19.12.08

O Slogan e Seus Públicos

Da comentarista Marise Morbach, a propósito do post Terra de Direitos.

A comunicação governamental há muito não pode prescindir da linguaguem publicitária para realizar as mediações necessárias entre suas ações e os diversos públicos que compõem o "mercado político".
Mas os publicitários, mesmo os mais interessados na comunicação política, deveriam trocar idéias com os outros setores da elaboração dos "discursos sociais" midiáticos.
Terra de Direitos não é um slogan que represente às ações governamentais para fins de interlocução com maiorias. É um slogan que representa ações governamentais focadas para a resolução de conflitos agrários. Nesta dimensão é um eficiente slogan político.
Mas quando em relação às demais áreas do conflito social, ele aumenta o grau de percepção sobre as impossibilidades de resolução de conflitos, e aí perde toda e qualquer eficiência "publicitária".
Além disto, ele aumenta a percepção dos indivíduos sobre as áreas de maior fragilidade do atual governo em razão da questão agrária estar diretamente relacionada à violência.
De fato seria estratégica a substituição deste slogan para fins de mediação da publicidade oficial quando dirigida às maiorias.

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Marise Morbach é socióloga, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e doutora em Ciência Política pelo IUPERJ. É professora titular I de Teorias da Comunicação na UNAMA, e de Mídia e Política no mestrado em Ciência Política da UFPA.

15 comentários:

José Brito disse...

Finalmente, o Governo do Estado terá uma opinião importante para levar em consideração, a respeito de seu slogan. Todos reclamavam, mas poucos explicavam a necessidade estratégica do mesmo.

Muito bem, eterna professora.
Abs, Juvêncio!

Bia disse...

Bom dia Juca querido.
Bom dia, Marise querida:

muito interessante o comentário, porque remete a uma discussão que eu fazia sozinha, aqui na terra de direitos difusos, e bote difuso nisso - no sentido de pouco visível, nublado, disperso. Na minha solitária avaliação, o slogan me parecia correto.

Correto na medida em que nós, do andar de cima como bem nos coloca o Elio Gaspari, já avançamos na luta por cidadania, uma etapa posterior à luta por direitos elementares como terra, trabalho, saúde, educação. Assim, a luta pelos direitos é majoritária, atenderia a esmagadora proporção da nossa população que corre atrás disto, cotidianamente. Parecia-me, portanto, que o slogan era dirigido à maioria da população.

Mesmo seguindo esta linha de compreensão, ainda assim o slogan não "é vero". Não há "direitos coletivos, individuais ou difusos" num governo sem rumo, onde prioridades são invertidas e metas são apenas "de papel".

Uma das provas está na revisão do PPA 2008-2011, onde ações programnadas em 2008 não foram executadas, pois na revisão a meta é dobreda e o recurso anterior é somado ao valor para 2009 - aritmeticamente, com a precisão dos sábios.

E o que deixou de ser feito não foi perfumaria para a cidadania. Foi no campo do direito: abastecimento de água. Está lá, nna primeira página da revisão. As 70 mil ligações previstas em 2008, viraram 140 mil em 2009. Assim, simples. Matematicamente. Com um mínimo aumento de custo por ligação implantada, como sói no país sem inflação. Há oputras prioridades não cumpridas. O PPA está no site da SEPOF.

Por isso, Marise, acreditava eu que o slogan estava correto. Errado está o rumo do Governo. Prefiro que se mantenha o slogan e corrija-se o rumo. Sem ironia.

Beijão pros dois.

El Cid disse...

Felicito a doutora Marise Morbach pelo comentário oportuno e esclarecedor a respeito do slogan do governo do estado “Terra de direitos”.
Algumas vezes utilizei o slogan para criticar fatos, atitudes e omissões do governo da Ana Júlia. Realmente este slogan contrasta com as diversas mazelas que ocorrem em nosso Pará.
Obrigado pela aula.

Anônimo disse...

É, a doutora pelo que vejo não é GRADUADA em Comunicação, portanto não deveria ministrar a matéria base do Curso TEORIAS DA COMUNICAÇÃO, somente um JORNALISTA OU PUBLICITÁRIO OU RELAÇÕES PÚBLICAS poderia fazê-lo. Ela poderia sim ministrar outras disciplinas que não as disciplinas bases do Curso, como Sociologia da Comunicação e outraas...

