4.2.09

Mais Um Adeus

Mino Carta acaba de se despedir, mais uma vez, de seus leitores. Do blog , promete ele, definitivamente, e da Carta Capital por algum tempo.
Sai infeliz, ouviram camaradas?

23 comentários:

Anônimo disse...

Bem que ele tentou, persistiu e defendeu. Mas, a decepção e a crueza da realidade foi maior.
O discurso é muito bonito, mas já está mais do que comprovado que a prática daqueles que ele defende é a pior possível.

Juvencio de Arruda disse...

Permita-me um reparo, não é a pior possível.
É, possivelmente, muito parecida com as anteriores.
E é possível que coisa semelhante esteja a caminho.
A decepção de Mino é exatamente esta constatação.

Anônimo disse...

A desilução é um resultado quase óbvio daqueles que um dia sonhou.

Anônimo disse...

Por isso mesmo, Juva. "É, possivelmente, muito parecida com as anteriores." Só que nós já sabíamos disso, não era segredo nenhum. Bem pior, foi enganar de forma abjeta aqueles militantes ferrenhos e honestos que deram o sangue imaginando dias melhores. E, sinceramente, Juva, a situação está bem mais pérfida.
É desilusão da década! Ver um partido se despedaçar por interesses escusos e particulares.

Bia disse...

Boa tarde, Juca querido:

pela responsbilidade que carrega e tem, Mino não pode mesmo, como eu, manter um blog para denunciar sua amargura. Vamos sentir falta do italiano e das suas italianices, às vezes eivadas de personalismo, mas sempre, sempre, honestas.

Este post e os dois comentários sugerem o que tenho constatado nos blogs, na imprensa mais ou menos livre, entre amigos: um vírus nos contamina, abate e desestimula.

O Governo Lula não vinha para continuar, repetir ou referendar nada. O mesmo se pode dizer do atual governo do Pará. Não foi isso que nos prometeram.

Lá e cá as campanhas vendiam a idéia de que os que estavam no poder é que não faziam a coisa certa. Que as condições objetivas existiam, que bastava vontade política ou que quer que quisessem chamar.

Aí deu-se a "melódia". Lá e cá. Em 2002 lá, com o meu voto,inclusive. Voto fiel, cnsciente, esperançoso sem ser babaca ou fantasioso.

Passado o período mais que justificável da acomodação, da apropriação do funcionamento da máquina, das "limpezas" políticas -sim, porque ideológicas eu quero saber quem fez!- o deus-nos-acuda tomou conta de todos.

E as desculpas começaram a fluir, com a mesma sem cerimõnia com que nas campanhas nos prometeram um novo país ou um Pará pleno de direitos.

As desculpas ou justificativas todos as sabemos: variações em torno da herança maldita. E depois, começa a variação da variação, do tipo "Ah! mas eles faziam pior.." "Hum!!! mas os tucanos roubavam mais..." , "Ora, mas o governo anterior gastou mais, contratou mais.." como se os governos petistas tivessem proposto que seriam um pouquinho melhores,ou um pouquinho mais éticos, ou um pouquinho mais honestos, ou um tiquinho mais eficientes.

Caramba!

E, muitos de nós, perderam a coragem de meter o dedo nesta ferida, encolhendo-se, envergonhados porque seus eleitos não realizaram o que nos gostaríamos que realizassem, tristes porque depositávamos esperanças nas mudanças, amargurados porque elas não se fazem reais.

Confesso que eu também me deixei abater um pouco pelo virus da vergonha, mas reagi rápido. E quando vejo este governo do estado chinfrim, desonesto em princípios e ações, não tenho nenhum medo de dizer que ele não é pior em relação aqualquer coisa: ele é péssimo em relação ao que se compromeuteu a fazer. E Mino, ao referir-se às decepções com o Governo lula, só reforça o que ele faz com muito mais propriedade do que eu.

Acho que o Mino transpirou essa amargura nos últimos dois anos, a mesma que me abate aqui.

