do governo, dos interesses, de minhas alianças, mesmo que procurando sempre respeitar os interlocutores. De peito aberto, o quem gosta de atuar na sombra não faz. Um dos frequentadores do seu blog questionou porque eu havia sumido após aquela entrevista. É porque eu estava esperando ela ser fatiada para só então responder. Como o farei se isso ocorrer.
Por fim, não tive entre meus financiadores de campanha nenhuma madeireira. Não recebi nenhum apoio desse setor. E me afastei do único empresário do setor siderúrgico que colaborou com minha campanha por discordar de suas idéias que considerei politicamente incorretas no auge da crise do setor. Isso dito de forma franca e direta.
Atenciosamente

João Salame

Juvencio de Arruda disse...

Deputado, obrigado por sua atenção ao poster e comentaristas do Quinta, que decerto reconhecem seu empenho em discutir e se posicionar.
Vc sabe como anda minha rotina nos últimos dois meses, com os encargos adicionais que assumi na pós graduação, sem deixar as demais atividades, e isto tem me roubado o tempo que gostaria para responder a leitores como vc, das antigas aqui no blog.
Acho que vou pedir uma audiência em sua agenda para conversarmos pessoalmente, sobre esses e outros temas.
E trazê-los ao blog.
Abs

João Salame disse...

Meu caro Juca

Estou hoje em Brasília, amanhã em Marabá, onde fico até a noite de domingo. De segunda a quarta-feira em Belém. espero seu telefonema. É sempre um prazer conversar contigo.

João Salame

Juvencio de Arruda disse...

Obrigado, caríssimo.
Na segunda telefono e marcamos.
O prazer será todo meu.
Abs

Bia disse...

Prezado Deputado João Salame,

li três vezes seu comentário e como está dirigido ao Juca e a mim, acho que a referência aos que mamaram no tucanato e que só agora fora do poder são capazes de "descobrir" que a atividade ilegal na floresta, o fisiologismo na política, o clientelismo e outras pragas existem..." e que " ...É fácil escrever textos e ser crítico quando se está fora do poder. E apenas pensar e não verbalizar quando se está mamando em alguma têta." referem-se a mim e não ao Juca.

Não gosto de entender nada errado e por isso a tri-leitura da sua resposta. Como sei que o Juca não foi assalariado dos tucanos, assumi a sua indisfarçada indireta.

E como também frequento os blogs - poucos, mas este Quinta já é religião - porque gosto de debates, de bons debates, o que fiz no meu comentário foi o que afirmei no final: indagações.

Não, João, não gostei do seu comentário. Ele é insultuoso e injusto na referência a mim.

"Mamar" em têtas públicas não é o meu ramo. Trabalhar diariamente, receber salário como contrapartida de trabalho correto, esse é o meu ramo. E agi assim com todos os meus empregadores. E meus patrões foram o Governo do Pará, o Governo de São Paulo, a Fundação SEADE, a Prefeitura de Marabá, o Sindicato de Trabalhadors Rurais de Marabá, o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Marabá, o DIEESE, a Escola Paulista de Medicina ea Folha de São Paulo, conforme atesta a certidão do INSS, já que estou prestes a me aposentar.

A nenhum deles aluguei minha cabeça. Nenhum deles me cobrou que não pensasse, que não enxergasse a realidade. Ao contrário: meu talento profissional talvez seja exatamente saber fazer isso: pensar, dizer, propor, encontrar caminhos e encontrar eco para realizar boas coisas, nos limites da minha sempre curta governabilidade. Nos dez anos de governo do Pará pude fazer exatamente isso. E nos outros 25 anos, também.

Jamais permiti e ninguém tentou fazer do meu trabalho um instrumento de compactuação com o clientelismo, com o fisiologismo. Ou com o com o banditismo, para incluírmos mais um "ismo".