Coisas da Unama.

Anônimo disse...

Além do mais, dona Marise é uma soberba editora de tevê. Soberba!

Anônimo disse...

Seu amigo Bacana não pagou os donos de bancas de revista nas cinco edições anteriores e agora a associação deles resolveu romper com o pilantra. Voce que não é o IVCral apure e publique.

Anônimo disse...

“Terra de Direitos”. Esse slogan nem representa a ação mediadora do governo para equacionar os conflitos agrários, nem tampouco concorre para a percepção de que essa ação exista como fato concreto de eliminação dos demais conflitos sociais.
Se a intenção era trabalhar a comunicação como instrumento mitigador do conflito no campo, acabou passando uma mensagem mais ampla (provavelmente essa era a intenção, sair do particular para o geral) sobre a ação do governo e isso complicou sua imagem diante da falta de algo palpável, real, concreto.
Esse slogan transformou-se em comunicação inócua e com efeitos inversos ao seu pressuposto de criar imagem positiva do. Um tiro no pé. Como se sabe que a violência no campo não regrediu - muito pelo contrário -, no meio urbano é que não intermedeia absolutamente nada e agrava a imagem do governo diante dos cenários, ocorrências e eventos negativos como os assassinatos chocantes, cuja vítima mais recente foi é o médico Salvador Nahmias.
A publicidade do governo precisa mudar urgentemente se quiser criar uma imagem positiva a tempo de salvar a governadora do fogaréu eleitoral de 2010. Mas, a esta altura do jogo - que já entrou no segundo tempo e caminha para o último terço do tempo total - é de se duvidar que alguma comunicação possa ser eficiente, eficaz no último terço do mandato da governadora Ana Júlia, a ponto de mudar a imagem dela e do governo já consolidada como ineficiente.
Criaram um monstro de comunicação, materializando elementar lição de que a comunicação não nasce do nada, ao contrário, trabalha com fatos concretos, verdadeiros, reais e sobretudo honestos. Quem trabalha com o inverso disso mais cedo ou mais tarde paga o preço. Ana Júlia já está pagando; sua imagem é péssima não exatamente na mídia, mas na opinião inclusive de quem votou nela acreditando que mudaria alguma coisa (só os ingênuos pensaram assim e se deixaram levar pela propaganda).
A verdade é a matéria-prima não só da comunicação, mas da moral do homem. Tudo se torna tão pequeno diante dela que mesmo que o governo faça não se acredita. É isso que acontece quando a ética é rasgada. O mestre Cláudio Abramo deixou uma lição básica e lapidar para os jornalistas, que pode ser extrapolada para qualquer área da atividade humana – a propaganda, por exemplo: Se o carpinteiro acerta com o cliente entregar a cadeira, bem acabada, de madeira de lei, no prazo e pelo preço acertado, ele entrega. Ao contrário, é falta de ética. Se o governo prometeu uma “terra de direitos”, deve garanti-los de maneira eficiente. Se assim não faz, falta com a ética; mente; entrega produto nenhum por um preço alto para o erário e excessivamente caro para a sociedade. No fim, o governo divulga coisas que não faz usando uma publicidade mentirosa, que falseia com a verdade, invertendo o sentido daquilo que ela própria criou; a mensagem às avessas, o que é bem mais grave do que a ética não exercida pelo carpinteiro.
Mas os efeitos desse slogan era crônica de morte anunciada, sabendo-se como sebe que a comunicação do governo nasceu cheia de problemas, quase natimorta. E, por isso, não poderia produzir nada mais eficiente, posto que é uma comunicação marcada por uma ideologia tão ultrapassada quando ineficaz para a sociedade.

Anônimo disse...

