4.5.08

Nota 2

O site da UFPA publicou nota do diretor da Faculdade de Medicina, professor Claudio Galeno, onde reconhece os problemas do curso; diz que a presença de apenas 15 % dos alunos poderia ter repercutido na avaliação do MEC; e que houve uma coincidência entre as datas da prova do Enade e a da Residência Médica.
Mas a nota dizia também que não é possível responsabilizar o boicote dos alunos pela avaliação recebida, uma contradição primária. Ademais, a data da prova de Residência Médica deveria ter sido alterada, a partir de uma avaliação prévia sobre os possíveis impactos na prova do Enade.
Em outra nota , o Pro reitor de Ensino de Graduação, professor Licurgo Brito, afirmou não ser possível fazer um diagnóstico completo de um curso somente com os resultados do Enade, o que é verdade, posto que os laboratórios e equipamentos da instituição - inclusive os cadáveres da Anatomia Patológica, objeto de notícias meses atrás e agora exumados pela conveniência safardana - estão em boas condições para o ensino, conforme se verificará mais tarde, com a divulgação do relatório final do MEC.
Já a Vice reitora, professora Regina Feio, admitiu a existência de problemas no curso, como a estrutura física do prédio da Faculdade de Medicina, mas que isso não reflete na formação acadêmica de forma geral, e não descarta a possibilidade do impacto do boicote por parte dos alunos durante o exame, já que a resistência é notória entre os estudantes e diretórios acadêmicos.
Sim, o impacto não deve ser descartado: os alunos são responsáveis pela nota do curso, como foram os alunos da Comunicação Social há dois anos, que entregaram suas provas em branco e o curso tirou nota 1. Mais tarde, quando a comissão do MEC passou por lá, a nota foi elevada com a incorporação de outras variáveis. O mesmo acontecerá com a Medicina.
Os alunos, do primeiro e do último ano, são convocados para as provas do Enade por amostragem. E só comparecem porque senão não recebem seus diplomas. Mas entregam as provas em branco, como fizeram alguns que hoje são jornalistas.
Mas há outros responsáveis.
Vou dizer-lhes o que a Vice reitora e o Pro reitor não disseram, perdendo uma grande oportunidade de fazê-lo.
São patentes, e antigos, os problemas de gestão naquela Faculdade. A importância e representação simbólica do curso não guardam correspondência com as recentes gestões da unidade, que tem oferecido obstáculos à mudança do curso para o campus do Guamá sob argumentos pueris; que insistem em processos eleitorais restritos ao conselho da unidade; que se recusam a adotar os conteúdos da reforma curricular; há muitos docentes que não se dedicam prioritariamente à instituição, privilegiando seus consultórios; diretores que se recusam a lançar as faltas de seus colegas; que reagem à discussão com as consultorias que procuram sensibilizá-los a empreender a modernização dos conteúdos, métodos e disciplinas, e que se entregam abertamente à pavonagem.
A Faculdade de Medicina não é o pior curso, mas é o mais problemático de toda a UFPA.
As restrições ao maior controle pela administração superior, em parte derivada da estrutura e autonomia relativas das unidades, começam a entrar em declínio com os novos marcos legais da instituição: seu regimento geral, estatuto e novo lay out organizacional. Seus efeitos, entretanto, ainda vão demorar algum tempo.
Para além dessas questões legais, a crise da Medicina é produto, principalmente, dos limites de operação absolutamente críticos em que trabalham as universidades públicas brasileiras, à exceção ( sob condições ) das tres universidades estaduais paulistas, que recebem quase 10% do orçamento do estado de São Paulo.
As universidades brasileiras não podem parar de crescer, e o fazem em todas as direções do conhecimento e do espaço territorial em que atuam. Na trajetória do crescimento, as administrações superiores - todas elas, de todas as universidades - drenam seus esforços nas unidades e cursos mais permeáveis às mudanças: as universidades não são abstrações ou exceções paradisíacas, e operam sob lógicas absolutamente enquadradas nas gestões de qualquer sistema: respondeu aos estímulos? Cresce, avança. Não respondeu? Dificultou? Fica pra trás.
E a UFPA não tem sido diferente de todas as outras, na histórica insuficiência da sua comunicação com a sociedade, ressaltada, no sentido inverso da responsabilidade, pelas palavras do pro reitor de Ensino, que diz lamentar que a sociedade tenha uma visão distorcida através das manchetes divulgadas.
A universidade tem sua parcela de responsabilidade nessa distorção.
A refração da visão da sociedade reflete a insuficiência da comunicação das instituições científicas, decerto complementada pela superficialidade com que temas dessa natureza, e de outras, são tratados pela mídia.
Nessas ocasiões, a universidade paga caro pelo que economiza em recursos ou no desprêzo à reeducação de seus quadros docentes e técnicos para a questão da comunicação e da relação com a sociedade. Quem lhes escreve isso trabalha há 20 anos na UFPA, sempre na área de Extensão, e é testemunha ocular dessa realidade, mais uma vez comprovada com o silêncio que acompanhou sugestão recente do jornalista Lucio Flavio Pinto nessa questão da relação universidade-sociedade.
Pagarão mais caro ainda os estudantes, o preço da cumplicidade e aceite à convocações de boicotes e outras ações nefastas, não científicas e anacrônicas. Apostando no curto prazo, longe da razão, e sob motivações torpes, levarão ao mercado seus diplomas obtidos num curso, à época, nota 2.
Merecem. Valem 2.