Não pela origem - oriundi que somos - mas pelas razões, das quais retiro só dois dos seus parágrafos -

" O balanço de seis anos de Lula no poder não é animador, no meu entendimento. A política econômica privilegiou os mais ricos e deu aos mais pobres uma esmola. Há quem diga: já é alguma coisa. Respondo: é pouco, é uma migalha a cair da mesa de um banquete farto além da conta. O desequilíbrio é monstruoso. Na política ambiental abriu a porta aos transgênicos, cuidou mal da Amazônia, dispensou Marina Silva, admirável figura, para entregar o posto a um senhorzinho tão esvoaçante quanto seus coletes.
A política social pela enésima vez sequer esboçou um plano de reforma agrária e enfraqueceu os sindicatos. E quanto ao poder político? O Congresso acaba de eleger para a presidência do Senado José Sarney, senhor feudal do estado mais atrasado da Federação, estrategista da derrubada da emenda das diretas-já e mesmo assim, graças ao humor negro dos fados, presidente da República por cinco anos..."

Lamento profundamente a sua ausência da mídia. Mas bato palmas!

Beijão, querido.

morenocris disse...

nunca bato palmas aos covardes.

beijos.

Anônimo disse...

Jamais bateria palmas aos pelintras. Mas, admiro quem assume o erro e muda suas opiniões e valores como melhoria. Bem pior, são os ainda tentam defender a canalhada.

Bia disse...

Querida Cris,

se entendi seu comentário e se você classifica de covarde a posição do Mino Carta, surpreendo-me com a sua manifestação.

Surpreendo-me por ser você e pelo seu alvo, Mino Carta, um atuante, pertinaz e honesto - ao assumir sempre claramente um jornalismo de opinião e não de "informação" - jornalista.

Não entendo como chamar de covarde quem sempre combateu e que agora, quem sabe extamente para não ser munição para o inimigo, silencia. Para não expor seus amigos e aliados. Este papel ele reserva a outros. Com toda a dignidade.

Beijo, querida.

Beijão, querido.

Beijão, Juca.

morenocris disse...

querida bia, imagine se o lúcio resolve fazer a mesma coisa. imagine, querida amiga. e se essa moda pega? heim? por que ele vai se calar agora? vem batendo na mesma tecla faz tempo e daí, do 'nada', resolve sair do blog e da revista. resguardar a quem? a que? quem quer cometer suicídio não sai gritando aos quatro ventos. engraçado que ele sempre chamou a imprensa 'nativa' disso e daquilo. bah... e agora vem com esta. um bom jornalista, penso cá, com os meus botões, sabe trabalhar nas entrelinhas, metáforas. estou profundamente magoada com ele. profundamente. tanto que nem consigo me explicar direito. mas o conceito dele caiu muito para mim. na carta capital da semana passada, a gente com o fórum aí para ser aberto e discutido, e a revista reserva duas páginas para falar de uma zeladora de cemitério. assim não tem combate. hoje, ele resolve sair do ar. legal essa. muito legal. que esta doença esteja longe do juca, lúcio e outros combatentes. estou sendo radical? pois sim, claro, quando você espera sabedoria de um lugar que você sabe que tem e não sai, é pra ficar furiosa com o cara. é isso.

beijos.

Juvencio de Arruda disse...

Discordo, querida.
Todos tem direito de parar, querendo. Um dia a lida pode cansar mesmo.
Bjs

morenocris disse...

ah juca, velho guerreiro sempre será um velho guerreiro. precisa sair do ar com o blog? diga-me. você pára de vez em quando mas está sempre na lida. a situação é toda lemantável. temos muitos exemplos na vida de que a vida continua. continua. e continua.

beijos.

Bia disse...

Querida Cris,

compreendo seu desabafo e não o discuto.

Talvez porque eu sempre tenha tido reservas ao pedantismo do Mino carta, essa característica dele jamais me aborreceu. Procurei sempre louvar o que fiz acima: Mino é um dos raros jornalistas que diz claramente de que lado está. Assim como, muitas vezes, faz o Lúcio e é nesses momentos que ele é ainda melhor.

