29.7.08

Perfil da Juventude

Eles abortam, consomem principalmente álcool (embora o uso de drogas ilícitas seja elevado), consideram de grande utilidade o que aprendem na escola, gostam dos professores e têm opiniões semelhantes às dos adultos sobre temas polêmicos. São politizados, acompanham o noticiário em geral sobre política. 37% dizem-se de direita, 26% de esquerda. Têm medo da morte violenta e de assalto.

Trecho do post do blog Juventude em Pauta, que analisa a pesquisa Datafolha sobre os jovens brasileiros.

18 comentários:

Anônimo disse...

O Datafolha precisou de quanto tempo para constatar isso?
Vou mandar uma sugestão a eles. Por que não fazem uma pesquisa entre os políticos?
Será que eles têm medo de assalto também?

Bia disse...

Bom dia, Juca querido:

os dados sobre a juventude brasileira são aterradores.
Vão muito além do medo do assalto. São desanimadores os indicadores de desocupação, de evasão escolar. E por aqui a realidade dói mais.

Enquanto no Brasil os homicídios correspondem a 38% das mortes entre os jovens e os acidentes por 27%, aqui em Belém, as chamadas causas externas - suicídios, homicídios e acidentes - respondem por cerca de 50% (varia de 51% a 57% para jovens entre 10 e 19 anos e para os que têm entre 20 e 29) da causa de morte entre a juventude!

Não há trabalho, não há uma escola que acolhe, não há futuro. O futuro para a maioria é a morte adiantada pelo tráfico - por consumo ou participação - a paternidade e a maternidade sem preparo algum.

Há um dado ao qual poucos prestam atenção: o índice de mortalidade das mulheres, ainda jovens, com três ou quatro filhos, por cancer de útero. Essas rianças, órfãs, reproduzem o exército dos desvalidos. Quem disse que política de segurança está desvinculada da política de saúde pública?

Penso na minha neta, egoísta que sou, que hoje tem apenas 7 anos. Não sei o que dizer a ela sobre seu futuro. Sinto-me uma avó falida de sonhos, projetos e expectativas para a geração que aí está e para as que virão.

O que a Folha publicou é pouco, muito pouco sobre a realidade. O IPEA no estudo integral explica melhor o Brasil que estamos deixando de herança.

Beijão.

PS: quando??? quando??? quando????
Telefone, mande um fax, um pombo-coreio...rsrsrs...

Cássio disse...

Um dos debates que precisam sem revistos é a tal de "política para juventude". A melhor política para a juventude é a que possa atingir o desenvolvimento com emprego e justiça social para todos e todas, incluindo-se aí, a tal juventude. Essa forma arcaica e althusseriana de ver a "juventude" corporifica o conceito de política pública e reproduz os velhos ditames da sociedade capitalista de priorizar a faixa etária produtiva. O resto, é justificativa para jargão de movimentos sociais juvenis. Quem deve pensar política para a juventude é o movimento estudantil. Cabe ao Estado, fazer valer o ECA, caso contrário, daqui a pouco vão querer criar o "Estatuto do Jovem". Aí, é só esperar a fragmentação da ordem jurídica dos estatutos: do jovem, dos gays, das lésbicas, dos obesos, etc.

Bia disse...

Caro Cássio,

eu, particularmente, gostaria de um estatuto do obeso...rsrsrs...caberíamos nas cadeiras dos ônibus,onde nem os joelhos de um não-obeso cabem.

Mas, se você tem razão no argumento geral - desemprego e justiça para todos - gostaria de reforçar a questão de políticas para a juventude, que não é um chavão.

É uma urgência para um importante segmento da população que perdeu espaços importantes a partir da década de 90, com as brutais transformações econõmicas e seus reflexos no mercado de trabalho.

Osjovens bancários não existem mais, foram substituídos pelos caixas automáticos. A escolaridade quase nada mais significa num país onde as taxas de desemprego permitem ao patronato escolher serventes de pedreiro com ensino médio completo, ainda que o posto de trabalho não requeira este grau de instrução.

O desemprego entre os adultos e os que têm experi~encia de trabalho faz com que o jovem sequer consiga entrar na corrida.

