12.11.08

Nas Pontas

No blog do Castagna Maia.

O BB vai comprar a Nossa Caixa, que pertence ao Estado de São Paulo, cujo governador é José Serra, por algo próximo a 6 bi de reais.

Hoje é anunciado um "programa de investimento" de José Serra: emprestará 4 bilhões de reais para o setor automotivo. E os recursos virão da Nossa Caixa, que em poucos dias será do BB.

Aí não entendo mais nada. As manchetes falam - "Serra cria programa de ajuda para o setor automobilístico". E é o mesmo Serra que embolsará - o Estado de São Paulo, claro - os 6 bi da venda.

Então, qual o motivo de o governo Lula deixar Serra faturar essa ajuda ao setor automobilístico? Fiquei com a pulga atrás da orelha. Fatura politicamente 4 bi para o setor; e fatura 6 bi da venda da Nossa Caixa.

De um lado, a imprensa diz que obras do PAC que ainda não foram iniciadas permanecerão no papel, corte de investimentos. De outro, o governo permite a Serra faturar essa.

Há algum acordo PT e PSDB em curso? Acho que tem alguma coisa que não estou sabendo. Dilma, a "mãe do PAC", fica sem dinheiro. E Serra fatura nas duas pontas. Tem alguma coisa acontecendo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Um banco expande suas participação no mercado financeiro por duas vias:
a) maior crescimento de suas operações vis-à-vis a de seus concorrentes;
b) comprar de outros bancos.

O primeiro caso, em geral, não permite crescimento relevante no ambito do mercado.

O segundo caso é, em regra, o caminho principal para o aumento da participação no amnito do mercado financeiro.

O banco Nossa Caixa é de tamanho médio e sua aquisição irá permitir ao Banco do Brasil voltar a liderança da principal praça financeira do país: São Paulo. Atualmente o BB ocupa a terceira posição neste mercado.

Quanto ao empréstimo ao setor automobilístico é importante observar que a Nossa Caixa abriu uma linha de empréstimos da ordem de 4 bilhões, mas isso não quer dizer que ela passou os recursos ao setor automobilísitico.

Estes repasses serão feitas, como de praxe no caso de grandes operações de crédito firmadas no ambito do mercado financeiro, segundo critérios fixados em contrato, de modo que parte substancial das liberações deverão ocorrer, provavelmente, já pela bancdeira BB.

Operações bancárias devem observar uma ampla gama de instrumentos regulatórios fixados e supervisionados pelo Banco Central.

De resto, Serra, um macaco-velho na política não iria perder a oportunidade de repassar a mídia-amiga (do Serra) uma informação desta ordem, sabedor de que a mesma lhe renderia um bom espaço na mídia e lhe permitiria ganhar a simpatia dos homens de boa fé e poucos conhecimentos do funcionamento do mercado financeiro.

Cabe ao governo Lula fechar a compra do Banco e depois esclarecer os fatos, ou seja, lembrar ao público leitor (se mídia-amiga do Serra o permitir) sobre a natureza do contrato firmado entre a então Nossa Caixa e o setor automobilístico.

De fato, a grande contribuição política do Lula ao Serra é a escolha da Dilma como candidata como candidata do governo a presidência em 2010. Aqui, sim, reside um grande gestão de um verdadeiro amigo, fato raro nos dias de hoje.

Prof. Ludovico

Val-André Mutran disse...

Sob protestos dos funcionários o BRB - Banco oficial do GDF já está quase trocando as letras, o R do meio vai dançar e uma pinturinha na faxada de tintas verdes e amarelas enterrarão o antingo banco de vez. JK mexe-se incontrolavelmente no Memorial. Arruda já avalizou e essa vocês não lerão em lugar nenhum.

Não custa lembrar ao Maia, caro mestre Juvêncio que tucanos são especializados em evaporar empresas, de preferência as que pertencem ao povo brasileiro... mais cadê a Celpa? A Telepará, a...!? o...!!? Vixe a lista não tem fim.

Anônimo disse...

A crise é mais larga do que a popularidade do Lula. O governo brasileiro, por outro lado, não quer e nem deve correr riscos - ou se tornar refém - das consequências que virão da fusão de Bancos privados no país. Nesse sentido, e nem vermelhinha sou, creio que as medidas adotadas, pelo governo brasileiro são tbm para fortalecer o Banco estatal, no caso o Banco do Brasil, em queda no rank das instituições financeiras como esclarece o Ludovico. Quanto as linhas de crédito, são operações executáveis até 2010,que data, hein!!! Olha essa data ai, gente! Agora Juva, essa jogada de bola entre o governo Lula e o José Serra, não te parece ter sido ensaiada para neutralizar um outro avanço pós eleição? Afinal, em dois colegios eleitorais, o Lula não conseguiu transferir votos, ainda que colocasse a máquina debruçada sobre as criaturas: São Paulo e Belo Horizonte, onde o Aécio tbm anunciou, no mesmo dia que o Serra, liberação de créditos no setor automobilistico. Pq a operação com a instituição financeira do governo de SP e não de MG, tbm? Se nada nesse sentido tiver em curso, é como vc bem diz " tem alguma coisa acontecendo." Sula Maciel