15 comentários:

Oliver disse...

Assino embaixo.

Juvencio de Arruda disse...

Bom dia e muito obrigado cumpadi.Nesta seara ( e em tantas outras) sua assinatura é muito, mas muito mais fundamentada do que a minha.
Abs

Flanar disse...

Excelente análise, que vem de uma certa maneira, lavar nossa alma (possivelmente minha e de Oliver), quando nos lembramos que a frequentamos no passado, onde já se ensaiavam os problemas que hoje testemunhamos.
Mas ainda há muito o que fazer. É preciso contudo, "deixar fazer".
Abs

Juvencio de Arruda disse...

É preciso "lavar" a questão, Flanar, coisa que a Medicina Social e a Medicina Tropical já fizeram. A excelência do Instituto de Ciências da Saúde está nessas duas áreas.
O reitor da UFBA, referencia internacional na primeira área, já sentou a macacaúba nos "docentes de consultório" e nos que resistem às reformas curriculares.
No Diário do Pará de hoje, o reitor da UFPA disse o que sua equipe absteve-se de dizer.
Abs

Anônimo disse...

Juvencio
Isso que está ocorrejndo na UFPA vai ocorrer na UEPA, pois ainda não tem Hospital Escola e para completar quem dirige hoje a UEPA tb acha que não necessita de Hospital Escola, então a avaliação da UEPA tb vai para o espaço, logo, logo.

Anônimo disse...

Aproveito o tema para incluir como parte/consequência do processo de decadência do curso de medicina, a situação atual dos dois (Dr. Paulo de Tarso diz que é um!!!)hospitais universitários da UFPA. O abandono, o descaso dos docentes de medicina em fazer PARTE dos mesmos. Só discursam que são docentes e querem tudo na mão.Arrogantes(com raríssimas excessões). Não querem construir nada. Conhecimento, pesquisa?Nem sabem o que é isso!! Trabalho no Bettina Ferro. Buscamos um espaço, uma identidade, a qual já foi bastante deformada pelo descompromisso dos docentes de medicina e as cirurgias plásticas reparadoras no Bettina o deformam mais ainda. Prova disso?Ele agora está em carne viva, Dr. Paulo de Tarso resolveu que ele precisa, antes da plástica, passar por cirurgia vascular..., retirar/susbstituir alguns órgãos.. Vamos aguardar pra ver como ficará o Bettina com a nova cirurgia plástica ESTÉTICA, pois essa é ESTÉTICA.

Anônimo disse...

Meus Caros, parei pra pensar no que o anônimo postou sobre o Hospital Bettina Ferro e procurei me informar. Sou funcionário da UFPA e fiquei pasmo!!!Que verdade se escondem naquele hospital!!!O que mais me horrorizou foi tomar conhecimento de como a atual vice-diretora do Bettina, senhora Irene Wel...alguma coisa, trata os profissionais. Se um ou outro falasse diria que é intriga de insastifeitos, mas todas as pessoas que procurei hoje, por telefone e pessoalmente, dizem a mesma coisa. Mas um hospital que, já sofrendo o descaso dos docentes de medicina, vai se acabar de vez, internamente, pois a multidisciplinaridade em ascensão sofreu "MATANÇA"(palavra dos funcionários do Bettina com os quais falei), extermínio praticado pela senhora Irene. A área de saúde da UFPA está agonizando.

Anônimo disse...

SAiu no Tiquin

Estive pensando o quanto essa universidade que um dia me acolheu e me deu formação tá bagunçada. Apesar disso, continuo gostando, e muito dessa instituição. Mas quero fazer uma, apenas uma reflexão sobre a conjuntura eleitoral que "está para se constituir" na federal.
Como é que a Profa. Regina pensa em ser reitora se ela apóia a balbúrdia que o PT TALso tá fazendo no Bettina? É, ele está lá com o aval dela, que tá fazendo vista grossa pra isso. Assim, ela perderá até meu voto, pois já perdeu de muitos no Bettina. E mais: O PT Talso foi do Barros; ocupou cargo de confiança da gestão atual e, portanto, são da mesma corja que maltrata todo mundo e não ouve ninguém. Assim, ela (Profa. Regina), provavelmente tb já perdeu a simpatia de muitos por lá... Ô concorrente fácil em Prof. Licurgo!? No Big Brother, em Mosqueiro, todos já sabem que a nome da Profa. Regina deveria sair de lá como o indicado na escala sucessora do Prof. Alex, mas depois que o Prof. Licurgo bateu o pezão dele (esse Licurgo parece mineirinho!!!), até o Prof. Alex parece ter repensado a sua preferência. Tb pudera... a área da saúde (forum de saúde!!! ainda existe?) tá abandonada!!! E diga-se de passagem: quem faz a área da saúde são as pessoas; são os trabalhadores expoliados pela administração superior, pelo menos parte dela e seus representantes; e abandonados pelo Sindicato pelego, que adora um mensalão pago pelos fadesp... Vamos acordar galera!!!
Profa. Regina: Ainda há tempo de recuperar seus valiosos votos e apoios à sua candidatura e futura eleição para a reitoria. O meu a senhora AINDA não perdeu!!! Conte comigo. Só não sei até quando!!!

