12.12.08

Os Bastidores do Show

O blog só voltará a ser atualizado após as 13:00 h. Enquanto isso, fiquem com o comentário do produtor Luiz Guilherme Costa, o Luizão, responsável pela vinda de Edu Lobo à Nova Déli no final da semana que passou. Experiente, Luizão já trouxe inúmeros shows em mais de 30 anos de carreira. E conta pros leitores do Quinta, o que rolou nos bastidores do show de Edu.

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Meu caro e velho amigo de guerra Juvêncio. Tudo bem?

Agradeço a nota de divulgação do show do Edu Lobo, em Belém, no teu Blog. Mas, tenho um comentário crítico ao ser humano Edu Lobo. Nada sobre o músico, compositor de obras primas. Conheci pessoalmente Edu Lobo, em 1978, no projeto Pixinguinha ao lado do quarteto vocal Boca Livre no Teatro da Paz. Eu era funcionário da Secretaria de Cultura, lotado no Teatro, como técnico de som, entre 1977 e 1984. Hoje estou na Funtelpa - Rádio Cultura FM. À época, profissional, não tive contato pessoal com o grande Edu. Porem, tornei-me amigo do grupo vocal Boca Livre, em início de carreira.
Trinta anos após, eu e o pessoal do Boca, somos irmãos e amigos. Admiro-os, não só pelo trabalho mas, pela personalidade, caráter, humildade, simplicidade e dignidade dos verdadeiros artistas, Maurício Maestro, Zé Renato, David Tygel e Lourenço Baeta. Considero a formação do Boca Livre interativa e perfeita.
Ano passado, sonhei trazer o Boca Livre e Edu Lobo, juntos, pra realizar um show em Belém. Não deu certo. Apenas o Boca Livre veio ao Teatro da Paz. Ali, no mesmo lugar que consagrou Edu e Boca, no show memorável de 1978, que lotou os 850 lugares do Teatro da Paz, o Boca fez a platéia delirar relembrando, 30 anos passados, o grande sucesso que o grupo alcançou. Os agradecimentos ao público que nunca os esqueceu tinham reconhecimento. Esses são os verdadeiros artistas! Não esquecem o seu público. Não escondem o rosto com a máscara fria da fama.
Pois bem, o sonho continuou. Com coragem, eu e alguns patrocinadores e parceiros decidimos trazer Edu Lobo, meu ídolo até então, para uma apresentação em Belém, acompanhado dos seus músicos maravilhosos. Durante 3 meses enfrentamos todas as dificuldades. Não desistimos. A paixão pela obras primas do cantor e compositor não deixou que desistíssemos.
Trouxemos Edu Lobo. Realizamos o velho sonho.
Das mordomias exigidas no contrato a única não cumprida foi o Hotel. Solicitado um hotel 5 estrelas entrei em contato com a produção e pedi ajuda na troca por um 4 estrelas (Regente Hotel), onde tínhamos apoio para pagamento das diárias. A produção questionou, mas aquiesceu. Sexta feira, 05 de dezembro de 2008, lua crescente, Dia Internacional do Voluntário, 14:00, Aeroporto Internacinal de Val-de-Cans, eu, Luizão, estava preparado para receber o consagrado Edu artista e sua equipe, nos respectivos transportes exigidos em contrato: uma van e um carro executivo.
Diante do ídolo, ao lado da sua produtora, apresentei-me e, entusiasmado, relembrei a histórica data no Teatro da Paz, 30 anos passados. Meu contratado artista resmungou 3 palavras e entrou no automóvel. Os músicos que o acompanham entraram na Van. No Hotel Regente, a primeira confusão. Meu ídolo não gostou da “espelunca”, palavras da simpática produtora, Hotel Regente. Caprichoso exigiu o Hilton. Apesar da aquiescência anterior nós, agora, concordamos em mudar a acomodação da estrela.
De forma solerte e capciosa, só soubemos após, a produtora, nervosa e ladina, acomodou o seu melindroso artista em Suíte Presidencial. Infeliz surpresa na hora de pagarmos a conta.A estrela máxima, Edu Lobo, recusou-se, através da sua delicada produtora, de qualquer entrevista com a imprensa. Um dos motivos seria o elevado desgaste que o compositor sofrera quando precisou deslocar-se do Regente ao Hilton. Devemos considerar que a nossa maravilha não carregou as bagagens.
Pensei na quantidade de músicas bonitas do Edu, olhei aquele rosto bochechudo e simpático de menino sereno inteligente e cai na verdade do ostracismo que ele habita. O sucesso só é perene aos simpáticos. Mesmo compositores e músicos que vivem de trabalhos passados.
O show foi bonito. Muita gente. E no final uma ducha: Edu só voltou ao palco para o bis – e olha que a massa gritava, pedindo – por interferência da simpática produtora que transmitiu ao pé do ouvido do bardo o que todo mundo pedia. E ainda assim, nossa estrela melindrosa voltou ao palco exibindo um sorriso sarcástico e cínico de desprezo ao público.
Edu Lobo passou 30 anos sem vir a Belém. Ao voltar comportou-se como bicho do mato. Belém é quente, também do calor das pessoas. O povo não fede.
A obra do músico Edu é irretocável.
O comportamento do humano Edu Lobo é deplorável.
Continuamos fãs do artista, mas é melhor que o escutemos somente através de gravações.
Um abraço.

