24.6.08

Tudo Como Dantes. Senão Pior

As estatísticas internas da Polícia Civil apontam um crescimento das ocorrências de crimes em Nova Déli, de forma significativa neste ano de 2008, em comparação a 2007, conta uma fonte do blog que teve acesso aos números, que teriam sido colhidos pelo DIEESE, embora não sejam necessários dados estatísticos para confirmar o recrudescimento, em escala ampliada, da “sensação de insegurança”.
O motivo do crescimento de ocorrências de crimes de um ano para cá, ainda de acordo com a fonte, seria a ausência do policiamento mais ostensivo da PM naquelas áreas mais sujeitas a ação da bandidagem.
As alegações de falta de contingente humano, de recursos, etc. que os coronéis ficam propalando não explicam nada. No ano passado as condições, ou a falta delas, eram as mesmas, e os resultados do combate a criminalidade e os números chegaram a ser festejados.
Resumindo, a fonte avalia que o que ocorreu em 2007, por alguns meses, foi decorrente daquele efeito “vassoura de piaçava nova”, que sempre varre melhor - novo governo, todo mundo querendo mostrar serviço - mas logo depois todos se recolheram aos costumes de sempre, especialmente na PM.
A governadora, arremata a fonte, ao não chacoalhar este quadro, já começou a pagar o mesmo preço que a dupla Jatene-Almir arcou nas eleições de 2006. As pesquisas apontam a segurança pública como o maior problema do estado na administração Carepa-Barbalho.

28 comentários:

Bia disse...

Bem, querido, os números festejados ano passado eram falseados e lembro de ter comentado isso por aqui. Eram aqueles números que você escolhe para mostrar o que lhe convém, sem necessariamente estar mentindo, coisa típica, infelizmente, muito bem inaugurada pelo Delfim Neto.

Fato igual fez o IPEA - infelizmente dirigido hoje pelo Marcio Poschman, ex-colega do DIEESE - ao comparar o "incrível" crescimento da renda dos ocupados para afirmar que a desigualdade diminuiu. Tá certíssimo. A desigualdade de renda diminuiu porque a renda média do extrato médio caiu e o desemprego tem sido "contido" a custa de salários médios cada vez mais baixos. Quanto aos rentistas, os que vivem de rendas, continuam indo muito bem, obrigada. Prova disso é o crescente e absurdo lucro do sistema financeiro.

Como o Márcio parece não querer queimar definitivamente sua imagem, no documento oficial do IPEA ele faz a ressalva que "apesar" disto, não houve variação da composição dos salários no PIB, dizendo, sofisticadamente que tudo está como dantes no quartel de Abrantes, assim:

"... utilizando como Proxy a relação entre rendimentos do trabalho das seis
regiões metropolitanas sobre o PIB, observa-se uma quase constância da parcela dos
salários sobre a renda do país..."

e assim:

"...na verdade, observando a linha de tendência do gráfico 8, é possível afirmar
que se espera que os rendimentos do trabalho alcancem os patamares de 2002 apenas no
decorrer do ano de 2009...."

O documento está disponível aqui:
http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/DesigualdadeRenda.pdf

É a sensação de pobreza aliada à sensação de insegurança.

Bom dia pra nós?

Beijão.

Anônimo disse...

Aumento da criminalidade.
Pará, terra de direitos!

12 bebês morrem na Santa Casa.
Pará, terra de direitos!

Escola Estadual é a pior do Brasil.
Pará, terra de direitos!

Segurança, saúde e educação. Três setores fundamentais para melhoria do quadro social do estado.

Quer mais: pesquisa nacional indica: a governadora do Pará é a pior do Brasil.
Isso tudo, porque o PT é bom de governo. Imagina só se fosse ruim...

Antonio Fernando

Anônimo disse...

O Pará é um Estado "rico". Isso nó souvimos desde criança, mas essa "riqueza" não aparece. Talvez haja um propinoduto que passa de Governo para Governo num ciclo vicioso e perverso onde os "caixas de campanha" são a prioridade.
Nossas escolas estão entre as piores e nossos policiais entre os mais maus pagos do Brasil, isso por si só já explica muita coisa

Anônimo disse...

Tá parecendo aquela modelo-loira que disse ter mudado radicalmente o rumo da sua (dela) vida:
"- dei um giro de 360º"!!!...

Ou seja, continua na mesma direção, catastrófica, o gobierno da mudança.
Mais aspones; mais bebês morrendo; mais gente morrendo sob o império da bandidagem; mais escolas caindo aos pedaços; mais crianças sem merenda escolar...
Quanta barbalidade petista!