Há sempre um momento para parar, querida. Uns com dignidade, outros porque a esclerose não pode mais ser disfarçada..rsrsrs... e destes, conhecemos alguns exemplos.

Uns se dispõem a combater da forma que lhes apetece ou lhes é permitido. Outros conseguem superar entraves. Outros não. Exigem algumas condições objetivas e, especialmente, subjetivas, para continuar na trincheira sendo produtivos, propositivos, honestos consigo e com o leitor. Ao não terem essas condições, saem da trincheira. Ou vão combater outros combates.

Entendo o silêncio do Mino como ato de dignidade. Só isso. E respeito a sua opinião. Apenas a palavra "covarde" não me pareceu justa para quem se destinava.

Beijão.

morenocris disse...

bia, quer saber a verdade? a minha claro. isso tudo não passa de um blefe. uma jogada de muito mau gosto. vá lá ver. já são 190 comentários de súplicas. valha-me...santo ambrósio... rsrs vamos continuar por aqui, isso sim. deixa ele dá os seus lances idiotas.

beijinhos.

morenocris disse...

ah, acho que você me entende um pouco, porque gosto demais da blogosfera. muito mesmo.

beijinhos.

Anônimo disse...

Nas últimas semanas acompanhamos o que pudemos das articulações para as eleições no Congresso Nacional, e nesta última semana, com o fato consumado, eu pelo menos, me senti agraciada, com o artigo do amigo de faculdade Paulo Bemerguy no seu blog, e agora na Carta Despedida do Blog, do " maledito" Mino Carta. Um lá e outro cá, "falam por nós" quando expressam claramente os cenários desenhados neste país do século XXI as vésperas de uma sucessão presidencial. Uma cenário definido por práticas de sustentações políticas centristas, populistas, nefastas ao cidadão, sujeito a migalhas. Cenários repletos de personagens pernósticas, viciadas anos a fio, preocupadas com seus próprios interesses em detrimento dos do cidadão. São donos de guetos eleitorais não só no Nordeste, mas dentro das próprias Casas legislativas,e que sob o manto da hipocrisia são enaltecidos como guardiães da democracia. Contrariar este cenário é ser contra as "bolsas de migalhas". Como se esses apetrechos fossem sinônimos de educação, saúde, lazer e bem estar, serviços que nós cidadãos (TODOS) deveríamos ter acesso se este fosse de fato um país comprometido com a pobreza, com o desenvolvimento social, economico e político. Teríamos de volta em serviços nossos altos e muitos impostos sugados diariamente pelo poder público. As práticas desse Governo nos revolta. Natural que o mais brasileiro dos italianos tome decisões sob forte emoção. Quem conhece sua biografia sabe que ele não é de se aquietar. E não se aquietarar. Precisamos de muitos Paulos, Minos...
Abraços Fátima

Juvencio de Arruda disse...

Abs,Fátima.

adelaide disse...

é tão bacana quando as opiniões distintas conseguem sem ditas, escritas e desabafadas em alto e bom nível neh.
bj na cris, que conheço e acho gente muito boa.
bj na bia, que não conheço,mas tem jeito de gente boa.

sorry, juca, bj só pras meninas hj.
;D

Juvencio de Arruda disse...

rs..perfeitamente, Adê.

Anônimo disse...

Poxa, Adelaide! Os anônimos também amam.

Bia disse...

Axé, Adelaide:

as meninas agradecem. No que me cabe, inclusive pelo gentil "meninas".

Abração.

Anônimo disse...

É charme do Mino. Apenas uma metáfora para sua indignação. As girafas só deitam quando morrem, e ele está ainda bem vivo.

Lafayette disse...

Juva, pena o Mino sair da blogosfera...

...tudo bem, temos Bia e Cris!

:):):):):):)

Anônimo disse...

juvêncio, quando tu estiveres com a popularidade do blog meio em baixa anuncia uma saída estratégica. O Mino fez isso e já tem quase quinhentos comentários no post de despedida. Ai ai, só estratégia.