4.7.08

Raízes Profundas

No blog Página Crítica.

Finalmente as estatísticas da tragédia das mortes de bebês na Santa Casa retroagiram para além de 2007, início do tumultuado e instável governo de Ana Julia, da coalização PT-PMDB. Era evidente que se tratava de mais um caso de continuidade e não de ruptura.
Segundo dados revelados pelo governo do Estado, a taxa de mortalidade na unidade neonatal tem se mantido elevada nos últimos três anos, pelo menos. Em 2005, em pleno reinado tucano, foi de 14,3% a proporção de mortes de recém-nascidos frente ao total de nascimentos; no ano seguinte, o último da gestão Simão Jatene (PSDB), este índice subiu para 17,5%, e em 2007, quando assumiu a equipe indicada por Ana Júlia e Jader Barbalho, a mortalidade ficou praticamente no mesmo patamar, alcançando 16,2%.
Trocando em miúdos: o caos na Santa Casa não começou agora. Possui raízes históricas e deriva de um quadro mais amplo de abandono da saúde pública, em todos os níveis, sem isentar de responsabilidades as prefeituras e o próprio governo federal.
Soa demagógico quando os tucanos buscam surfar sobre a crise, como se lá, em meio à dor das famílias, não estivessem também suas delicadas digitais.Assim como, para Ana Júlia e seu governo de pseudo-mudança, esta crise, somada a todas as outras que vêm se repetindo mês a mês, revela que entre a propalada intenção e o efetivo gesto existe um abismo.
Que não pára de crescer na mesma medida em que se aprofunda sua escolha de ser apenas a repetição – com nuances e sotaques irrelevantes – do velho e carcomido modo direitista de governar.

7 comentários:

Anônimo disse...

A médica Rosângela Monteiro, a infectologista Irna Carneiro, o ex-diretor Hélio Franco e a médica responsável pelo banco de leite, que eu não lembro nome agora, são pessoas sérias e de reconhecida competência. E deixaram suas marcas no trabalho realizado durante muitos anos na Santa Casa. Estão todos fora do hospital.Pois bem: basta ouví-los, e a imprensa tem divulgado de certa forma isso, para saber muito claramente de quem é a culpa dessa tragédia.
Falta compromisso. Foi descaso mesmo. Como é que pode:suspendem um convênio com a Maternidade do Povo que, como seu berçário, poderia estar salvando vidas desses bebês, e agora, mais de um ano depois,retomam como solução da crise. E a própria secretária de Saúde reconhece as falhas de gestão, quando anuncia a chegada de medicamentos e reparos nos aparelhos do hospital.

Antonio Fernando

PS: E o Sindicato dos Médicos deu uma recuada preocupante. Não vai mais denunciar nada. Ficou satisfeito com um aceno de aumento de salário e outros babados. Parece até coisa de família ...

Juvencio de Arruda disse...

Bom dia, AF.
O Liberal de hoje traz uma longa matéria com a dra. Rosângela.
O Sindicato recuou foi? Huumm...sei
É, mas "os fatos não recuam".

Anônimo disse...

Juca,
Era óbvio que a morte dos bebês não foram causadas simplesmente pela mudança de Governo.
Ela está mais ligada a existência da nefasta corrupção que existe na administração pública como um todo e que este Governo que ai está não conseguiu afastá-la.
A corrupção, aliada a má administração que reina no Estado nos últimos 20 anos (pelo menos) possui reflexo direto na nossa saúde e educação, como estamos vendo.
O que me deixa revoltado é exatamente essa tentativa de políticos inescrupulosos, em meio a pública desgraça, tentar tirar proveito da situação, enquanto eles mesmo carregam em suas mãos a lança de Herodes.
Uma sugestão: Com a vinda da Comissão do Congresso Nacional para, somente agora, demonstrar sua preocupação com a saúde no Estado, sugiro fazemos uma campanha para recebê-los, com comissão e tudo, mas principalmente com faixas e cartazes NOMEANDO nossos políticos envolvidos com desvios de verbas públicas, o montante delas, e o que daria pra construir e comprar de equipamentos se eles não tivessem nos roubado, e especialmente, quantas vidas hoje teríamos salvo.

Juvencio de Arruda disse...

Sem tirar nem por.
As "raízes da corrupção" também estão lá, nos alicerces da UTI neonatal da Santa Falta de Misericórdia do Pará.
Afinal, o dinheiro roubado num lugar tem que fazer falta em outro.

Anônimo disse...

A verdade é que os governos Gabriel e Jatene , logo a era que vai desde o Helio Franco,Rosangela Brandão e Neila Dahas viveram a época mais corrupta na saúde do Estado,liderada pela Vice e pelo Fernando Dourado . Contudo nunca lutaram pela construação de uma nova Santa Casa ,em compensação o dinheiro foi desviado na construção dos Hospitais Regionais Hiperfaturados . È uma verdadeira falta de vergonha virem propagar a defesa deles ...

Anônimo disse...

Lembrar que a médica Rosângela Monteiro é esposa de Waldir Cardoso. Já viram o orkut dele? Dêem uma passada lá.
Tanto o boa praça Hélio Franco quanto Rosângela, militam ou militaram nos quadros do PPS e no SindMed. Há muito não se sabe a diferença entre os dois.

Anônimo disse...

E o dinheiro que o vic conseguiu para a Santa Casa, era mentira?