26.5.08

Os Que Vivem nas (e das) Brechas

É torpe a tentativa de criminalizar o Cimi, na figura do bispo Dom Erwin Krautler, pelo incidente verificado em Altamira na semana passada. Até as consciências mais calhordas sabem muito bem o que representa um facão na vida de quem mora na floresta, silvícola ou não.
Mas são elas que comandam este espetáculo torpe, como afirmado.

16 comentários:

Alex Lacerda disse...

Juvêncio, sei muito bem prá que serve um terçado na floresta, mas não consigo entender pra serve em Altamira, no encontro, com pedaços da camisa ensaguentada do engenheiro amarrados neles.
Não sei se a intenção dos organizadores do encontro era acontecer o que aconteceu, acho que muito provavelmente não, até por que iria fatalmente ser usado contra os próprios agressores, como está sendo, mas no mínimo, é uma enorme irresponsabilidade juntar indios armados e seus adversários de idéias, principalmente junto de certos "movimentos sociais", como o MAB.
Um grande abraço,
Alex Lacerda.

Anônimo disse...

Caro Juvêncio,
Muito interessante teu post. Embora nos parecendo óbvio, foi o unico que li nesse sentido.
De resto, notas e matérias arcaicas, preconceituosas e, porque não dizer, ingênuas.
Sem os mesmos facões, nós, os "civilizados", por muito menos já arrancamos centenas de pescoços de índios e índias.
Um abraço,
Walmir Brelaz

Prof. Alan disse...

Juvencio, Mano Velho, caboclo da Amazônia vivendo no Planalto que sou, sei que o terçado é ferramenta de primeira necessidade no meio da mata. Mas o uso dele como arma de agressão e intimidação é que não se admite. Foi justamente a atitude estúpida dos índios, que como disse o Mano aí em cima já era previsível, que abriu espaço para as críticas - corretas ou não -que se v~eem agora...

Juvencio de Arruda disse...

Queridos manos, vcs estão corretos. Uma ressalva, apenas: não há uma palavra neste blog em apoio à agressão, mas sim a condenação à tentativa - torpe, como dito - de aproveitar-se safadamente do episódio e tentar acertar, com os terçados da mídia, a figura de Dom Erwin.
Abs aos dois.

Juvencio de Arruda disse...

Walmir, caríssimo, vc sabe diso bem melhor do que eu, escaldado pelas trincheiras onde vc anda.
Um abraço.

Anônimo disse...

De fato a mídia e a direitona que têm ódio da Igreja, pelo menos da parte dela que D. Erwin representa, está tirando sua lasquinha de modo leviano. estranho o silêncio do arcebispo, que não sai em defesa dessa Igreja. A Rádio e TV Nazaré só servem mesmo para pedir dinheiro e encher o saco com tanto terço e ladainha.

Juvencio de Arruda disse...

Terço e ladainha são as praias do arcebispo desta infeliz cidade.
Há duas igrejas.
Se vc prestar atenção, Dom Orani não é o único bispo paroara que se mantém silente sobre a tentativa de desmoralizar Dom Erwin.

Anônimo disse...

E pelo jeito, dom Erwin tem estado bem longe dessa "praia" tão saudável que é orar.

Anônimo disse...

Essa ala silenciosa da Igreja Católica do Pará é tradicional. Teve como grande representante, na época da ditadura, a figura de Dom Alberto Gaudêncio Ramos. Quem quizer conhecer o que este cidadão aprontou é só ler o livro Dom Alberto Ramos mandou prender seus padres, de Oswaldo Coimbra (editora pakatatu).
Quanto as palavras do Brelaz, que é gente grande no PSOL, faço um reparo: O ódio só legou ódio à humanidade, mais ainda quando cultivado com o combustível ideológico. Não é porque os colonizadores passaram e passam a bala nos índios, que se justifique sentar o pau e a faca em quem discordamos ideologicamente. E isto foi o que aconteceu ali.
E se o engenheiro tivesse morrido, Dr. Brelaz, o senhor teria a coragem de repetir com meias palavras que a coisa é o olho por olho? Será esta a coerência que o senhor exige e não encontrou em outros blogues, nem aqui?
Eu penso que a agressão foi organizada, sim. Não para ferir ninguém, mas na hora a coisa toda fugiu do controle e deu no que deu. Esperavam a repetição daquela cena com a índia esfregando o terçado na cara do funcionário. Deu merda como diz o Chico Buarque.
Não acredito também que D. Erwin tenha a ver com o fato. Os inimigos do bispo começam a tirar proveito da situação e isso é mais uma conseqüência e exemplo da tremenda irresponsabilidade de quem esteve por trás da tal manifestação. O que ou quem meteu fogo nos índios com certeza está olhando de longe, com a mão escondida, pois a pedrada que deu foi com a mão alheia. Quem fez isto não aposta no entendimento, aposta no confronto para fazer valer suas idéias.

Juvencio de Arruda disse...

Das 5:39, a "saúde" está muito mais complicada nas "praias" do Xingú.

Das 6:03, tenha a bondade de apontar a inocoerência do blog nos posts e comentários que assinei sobre o episódio.
Aí comentarei suas palavras.

Anônimo disse...

Incrível como as pessoas se revoltam bravamente porque um grupo de índios agrediu um engenheiro que, aliás, tinha agredido a todos com suas grosserias, que agora tenta esconder, mas não li nenhuma indignação contra os brancos que mataram uma meninazinha no Maranhão e continuam atacando os índios impunemente. Provavelmente eles acreditem que isso não é uma violência, apenas uma necessidade em nome do desenvolvimento. Violência é esses selvagens virem para Altamira armados até os dentes com terçados, eles deveriam ficar nas aldeias, esperando.

Anônimo disse...

Violência é tu escreveres o que escreves, como se conhecesse os que aqui dão opinião. Resumindo: esse teu tipo de raciocínio divisionista não leva a lugar nenhum, antes favorece que as violências continuem acontecendo dos dois lados. No final alguém levará vantagem, mas com certeza não serão os índios.

Anônimo disse...

E o pior é que esse filme já foi visto antes: os mesmos empresários sudanzeiros que orquestraram essa história risível dos facões são os que acusavam irmã Dorothy de comprar armas para os trabalhadores rurais de Anapu. Os mesmos que lucram com a grilagem e com o trabalho escravo e que pensam lucrar muito com o gigantismo de Belo Monte. A irresponsabilidade da mídia e da polícia - no caso de Dorothy a estadual - era a mesma demonstrada agora. E tudo terminou como todos sabemos. Temo pela vida de Dom Erwin, um dos melhores cidadãos desse Pará.

Anônimo disse...

O que dizer da "importação" de índios a 500 km de distância do evento, de aldeias que tampouco não serão atingidas pelo projeto da hidrelétrica?
Seria sómente para usar "facão cenográfico"?
Com a palavra os responsáveis.

Marcelo Vieira disse...

É sobre o comentário do dr. Brelaz, mas expressa um aborrecimento que já vem de algum tempo: é impressionante como para tantos defensores dos "movimentos sociais" todo mundo que discorda deles é necessariamente burro, desonesto ou preconceituoso- ou as três coisas juntas. Por essa e por outras é que a conversa não "cola" mais,pelo menos comigo.
Juvêncio, toda a solidariedade e longa vida a dom Erwin.

Marcelo Vieira

Juvencio de Arruda disse...

O debate é aceso, professor Marcelo. E ainda marcado pelos adjetivos que vc aponta.
33 anos depois de ter conhecido a categoria "fronteira de expansão", ela está mais viva do que nunca.
Abs pra vc e Dedé.