17.5.08

Fratura

A comentarista Tropicália responde aos comentaristas do post Narrativas Românticas, sobre a saída da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Prezados comentaristas do 5ª Emenda, percebam:
1. Não afirmei em nenhum momento que a Sra. Marina Silva é romântica em suas ações;
2. Não disse que sou favorável à captura do público pelo privado.
Coloquei duas questões no contexto da demissão da Sra. Marina Silva.
Uma refere-se à análise do discurso social construído para descrever as teses sobre o meio-ambiente e a complexidade do mundo contemporâneo. A outra é uma síntese analítica sobre o modo de produção capitalista e as mudanças institucionais gestadas ao longo deste processo civilizatório. Não se trata de opinião, nem de desejos, mas de evidências históricas.As duas são complementares, não excludentes.
O Romantismo marcou os debates inteletuais do final do séc. XIX, e pode ser detectado nas argumentações de intelectuais brilhantes como Weber. Não se trata de discurso objetivado em racionalidades, mas no profundo desamparo trazido pela velocidade das transformações engendradas pelo capitalismo.
Não estou me referindo a intencionalidades individualmente produzidas, mas a perda de referentes existênciais.É necessário cobrar da Federação políticas diferenciadas de repasses de impostos e de impactos demográficos. Não temos muitas saídas. Estas políticas deveriam ser encaminhadas pelas universidades, pelas Ongs, pelos movimentos sociais e, principalmente, pelos nossos representantes no executivo e no legislativo, além, é claro, dos formadores de opinião.
A questão pode até parecer psicodélica já que a política ambiental é lisérgica, mas está fundada no problema da autoridade e de seus sentidos modernos: o conhecimento. Daí a importância do conhecimento técnico-científico.
Vocação e Ciência é um dos grandes temas da política ocidental e aqui parece que foi confundido com idealismo. Paciência! Pois se há uma fratura realizada pela objetividade do conhecimento científico nos domínios da Política ela está exposta claramente no debate aqui travado: o cinismo é a condição da ação política quando os fins a que se propõe negam as evidências de destruição e de danos às populações e às gerações futuras.

9 comentários:

Anônimo disse...

Caramba... taí uma boa redação de segundo grau. Mas, como falta consistência no domínio de algumas categorias, leva 7 de nota. Parabéns, com uma recomendação: estude melhor Marx, Weber e os românticos, e definitivamente esqueça essa bobagem de que a vida é melhor quando o estado é mínimo. Esse dilema não merece ser levado ao divã.

Juvencio de Arruda disse...

Caramba...quanta mágoa com a comentarista que reiterou que não defende o domínio do privado pelo público, que não mereceu que vc mencionasse as categorias que ela não domina.
Tropicália, apenas para registro, não deu uma palavra sobre estado mínimo.
Mas publiquei seu comentário, para que os leitores do Quinta possam avaliar o que é crítica, e o que é papo furadésimo.
Publiquei também para que qualquer outro comentarista da qualidade de Tropicália saiba, antes de escrever para o Quinta, que terá que "pagar pedágios" do tipo que vc estabeleceu.
É do jogo.

Parsifal Pontes disse...

Olá Juvêncio,

Com a magna e tropical vênia: ao explicar-se a comentarista se esclarece.
Ao que, no primeiro comentário, arremedou uma oposição entre romantismo e realismo, no embargo declaratório insurgiu-se entre a emoção e a razão: aquela calcada na intuição política, esta na suposta certeza cientifica.
Atente-se que entre o psicodélico e o lisérgico, o científico e o intuitivo, caminha aquele que chamou Pope de o truão do mundo: o ser humano.
Equivocam-se as tentativas de enquadrar este truão nesta ou naquela escola: uma República de técnicos e cientistas seria um desatino maior que o sonho platônico de uma República de filósofos.
Todos são imprescindíveis e cada qual deve ser administrado na devida dose. Não vejo a diminuição do técnico e nem a prelazia do político na questão ambiental, mas a pressão do capital sem compromisso social, típico da fronteira que ainda é a Amazônia.
E, para que tenha termo este apocalipse, é necessária ação política firme e assessoramento científico eficaz: eis o ponto do doce.
Quanto ao idealismo, que se pretende confundido com vocação e ciência no debate contemporâneo, devemos intuir que o idealismo é a substância da nossa existência.
A ciência é apenas a ferramenta de consecução dos ideais do homem e a vocação nada mais que a mão que a segura esta ferramenta.
Entre o Zorba, de Kazantzakis e o Doutor Spock, de Roddenberry, sempre vamos preferir o primeiro exatamente porque ele tem o ideal de viver, em contraponto ao segundo que só tem o mecanismo de pensar.
O debate político é muito complicado para ser reduzido à elaborações científicas: ele excita as partículas todas das emoções humanas e isto são infinitas variáveis.
Portanto, a história do homem é muito mais uma bonita lenda de paixão do que um ensaio científico.
Ao fim, evidenciados Weber e Pope, não deixando de nos ter valido de Kant, fecho mesmo com Chaplin: “Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas!”

