14.11.08

Pela Dignidade

A esbórnia doentia dos cadáveres ensanguentados, expostos todos os dias nas folhas safardanas da capital paroara, finalmente, pode encontrar um adversário a altura. O Movimento de Emaús, a SDDH - Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos e a Procuradoria Geral do Estado ajuizaram uma ação contra as pocilgas.
Veja o despacho da Agência Pará.

O Estado do Pará, o Movimento República de Emaus e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) ajuizaram Ação Civil Pública contra os jornais Diário do Pará, O Liberal e Amazônia Jornal nesta quarta-feira (12).
A ação pede que os jornais cessem imediatamente a publicação, nas notícias policiais, de imagens de cadáveres, pessoas desfiguradas, principalmente de vítimas de acidentes de trânsito, esfaqueamento, mortas por linchamento em vias públicas, que realizam verdadeira espetaculização da violência em desrespeito à dignidadde humana e consideradas sem nenhum valor jornalístico.
Na ação, também há o pedido de obrigar as rés a divulgarem, nos jornais por elas publicados, textos e informações educativas sobre direitos humanos e cidadania e indenização por danos morais coletivos, em virtude da exploração das imagens de seres humanos vítimas de morte violenta e retratados em situações violentas, desumanas e degradantes.
Os autores da Ação Civil Pública alegam que a veiculação destas imagens ferem os direitos constitucionais da pessoa humana e os valores éticos e sociais da família, banalizando o ser humano a ponto de tratá-lo como mero instrumento de espetáculo da mídia, visando o aumento de vendagens de jornais.
Os autos da ação já estão conclusos com o juiz Marco Antônio Castelo Branco, da 2ª Vara da Fazenda da Capital, para o pedido de apreciação da liminar.


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O blog cumprimenta as entidades e a PGE pela iniciativa.

30 comentários:

Anônimo disse...

Ótima notícia Essa! Mas não duvido que brevemente essas entidades sejam alvo da ira desses "jornais".

Cláudio

Juvencio de Arruda disse...

Não duvido, Claudio.

Anônimo disse...

Já não era sem tempo. Essa imprensa marrom da terrinha explora o sensacionalismo barato para vender aos tarados e deficientes mentais. Que o MP consiga vloquear essa selvageria. Mas seria importante também puxar-se um grande movimento público no sentido de parar de comprar esses veículos imundos.

Anônimo disse...

Acho difícil mudarem alguma coisa... A Liberdade de Imprensa vai prevalecer...

Anônimo disse...

Finalmente! Os movimentos envolvidos na ação podiam organizar manifestações das famílias das vítimas em frente aos veículos também. Falta reação mais contundente contra essa sanguinolência toda.

Anônimo disse...

Muito bom! Esses jornais sensacionalistas e idiotizadores, gostam de sangue. Mas no caso do assassinato do diretor do Lider, mostraram só a mão do morto. Quando é um pobre miserável, mostram, sem o menor pudor, seus pedaços largados no chão, uma situação sinistra e insustentável! Bem que seus familiares poderiam entrar com ações na justiça por danos morais contra esses jornalecos de terceiro mundo.

Anônimo disse...

Estão transferindo o problema do dia-a-dia para a notícia do que acontece. Se não conseguem evitar linchamentos, crimes por esfaqueamentos e outras violências, proiba-se a divulgação delas. Bota-se a sujeira prá baixo do tapete. Sensacionalismo e espetacularização são os crimes, não o noticiário deles. E toma censura.

RS disse...

Que coragem exemplar....

Juvencio de Arruda disse...

O problema, sabem todos, está na forma da divulgação da notícia, e não "no mérito" da notícia.
E tome vergonha!

Anônimo disse...

Outro dia, bateram mais um recorde de estupidez: a foto de um pedaço um pé com resto de perna.
O fotógrafo-canibal deve ter sido o executor da "instalação".
Bleargh!
(infelizmente ví, pois o jornaleiro, na rua, utilizava o horror para bombar a venda!)

fábio pereira disse...

Seu Juca!
E a imprensa televisiva que geralmente reserva o seu bloco inicial para mostrar as tragédias?
Seu comentário referenten aos das 3:47 foi acertadíssimo. Não se trata de esconder as mazelas, mas sim a forma de transmiti-las.
Mais uma vez o poster dá show de bola, apesar de todo sofrimento clubístico rsrsrs
Abs.,
O Vigiador.