Anônimo disse...

partte dessa situação tb é culpa do Sintufpa. Vejam o que os funcionários dos HU's têm dito sobre a gestão sindical:

Também no tiquin...
Que o movimento sindical tava em crise, isso eu sabia. Mas que estava falido... E esse sindicatozinho é a maior prova disso. O sintufpa tá falido e isso é um reflexo do movimento sindical atual... Deixaram-se engolir pelo capitalismo selvagem do patronado... E o mais impressionante é que o Sintufpa passou a sugar aqueles quem deveria alimentar.Alimentar de consciência de classe, dizendo que ações isoladas (como de alguns trabalhadores dos hospitais universitários) não levam à nada em se tratando de luta contra os poderosos... Mas o sindicatozinho tá fazendo exatamente o inverso... tá desmoralizando a classe trabalhadora

Anônimo disse...

Acho que tem muita gente competente (pelo menos que não se vende) pra compor uma chapa pro Sintufpa, como propôs o anônimo acima. Gente que não grita nem faça cara de mal ao sentar à mesa de negociação, mas que tenha sensibilidade de se colocar no lugar dos trabalhadores e que tenha leitura sobre o movimento sindical e os rumos desse movimento na conjuntura atual - que diga-se de passagem, não é o de se vender, como a Ângela "gogó mudo" e sua corja tão fazendo. Alguém que conscientize a massa de trabalhadores que é preciso sim manter o emprego, mas não se submetendo aos desmandos de quem quer que seja, com o argumento de que se é contratado não tem direito (declaração infeliz feita tempos atrás por alguém da administração superior", sugerindo demissão se não tiver dando certo!!!).
Mas sabem pq a gestão atual do sintufpa não faz isso? Pq só sabe gritar, pra dizer que tem poder... poder não sou eu que digo que tenho... são as pessoas que me dão... aprenda Ângela...
Por hoje....

Anônimo disse...

Acabou sindicato na Ufpa!!!Ninguém acredita mais. Nos HU´S é fadesp engolindo UFPA, UFPA engolindo fadesp. A confusão que as últimas gestões do sintufpa causou foi uma luta de categorias(UFPA X FADESP)acirrada. Fadesp querendo os cargos de confiança dos servidores da ufpa nos HU´S. Tá uma...

Fadesp se vendendo por qualquer coisa.

Anônimo disse...

Na corrida eleitoral, na UFPA, pra próxima gestão na reitoria, tudo isso vai pesar: curso de medicina, HU'S, Sintufpa. Se, realmente, professora Regina Feio for a candidata da administração atual do professor Alex Fiúza( muitos acreditam que não)não vai ganhar. A área da Saúde da UFPA, formada pelos HU'S Bettina e Barros Barreto, Instituto de ciências da Saúde não a elegerá, graças ao seu conselheiro/assesor para assuntos aleatórios, que lhe passa descomposturas em público, o senhor doutor PAULO DE TARSO, ex-secretário-adjunto-da-sespa.

Juvencio de Arruda disse...

Há dois dias venho recusando todos os comentários neste post, talvez uns dez.
Pela repetição, aqui no sentido psicanalítico do termo.
Minha bolsa escrotal encheu.
Já estão bem claras as posições de vcs. Agora chega.
Desistam. Acabou.

Anônimo disse...

"no sentido psicanalítico do termo" quer dizer que isso é um sintoma. E como tal, precisa ser tratado. Sei que esse pode não ser um espaço pra isso, mas quando se abre um espaço de discussão como o mediado por vc se está sujeito à situações desse tipo. Tenho acompanhado as postagens em seu blog, inclusive as que têm sido feitas acerca da ufpa, incluindo com mais frequencia os hospitais universitários, particularmente o bettina. Respeito a sua posição, mas penso que dizer que a posição do pessoal anônimo que posta sobre isso já tá clara pode parecer uma posição unilateral da sua parte. Tb tenho percebido que diariamente surgem situações novas acerca daquele hospital, como o fato de toda a calhordagem politiqueira estar se babando hoje no bettina com a posse da nova presidência da coreme. Nesse sentido, creio que vc deve sim continuar postando os comentários que dizem respeito àquelas situações. É claro que vc deverá ter um critério, mas com o cuidado, repito, de não parecer unilateral...

Anônimo disse...

É isso ai, anônimo psicanalítico! Juvêncio, não se agrada a gregos e troianos, então, continue dando espaço. Muita coisa vai estourar naquele Bettina, fique ligado, pois amo a UFPA e aquele Hospital. Sabemos que Alex já andou interferindo sadiamente( ainda bem que não tardiamente)naquela admistração de 1 ANO.
bOM SÁBADO PRA NÓS.