20.5.08

Serra Revelada


Há 20 anos os dias são os mesmos em Serra Pelada.
Espera-se.
Pela reabertura do garimpo, pelo dinheiro da caixa econômica, por água e esgoto, pela visita do presidente da república.
Espera-se.
Para sair daquele lugar, para dar aos filhos alguma dignidade, para pintar os cabelos, para comprar um carro ou roupa nova.
Espera-se.
Pela solução do problema, pela união dos garimpeiros, pela reestruturação da cooperativa. E essa estranha esperança, que mais aprisiona que liberta, é o que os faz acordar e dormir sob o ouro, todos os dias.
Este é um convite pra a pré-estreia do filme "Serra Pelada, esperança não é sonho." , dirigido por Priscilla Brasil. Domingo, dia 25 de maio às 19:30h, no teatro Maria Sylvia Nunes (entrada franca).
Flyer virtual e texto de apresentação e serviço do documentário de Priscilla Brasil, produto do prêmio do DocTV, da Secretaria de Audio Visual do MinC, TVE, e Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (ABPEC).

3 comentários:

Romulus Sampaio disse...

"E essa estranha esperança, que mais aprisiona que liberta, é o que os faz acordar e dormir sob o ouro, todos os dias."

Bem Brasil... ...que se tornou vermelho, da côr da hemorragia.

Um grandissimo, respeitoso e saudoso abraço ao Mestre Juket.

Juvencio de Arruda disse...

Mestre, vc não morre cedo. Há dias tenho pensando por onde diabos do mundo anda vc...eheh
Espero que esteja recuperado do joelho.
Mande notícias pelo mail.
O mesmo abraço mando pra vc.

MST on line disse...

MST-PA faz esclarecimento sobre prisões no Pará
20/05/2008

Leia a seguir nota do MST sobre protesto do MTM (Movimentos de Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração) e prisões de garimpeiros e trabalhadores rurais no Pará.

1- Desde 7 de abril, mais de 2 mil trabalhadores organizados no MTM (Movimentos de Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração) se encontram acampados às margens da Estrada de Ferro Carajás (EFC), no assentamento Palmares, em Parauapebas, sudeste do Pará. Os garimpeiros exigem uma negociação com o governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, e com o governo do Estado do Pará.

2- Os governos federal e estadual não cumprem o papel do Estado e não abriram canais de negociação com o MTM, ignorando suas legítimas demandas e as manifestações que acontecem desde abril. Os garimpeiros organizaram duas manifestações na EFC, nos dias 17 de abril e 13 de maio, com a interdição pacífica da estrada de ferro. A imprensa empresarial fez uma cobertura parcial dos protestos do MTM, deixando de lado as suas reivindicações. O governo segue a mesma linha e se recusa a abrir negociação com os trabalhadores do garimpo.

3- A sede da Coomigasp (Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada), em Curionópolis (697 km de Belém), na região de Serra Pelada, foi ocupada pelos integrantes do MTM, em 18 de maio, pelas seguintes razões:

a) Foi assassinado o ex-presidente da Coomigasp, Josimar Barbosa, em 8 de maio, em Marabá, a mando da atual diretoria da cooperativa.

b) A diretoria da Coomigasp mantém um convênio para a exploração da cava de Serra Pelada com a empresa mineradora Vale e Colossus, que exclui dos seus benefícios 80% da classe garimpeira, especialmente aqueles que estão organizados no MTM.

4- Na ação da ocupação da sede da Coomigasp, em Serra Pelada, coordenada pelo MTM, foram presos e detidos mais de 40 pessoas e três integrantes do MST, que estavam no protesto em solidariedade à luta dos garimpeiros.

5- A Polícia Militar agiu com truculência e feriu dezenas de garimpeiros. Depois, 13 pessoas foram levadas para o quartel da PM de Parauapebas e cinco foram presas em Belém. Foram detidos dois dirigentes do MTM, Etevaldo Arantes e Eugênio Viana, e três integrantes da coordenação estadual do MST, Eurival Martins (Totô), Wagner da Silva e Fabio dos Santos, que estão detidos na penitenciária de Coqueiros.

6- Diante desses acontecimentos, o MST manifesta apoio aos garimpeiros acampados e ao MTM e exige a libertação dos presos políticos que defendem um nova forma de gerenciamento das riquezas minerais do país e a Reforma Agrária. A prisão dos militantes do MST e do MTM tem motivação política por parte do governo do Estado e do Judiciário paraense, que cedeu às pressão da Vale.

Marabá, 19 de Maio de 2008

COORDENAÇÃO ESTADUAL DO MST-PA