21.12.08

Encontros de Natal

A propósito desses encontros de final de ano entre Mídia e Poder, comentarista do blog, por e.mail, manda duas histórias de confraternizações em anos passados.

A confraternização natalina do governo com a imprensa foi uma criação de Hélio Gueiros, ele próprio jornalista com registro no sindicato. Ele tomava todas. Almir Gabriel também descia um uísque federal. Jader, que não bebe, comparecia sempre. Jatene, que puxa seus scotchs, também não fez feio.
Momentos de descontração e sem entrevistas, rendia horrores de notinhas para colunistas – todos presentes, inclusive bicões, recebidos sem conflitos, apesar de estarem fora das listas do Cerimonial.
Alguns davam vexame, afinal de contas a BLT governamental é sempre farta – aqui e alhures. Dois episódios, para os que não estavam bêbados e nem têm memória fraca, principalmente Carlos Mendes, que não comparece à Estação Gourmet pelos motivos já explicados.
Numa dessas confraternizações, a noite já ia dentro quando Mendes tentou sair fora do script natalino e começou a fazer perguntas “indevidas”, cujo assunto já não lembro agora, ao governador Almir Gabriel, que já havia entornado uns quatro uísques.
Gabriel foi empinando o bigode de porco-espinho, foi ficando sério, deu respostas ásperas e por fim botou o dedo na cara do Carlos Mendes pedindo respeito.
Os coleguinhas providenciaram um encerramento abrupto da entrevista que não houve. E todos vimos ali o fim desse tipo de confraternização, o que não aconteceu, pelo que hoje acontece.

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Outro episódio interessante porque revela um bastidor nunca antes divulgado sobre a participação de Carlos Santos na chapa de Jáder em 1990.
Confraternização de 1991: no antigo Restaurante Augusto’s (esquina da Almirante Barroso com a Curuzu).
Madrugada já começava. Jader, acompanhado do seu assessor de imprensa, Guilherme Augusto, fazia as honras da casa para dois jornalistas apenas, Anselmo Gama e Nélio Palheta.
Foi Anselmo quem perguntou:
- Governador, por que o senhor indicou Carlos Santos para ser seu vice?
- Mas eu não indiquei o Carlos Santos.
O silêncio que se seguiu foi interrompido pelo coro dos três jornalistas, sob risadas:
- E quem então indicou?
- O Montenegro – respondeu Jader, convicto.
Silêncio seguido de pergunta:
- Quem é Montenegro? Sabendo-se que o PMDB não tinha nenhum cacique com esse nome, acima de Jader, em no regional nem no nacional.
E rindo, Jader acabou com a curiosidade:
- Quem é que dizia que Carlos Santos tinha 70% de votos, que agregaria 70% de votos? O IBOPE.
Último gole de uísque entornado, o jantar acabou sob risadas.
O instituto era presidido por Carlos Augusto Montenegro, o homem que dizia quem ganharia ou perderia uma eleição naquela época (só naquela época?).

4 comentários:

Anônimo disse...

As confraternizações não podiam ser realizadas na residência oficial, pois tinha gente que amanhecia. BLT é isso aí.

Anônimo disse...

Grande Juva,
Essas festas de confraternização com governantes sempre foram deliciosas, tanto pela comida quanto pela bebida, sempre fartas, mas principalmente pelas conversas e pelo reencontro com os colegas.
No caso em que meu nome foi citado, conto o caso como o caso foi: lá pelas tantas da bmadrugada, e bote tantas nisso, o ex-governador Almir Gabriel, já bastante turbinado pelo uísque distribuído aos convivas, sentou-se à mesa onde eu estava com o Raul Tadeu, testemunha ocular da história, como diria o Repórter Esso.
Papo vai, papo vem, comecei a dar minhas cutucadas no Almir, que aquela altura do campeonato tinha a quase unanimidade de aprovação da imprensa paraense. Aí, ele começou a ficar irritado. E haja talagada de uisque. E haja cigarro acesso e tragado com vigor. Almir disse a mim, e o Raul Tadeu com aquele bigode a la Salvador Dalí só ouvindo e torcendo para um desfecho explosivo, que não lia jornal daqui. Só lia os jornais do sul e sudeste, principalmente a Folha e o Estadão. E no Estadão, acompanhava as matérias que eu mandava do Pará. Criticou o fato de eu, segundo ele, só escrever "notícias negativas" sobre o Estado, principalmente envolvendo o governo dele. Rebati de pronto, dizendo que se os fatos reportados eram negativos, a culpa não era minha, mas dos fatos. Cheguei a dizer: "governador, não brigue com os fatos, conteste-os, porque fica bom para o seu governo e para o jornal que os publica". O Tadeu ria, prevendo um desfecho mais ou menos previsível. O Almir foi aumentando o tom de voz e sapecou: "Carlos, por que você não publica as notícias positivas, que são muitas, do meu governo? ". Respondi quase imediatamente: "não posso, governador". E ele: "não pode, por que? ". Aí, mandei ver: "não posso, governador, porque sou jornalista e não relações públicas. Contrate um relações públicas para o seu governo fazer isso".
Já furioso, com o copo de uísque na mão e o cigarro aceso na outra, Almir provocou: "o que tu achas do meu governo, Carlos?". Respondi sem pestanejar: "não acho nada. Sigo o manual do velho e bom jornalismo, que é o de desconfiar sempre de qualquer governo".
O Almir não se conteve e deu um murro na mesa, fazendo cair os copos e chamando a atenção dos últimos convidados que ainda restavam no recinto. "Não aceito isso", bradou. A dona Socorro interveio, mas o Almir não quis mais conversa. Saiu rapidamente em direção ao interior da residência, que naquela época ficava no Icuí Guajará.
Foi este, primo, o episódio como realmente aconteceu. O problema é que dias depois saiu até nota na coluna "Repórter Diário", afirmando que eu tinha azedado a confraternização do governador com os jornalistas ao reagir às provocações do Almir. Alguns coleguinhas telefonaram para minha casa, perguntando se era verdade que eu tinha chamado o governo do Almir Gabriel de corrupto. "Menas verdade", como diria o "companheiro" Lula. O que aconteceu, de fato, é o que ora relato, pela primeira vez, publicamente.
Grande abraço e ótimo domingo, primo
Carlos Mendes

Juvencio de Arruda disse...

rsrs...obrigado pelo depoimento, primo.E parabéns pelo programa de ontem, quentíssimo.Show!
Preparo, neste momento, um post sobre ele. Não sei se sai ainda hoje.
Grande abs e bom domingo pra vc também,

Meg Barros disse...

Boa Noite Juvêncio,
Estive na coletiva desse ano e garanto que não houve excessos nem desperdícios como era de praxe nos governos passados. O que houve foi uma tentativa de lembrar a imprensa que este Governo tem muitas notícias boas pra dar, muitas vezes esquecidas em nome (?) da "lei de mercado".
Abs