Anônimo disse...

Nem uma linha sobre bebês morrendo na Santa Casa, Juca. ?

Anônimo disse...

O rolo engrossou na "casa da noca" da segurança a partir do caso de Abaetetuba.

As disputas de poder na PM, a falta de comando e capacidade da Vera Tavares e as contradições internas na Polícia Civil foram as causas da forma desastrosa co que o governo tratou o assunto, e desde então não acertaram mais o pé.

Mas discordo, e muito, da comentarista Bia por ela afirmar que as estatísticas do ano passado estavam falseadas. Os dados são colhidos pelo DIEESE, por uma equipe séria dirigida pelo Sena, que ela bem conhece, que jamais se prestaria para um pagode qualquer.

A prova da correção do trabalho do DIEESE é que agora os dados apontam uma piora dos números. Se houvesse a intenção de mascarar ou ocultar o resultado seria outro, pois não? Aliás, por que o blog não dirige ao Sena um questionário sobre o assunto. Tenho certeza que ele não iria se escusar em responder.

Juvencio de Arruda disse...

Das 11:55. vou dar umas linha sim, depois de ver o que realmente aconteceu. Existem sim, casos discrepantes na estatatística, como afirmou a secretária Rosseti. Todo mundo eu que bebês chegaram do interior, nestes dias, em situação excepcional, fazendo até que helicópteros descessem na Doca, duas vezes se não me engano.
O Sindicato dos Médicos denunciou a morte dos bebês, mas não disse que houve negligencia ou falta de atendimento.
Por ouyro lado todo mundo sabe da situação caótica que vive a Santa Casa, e a SESPA, assaltada por sucessivas quadrilhas.
Vou voltar ao assunto, e na ribalta, como pedes.

Juvencio de Arruda disse...

Das 12:09, sua sugestão do questionário ao Sena é excelente. Vou procurar atendê-la.

Bia disse...

Juca querido e anônimo das 12:09:

a leviandade não é minha virtude.
O que eu disse sobre os dados divulgados pelo DIEESE e pela então Secretária Vera Tavares em 2007 é que usa-se a informação que convém. Porque se faz isso, cada um julga como quer. E em se tratando de alguém como Roberto Sena, decenalmente habituado a trabalhar com estatísticas, posso presumir que ele pretendia ajudar a diminuir a "sensação de insegurança".

A informação de 2007 continha também esses dados não alardeados:

"...Apesar da contenção da violência, houve aumento no número de alguns crimes contra o patrimônio, como o roubo, que pulou de 16.567, no período de junho a dezembro de 2006, para 18.456, no período de janeiro a julho deste ano, com variação de 11,40%. Os números de crimes de furtos e roubos de veículos também apresentaram crescimento. Houve 262 furtos no período de junho a dezembro de 2006 contra 287 de janeiro a julho de 2007. Já no roubo, os números atingiram 651 em 2006 e 781 em 2007. Os dados indicam crescimento de 16,98%, incluindo furtos e roubos."

Abraço pro anônimo.

Beijão pro Juca.

Anônimo disse...

Para a Bia, a sua citação só faz confirmar então a seriedade do trabalho do Roberto Sena, apesar de ele ser apenas um economista e estatístico "decenal"..., hehehe

Plebe Rude disse...

Existe uma diferença muito grande entre falsear números e omitir informações. Me parece que a Bia conhece bem os bastidores da política pois sabe com muita maestria relacionar informações de alcova com informações "públicas", e dar a elas as devidas interpretações. É só observar como ela "leu" os dados do Ipea.
Sugiro ao Quinta Emenda que abra o debate sobre as relações entre criminalidade, miséria, investimentos públicos e curvas de investimento do Estado neste setor. Teríamos um debate bastante rico e, quem sabe, poderíamos começar a demarcar as relações entre ideologia e mundo real.

Anônimo disse...

