14.4.08

Midia Livre

Com bastante atraso - a reunião foi na segunda passada, 7 - o blog faz um breve registro da representativa e prestigiada reunião sobre Mídia Livre, puxada pela Agencia Carta Maior.
Preliminarmente, há que se deixar consignado a importância e a oportunidade da luta em favor da expressão independente, ou livre, enquanto forma de manifestação que jogue luzes na exclusão, nas minorias, e nas mentiras e achaques perpetrados, todos os dias, pela grande mídia, contra a sociedade.
Para além dessas razões, entretanto, a Agência Carta Maior elege a perseguição da mídia ao governo Lula e seus aliados como a mais importante justificativa para a mobilização, o que empobrece, restringe e partidariza a discussão, deixando-a prisioneira da conjuntura
O diretor da Agência, Joaquim Palhares recorreu aos estudos de centimetragem de jornais paulistas, nas eleições de 2004, para provar a parcialidade dos matuninos de SP, repetindo a velha cantilena de que mídia ganha eleição.
Palhares teve oportunidade de aqui mesmo em Nova Déli - e ao que soube em Recife - sentir os problemas decorrentes de sua estratégia : o debate que se seguiu à exposição de Palhares, tumultuadíssimo, nada concluiu, pouco sugeriu.
Com a quantidade e a qualidade de intelectuais na Agência e seu entorno, um revisão da estratégia de adesão e convencimento, com base em pressupostos mais amplos e estruturais, seria muito bem vinda.
Afinal, a causa é muito maior que a Carta. E assim tem que aparecer.

2 comentários:

Anônimo disse...

Juca, concordo plenamente. Achei muito reducionista o debate, ate porque há muito se deixou de ver a população como mera marionete dos meios e que estes refletem o que está punjante na sociedade, ou seja, a mídia também é um espelho da gente (vide Barbero e outros). Então, para chegar neles, temos que discutir o que está passando conosco. Um exemplo é esse interesse (de alguns quase mórbido) pelo caso da menina Isabela. Outra coisa que questiono é a metodologia da Carta, pois como discutir todo um cenário em apenas uma noite? Ainda mais o nosso, considerando as dimensões geográficas do Pará, as culturas distintas, etc, etc. Outra coisa é o fato do Palhares dizer o tempo inteiro na reunião para esquecermos o que foi discutido no Sul/Sudeste e que iríamos fazer o nosso documento, mas não sei se foi somente impressão minha, mas me pareceu que ele queria encerrar o assunto ali mesmo, daí me fiz de besta e perguntei sobre a metodologia. Ele se alterou, o que para mim destou da postura que alguém que coduz um debate deve ter, mas isso são outros quinhentos. Soube do evento aqui pelo quinta, passei mail no fim de semana e fui para lá pensando que seria um seminário, mesa redonda ou algo parecido, mas eis que chego e era para elaborar esse tal documento que integraria um movimento nacional sobre "midia livre". E o próprio Palahares não deixou isso claro na entrevista que deu para o Sem Censura, enfim... amanhã segue o debate. Será que mobilziaram mais entidades? Claudia Aguilla

Juvencio de Arruda disse...

Oi Claudia.
Não soube de nova convocação, mas certamente devem ter aberto o debate à um número maior de interessados. Senti falta da Gisele Vasconcelos, do Coletivo Aparelho, figura muito bem aparelhada para discutir a questão.
Abs pra vc.