17.6.08

Empate

São preocupantes e equivocadas as declarações da governadora Ana Julia à Folha de SP, quando detecta a ausência de moral dos países do primeiro mundo na discussão sobre a devastação na Amazonia, posto que estes já destruíram suas próprias florestas.
Preocupantes porquanto tornam mais difíceis as relações entre quem deseja precificar o ativo ambiental amazônico e, em parte, debitá-lo à conta daqueles países - o que é correto - e os que vão desembolsar essses recursos, os próprios países.
Equivocada porque sugere um entendimento rasteiro de empate moral, presumindo uma co-responsabilidade que não quer assumir, do tipo tu não podes falar de mim porque já fizeste o mesmo, argumento que cairia bem na maricotagem, e só lá.
Qualquer analista equilibrado das relações internacionais aposta que a comunidade internacional não investirá um centavo de dolar - a pretexto de preservar a floresta - num país cuja gestão ambiental é marcada pelo conluio entre governos e predadores, onde a ação coercitiva do Estado, espasmódica e localizada, tem sido obstada por governadores e parlamentares comprometidos com a devastação; onde a justiça obstaculariza demarcação de reservas; onde a imprensa - venal e despreparada - dá guarida à alucinados de todo tipo e teses de igual origem.
Quem dará dinheiro sem algum tipo de participação nos mecanismos de acompanhamento ou transferência de tecnologia nesse nível de discurso?

22 comentários:

Anônimo disse...

Juca, esse é o retrato do PT do Pará que chegou ao poder: mentalidade tacanha, falta de visão de mundo. Uma pena.

Bia disse...

Juca,
que bom ler seu post.

Ao me deparar com a entrevista da Governadores na FSP, arrepiei-me. Realmente, parecia que ela falava às maricotinhas, fazendo pirraça, porque quem fez errado não pode falar de mim!!!

Ao invés desse rosário de bobagens que foram suas respostas, a governadora perdeu uma ótima oportunidade não de ficar calada, mas de demonstrar que nossa questão não é de birra, mas de ausência de investimentos em infra-estrutura institucional e gerencial, em tecnologia apropriada, em ciência e pesquisa.

Beijão

PS: Caramba, querido, porque estas criaturas (Yeda e Ana, mulheres gerenciando estados, dão tanto vexame?

PS@ - Não, não responda o que estou pensando....

Juvencio de Arruda disse...

Boa tarde, queridona.
A governadora perde seguidas oportunidaese de qualificar o debate e sae adinatra aos colegas governadores da regiâo, liderando o processo de negociação internacional para estancar/reverter o colapso ambiental na Amazonia.
Quanto a rabeira que as duas ostentam na aprovação popular acho que ambas colhem o que plantam.
Só isso.
Bjão pra vc.

Anônimo disse...

A entrevista apenas traduz a falta de um bom assessoramento, tanto político quanto técnico, inclusive na comunicação.

Anônimo disse...

Ana Julia a melhor cabo eleitoral que um candidato como Mário Cardoso pode ter.

Raphael Teixeira disse...

Votei em Ana Júlia abominando a aliança com o Barbalhão, sabendo o quanto seria caro, como estamos vendo! Mas votei por achar necessário uma mudança. E por não achar conveniente um mesmo grupo se manter por 16 anos no poder. Portanto nao me arrependo.

Mas não a acho um sonho de governadora. O discurso é sempre inflamado demais ou em tom de coitadinho demais, terrivel, triste.

Essa declaração faz couro a terrivel tese petista que ao ter o mensalãoXcaixa2 colado na testa vem dizer que como todo mundo já fez, ninguem tem moral pra falar nada.

Patético!

Juvencio de Arruda disse...

É, Rafhael, eu também lembrei das desculpas ridículas da moral petista no caso do mensalão.

Anônimo disse...

Será que vendo ANA e YEDA o LULA não mudará de opinião sobre a DILMA (rs).

Anônimo disse...

Juvêncio, parabéns pela análise. Confesso que fiquei estarrecida vendo a entrevista da governadora ao tratar a questão ambiental de forma tão equivocada. E o pior, foi ela dizer que defendeu o terceiro mandato de Lula porque é o que o POVO DO PARÁ QUER. Houve algum plebiscito nesse sentido?

Anônimo disse...

A expresão "não tem moral" é indevida e indelicada, porém, o raciocinio está correto, ou seja não serve de paradigma para nós o tratamento que esses paises deram às suas florestas. Agora, quanto à "participação" é lógico que a Governadora tem que demostrar uma posição de altiva para não entrar em uma negociação de forma subalterna.