Caro Juca!
Não estou aqui para defender ninguém, até porque não tenho procuração para tanto.
É certo que os índices de criminalidade do Estado tem aumentado, alcançando índices apavorantes.
Mas, daí eu pergunto: em qual Estado houve decréscimo do índice de violência? Fora isso, é cediço que a criminalidade é proveniente não só da falta de policiamento, mas também do sistema carcerário precário, do rigorismo excessivo das leis e de diversos outros fatores exógenos.
Por outro lado, os bebês que vieram a óbito este final de semana na Santa Casa, pelo que me consta, eram bebês que encontravam-se com quadro clínico gravíssimo, sendo que todos eles eram prematuros extremos e outros com má formação. Além disso, havia um caso de bebês xifópagos e outros com exposição de vísceras, que segundo a OMS apresenta uma probabilidade de 99% de óbito, ou com possibilidade de sequelas irreversíveis. Alia-se a isso o fato da maioria, quase 80%, ter vindo do interior, já sendo internado na UTI em estado terminal.
Não houve, como tentam alardear,
negligência ou omissão de socorro. Mas certo também que se houvesse um hospital de referência, o índice de mortalidade "talvez" tivesse sido menor.
Bem, certamente a falta da referida unidade de saúde também não é um privilégio do Estado do Pará. Outros, e certamente, a grande maioria, não deve possuir.
Em suma, o que alguns tentam mostrar é que a culpa é única e exclusiva da atual Governadora, o que eu, particularmente, discordo.
Mas é a minha opinião e gostaria que ficasse aqui registrada.
Um grande abraço,
O Vigiador.

Bia disse...

Caro anônimo das 12;47;

conhecer ou não os "bastidores da política" não é pressuposto para lidar com estatísticas.
Agora ser analista de projetos senior da Fundação Seade, especialmente da área de análise de dados, que é a minha função anterior à vinda para o Pará em 1996, isso sim, me dá condições de olhar os dados, todos eles e discutir o que é omissão e o que é conveniência.

Não relacionei nenhuma "informação de alcova" pois o documento dop IPEA que citei está identificado no meu comentário. Quanto às informações sobre criminalidade estavam disponíveis no site da Polícia Civil!

Quanto ao debate, a mim parece que ele está sempre aberto aqui no Quinta. É uma característica republicana deste blog e do moço que o coordena.

Um abraço anônimo
Beijão, Juca.

Anônimo disse...

Almir Gabriel foi, muito justamente, massacrado quando usou a calhorda explicação de "sensação de insegurança" em entrevista à TV Liberal.Quero ver o que a Ana Júlia vai dizer agora. Vai repetir o que disse em entrevista nacional, que vivemos numa "ilha de segurança"? Acho até que ela estava falando do condomínio onde mora às nossas custas.

Raphael Teixeira disse...

Ontem Paulo Rocha (PT) disse a Mauro Bona que estes problemas todos são típicos de "governo que está começando" (sic).


Bia, Marcio Poschman me parece uma feliz indicação para o IPEA. Os Instituto tem apresentado diversos estudos que tem embasado as discussões em torno de temas que estão fervilhando no país nestes tempos de chacoalhada capitalista (distribuição de renda, carga horária de trabalho, reforma tributária). Bem é uma impressão de quem, ao contrário de vc, nao o conhecia antes de Lula II.

Abraço

Anônimo disse...

Ninguém melhor capacitado do que a comentarista Bia, pelos predicados que dispõe, para analisar e dar a sua abalizada opinião sobre os números da segurança pública nos Governos Almir-Jatene, informações as quais teve acesso na função que exerceu naqueles governos.

Vamos aguardar sua análise e contribuição ao debate.

Bia disse...

Caro Raphael,

o Mercio Poshman é um intelectual respeitável. A indicação dele para o IPEA me deixou também muito feliz, embora tenha havido uma polêmica enorme sobre a demissão de alguns técnicos quando ele assumiu.

Márcio foi secretário de Desenvolvimento Social do governo da Martha Suplicy na Prefeitura de São Paulo e responsável pela implementação de programas sociais excelentes como o Bolsa Trabalho e o Começar de Novo.

Fiz um comentário ácido, é verdade, sobre a sua preocupação em preservar essa imagem ao fazer as ressalvas que fez no documento do IPEA - cujo endereço coloquei no meu comentário - quem sabe prevendo o "auê" que seria feito em cima dos dados gerais.

um abração, Raphael.


Anônimo das 3:14:

a função que exerci nos governos Almir Gabriel e Simão Jatene não me impunham discutir e analisar daados sobre segurança.

Do meu trabalho há relatórios públicos do Programa RAÍZES.

Abraços.

Anônimo disse...

Caro Juvencio,
Nao conheco o sistema de coleta de dados sobre seguranca no Pará. Seria bom escutar a opiniao de gente de "dentro" que poe a mao na massa e coleta estes dados. Senti na pele a escalada da violencia na nossa cidade, mas - ainda assim - seria bom tirar uma duvida basica antes de entrar neste debate: a violencia aumentou ou foi a qualidade e abrangencia da coleta de dados que melhorou?
Enquanto a resposta nao vem sugiro a deliciosa leitura do clássico "How to Lie with Statistics" do Darrell Huff, para os espiritos apaixonados por estatística.