Eu não tenho nenhuma dúvida sobre isto. E lamento que você tenha essa dúvida a meu respeito, o que é um direito seu. Mas, não é seu direito a generalização que faz para me atingir, atingindo tantos -servidores públicos, quer em cargos de carreira ou de confiança - que receberam "salários do tucanato" e entre os quais há respeitáveis, sérios, competentes, dedicados e honestos profissionais, que honram o salário que recebem.

Lamento, deputado, sua fuga pela tangente saindo da trilha da discussão principal: porque não debater os caminhos para a sustentabilidade do Pará? O debate está centrado na questão madeireira - e não na florestal, esta sim, uma ótima saída - porque o que estéa em jogo são interesses espúrios de quem trabalha na ilegalidade.

Lamento, mais uma vez, Deputado, sua resposta. Lamento porque evidenciou sua face mesquinha, que eu desconhecia.

Beijão, Juca.

João Salame disse...

Eu sou o João Salame. Não sei quem é Bia. Mas igualmente posso lhe dizer que me senti insultado por suas insinuações, suas ironias, pela tentativa, espero que não deliberada, de distorcer minhas opiniões. Não é a primeira vez e não sei quais os motivos que a levam a isso. Se a agredi peço desculpas. É que minha irritação chegou ao limite. Ao contrário do que você pensa sou generoso. E muito. Não sou hipócrita, covarde e nem demagogo para aguentar provocações e insinuações calado. Tenho um lado ruim, confesso, de agir igual ao grande Santos de Pelé, onde o ataque era a melhor defesa. Não resisto a uma boa provocação. E nem às péssimas provocações.
Respeitosamente,

João Salame

Bia disse...

Prezado Deputado,

o apelido é do início da atividade de blogueira,no Travessia, há três anos e nunca serviu para esconder quem sou nem o que penso.

Algumas vezes até, porque era adequado naquele momento não ser anônima, assinei aqui comentários com nome e sobrenome.

Ainda que não considere relevante o seu protesto por eu saber quem é João Salame e você não saber quem sou, contemplo sua queixa assinando este comentário, lembrando que com meu apelido várias vezes nos cruzamos aqui concordado e discordado. Isso era relevante: a conversa, a troca de idéias e o debate.

Adelina Braglia

PS. E, para completar meu perfil, sou sãopaulina, deputado.

João Salame disse...

Desculpe-me Adelina. Conheço sua trajetória e a respeito. Sei do carinho que minha mãe, que me é a pessoa mais cara do mundo, tem por você. Isso pra mim já vale muito. Só me deram uma informação uma vez sem revelar sua identidade o que me levou a escrever o primeiro comentário. De qualquer forma quero te dizer que me considerei ofendido politicamente pelos seus comentários. Agora ainda mais, pois sei que você sabe que nunca fui um pilantra da política. Também tenho história, trajetória de militante engajado na luta pela democracia e pelas causas socialistas. Às vezes reajo de maneira agressiva, pois ainda nao me acostumei, nem espero me acostumar, à mania dos demagogos, de não revelar o que sentem. Eu me senti agredido. De qualquer forma, até em nome da sua biografia, peço desculpas pela forma agressiva com que reagi e espero por um ponto final nisso.
Atenciosamente,

João Salame

Juvencio de Arruda disse...

Boa tarde, deputado.

Vou mandar um mail para a Bia, avisando que vc passou por aqui e deixou esta mensagem.
E vou ligar para vc no horário de sua terceira jornada de trabalho.

Juvencio de Arruda disse...

Ainda estarei em casa pelos próximos 40 minutos.Ligue, por favor, e marcaremos.
Abs

Bia disse...

Boa noite, Juca querido:

ainda não cheguei ao e-mail, pois passei primeiro por aqui.

Mas vou lá em instantes.

Beijão

Bia disse...

Prezado Deputado,

Sugestão acatada.

Adelina Braglia.

João Salame disse...

Obrigado

João Salame