7.5.09

A Patrulha e a Resistência

Por Carlos Brickman, no Observatório da Imprensa.

Este colunista nem sempre concorda com as opiniões de Barbara Gancia; mas sempre as respeita, porque bem embasadas e fundamentadas. Além do mais, Barbara é divertida, ousada, toca em temas que muitas vezes o jornalismo esquece, tem uma amiga chamada Bucicleide e, embora esteja entre as estrelas da mídia, nunca se apresenta como dona da verdade. É boa gente, a Barbara Gancia.
E a Barbara, sempre paciente, está se cansando da patrulha ideológica. Ô, gente mais chata! Outro dia, chegou a dizer que pensa em desistir de
seu blog. Se ela diz que comeu lulas en su tinta no almoço de ontem, vai receber mensagens extremamente agressivas, acusando-a de fazer campanha em favor do governador José Serra, de ser racista e por isso criticar o ministro Joaquim Barbosa, de pertencer ao PIG (justo ela que, embora descendente de italianos, não tem nada de palmeirense: é santista).
Outro dia, um blogueiro entrevistou um oncologista sobre o câncer da ministra Dilma Rousseff. O médico foi simpático, descreveu a moléstia, os sintomas que costuma apresentar, disse que o índice de cura supera os 90%, mas cometeu um crime gravíssimo, para os patrulheiros: disse que não votaria em Dilma. Foi o suficiente para acusá-lo de ter sido o responsável pelo vazamento da notícia de que a ministra tinha um problema de saúde (embora ele trabalhe em outro local e nada tenha a ver com a equipe médica que a examinou), para sofrer uma série de insultos e para que algum alucinado garantisse que ele tinha sido obrigado a dizer que não votaria em Dilma para não ser demitido por Serra – embora ele não trabalhe no serviço público e sim num excelente hospital particular.
Como diz Barbara Gancia: "Está começando a me cansar o fato de que vários internautas sempre vêem segundas e terceiras intenções naquilo que digo; estão começando a torrar meus pacovás os batráquios que lêem aquilo que querem em vez do que está escrito e, finalmente, eu não comecei um blog para entrar em guerra com grupos organizados que agem na internet para fazer propaganda política". Pois é, Barbara, mas é preciso resistir. Os patrulheiros são incansáveis, mas quando não têm êxito buscam novos alvos. E quem é que você prefere, quem é que vai atender: a turma da patrulha ou seus leitores de sempre?
Em tempo: se Barbara disser que não gosta de lulas en su tinta, será imediatamente acusada de repudiar a origem humilde do atual presidente.

18 comentários:

Anônimo disse...

É... O velho já me falou dessa "tar de patrulha ideológica".

Lafayette

Juvencio de Arruda disse...

Essa o velho conhece bem.

Leopoldo Vieira disse...

Juca,

Morro de pena desses coitadinhos tão imparciais, despropositados, ingênuos e investigativos.
O problema dessa turma é que ainda não se tocaram que há uma maioria no país que além de discordar deles, não engole mais a balela de que fazem jornalismo sério, aliás, não estão mais nem aí para essa conversa de "formadores de opinião" que, na verdade, travam a nua e crua disputa ideológica.
Eles precisam sim é aprender a viver em democracia, com o debate de idéias. O tempo em que eles falavam e a manada seguia se findou. Para sorte do Brasil.
Se ela não gosta de lula en su tinta, que escreva um blog de culinária, pois, falando de política, só as "polianas" como o autor do artigo que reproduziste, é que vão acreditar que ela só quis opinar sobre um prato "requintado".

Abs,

Leopoldo

Anônimo disse...

E o Leopoldo acredita que lula, antes de ser um fruto do mar, é o nome de um presidente da República. Aliás, ele é bem capaz de ler uma crítica a um prato de lula de algum restaurante e insistir que o comentarista agrediu o presidente. Acho a Barbara Gancia uma dondoca metida, mas daí a se arrepiar quando ela fala em lula in su tinta é ser muito tapado!

Anônimo disse...

É, anônimo, de fato, acho que falar em lula num blog de política, ainda mais quando se trata dessa moça, é querer se referir aberta ou veladamente ao presidente. E acho mais: Dilma leva no primeiro turno em 2010. E mais ainda: viva os internautas que os que estão sendo desmontandos diariamente pela mídia altenativa chamam de "grupos organizados". Aliás, quem disse que é probido se organizar?
A festa de vocês acabou, meu querido.
Engolirama seco o operário sem dedo. Vão engolir agora a guerrilheira e contentem-se.

Anônimo disse...