Políticas para a juventude, assim como a política de cotas nas universidades públicas, são ações de prazo certo, até que se consiga - será? - corrigir a rota que nos leve ao desenvolvimento e justiça social para todos.

Juventude em Pauta disse...

Cássio,

É por pensar assim como você que inúmeros governos se sucederam e os dados dessa parcela do povo são esses publicados pelo Datafolha, pelo IPEA etc.
É por confundir adolescente com juventude que governos bem intencionados não conseguem desenvolver políticas eficazes para esse público. Juventude não é fase de crescimento, é muito mais que isso. Sugiro a leitura do artigo da socióloga Helena Abramo que publiquei há tempos atrás no meu blog: http://juventudeempauta.blogspot.com/2007/08/percepo-do-jovem-como-sujeito-especfico.html.
No mais, acredito estares muito enganado sobre diversas afirmações. Desenvolvimento com justiça social por si não resolve dos dilemas específicos e transversais da juventude assim como a "revolução socialista" não supera automaticamente o machismo ou o racismo.
Não creio que a definição "juventude" seja althusseriana.
Um Estatuto da Juventude, como consequente da introdução do termo "Juventude" na Constituição é exatamente o que queremos, para criar uma rede e uma política nacional para este grupo social tão acometido pelos resultados negativos do capitalismo.
Se o capitalismo de fato priorizasse a faixa produtiva, os dados do Datafolha, IPEA etc não seriam esses, a condição juvenil no mundo do trabalho não seria tão precária e insalubre e o Brasil teria uma perspectiva duradoura de sanar as desigualdades sociais a médio prazo. Sem investimento na faixa produtiva não existe o desenvolvimento com justiça social que você propugna, não parece óbvio?
Bom debate...

Leopoldo Vieira

Aroldo disse...

Correto, jovem Leopoldo. Parabéns ao Juvencio por dar atenção ao assunto.
Cássio, movimento estudantil não é sinônimo de movimento juvenil. O "movimento juvenil" é, na verdae, uma pluralidade de organizações, movimentos e entidades de jovens com as mais diversas bases sociais e plataformas.
Para ser justo com o Leopoldo - que tem se preocupado em divulgar as questões que cercam a juventude - recomendo uma outra leitura publicada no blog do rapaz. O nome do post é As Causas Nobres da Juventude: Qual é mesmo o nosso "papo". Está na seção denominada POSICIONAMENTOS. Leia! Vai te ajudar a participar dessa discussão com mais atualidade e qualidade.

Anônimo disse...

Rsrsrsrsrs..althusseriano?? Isso me cheira a academacaquice de gente do governo que não entende nada de juventude e política pública para jovens, bota essa para tentar qualificar a vontade de desqualificar o debate que não domina, opondo a "totalidade" marxiana à uma simples categorização social.
Quanta bobagem tu falaste caro Cássio!!

Ana Paula disse...

Cássio, Cássio (Bonasera, Bonasera...), já ouvi um outro cara falando a mesma coisa que tu. Esse cara manda e desmanda no governo e por ter uma visão idêntica a sua ele criou o PROCAMPO (lê lá no blog do leopoldo NO QUE CONSISTE O PROCANTO? já que todo mundo tá indicando vou fazer o meu mershandising) e faz todo mundo repetir que é uma política pública e instala na direção do projeto militantes do movimento estudantil da DS.

Cássio disse...