Li, reli e percebo paradoxos. Vamos ver: "é um slogan que representa ações governamentais focados para a resolução de conflitos fundiários. Nessa dimensão é um eficiente slogan político". Depois diz que "ele aumenta a percepção dos indivíduos sobre as áreas de maior fragilidade ..." e sentencia também a impossibilidade - incrédula você, menos, menos - de resolução de conflitos. "e aí perde toda ... eficência publicitária". E considera estratégica a substituição de um slogan que gera consciência. A função publicitária é informar e não esconder. Essa prática de esconde-esconde é antiga, superada, obsoleta, Doutora Mestra Marise, não fica bem na comunicação, na ciência política, nem na casa de ninguém. A senhora acabou de dar grande apoio ao slogan porque qualquer coisa que gere consciência é um grande ganho de eficiência de comunicação. Se gera consciência, tirá-lo por quê? Responda essa. Depois a gente conversa ... eheheh

Anônimo disse...

muito boa a provocação deste debate
muitas peças do governo do estado não citam claramente o GOVERNO DO ESTADO, umas falam em governo popular, Pará, terra de direitos, etc
Na percepção popular, 3 marcas disputam espaço e preferencia, a prefeitura, o governo do estado e o governo federal. é preciso deixar claro quem é quem. Qualquer um pode se dizer governo popular e desperdiçar comunicação. Comunicação não é o que tu falas, mas o que o público entende. O posicionamento ideal para este governo Ana Julia, seria governo do estado mudança para melhor ( não que o governo esteja mudando o estado pra melhor, mas deveria ser uma declaração de principios e uma busca diária da gestão

CJK disse...

Égua, quanta gente procurando distorcer o texto, que é de uma clareza solar. Mas, pelo menos, os (nem tanto) anônimos vieram debater e apresentar as suas ustificativas. Embora não consigam chegar aos pés da luminosa inteligência da Dra. Marise.

Anônimo disse...

Como aparecem mal os defensores do slogan criticado pela professora.
Qual seria a razão?Será impossível debater com o mesmo fundamento,equilíbrio e educação que ela manifestou?
Sem deboches,com argumentos.
Ou o respeito à crítica nos termos respeitosos em que foi feita não vale nesta terra?

Marise Morbach disse...

Anônimo das 12h48, vou responder a cada item da sua tola provocação para, talvez, expor a fragilidade de uma argumentação vazia. Não verifico nenhum "paradoxo" na minha argumentação, sequer "paradoxos".
Quando observo sobre as significações produzidas pelo slogan Terra de Direitos não o faço com a intenção de propor que o Governo do Estado oculte os problemas, nem estou negando a importância de trazê-los à luz. Nem uma coisa, nem outra. Governos eleitos pela representação pública devem se comunicar, passada as eleições, com os cidadãos. Estes não se constituem em grupos homogêneos, nem são, todos, filiados aos partidos políticos ou militantes. Não possuem a mesma renda, a mesma escolaridade, tem idades diferentes, tem preferências, desejos...
Alguns estão mais expostos à criminalidade, outros menos. Muitos são massacrados em conflitos agrários, outros nunca foram às àreas nas quais estes conflitos acontecem. Enfim, as diferenciações são extensas.
A publicidade oficial tem, entre tantas funções, a função de prestar contas de suas ações aos milhares, milhões de cidadãos. Mas, entre as funções que mais aproximam a publicidade do poder político, uma é fundamental à competição pelo poder político: a função persuasiva. Daí que não há nenhum paradoxo em adequar propostas de governo às linguagens e aos publicos-alvo das políticas. Daí que não há nenhum paradoxo em afirmar que o slogan Terra de Direitos tem grandes qualidades políticas quando adequado a contextos políticos específicos.
Gostaria que você me respondesse a uma simples questão utilizando para tal os argumentos com os quais você descreve o meu paradoxo: quais são as intenções do Governo de Ana Júlia Carepa: continuar na competição eleitoral com um projeto de hegemonia política para além dos próximos dois anos, ou constituir-se como um governo que, em seu período de existência, atendeu as demandas sociais e jurídicas daqueles que demandam por direitos nos contextos dos conflitos agrários? Será que tem algum paradoxo nesta questão?

Anônimo disse...

Excelente este debate, e muito necessário como reflexão sobre a ação governamental. Parabéns ao Juvêncio e a Marise, que é, sem dúvida, uma excelente professora.

Juvencio de Arruda disse...

Obrigado por seu comentário.
Tento ser um aplicado aluno da professora.

Juvencio de Arruda disse...

É, das 12:14, vc insiste no deboche, no sofisma e na tergirversação.
Pena que um simples conceito não possa ser discutido direito, com quem de direito.
Mas vou lhe dar mais uma chance: vc mete a careta, se identifica, pessoalmente ou por telefone, e aí a conversa continua.
Simples, rápido, indolor.
Nesta seara que vc "se acha", é que a gente trabalha e estuda. E muito.
Aceite o convite.