Luizão

21 comentários:

Lafayette disse...

E de preferência, baixadas em mp3, em algum site grátis. réréré...

Anônimo disse...

Sinceramente, eu prefiro ouvir os belíssimos graves de Maca Maneschy do que esse Edu Bobo.Não ouvimos o conselho da música..." O Lobo também faz papel de bobo" hehehe...

Anônimo disse...

E eu que achava que ele era brasileiro de estatura mediana........
Tadeu

Anônimo disse...

Achava que esse tipo de comentário de backstage só rolava entre amigos, escancarar pra todo mundo ler além de não ser conduta profissional, é meio infantil, soa a vingancinha. Edu Lobo pode ser um idiota, mas não vejo nada demais no que ele pediu. O Regente é uma espelunca mesmo, e no contrato teria que ser um 5 estrelas, ou seja, não pediu nada além do combinado. Quanto a seu desprezo, bem, que se dane e não venha mais ganhar dinheiro dos bestas que ainda pagam pra ver artista em fim de carreira.

Alessandro de Melo

Anônimo disse...

Caro Juvêncio:
O Luizão foi correto, polido e até educado com o comentário sobre o Sr. Edu Lôbo.Todavia, cumpre à platéia, fazer a observação de que tratou-se de um show caça-níquel, em franco desrespeito ao Pará e aos paraenses, que pagaram em moeda sonante para assistir algo pífio e desnecessário. Duvido que o Sr. Edu Lôbo tivesse tal atitude em qualquer outra latitude do Brasil, especialmente no eixo Rio-São Paulo, pois seria torrado na hora pelos jornalões e jornalzinhos, incluídos aí os Cadernos B da vida.
O Sr. Edu Lôbo, só é lobo nesta planície aqui, nas outras é cachorrinho da casa, mansinho de rabo abanando.
P.S.
Pode ficar mais 30 anos sem vir aqui,e, quando voltar nem precisa cantar.
RENATO MINDELLO
advogado

Anônimo disse...

O Edu nunca foi de circuito alternativo como o Boca Livre, mineiros em Geral e nordestinos do circuito Nilson Chaves, que o o Luizão está acostumado a produzir aqui em Belém.
O Edu é diferente. É, sem dúvida, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, e , assim como o Chico Buarque, não gosta de fazer shows.
Tentar colocar o Edu no Regente foi muita inexperiência do nosso querido Luizão.

telmachristiane disse...

Concordo com o Lafayette. Eu tenho pena são das pessoas que trabalham com essas estrelas...coitadas.
Um abração seu Juvêncio.

Hiroshi Bogéa disse...

Rsrsrs É iso aí, Lafayette.

Bia disse...

Juca querido e Luizão:

que pena. Tenho Edu como um dos meus ídolos, embora sempre o considerasse uma pessoa acanhada e presumia, tola eu, timidez.

Lendo o relato, alguma coisa se quebra na minha memória de afeto por ele. Penso que mesmo que a positiva influência do Chico tenha lhe feito bem, Edú deve olhar de muito longe, da vidraça de algum apartamento, o Circo Místico que tão bem ajudou a descrever.

Como a idade me permite alguma radicalidade, ainda não sei se terei prazer em ouví-lo. Não espero que os artistas sejam mestres de boas maneiras, arautos da simplicidade ou da singeleza. Mas dou-me ao luxo ultimamente em não gostar de meio-caráter.

Abraços pros dois.

Itajaí de Albuquerque disse...

Artistas e políticos com mais de 1 milhão de votos não são pessoas "normais". Quem tiver isso na cabeça tem menos risco de se aborrecer. Penso também que houve ao menos duas imprudências correlatas: a primeira a produção mudar de Hilton para Regente e depois a empresária de Edu Lobo não checar previamente o hotel para onde estavam levando o cantor/compositor. Fico pasmo, contudo, que tenha sobrado para a platéia. Coitada, nada tinha com o desacordo vivido entre o produtor, a empresária, o artista e a banda. Pena que não teremos a versão do contratado por aqui, que seria sem dúvida interessante.