Anônimo disse...

Apesar do linguajar desajeitado, pelo menos a questão está posta de uma forma, para a comunidade internacional, que pode surtir efeito e inibir a ação dessas quadrilhas que aqui se instalaram, principalmente a partir do período do "milagre brasileiro"

Anônimo disse...

Boa Noite.

Um primor de cretinice o comentário do anônimo das 4:09.

Para ele, foi mulher está fadada ao fracasso administrativo.

Lamentavel!

Juvencio de Arruda disse...

Sim, o paradigma não foi exemplar, longe disso, mas não estamos tentando construir novos?
A subalternidade está na representação, no discurso, escancarado nas palavras da governadora.
Que tal esse?

"A solução da questão ambiental na Amazonia é global. Na dimensão dos recursos necessários, na velocidade da geração e transferência de tecnologia, na singularidade de formas de controle e acompanhamento das políticas a serem implantadas, sem precedentes na história das relações internacionais no contencioso ambiental.
O que estará em discussão é a uma visão global de soberania - a do homem sobre as relações de consumo e produção sem devastação.
Toda e qualquer ajuda, sob a forma de recurso, conhecimento e compartilhamento das obrigações assumidas - de ambas as artes - será bem vinda, respeitada a soberania, observado o direito das comunidades regionais, a correta aplicação dos recursos envolvidos, e a comprovação dos resultados obtidos.

É o que acho, humildemente.
E com todo o respeito.

Simone Romero disse...

Enquanto no Pará a discussão sobre pagamento de serviços ambientais mais parece briga de comadres, no vizinho Amazonas, o governador Eduardo Braga já partiu para a ação. Em dezembro do ano passado oficializou a criação da Fundação Amazonas Sustentável, presidida por Luiz Fernando Furlan. A fundação integra a Política Estadual de Mudanças Climáticas no estado do Amazonas, o primeiro da federação a ter uma lei específica para tratar de desenvolvimento sustentável e mudanças no clima.

O fundo começou com um capital de R$ 40 milhões, metade aportado pelo Governo do Amazonas e a outra pelo Bradesco. Os recursos, pelo que prevê a lei, são integralmente investidos em aplicações financeiras, e apenas os seus rendimentos são usados nas ações socioambientais da Fundação, como o programa Bolsa Floresta que paga R$ 50 mensais para famílias que moram em áreas de conservação e adotam práticas ambientalmente sustentáveis. Até o momento já foram liberadas perto de 500 bolsas e mais de 2 mil famílias estão sendo cadastradas. Além do aporte inicial de R$ 20 milhões, o Bradesco se comprometeu a doar R$ 10 milhões anuais, durante 5 anos.

Uma segunda fonte de recursos para a Fundação são os créditos de carbono gerados por desmatamento evitado, atualmente negociados apenas no mercado voluntário, mas que podem fazer parte de um acordo pós-Kyoto para 2012. Esses créditos podem chegar à quantia de 100 milhões de dólares por ano. O Amazonas também está negociando com a organização da Copa do Mundo de Futebol 2014 no Brasil. O comitê organizador já lançou a idéia de ter um evento neutro em carbono, podendo repassar recursos ao fundo do Amazonas.

Ou seja, estamos comendo bola aqui no Pará. Aliás, como sempre estivemos quando se trata da questão ambiental. Nunca consequimos avançar além do discurso, não raro duvidoso, sobre o que fazer com nosso patrimônio florestal. Infelizmente não tenho informações suficientes para avaliar se as coisas estão andando bem no nosso vizinho, mas basta acessar os sites do governo do Amazonas, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Fundação Amazonas Sustentável para ver que, pelo menos, há coerência na proposta.

Talvez seja o caso de começarmos a olhar as experiências do Amazonas e criar coragem para fazer o que tem que ser feito. Ou corremos o risco de ficar para trás.

Juvencio de Arruda disse...

Olá, caríssima.
Obrigado pela contribuição e um grande abs.

Anônimo disse...

Mas não é o Amazonas que "vendeu" p/ um sueco boa parte do seu imenso território. Então, tá!

Anônimo disse...

Não sou supersticioso, mas a sexta-feira 13 foi terrível para as três mulheres que atualmente governam Estados na Federação Brasileira.
Duas delas foram avaliadas pelo Vox Populi como as piores governantes do país, e a terceira assistiu ao se filho ser preso pela PF, sob a acusação e fazer parte de uma quadrilha de desvio de recursos públicos.
Pé-de-pato, mangalô, toc-toc na madeira 3 vezes, arre égua!

