14.5.09

Lá e Cá

No Estadão.

Políticos britânicos acusados de terem abusado dos cofres públicos prometeram hoje pagar o que devem ao governo após o escândalo de gastos com despesas desnecessárias revelado pela imprensa.
O ministro da Saúde, Phil Hope, anunciou que devolverá pouco mais de US$ 63 mil gastos com a compra de mobília de sua segunda casa. "A irritação pública de meus eleitores e os danos causados à minha imagem e integridade foram um grande golpe", afirmou Hope.

Ele justificou sua decisão como uma maneira de tentar recuperar a confiança do eleitorado. Hazel Blears, outra ministra, também prometeu repor milhares de dólares em impostos depois que ela foi criticada por não pagar as taxas da venda de um imóvel.
O escândalo dos gastos feitos com o dinheiro do contribuinte britânico foi revelado pelo jornal "The Daily Telegraph", que publicou detalhes sobre as despesas de parlamentares registradas desde 2004. Entre as denúncias estão a de que parlamentares usaram o auxílio-moradia para reformar a própria casa e pagar prestações de imóveis. Algumas das despesas foram feitas em residências que não são ocupadas pelos legisladores.
Membros do Parlamento britânico ganham, por ano, o equivalente a US$ 92.795. Nos últimos 12 meses, eles tiveram direito a um auxílio adicional de US$ 200 mil para cobrir gastos de gabinete - incluindo os salários de assessores - e despesas de moradia. Nos EUA, membros da Câmara dos Representantes recebem US$ 174 mil por ano, além de benefícios calculados em US$ 1,4 milhão para pagar as contas de seus escritórios. No Brasil, o salário anual dos deputados federais é de pouco mais de R$ 200 mil (cerca de US$ 95 mil). Mas, para gastos adicionais, os brasileiros dispõem de uma verba de cerca de R$ 1 milhão (US$ 480 mil), além do dinheiro extra para passagens aéreas.


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Muito bem. O caso britânico revela semelhanças e diferenças na prática política, lá e cá. A mais evidente semelhança é que os cofres da viúva, na Inglaterra ou no Brasil, sofrem seguidos ataques. Casos como auxílio moradias e voação tambem são parecidos
A mais notória diferença é a reação dos políticos frente ao escândalo. Aqui, a reação ao flagrante de assédio irresistível aos recursos públicos passa, primeiro, por um escovão na imprensa, seguido de alguns dias de aboçalamento completo dos pelintras que saem distribuindo pedradas pra tudo quanto é lado. Depois a ficha cai, e começa a fase do chororô.
Na velha ilha, dizendo-se envergonhados, vão devolver o dinheiro.
Aqui, nem uma coisa, nem outra.

3 comentários:

Anônimo disse...

Aqui, tem o famigerado caixa dois das campanhas eleitorais, que abastece as contas bancárias de hipócritas da moral e dos bons costumes.
Hipócritas, que não passam de prestadores de serviço do dinheiro, que é público e vem da corrupção.
Da ladroagem.
Da sacanagem.
Hipócritas, que se transformam nisso, que a gente vê por aqui.
É ou não é, professor ?

Juvencio de Arruda disse...

Claro que sim, professor.
O caixa 2 compra os votos que depois serão vendidos no mandato.
Óbvio. Escancarado. Rasgado.

Carlos Barretto disse...

O SEU texto, aquele que vem logo após o do jornalão, é absolutamente ótimo.

(...)"flagrante de assédio irresistível" aos recursos públicos passa, primeiro, por um "escovão" na imprensa, seguido de alguns dias de "aboçalamento completo dos pelintras" que saem distribuindo pedradas pra tudo quanto é lado. Depois a ficha cai, e começa a fase do chororô.
(as aspas são minhas)

Isso é ótimo!
Rsssss