Anônimo disse...

Égua! um conjunto do autêntico carimbó de Marapanim, com aquelas belas dançarinas vem aqui em Belém por Trezentinho, em kombi.
Deixa esse mal-educado prá lá ecurtamos cada vez mais nossas músicas e nossa gente, humilde, educada e talentosa.

Jorge Alves

Anônimo disse...

A verdade é que certos artistas exigem demais. Qual o problema de um hotel 4 estrelas? Por um acaso ele queria defecar em um vaso de ouro?
Ele, sim, é um dos maiores músicos do nosso país e contribuiu para o acervo espetacular de nossa música popular, mas é muita "frescura" esse tipo de coisa...
Prefiro continuar ouvindo meus vinis...

El Cid disse...

Existem dois seres distintos em cada artista (há exceções). Aquele que se apresenta na tv e grava cds e o que se apresenta em shows em outros centros que não sejam os grandes.
O primeiro se desdobra em simpatias e bom humor mostrando apenas o seu lado bom e o segundo, que mostra o seu lado real, onde arrogância e prepotência se unem ao desprezo e falta de educação com o seu público.
Já há algum tempo, prefiro apenas ouvi-los, e vê-los somente em dvd, é melhor assim. Não presencio grosserias e não me aborreço com a boçalidade e falta de respeito com seus fãs. E como diz a “Bia”, a idade nos faz seletivos e exigentes.

neymessiasjr disse...

Juca,
quero poder entrar nessa discussão é poder aliviar o coração do Luizão...Amigo,esse maluco fez pior com o filho dele, há 2 semanas, no teatro Rival,no Rio.E se faz o que fez com o filho,imagina o que não é capaz de fazer comigo,contigo e com o Luizão.
Eu fui fazer um vídeo para a MPB Fm, do Rio de Janeiro.Eles tem um programa chamado Palco MPB, gravado ao vivo , nas segundas no Teatro Rival.Estava eu, no Rival, fazendo o vídeo para o show do Bena Lobo,filho desse Edu Lobo Mau, quando o próprio entrou no camarim e em voz alta falou pro filho na frente de todo mundo; "olha,só estou aqui porque sou teu pai.Se fosse por outro em desmarcava essa P....".Foi um constrangimento geral.Ele entrou no palco,cantou muito a contragosto uma mísera musiquinha e foi embora
Esse é o Edu Lobo,meu caro Luizão
Ney Messias Jr

Lafayette disse...

Égua, Jorge Alves, você tem toda razão.

Sou mais o Arraial do Pavulagem e os mestres de Bragança e de Cachoeira, no Marajó!!!

O Edu Lobo é muito bom, mas, como diriam minhas sobrinhas:

-Tio, quem é esse tizinho aí?

Val-André Mutran disse...

Show em Marabá no Fecam. Show em Belém no Bolero. Ambos produzidos pela minha ex-mulher.
Artista: João Bôsco.
Exigência: meia dúzia de côcos gelados.
Equipe: Ele, a empresária e seu violão.
Comportamento: um dos mais extraordinários ser humano que tive o privilégio de conhecer.
Ouçam JB no disco "Cabeça de Negão". Uma das mais espetaculares obra-prima da MPB.
Quanta diferença heim Luizão?!

P.S.: Trabalhamos juntos por curto período no La Cage. Lembra Luizão?

Anônimo disse...

Prezados:
Sem querer criar polêmica, mas em respeito aos fatos, digo que estava na sexta-feira passada no Manjar das Garças quando o empresário chegou à nossa mesa e disse que o Edu Lobo não viria almoçar no restaurante e que ele, empresário, estava saindo apressado do almoço (junto com o conjunto musical) para fazer a mudança do artista para o Hilton porque o Regente estava em obras e fazia muito barulho no hotel. O empresário disse que o Edu Lobo aceitava muita coisa, menos barulho. Precisava descansar e dormir para poder se apresentar bem. O empresário deixou o Manjar como se estivesse consciente de que a mudança era uma chateação (além de repercutir no orçamento), mas compatível com a qualidade do artista e a natureza da sua função. Não parecia capricho de prima dona. Não sei o que houve depois nem fui ao show (também prefiro o aconchegante vinil). Apenas relato um fato do qual fui involuntária testemunha. Fato que pode ter sido vencido pela evolução posterior dos acontecimentos, que provocou o desabafo do empresário. Se a coisa evoluiu para pior em seguida, ou involuiu, justificando o desalento e o protesto do empresário-fã, nada sei. Sei que eu, minha geração e várias outras gerações têm uma dívida de gratidão irresgatável com esse grande compositor e cantor, filho de outra grande figura, Fernando Lobo. Edu seria grande em qualquer lugar do mundo, um artista singular. Azar o dele de nessa época haver tantos gênios musicais no Brasil, mais ao gosto da maioria, ou mais geniais. Lembra-me a "mala suerte" de Dudu e Ademir da Guia, aquele meio-de-campo fantástico do Palmeiras (como corinthiano, sou insuspeito), que não teve o reconhecimento devido porque jogou quando brilhavam Didi, Gerson, Zito e outros gênios no meio de campo do futebol brasileiro. O empresário terá seus justos motivos para o desabafo e o protesto. Mas se tudo que disse procede, tudo que disse não anula algo ainda mais importante e superior: Edu Lobo é um patrimônio valiosíssimo da cultura brasileira. Está acima das misérias circunstanciais, incluindo a própria. No fundo, acho que o empresário-fã pensa o mesmo. Que as pedras atiradas contra ele sejam incorporadas à trilha brilhante pela qual ele continuará a seguir até a imortalidade, mais do que justa: conquistada com talento excepcional. Grande abraço, Lúcio Flávio Pinto