Juvencio de Arruda disse...

Caro anônimo das 3:47.
Ferramenta de uso frequente nas minhas atividades, aprendi e reconhecer seu duplo uso: no mundo dos números e no do discurso.
Vou procurar o Huff com amigos da área. Obrigado.

Anônimo disse...

mas cadê o secretário oriundo da PF, o que ele fez té agora, navalhada na carne cortou ele também? não tá na hora dele anunciar a que veio? ou está usando a tática de fiar caladinho até pegar os tubarões, quem dera!
mas a população tem pressa em resultados!

Anônimo disse...

A resposta dada pela Bia ao questionamento das 3,14 mais parece o de avestruz, e não de tucano.
Pode discutir e condenar as estatísticas do governo atual, do qual ela não faz parte, mas não dá palpite sobre o inventário da falta de segurança nos Governos Jatemir???

Bia disse...

Caro anônimo das 9:19

posso discutir, criticar, aplaudir o que bem entender, como cidadã paraense, com título de cidadania e tudo, o que muito me orgulha.

As "informações a que teve acesso" conforme o comentário do das 3:14 foram as mesmas que qualquer cidadão teve.

Ao escrever a frase acima, lembrei que elas eram disponibilizadas pela SEGUP, discutidas democraticamente no Conselho Estadual de Segurança, que - incrível!- reunia, funcionava e encaminhava decisões, coordenado pelo então secretário Paulo Sette Câmara.

Mas, isso não importa muito, não é? Atualmente poucos põem alguma fé na justificativa da "herança maldita" para explicar mesquinharias, visão medíocre do Estado, má gestão e má fé.

Muito menos eu, que realmente não tenho nenhum compromisso com este governo, mas tenho pleno direito de cobrá-lo. Direito de cidadania que nenhum governo ou simpatizante dele pode me negar.

Um abraço pra você.

Beijão, Juca.

Anônimo disse...

A Segurança Pública com o Paulo Sette Câmara e o Santino "funcionava e encaminhava decisões", segundo a comentarista Bia.
Tsk, tsk, tsk...

Bia disse...

Prezado Anônimo:

referi-me apenas à gestão do Dr. Paulo Sette Câmara. E disse que o Conselho Estadual e Segurança,do qual faziam parte instituições da sociedade civil, como a SDDH,e que tinha como ouvidora Marga Roth, "...reunia, funcionava e encaminhava decisões, coordenado pelo então secretário Paulo Sette Câmara".

Reafirmo as duas coisas.

Abraço;

Anônimo disse...

É, anônimo, concorde logo com a Bia que a segurança pública do Sete Câmara (dono de várias empresas de vigilância privada) não padecia de nenhuma "sensação de insegurança". Já a comandada pelo Santino era lastimável, é isso?
Só com o Santino é que o negócio desandou...

Bia disse...

Caros anônimos:

tenho sempre muita boa vontade em comentar e responder os contraditórios porque sempre considero que mesmo quando há sarcasmo, má vontade e birra, pode haver também falta de informações. Se não do comentarista sarcástico, de má vontade ou birrento, os outros que passam por aqui.

No caso de vocês, a cada comentário se confirma que minha tolerãncia é inútil.

Mas, se apontarem onde eu escrevi que no tempo do Dr. Paulo Sette Câmara não havia insegurança ou se deixarem de desconhecer que a minha reiterada afirmação é sobre a existência e funcionamento do Conselho Estadual de Segurança, a gente continua conversando.

Agora faço uma afirmação que não fiz anteriormente: como cidadã e como servidora pública respeito o Dr. Paulo Sette Câmara e lamento que seu trabalho tenha sido esfacelado.

Anônimo disse...

É D. Bia, finalmente concordamos, o empresário da segurança privada Paulo Sette Câmara era o "cara", no governo Jatene o seu trabalho foi "esfacelado" pelos que o substituiram!
Então, tá.

Bia disse...

Não, caro anônimo. Não foi no governo Jatene. Foi a partir dele. Infelizmente. E o presente tá aí, mostrando incríveis "acertos".

Quanto a ser empresário da segurança privada, segundo você, nada a opor. O melhor secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo foi João Sayad, na administração da Martha Suplicy. O mesmo Sayad que antes disso foi um competente executivo do Banco Interamerican Express. E que depois foi pro BID.

Abraços.