Pois é, e o Leopoldo ainda menciona: "eles precisam é aprender a viver em democracia". Ora, a sua reação é que parece pouco democrática, em não aceitar argumentos que não lhe convenham ou que não lhe agradem. Ela pode até ser criticada em relação à qualidade de seu trabalho, mas não porque não gosta do Lula e expressa isso da forma que lhe convém.
Democracia: não é fácil de vive-la, Leopoldo, porque pressupõe conviver com diferentes, com idéias e comportamentos diferentes.
Mas aprendamos, se Deus quiser, aprendamos.

abs

Carlos Duarte

Anônimo disse...

Mais estúpido é o anônimo das 4:48, que afirma: "a festa de voces acabou". De voces quem? Dos que não são nem fascistas nem stalinistas como você? Só pode ser isso.

Itajaí de Albuquerque disse...

A Bárbara comete barbiradidades sim. È conhecida pelas ofensas que produz, fato testemunhado pelos pares dela inclusive. O jornalismo que ela produz não me interessa.

Anônimo disse...

São todos uns hipócritas.

Anônimo disse...

A Revolta Dos Dândis (Acústico MTV)
Engenheiros do Hawaii

Composição: Humberto Gessinger

Entre o rosto e o retrato, o real e o abstrato
Entre a loucura e a lucidez
Entre o uniforme e a nudez
Entre o fim do mundo e o fim do mês
Entre a verdade e o rock inglês
Entre os outros e vocês

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre mortos e feridos
Entre gritos e gemidos
A mentira e a verdade
A solidão e a cidade
Entre um copo e outro da mesma bebida
E entre tantos corpos com a mesma ferida

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre a crença e os fiéis
Entre os dedos e os anéis
Entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos!

Entre a minha boca e a tua há tanto tempo, há tantos planos
Mas eu nunca sei pra onde vamos

E eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
E que não passa de ilusão

Que não passa por aqui, não
E que não passa de ilusão!

Leopoldo Vieira disse...

Carlos Duarte,

Se ela quiser não ser criticada por suas posições políticas, que acredito ser o caso de uma crítica ao presidente, ela que "vá cantar no banheiro". Lá é privativo dela e ninguém tem a ver com isso. Na blogsfera é esfera pública comunicativa, então a crítica acontece e ponto. Você é que precisa de boas lições sobre democracia. Não gostar da Bárbara, por exemplo, é um pressuposto autoritário, porque preconceituoso, na medida em que sequer a conheço pessoalmente. Sendo assim, como poderia não gostar dela? Mas, conheço as posições políticas que ela expõe em público, para o debate, logo minha crítica é absolutamente parte do propósito de democracia.
Democracia é conviver com diferentes, mas não é concordar com as posições divergentes só porque existe liberdade. Esta está legalmente demarcada para justamente podermos divergir no espaço público, como é a Internet. Responder às divergências com silêncio, se não for pura opção pessoal, como se tal comportamento fosse um imperativo categórico, é filosofia autoritária. Se tal imperativo for lei, aí é ditadura mesmo.

Anônimo disse...

Engraçado. Para o Carlos Duarte democracia é um diálogo de noiados. Um diz:
- É...
O outro responde:
- Só...
E termina.
Não, Carlos. Democracia é debate. Se certos argumentos não me agradam eu apresento contra-argumentos para tentar convencer a maioria ou a totalidade das pessoas (o que se chama consenso) do meu ponto de vista.
Para para haver esse contraditório que construimos a democracia. Se não estávamos bems ervidos com os generais. Eles diziam que era assado e nós seguiríamos respeitando mesmo sendo argumentos desagradáveis.

Anônimo disse...

Juvencio,comenta com seu publico o editorial de ontem do jornal publico sobre a tal imerys que anda destruindo barcarena..da sua opiniao sobre oq aconteceu de fato por la....queremos saber..

Juvencio de Arruda disse...

Quero dizer aos queridos comentaristas que:

1) poderia votar em Dilma Roussef
2) se aborrecer com leitores é tão legítimo quanto o contrário
3) a livre organização é fundamental para a democracia
4) nem todos são hipócritas, mas quem assim vê todos, com certeza assim precisa vê-los.
5) adoro comer lula en su tinta.

Cordial bom dia a todos.

Anônimo disse...

Ei, estão patrulhando o Leopoldo!!!

Anônimo disse...

Anônimo das 8:30: você se inclui entre os "todos", ou é a exceção que confirma a regra. Se for exceção, conte pra gente como é que se sente um puro num mundo de hipócritas.

Anônimo disse...

Não seja raivoso, aprenda primeiro sobre a verdadeira democracia, depois poderemos conversar mais, em tom discordante mas harmônico, porque só sei fazer desse jeito. O que você diz, ou melhor, a forma do dizer, lhe distancia do argumento, que de certo você tem.

abraço


Carlos Duarte

Anônimo disse...

Carlos Duarte, além de achar que democracia é cada um dar sua opinião e pronto, como se fossemos do colégio secundário em que o aluno diz; é a opinião do cara, colé? ; você ainda acha que ela só se faz com "boas maneiras" (obviamente o conceito que você tem delas...). Triste.