Anônimo disse...

Tb há de se denunciar os financiamentos de campanha por quem pretende destruir a floresta em nome do desenvolvimento sustentável. Tem muito político (bancada motoserra), cujo financiamento de campanha é privilégio de gente envolvida até em crimes, por conta do desmatamento da floresta.

Simone Romero disse...

Anônimo das 6:24
Eu não estou fazendo nenhum juízo de valor, nem positivo e nem negativo, em relação ao governo do Amazonas.

Mas que eles tem uma política formatada para tratar de desenvolvimento sistentável e mudanças climáticas.
E nós, o que temos? Se aparecesse um fundo interessado em investir em créditos de carbono via MDL no Pará o que teríamos para apresentar?

E sobre o mercado alternativo de carbono sequestrado, qual é a posição do governo estadual?
Existe pelo menos um documento escrito com essas diretrizes?
Qual a nossa política?

Vá aos sites que eu falei e veja as propostas do Amazonas. Elas estão lá.

Como disse, não sei se são efetivas ou apenas vitrines políticas. Mas pelo menos lá já existem políticas. Aqui, nem isso temos. Só temos discurso.

E vamos continuar assim enquanto acharmos que somos auto-suficientes e que a experiência dos outros não deve sequer ser discutida porque foi pensada por outros.

Os estados amazônicos não avançam como força política internacional porque, infelizmente ainda não evoluímos o suficiente para pensar além dos bairismos e preconceitos.

Eu morei em Manaus e sofri muito com o preconceito da média dos amazonenses contra os paraenses. Sempre pensei que os paraenses davam uma demonstração de maturidade por não haver um sentimento recíproco. Pelo visto, me enganei.

Vamos continuar com os olhos fechados e o discurso ambiental rasteiro.

Quanto ao sueco, ele comprou terra grilada da mesma forma que o CR Almeida. Ou seja, também acontece no Pará. É um problema que, lá como cá, ainda não foi resolvido. O Amazonas não é a quinta maravilha do mundo. Mas lá, pelo menos, eles tão pensando seriamente na questão ambiental.

E eu repito: E nós?

Anônimo disse...

Como dá para notar neste bate papo, Juvêncio Arruda a Amazônia voltou mais do que nunca à pauta mundial, seja pelas mudanças climáticas, seja pelos problemas ambientais causados pelo próprio homem. Sobre os temas que envolvem esta grande discussão, tenho algumas considerações.

Além de ações de repressão, como a Operação Arco de Fogo, do governo federal, são necessárias políticas públicas consistentes. Através da repressão, os órgãos fiscalizam, controlam, multam, evitam a exploração ilegal de madeira, a biopirataria, enfim, combatem os crimes ambientais. A experiência dos últimos 15 anos, entretanto, mostra que só estas ações não resolvem o problema: o desmatamento voltará se o homem do campo não tiver de onde tirar seu sustento. O desmatamento avançara se não houver investimento em educação, saúde, emprego e renda etc etc etc.


Trabalhar a questão sócio-econômica dos amazônidas é uma das soluções. O problema é urgente, pois a natureza não está suportando tamanha exploração e o homem também não.... O nosso "caboco" precisa de meios de sobreviver. A solução é tratar os dois lados e a sustentabilidade foi a alternativa de desenvolvimento que o governo da Ana Júlia Carepa encontrou. São políticas públicas que levam em conta o homem e a diversidade de cada região. Acho que a Simone não anda tão por dentro dos projetos de governo Pará. A governadora Ana Júlia não é responsável pelo estado atual da Amazônia, mas garanto que está fazendo muito mais, por exemplo, que o seu antecessor. Alguém quer que eu enumere? Alguém quer comparar?

Para combater vez com o desmatamento é preciso, portanto, orientar a exploração correta dos recursos naturais e investir no capital humano. Para isso, o governo está incentivando o desenvolvimento científico e tecnológico, o uso qualificado dos recursos naturais, a participação popular, e tudo que envolva a sustentabilidade. O Pará, Terra de Direitos engloba vários projetos com este intuito.