Aos iniciantes do ME, minha origem é dessa segmentação de movimento social, no final dos anos 80, quando ainda se lutava por ampliação de passes da 1/2 passagem, origem também, para ser justo, de parte de quem hoje governa o Estado, incluindo-se aí o satanizado Cláudio Puty que aparece nas entrelinhas dos comentadores. Esse tema já fazia parte dos debates do ME nessa época e tendências nacionais e importantes do mesmo, já questionavam essa segmentação das políticas públicas por entenderem o estudante como categoria além da estratificação estrutural (daí althusseriana da tradição clássica marxista, fazendo justiça ao velho Marcelo Sampaio). Quem introduziu a representação da condição ontológica de "ser jovem" e "juventude", não foi o ME, nem movimentos juvenis, mas o próprio mercado fordista e a partir desse cenário, os estudos em torno dessa categoria de análise. O pós-fordismo com suas bases flexíveis e de segmentação de consumo, ampliou a representação da juventude a outros valores, dentre os quais da estética e dos novos espaços de sociabilidades (por favor, leiam a História do Jovem da nouvelle histoire). É óbvio que expressões de resistências desse setor se estabeleceram na contra-hegemonia das representações do mercado, porém, os problemas agudizados sempre foram para além dessA abstrata representação. Saiam dos guetos da retórica estrutural e vivenciem um pouco o que é o mundo real (não confundam com realidade, por favor) construído nas salas de aulas das periferias das escolas públicas e observem a clientela dos programas de Educação para Jovens e Adultos - EJAs da vida, onde convivem jovens mães e pais trabalhadores, solteiros ou casados, sem empregos ou precarizados, em convívio com senhores e senhoras de 40, 50 a 70 anos de idade, comungando de problemas comuns, e para estes, a carga do preconceito ainda mais forte: sem mercado de trabalho pela idade e pelo modelo estético padrão. Não são os jovens bancários que estão sem emprego, mas bancários e bancárias, jovens ou não, substituídos por reposicionamentos do mundo do trabalho. Política pública de inclusão social e econômica segmentada não é o fim em si mesma, mas parte de uma estratégia global redistributiva que alcance a todos e todas. Caso contrário, vamos voltar aos anos 70 da época dos conflitos de gerações. Ou, quem sabe, ao deleite da classe média ou de jovens pequeno-burgueses revolucionários de botequins que se acham a essência da verdade. Se é para fazer referências, é melhor ir às boas e aprofundadas, não de textos de blogs segmentados. Leiam HARVEY! Já é um bom começo. Não precisam ir ao MARX, nem ALTHUSSER, muito menos POULANTZAS. Quem sabe, com um bom amadurecimento... Talvez cheguem a TOURAINE ou GOHN!

Juvencio de Arruda disse...

David Harvey, Condição Pós Moderna.
Meninos, eu li...rs
Vale a pena a remissão de Cássio.

Bia disse...

Cássio,

a menção aos jovens bancários é uma referência à mudança de paradigma nas oportunidades de trabalho que tradicionalmente eram destinados aos mais jovens, numa época em que ser bancário - e não era privilégio da classe média - era uma porta tranquila para o mercado de trabalho.

Não acredito que você desconheça que as brutais transformações ocorridas no país a partir dos anos 90 não só nos processos de produção nas da gestão, queimaram postos que jamais retornarão. Até aí, morreu Neves, como dizia minha avó.

Estranho apenas você aparente desconhecer que a exclusão por falta de opções de inclusão e o homicídio são a longo prazo, semelhantes. E a longo prazo estaremos todos mortos. Os jovens, numa escalada anti-natural, mais rápido do que os idosos como eu.

Assim, se este país considera que o Bolsa Família é um excelente instrumento de transferência de renda, eu considero que polítias específicas e datadas para inclusão de jovens não apenas no mercado, mas na sociedade, são fundamentais. A eles hoje só destinamos a péssima escola e o trabalho informal ou ilegal.

Os desempregados de mais idade estão à deriva sim. Para eles, não tenho propostas enquanto - desde os anos 90! - a economia democrática e popular do acúmulo de superávit primário perdurar.

Um abraço. Sem ironia.

Cássio disse...

Bia, você tem razão. O problema não reside em políticas para A, B ou C, mas é essa tendência fragmentada de políticas públicas que determinados setores sociais insistem, entre eles o da chamada "juventude". Veja, quando se inaugura uma praça pública equipada com espaços multiusos podem ser incluidos todos, jovens ou não. Não precisa fazer praças para a juventude ou rampas de esportes radicais, ou mesmo Orçamentos Participativos para esse setor. Foi essa setorização que transformou a rica experiência do OP de Belém na espetacularização democrática dos eventos que não deixou recall algum na população. O próprio Edmilson e setores lúcidos de sua tendência à época, não concordavam com isso quando efetivaram o OP. Alguns acham que política para juventude é investir dinheiro público em caravanas e acampamentos, muitos para instrumentalizar ideologicamente esse setor. No mundo do trabalho bancário, que é o que interessa para o nosso debate, além de jovens desempregados, adultos e bancários envelhecidos foram substituídos por outros mais novos nos ultimos 12 anos, por padrões estéticos, de cor, de necessidade produtiva, etc. É um debate complexo! Penso que mais efetivo seria compensar ou reparar socialmente outros setores mais vulneráveis às zonas de exclusão -ou de vulnerabilidades acionando-se aqui CASTEL (1998) - por políticas públicas radicalmente democráticas extensivas aos PNEES, idosos e grupos étnicos-raciais, a quem o peso da exlcusão se torna mais dramático. O país hoje caminha a um processo acelerado de adultez e envelhecimento, sem perspectivas de futuro ou políticas reparadoras. De qualquer forma, as caravanas passam e nós vamos continuar a ladrar o bom debate! Abraços também.