Prof. Alan disse...

As pocilgas já relinch..., digo, já se manifestaram acerca da ação? Ou melhor, será que elas irão ao menos noticiar e dar-se ao trabalho de justificar seus comportamentos esquizóides?

Juvencio de Arruda disse...

Fábio, deixe o meu Fogão fora disso...rs
Avs

Juvencio de Arruda disse...

Ainda não, prof.

Anônimo disse...

Infelizmente o nível do jornalismo caiu muito no Pará e no Brasil. O pior é cada um jornal copia só o que não presta do outro. E isso também já chegou na televisão. É o nivelamento por baixo. Mas para os donos dos jornais e para alguns desinformados, levantar essa questão é ressuscitar a censura.
Os dois jornais da capital, no nosso caso,megalomaníacos que são, ainda acham que um é melhor que o outro.

fábio pereira disse...

Juca!
Na ânsia de enviar o comentário, esqueci de parabenizar o Ibrahim (PGE), o José Roberto Martins (SEJUDH) e o pessoal da República Movimento de Emaús, na pessoa de seu representante.
Sds,
O Vigiador.

p.s - estou liberado para o jogo domingo (estarei nas cadeiras)

Leonardo disse...

Não vejo razões em comemorar. A decisão deveria partir das redações. Criar um instrumento como este é de última. Pior, ainda, é querer arbitrar sobre o "conteúdo" obrigando publicações de textos educativos e tal.
Os três jornalis exageram, mas não é com outro exagero que se resolve.

Juvencio de Arruda disse...

Leonardo, aonde vc já viu redação mandar em jornal?
Eu não conheço.

Anônimo disse...

Parece que a verdade do que acontece nas ruas ainda ofende muita gente. Mas, infelizmente, é nesse mundo que vivemos e morremos. Não fechem os olhos, senão as coisas pioram mais rapidamente. Vocês não querem nem ver?

Prof. Alan disse...

Ô anônimo das 5:14, em algum lugar do mundo você já viu banho de hemoglobina na capa dos jornais resolver o problema da criminalidade e da violência? Onde foi? Conta pra gente, vai!

Ah, e não esqueça de mandar essa receita pro Ségio Cabral, governador do RJ: basta colocar bastante sangue e muitos cadáveres (quanto mais mutilados e despedaçados melhor, né?) nas capas dos jornalões, com chamadas de destaque, e está tudo resolvido!

Genial! Como não pensei nisso antes?

Anônimo disse...

As fotos dos jornais são apenas e tão somente retratos do banho de sangue das ruas. É a vida! É a morte! É a sociedade que fazemos parte. Mas tem gente que não está nem vendo.

Anônimo disse...

Não é que nãos e queira ver, comentarista das 17:14,afinal tem muits maneiras do jornalismo msotrar a realidade que não seja esse sangue diário que derrama das páginas diriamente