Um exemplo: "O governo do Pará está propondo soluções aos gargalos de setores da cadeia produtiva, por meio do Fórum Paraense de Competitividade – FPC, que reunirá hoje, dia 18, representantes dos diversos segmentos da cadeia produtiva do Estado. Na ocasião serão apresentados resultados de Grupos de Trabalhos (GTs) dos representantes dos setores de mineração, siderurgia e metalurgia, madeira e celulose; pesca; fruticultura, cosméticos, gemas e jóias, pecuária de leite, pecuária de corte e grãos, além de definir uma agenda de compromissos para os próximos meses" - com infrormações da Sedect.

Outro exemplo: "Mais do que propor o plantio das espécies, o programa Um Bilhão de Árvores para a Amazônia oferece retaguarda a tudo que se relaciona à restauração florestal, desde uma obrigação estabelecida em lei até a indução da mudança de algumas atividades econômicas, como a pecuária, o cultivo de soja, eventualmente cana-de-açúcar, algodão, para o cultivo de floresta. O programa prevê também ações de apoio, como mecanismos para financiamentos junto a instituições de fomento nacional com linhas de crédito para quem trabalha com recomposição florestal, com 4% de juros ao ano, 12 anos de carência e 20 anos para pagar. Ao mesmo tempo, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do pará (Sema) desburocratiza o licenciamento de reflorestamento, através de parcerias com o Instituto de Terras do Pará (Iteropa) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a fim de viabilizar o reflorestamento nos assentamentos rurais. ICMS ecológico - Mais uma ferramenta a ser aplicada na proteção do meio ambiente. Segundo a proposta, será destinada uma quota maior dos 25% do ICMS, que o estado repassa aos municípios, àqueles que tenham programas de ações ligadas à questão ambiental".

Como se vê, muitos projetos estão sendo desenvolvidos pelo governo do Estado, e em vários setores, ligados direta ou indiretamente ao meio ambiente, como, por exemplo, o industrial, o madeireiro (através do manejo, reflorestamento etc) e o agrícola. O segmento agrícola é um dos grandes destaques neste cenário, pois, desde o primeiro ao grande produtor agrícola, todos são responsáveis pela preservação da natureza.

Se os agricultores não tiverem orientação e outros meios de subsistência voltarão a explorar indevidamente a terra. Oferecer alternativas a eles é o objetivo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/Pará) que, incentiva produtores de diversos municípios paraenses - mais um exemplo. Os técnicos da empresa ensinam novas técnicas que permitam o cultivo diversas culturas e criações num mesmo espaço, tudo de forma equlibrada e sustentável. Trabalhadores. Através da orientação técnica, eles aumentam a sua produção e sua fonte de renda.

O resultado deste trabalho é a melhoria na qualidade de vida das famílias do campo. Em cada município, o órgão desenvolve projetos específicos, de acordo com a realidade da região. Isso é o que se chama de desenvolvimento sustentável, que une o bem estar do homem com a proteção do meio ambiente. Posso citar outros exemplos, como o PAC, o Bolsa Trabalho, que já colocou mais de dois mil jovens no mercado de trabalho, o Pro Campo, as oficinas de Comunicação Comunitária, entre tantos outros.

Esta é uma solução para combater o desmatamento: preservar o homem e a natureza. É isto que o governo do pará está tentando fazer, de forma demócratica, mas entendendo o caráter de urgência que impera. Então, será que o discurso da governadora está equivocado e não está de acordo com a realidade? Talvez ela esteja se expressando mal. Então a questão é mais simples. Basta aprimorar o discurso da governadora para que ela também não seja mal interpretada lá fora, pelos analistas equilibrados. Porque aqui, maninho, ela fala a língua que o povo entende. Desse povo que passou anos e anos sem cultura e educação. E é para estes que ela governa.

Anônimo disse...

Talvez porque eles estão tendo tempo para se preparar.
Não sofreram com as políticas equivocadas de Brasilia, quando as mentes iluminadas formataram os programas de desenvolvimento.
Não sofreram com o desenvolvimento de enclave e agora é que estão experimentando a migração em seu território.
O Pará foi integrado, pós Belém-Brasília porém não escapou da entrega.
E é muito recente o conceito de desenvolvimento sustentável, após tudo o que se viu e vê neste imenso laboratório chamado Pará.

Anônimo disse...

O das 12:12 , acho, mora no Paraíso.
Foi só mudar pra governo do pt e já estamos com mudanças na cultura, educação e tá tudo "muito ótimo de bom".
Então tá, sumano.
Acorda, petista, que esse governo está conseguindo ser pior do que a tucanada.
Ano e meio de quase nada, só discurso e reunião.
E montanha de aspones nomeados todo dia.
E quando a governadora "da mudança" abre a boca...resta lamentarmos.
Pobre Pará.