Juventude em Pauta disse...

Cássio,
Boas as suas fontes bibliográficas. Tirando o pós-moderno, li todos.
Não sou academicista, logo no meu blog não caberão "academacaquices", mas acho que ele tem sido útil para alguns debates, como, aliás, se é correto ou não instrumentalizar o "setor" juventude (com essa tu reconheceste a categoria "althusseriana" como realmente existente, não?), exatamente como tenta (porque é incompetência até para "vôos" de calango) o governo do estado de hoje.
Realmente citar o OPJ como exemplo de instrumentalização é uma clara performance de ignorância com os dado (quanto a isso recomendo o link http://www.juventudeempauta.blogspot.com/2008/07/diferena.html) ou uma militância na mesma "academacaquice" a quem pouco importa mudar a vida do povo, o importante é forçar a realidade e parecer com a teoria.
Aristóteles falava em juventude. Logo, o termo não nasceu com o capitalismo e a tal "fase à espera da incorporação à produção".
Na tua época de militância não havia o debate, que sequer engatinhava, sobre o conceito de juventude usado hoje pelo PT nem, tampouco, a noção de política pública para a juventude. Então, deves estar falando de um debate da tua época que, com certeza, nada tem a ver com o que conversamos hoje em dia.
Retribuindo tuas indicações de leitura, sugiro os dois livros publicados pela Fundação Perseu Abramo chamado "Retratos da Juventude Brasileira" (acho que é esse exatamente o nome), o publicado pela Ação Educativa/ILDES chamado "Pólíticas Públicas: Juventude em Pauta!" e uma pesquisa no Google para encontrar textos da Helena Abramo e da Regina Novaes.
Por fim: acho que arrogância, quando cabe bem, fica melhor com quem tem recheio no que argumenta.
Saludos,

Bia disse...

Outro abraço, Cássio.

Cássio disse...

Leopoldo, quando eu militava e dirigia o ME em Belém, você estava usando fraldas, portanto, não fale bobagens, nem iluda seus macacos de auditório. Caso queira inteirar-se acerca do debate à época (aliás não tenho vergonha da minha idade, a despeito de seu preconceito, típico dessa sua geração) recomendo-lhe o nº 13 da Teoria & Debate (1991). Não vá ao google, porque não vai encontrar. Vá a uma boa biblioteca e pelo menos uma vez na vida, leia! Vou parar por aqui pois já gastei vela demais com esse defunto parco, "pórém mais que no mundo se sentira largo". Chega de usar o blog do Juvêncio como biombo, já que ninguém visita o seu. Quanto a Bia, a lúcida, beijos.

Juvencio de Arruda disse...

Começo a moderar negativamete alguns comentários neste post.
Quem sabe a discussão não poderia prosseguir, também, no www.juventudeempauta.blogspot.com ,fonte do post?

Cássio disse...

Juvêncio, obrigado pela elegância. Sei que você quis dizer: "vão à m.... vocês dois e deixem meu blog em paz". É que o Humbertinho, o endiabrado, fica dando corda, lembrando da nossa época de ME, quando pulávamos a catraca (Lembra do PULA ROLETA?)Bons tempos! Hoje estamos tão obesos que já sentimos dificuldades até de passar na catraca. RSRSRSRSRS. Saudações e vida longa ao blog!

Juvencio de Arruda disse...

De jeito nenhum, Cássio.
O blog sabe que não pode viver em paz...rs. Apenas, ou talvez, eu posso não ser eficiente na moderação com essa temperatura juvenil de seus contendores...eheh

De fato, passo me arrastando na catraca.

Obrigado e abs.