17.6.08

Estado Acusado de Tortura em Bragança

A tortura contumaz de detentos no Centro de Recuperação de Bragança (CRB) foi denunciada por entidades de defesa dos Direitos Humanos, na audiência pública que a Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Assembléia Legislativa do Pará realizou nesta terça-feira, 17/06, no auditório João Batista daquela Casa. A presidente da Comissão, deputada Bernadete ten Caten (PT), que presidiu o evento, pediu a apuração do caso ao secretário adjunto de Segurança Pública, José Sales, presente à audiência.
“Recebemos muitas denúncias de torturas no cárcere. Em Bragança, a situação está constante e grave”, rechaçou a Irmã Henriqueta Cavalcante, representando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “A tortura praticada é a mesma do tempo da Ditadura”, acrescentou a promotora de Justiça, Elaine Castelo Branco. A defensora pública Ana Paula Marques confirmou a denúncia e entregou à comissão sete relatórios de vistorias realizadas em delegacias e casas penais do interior do Estado, incluindo o CRB.

Bernadete cobrou da Segup a reeducação urgente em Direitos Humanos dos agentes prisionais, policiais e delegados. Já em relação ao Poder Judiciário, que não atendeu ao convite da Alepa, a deputada pediu a atualização do cadastro dos presos provisórios e a realização de mutirão para agilizar o processo desse público, que representa 80% da população carcerária do Estado. “Vamos trabalhar na LOA (Lei do Orçamento Anual-2009) para alocar mais recursos às áreas de Direitos Humanos e Segurança Pública”, comprometeu-se Bernadete.

Fonte: Assessoria de Comunicação da deputada Bernadete ten Caten.

4 comentários:

Bia disse...

boa noite, Juca querido:

a notícia do post, a morte do Bené Monteiro, o Jornal nacional mostrando o Ministro Jobim (que eu acho que é o candidato de Lula desde que foi nomeado para o Ministério da defesa e Dilma é só uma vidraça estúpida) pedindo desculpas pelo assassinato de três garotos no Rio numa operação comandada por um tenente de 25 anos que não queria ficar mal frente a tropa, a ação do MP contra o INCRA de Marabá - notícia nacional, infelizmente - a menina Izabella de volta às manchetes e milhares de pequenas e anõnimas izabellas vítimas da violência doméstica sem alarde, a morte do velho Jamelão, essa chuva agora sempre noturna...

Caramba! Será que dá pra aliviar um pouquinho essa sensação de desalento?

Beijão.

PS:só mesmo ouvindo Edú Lobo!

Juvencio de Arruda disse...

Olá, Bia.

As delcrações de Jobim e Tarso Genro a respeito do escabroso episódio colidem frontalmente. Fico com o segundo: o Exército não tema a mais remota capacidade pra entrar em favela alguma.

Espero a entrada do MPF em Santarém, pelos mesmos motivos.

O que dizer da puliça bandida?

É assim.

Ouça Jobim, ótima pedida.
Urubú, de preferência...rs
Boa noite, queridona.

Anônimo disse...

O diretor de Bragança que tortura os presos é apadrinhado da deputada Simone Morgado que manda e desmanda por aquelas bandas.
Aliás a SUSIPE virou um verdadeiro antro. Um cabide de empregos sem critério nenhum, não há diferença nenhuma para os tucanos, talvez esteja pior.
É tudo verdade, Juvêncio temos as provas.

Bia disse...

Boa noite, Juca querido:

hoje cedo, ao ir para o trabalho,tive o chamado "estalo de Vieira".Quero contá-lo pra você antes mesmo de ir ao meu blog escrever sobre isso.

Você compreenderá minhas ingênuas avaliações e dores tão humanas e é exatamente - e só isso - o que eu preciso agora.

A minha idade é uma idade de perdas e por si só isso significa dor.

Perde-se amigos, alguns com a naturalidade que o tempo determina, embora não doa menos. Afinal, na minha idade é mais comum frequentar velórios do que batizados.

Mas, perde-se junto com oa amigos, especialmente aqueles que eram referência de convicções - e aqui refiro-me exlicitamente ao Benedicto Monteiro - o animo, a vontade e até os desejos mais secretos e íntimos enfraquecem.

No caminho do trabalho, no ônibus infecto que pego todos os dias, observo que as pessoas cumprem sinas. Há tão pouco prazer nos olhares, há tanta rispidez nos gestos!

Creio que isso colabora de forma muito ruim para que o sentimento de perda extrapole a perda de amigos e bem querências, de desejos pessoais ou sonhos "infantis".

Perco a cada trajeto, dia após dia, a esperança. Talvez me falte firmeza ideológica, espírito revolucionário, ou o quer que seja. Mas nada acalma essa angústia.

Leio de novo o post sobre os maus tratos aos presos, as toruras, e sei que o Haiti não é só aqui. Mas, nesta minha "viagem" permanente, agora sentada confortavelmente no meu quarto, acredito piamente que um sistema que não protege aqueles que estão diretamente sob a sua guarda, não tem salvação.

E fazem sentido os olhares baços nos ônibus, a descortesia do empurra-empurra, os rostos voltados para a paisagem para fazer-de-conta que não vêem o velhinho ou a gestante que merece sentar-se.

Não. Não será uma boa noite. Mas eu estou menos aflita depois deste desabafo.

Beijão.