13.5.09

Ciência x Assessoria de Imprensa

'A instalação da bacia de resíduos do processo de beneficiamento de bauxita próximo às nascentes do rio Murucupi representa uma situação de risco aos ecossistemas aquáticos e à saúde da população ribeirinha que reside nas margens dessa drenagem'.
Após exames feitos a partir da coleta de amostras do rio no dia 27 de abril e no dia 28 (quando aconteceu o vazamento), foram constatadas mudanças como: aumento da mortandade de vida aniaml e vegetal e alteração no índice de pH, que mede a acidez e alcalinidade da água.
Em relação à diversidade do Murucupi, o estudo constatou que o índice 'diminui à medida que a qualidade da água foi comprometida, com entrada de efluentes tóxicos e/ou poucos toleráveis a grande maioria das espécies registradas'.
Segundo o coordenador geral do estudo, Marcelo Lima, o vazamento pode motivar danos importantes à natureza da região. 'Afetou o meio ambiente de forma significativa. Os riscos existem para todos os seres vivos que têm relação com o rio, incluindo o homem. Esta é uma discussão que merece ser mais ampla!', propõe.


Estes são trechos do relatório do Instituto Evandro Chagas, instituição científica de renome internacional, segundo deespacho do Portal ORM de ontem, às 18:52.
Agora veja a resposta da Alunorte, de acordo com o mesmo despacho.

'as operações de beneficiamento da bauxita da Alunorte estão rigorosamente dentro dos padrões estabelecidos pela legislação ambiental, com a utilização da melhor tecnologia existente para monitoramento e controle dos ecossistemas de seu entorno'.
A empresa disse ainda que o laudo do Instituto Evandro Chagas não conclui que os peixes morreram por conta de contaminação por soda cáustica. Segundo a nota, não há, no laudo, evidências de que o transbordo do canal de água de chuva da Alunorte tenha provocado impacto na saúde das comunidades ribeirinhas.


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Francamente, o embate é desigual e deveria ser dispensável. A sinuosidade das afirmações da Alunorte deixa claro a dificuldade da empresa em assumir a contaminação atestada pelo Evandro Chagas. A nota da empresa beira o cinismo. Sucessivos episódios como esse em Barcarena mostram que é inadiavel uma discussão mais séria sobre a questão, com a revisão completa de procedimentos de licenciamento e estabelecimento de sanções muito mais duras do que as atualmente previstas em lei.

9 comentários:

Alessandra disse...

Juca, essa situação não é a primeira, correto? Acho que já aconteceu antes. É inacreditável como esse tipo de acidente parece poder ser reparado por alguma ação social ou de mkt. Vou reproduzir esse seu post no meu blog hoje. bjs

Anônimo disse...

Concordo inteiramente com a Vale.

É evidente que os peixes não morreram por causa da soda cáustica.

Todos sabem que peixes adoram soda cáustica.

Alguns peixes adultos, aliás, costumam alimentar seus filhos, na primeira infância, com doses maciças de soda cáustica. "Acelera o crescimento e melhora o desempenho escolar", dizem eles.

Então, por que os peixes estão morrendo?

Simples: estão morrendo de raiva. Alguns não se conformam com o desempenho medíocre do Clube do Remo. Outros estão indignados com o Poder Judiciário do Pará.

Enfim, se você é paraense, não lhe falta motivo pra morrer de raiva.

A Vale, aliás, é um deles.

Anônimo disse...

Sem querer defender a Alunorte, há de se considerar um fato histórico, na forma de questionamento: Só agora o governo constata que a bacia de rejeitos da Alunorte (antigamente, antes de Alunorte era só projeto, dizia-se que uma bacia de rejeito de baiuxita era tão contaminada que se um pássaro bicasse em uma margem a água da bacia, não atravessaria toda a extensão dos rejeitos porque morreria antes de alcançar a outra margem)está em lugar inadequado do ponto de vista ambiental, cercada de nascentes de rios e igarapés?
Santa hipocrisia!
Ora, as nascentes estão lá a milhões de anos, muito antes de a Alunorte ser pensada, muito antes dos RIMAs (havia RIMA nos anos da década de 1980? Deus deveria ter inventado os RIMAs), por que o governo permitiu construírem a bacia de rejeito, altamente contaminada de soda cáustica e outros produtos químicos usados na extração da alumina? O governo sabia do perigo para a região, mas permitiu tudo, acreditando nos relatórios da empresa e nas consultorias (será que as contratou?), que não impediram nada.
Agora, chora-se sobre o leite derramdado (ou melhor, sobre a poluição despejada), que não é branco, mas vermelho.
E parece que a Vale não aprendeu com o lago Batata, no Trombetas.

Anônimo disse...

Será que eles se esqueceram do Lago do Batata em Oriximiná , ou estavam comendo salsichas em seus doutorados na Alemanha.Sejam rápidos, ambientalistas dos escritórios na praia de IPANEMA (RJ) caso contrário o galo ,talvez, nem cante sequer ao meio dia

Anônimo disse...

é o laudo técnico de um dos institutos de maior credibilidade do País contra a Alunorte (Vale) o leitor decide quem é o mentiroso.

Anônimo disse...

Teve comentário neste post que não fora aprovado - falando da falta de apuração jornalística e etc. Seria isso censura? E o comentário nem foi ofensivo.

Anônimo disse...

O Lago Batata em Oriximiná é hoje o maior exemplo de que é possível recuperar uma área degradada. Aliás, ninguém que não conhece pessoalmente o trabalho da empresa daquela região pode falar das ações ambientais dela.

Juvencio de Arruda disse...

Se comentário foi recusado sim, e continha ofensas, graves e injustas, ao Inst. Evandro Chagas.
Quem "saiu do nada" foi seu malicioso comentário, e por isso ao nada voltou.
Quanrto a falta de apuração jornalística, neste caso específico, tenta desqualificar a matperia do Portal, correta, e por tabela, qualificar a nota da "vazadora", que, como disse, beira o cinismo.

Anônimo disse...

Isso não é nada. Ainda vai começar queima de carvão mineral em Barcarena e o ar vai ficar tão poluído quanto a água. O horror, o horror!