18.12.08

Vale Desce a Ladeira

Rapaz muito bem educado, Leonardo Sakamoto lança um desafio ao presidente da Vale.

“Eu tenho conversado com o presidente Lula no sentido de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas. Seria algo temporário, para ajudar a ganhar tempo enquanto essa fase difícil não passa.”
A frase é do presidente da Vale, Roger Agnelli, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo de hoje. “Estamos conversando com os sindicatos também. O governo e os sindicatos precisam se convencer da necessidade de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas: suspensão de contrato de trabalho, redução da jornada com redução de salário, coisas assim, em caráter temporário.”
Na prática, a Vale deu provas de que já coloca esse discurso em prática. Um exemplo são os processos de dezenas de milhões de reais contra a empresa na Justiça do Trabalho do Pará.
Se ela lutasse para sobreviver, poderíamos até entender a fala de Agnelli.

Mas para uma gigante que teve lucro líquido de R$ 20,006 bilhões em 2007 e de R$ 13,431 bilhões em 2006, essa declaração é um tapa na nossa cara. Reduzir direitos…para garantir os lucros dos acionistas?
Em momentos de crise como esse é que direitos trabalhistas e sociais têm que ser reafirmados, garantidos, universalizados e não o contrário. Pois é nesta hora que a população que sobrevive apenas de seu salário está mais fragilizada. E é em momentos como esse que sabemos quem é socialmente responsável. As empresas sérias se sobressaem, diante daquelas que desejam se aproveitar do momento.Alguém acredita, sinceramente, que uma vez retirados, esses direitos voltarão a ser garantidos?
Uma sugestão para Roger Agnelli: há uma discussão entre setores do governo federal e do Congresso no sentido de reduzir a jornada de trabalho, mantendo o salário igual - movimento que acontece hoje em várias partes do mundo. Que tal irmos nessa direção e não ladeira abaixo?

4 comentários:

David Carneiro disse...

O Agnelli quer repartir os efeitos da crise entre empresários e trabalhadores. Se ele gosta mesmo de repartir, que tal repartir os lucros da vale desde sua privatização fraudulenta pelo governo FHC?

Anônimo disse...

cadê a tão decantada eficiencia empresarial da Vale?? Cadê o gênio da gestão Agnelli?? cadê o modelo de empresa bem administrada?? com a economia em alta é fácil vender commodities tirados do sub solo de um pais pobre, sem gastar quase nada e receber milhões de dólares e euros. Agora, com os mercados internacionais em crise, a primeira coisa que os experts da gestão fazem é demitir. Pedir penico. Assim é moleza. Agora que era pro Agnello e A vALE ganharem premios de homem do ano, empresa do ano, se conseguissem manter o barco no rumo mesmo com tanta turbulência.

Juvencio de Arruda disse...

Tem gente, muita, que desconfia dessa história de empresário do ano.

Anônimo disse...

Um sujeito da CUT disse que se trata do AI-6.