Vejam aonde chegou nossa imprensa!
Essa é a notícia que as redações não publicarão porque corta na própria carne. Contaminados pelo perfil das empresas que as administram, as redações jamais vão abrir espaço para uma informação desse calibre. Se fossem empresas éticas, responsáveis, publicariam amanhã um editorial na capa, no espaço que Maioranas e Barbalhos costumam ocupar em suas edições de aniversário jornal. Outras publicações mais sérias ou suficientemente sérias publicariam com certeza. Mas não temos aqui um Washington Post ou o New York Time.
Será preciso que entidades como SDDH e o próprio MP interfiram para que se ponha termo no jornalismo que se pratica atualmente em Belém e as redações passem a tratar seus objetos de pauta – como as vítimas da violência – com dignidade, respeito e ética. É sim falta de ética a sanguenolência diária que se espreme das páginas. É sim antiético publicar a foto de cadáver de forma pejorativa e visivelmente com o intuito de ganhar dinheiro.
Os argumentos que pipocam aqui, acolá são de um cinismo monumental, estúpido pela natureza que todo cinismo tem. Mas, é o Rominho que obriga publicar cadáveres em suas páginas, como se não bastassem os crimes que comete contra o erário público com seus projetos incentivados e fraudulentos? Ou Jader Barbalho impõe ao seu pasto redacional mais esse tipo diatribe, não fossem suficientes os que pratica na política?
O jornalismo diário impresso vê-se mais ou menos sem rumo diante das novas mídias e, para manter seu público, apela para recursos como esse da cobertura policial. Aliás, poucas capitais brasileiras têm jornais com essa linha. Ora, se isso vendesse mais jornais, é bem certo que a FOLHA DE SÃO PAULO, o ESTADÃO, O GLOBO – para ficar só nesses – abririam páginas e páginas de sangue. Então, que estratégia de marketing praticam os jornais de Belém? Que escola acadêmica ensina esse tipo de jornalismo? Claro que ninguém ensina. Os jornalistas é que se prostituem ao chegarem às redações, seguindo um víeis vesgo da comunicação que se farta de violência, da miséria, da pobreza sob a e alegação que essa é a realidade social.
Senhores jornalistas, tenham dó do pobre leitor. Respeitem mais a sociedade, façam coisas mais dignas do ponto de vista do humano. Sejam os primeiros a defender a sociedade com ética e respeito. Ou rasguem o tal diploma de comunicólogo.

Anônimo disse...

Pois não é que os jornalões encontraram tietes que defendem a exposição da violência, o desrespeito às famílias das vítimas e o desrespeito aos leitores? Quando defendem dizendo que assim é a vida, que não se pode esconder as mazelas da sociedade, estão querendo dizer que querem mais violência, pois se deliciam com a coragem e o brio dos jornalões. Aliás, essa é a eterna e irresponsável desculpa dos donos dos jornais e alguns de seus editores: violência vende jornal. Portanto, vamos escancarar as fotos sangrentas e torcer para que haja sangue todos os dias, para gáudio das contas bancárias dos proprietários e para felicidade de leitores ávidos por isso.

Yúdice Andrade disse...

Alvíssaras! Até que enfim! Os autores da ação estão de parabéns, por finalmente, agirem em prol do respeito às pessoas, sejamos nós que vemos essas publicações, sejam principalmente as vítimas (se sobreviventes) e seus familiares. E ao contrário do alegado acima, creio que o Judiciário dará guarida ao pedido sem maiores dificuldades, porque ele tem uma evidente fundamentação constitucional. Além do mais, não há qualquer cerceamento à liberdade de imprensa, eis que não se tenta interferir na pauta dos jornais, mas tão somente coibir a exposição do horror.
Lamentável a postura do anônimo que acredita haver alguma utilidade em expor o banho de sangue. Fala de nós, que elogiamos a iniciativa, como se fôssemos um bando de alienados a não querer ver a realidade. Pois eu digo que conhecemos tanto a realidade que não precisamos de um artifício medíocre desses para entendê-la e enfrentá-la.

Rz disse...

Que ótima iniciativa! Como podemos apoiá-la?
Rz

Anônimo disse...

Não vi propostas para acabar com a violência (mesmo utópica). Só querem consertar a notícia. As agressões que continuem inundando as ruas de sangue.

Anônimo disse...

O Liberal não tinha mais editoria de polícia há algum tempo.O Diário passou a ter um caderno tablóide(Polícia) e que, segundo os baderneiros, tirava leitores de O Liberalque acabou entrando na dança do sangue e imitou seu concorrente sobrancelhudo.Marketing inexplicável,já que seu parceiro(Amazônia) que seria um jornal popular,nos moldes do Extra,Agora,etc....não tem caderno específico de polícia. Infelizmente o que se vê nos jornais é o retrato de nossa comunidade.Violenta,medíocre,sem oportunidade de educação e a mercê desse tipo de informação.Que esse blog elitizado, tenha atitudes como essa da Sddh e Emaús e não fique num circulozinho,também medíocre,de pretensiosos entendidos e salvadores da pátria.Mostrem a cara e coloquem a mão na massa.Não queiram culpar os jornalistas.Todos precisam do emprego para sobreviver.

Anônimo disse...

Querem dourar a pílula.

Anônimo disse...

E contra as bundas,ninguém se manifesta?

Anônimo disse...

O juiz do caso já indeferiu esta bela?!iniciativa.