31.3.09

Os Pesos da Mídia

No blog do Sakamoto.

Entidades ligadas aos sem-terra têm sido acusadas de utilizarem ilegalmente recursos oriundos de convênios públicos na promoção de ações políticas de movimentos que lutam pela (imprescindível e inadiável) reforma agrária. O tema tem sido pauta da mídia nos últimos tempos, aquecida por indignadas reações de comentaristas e âncoras, exigindo a devolução do dinheiro e a condenação dos acusados.
É claro que todo o dinheiro público utilizado para outra finalidade não prevista tem que ser devolvido e os culpados responsabilizados. Contudo, não vemos a mesma indignação contra empresas que superfaturam contratos públicos e, através de seus lobistas, pagam partidos e políticos – garantindo proteção a maracutaias descaradas. Ou mais discretas, como forças que agem pela manutenção de uma política de empréstimos-de-mãe com dinheiro público, a não-aprovação de medidas que ajudariam no combate à escravidão, a mudança na legislação para possibilitar a transformação da Amazônia em pasto, a contratação de empresas com licitação de brincadeirinha…
O nome Camargo Corrêa é a (breve) bola da vez, mas a lista é grande. E somados os bilhões roubados através de esquemas de grandes empresas que mamam no governo, o suposto desvio feito por entidades ligadas aos sem-terra parecem furto de xampu em supermercado. Dois pesos, duas medidas? Imagine! Em uma democracia como a nossa, com uma imprensa tão independente, isso não acontece.
Ah, mas eu ia me esquecendo: quem furta xampu no Brasil fica preso. Quem rouba o dinheiro do Estado, sonegando milhões em impostos, vai condenado a 94 anos, mas não fica na cadeia tempo suficiente para a champanhe esquentar.

6 comentários:

Anônimo disse...

Está nas mãos do Castelo Branco.

Será que o Branco vai amarelar?

do Lumpemproletariado

Anônimo disse...

A indignidade é latente no país. Não há mais um sonho de país e uma estratégia real de desenvolvimento. Não se une a nação e nem tampouco se vê a Justiça prevalecer, seja a quem for. Alguma vez antes já prevaleceu?
É ilusório o futuro. É pesadêlo o presente.
Cabe o não calar, o não aceitar, o não silenciar.
Cabe sobretudo, o dizer a quê viemos. A quê mesmo?
Satchel Paige

David Carneiro disse...

Muito bom! Foi bom ver o jovem na mesa de combate ao trabalho escravo no FSM e é sempre legal acompanhar seu trabalho.

Juvencio de Arruda disse...

Estudioso, sério, comprometido, equilibrado.

Juvencio de Arruda disse...

Ohha,é o seguinte: justifique seu comentário e não esculhambe de graça.

Anônimo disse...

A Repórter Brasil é um bom exemplo da “função social” do jornalista. E o Sakamoto merece todo nosso respeito pelo trabalho que desenvolve. Que bom, Juca, que você sempre ajuda a repercutir esse debate fundamental para nossa nação, pela sua própria ou pelas vozes dessa turma.
Aproveitando o “ensejo”, estranho que o Nery (Psol) se una aos tucanos Mario Couto e Flexa Ribeiro mais uma vez – votou com eles contra a CPFM, né? Já foi uma. Agora deve engrossar a base ruralista que quer as reintegrações de terra a toque de caixa no Pará. Os três virão ao Estado neste final de semana. Sabedores da agenda da governadora Ana Júlia em Marabá, adiaram a reunião que seria dia 4 para o dia 6. É incoerente com a campanha que ele faz de combate ao trabalho escravo, mas também com a históricas bandeiras de combate à grilagem e ao desmatamento ilegal. Embate a vista.