Rz disse...

Não sei não gente, mas eu fiquei muito triste com o ambiente onde o espetáculo do Edu Lobo foi realizado e também com o comportamento do público: péssima acústica, iluminação horrível, um trança trança de gente indo aos banheiros, bebendo, FUMANDO (!!!), garçons para lá e para cá, barulho de máquina registradora que não parou um só momento. De arrepiar para qualquer artista que se preze! De onde eu estava presenciei um momento estressante com um sujeito que parecia estar bem "alto".
Quando cheguei, meu lugar estava ocupado por uma pessoa que tinha obtido uma cortesia. Tudo se resolveu, mas ouvi comentários que eu não era a única a ter problemas do gênero.
Parecia que estávamos em um pé sujo de quinta categoria e olhem que eu não tenho nada contra pé-sujos.
Edu Lobo pode ser ranzinza, estrela, mau pai, sei lá, mas as condições do espetáculo foram péssimas!
Nunca mais me pegam para uma de$$as.

Anônimo disse...

Juvencio Arruda,

Inicialmente, parabéns pelo seu blog.
Não quero entrar no mérito das razões que levaram o empresário a repudiar o comportamento de Edu Lobo. Contudo, parece-me extremamente anti-ético, trazê-lo a público, emitindo juízo de valor, de formar a depreciar o artista por ele contratado, e tão propagandeado dias antes. Com atitudes como essa, outros artistas deverão pensar 2 vezes antes de acertar um contrato com o referido empresário, e, por extensão, antes de aceitar se apresentar em Belém.

Grato pela atenção,

Kleber

Juvencio de Arruda disse...

Obrigado, Kleber, mas não creio que a opinião de Luizão possa trazer-lhe, ou à cidade, algum tipo de prejuízo.
É muito mais comum do que se pensa o stresss entre produtores de shows e artistas. João Bosco, por exemplo - outro mestre - que não causou problemas aí em cima para Val-André, deu muito trabalho a seu produtor santareno, Guilherme Taré, uns quatro anos atrás.
Eu já produzi tres show, no final dos anos 80, com a cantora Tetê Spíndola e o Duo Fel. Ficaram seis dias em Nova Déli. Figuras especialíssimas que só me deram prazer.
Grato por sua participação.

Anônimo disse...

Juca!
Acho que estão criando celeuma onde não existe.
Como diria Ortega, "Eu sou eu, e minha circunstância". Se tal pensamento vale para nós, por que não para Edu Lobo, João Bosco, Pinduca, etc?
Ademais, nunca esqueçamos que certos cidadão, principalmente os "artistas", são figuras excêntricas.
Todos sabem que RC, exige toalhas brancas, lençóis azuis e pede que não tenha cores escuras no camarim (corrija a tonalidade se estiver errado). Já o Zeca Pagodinho, no primeiro show que fez em Belém, no extinto olê-olá, pediu garrafas e garrafas de whisky e grades de cerveja (eu presenciei as exigências, ninguém me disse ... isso sem falar no seu medo de viajar de avião).
Esses são alguns exemplos. Mas sabemos de inúmeros outros.
O que tem de mais exigir um hotel 5estrelas, com perfil de 4, tipo o Hilton? E não esqueçamos que o Regente se for 4 estrelas, tem o perfil no máximo de 3 estrelas). Sem falar nos apartamentos que são mínimos.
Mas não quero adentrar no mérito, apesar de já ter me alongado.
Só acho que, como disseram alhures, o fato é uma discussão que não vai levar a qualquer lugar, pois o Luizão continuará a produzir e o Edu Lobo continuará a dar show (literalmente) ... e esporros (rsrsrs).
Abs.,
O Vigiador.