Abraços

Parsifal Pontes

Juvencio de Arruda disse...

Olá, deputado, bom dia.

Obrigado pela visita.
Percebo que o debate tem "excitado as partículas das emoções humanas", e isso é muito interessante.
Mais uma vez aguardarei o retorno de Tropicália.À ela deixei a co resposabilidade do embate - os outros responsáveis são os cometaristas - autora que foi das provocações aos comentaristas do blog.
Um grande abs e ótimo domingo.

Anônimo disse...

Apelando para o senso comum: Marina Silva tem tanto ou mais conhecimento sobre a questão ambiental que muito pós-doutor. O que faltou para ela foi força política, para enfrentar os bull-dozers que manipulam as cordinhas do deplorável ministro Reinhold Stephanes e da mãe do capitalismo selvagem, a poderosa Dilma Roussef. O mais é puro deslumbre acadêmico.

Anônimo disse...

Apelando para o senso comum: Marina Silva tem tanto ou mais conhecimento sobre a questão ambiental que muito pós-doutor. O que faltou para ela foi força política, para enfrentar os bull-dozers que manipulam as cordinhas do deplorável ministro Reinhold Stephanes e da mãe do capitalismo selvagem, a poderosa Dilma Roussef. O mais é puro deslumbre acadêmico.

Juvencio de Arruda disse...

O blog dispensa referências grosseiras ao senso acadêmico.

Anônimo disse...

O acadêmico não está acima do bem e do mal, ainda que exista quem pense assim nessa república injusta de bacharéis e tabaréus.
De fato não há menção de estado mínimo nos posts da autora, mas o que importa na crítica do anônimo são as questões relativas aos autores citados - as tais categorias ideológicas - e isto até o momento ninguém até o momento contrapôs o que ele disse, aqui. Fou ficar aguardando o prosseguimento desse debate pela tropicália, que, me parece, é mais suscetível para ouvir críticas.
Por fim eu lhe digo que essa história de pedágio é furadésima. Este blogue não é um blogue acadêmico no sentido estrito. Quem exige erudição de seus comentaristas, deve também demonstrar igual qualidade. Com todo respeito.

Juvencio de Arruda disse...

De fato, das 2:59, o acadêmico não está cima do bem e do mal mas a educação e o simancol devem estar.
Aprecio seu reconhecimento às menções inexistentes no post.
É um começo.
Agora vamos avançar: aponte a citação de Marx nos post de Tropicália.
Só vc caiu, distraído, na esparrela.
Quanto a Weber, Tropicália é uma estudiosa do autor. E à ela caberá sempre estudá-lo mais, daí a rejeição à abusada recomendação para que ela estudasse o autor mais um pouco.
E vc? O que estudou desses autores para concordar com o primeiro comentarista?
Conte pra nos.
Tropicália é mais suscetível a ouvir críticas sim, e eu nada suscetível pra ouvir asneiras, papos furados e manifestações de empáfia como a do)a) primeiro(a) comentarista.
Este blog não é acadêmico nem em sentido estrito, nem lato sensu.
Por isso não exige erudição de seus comentaristas.
Só que o blog tem todo o direito, e exerce-o com muito prazer, de registrar a ingenuidade/má fé de quem acha que escrever bem é o suficiente para convencer, e exigir, de seus comentaristas, o mínimo de conteúdo para "criticar" e descredenciar quem estiver pela frente.
A exigência impede que seja bem sucedida a tentativa de conferir o mesmo peso à pessoas como a Tropicália, o(a) zé mané das 9:53, e apressadinhos com vc.