24.4.09

Direito do Cadáver

Entre tantos, a desembargadora Eliana Abufaiad, especialmente, vai adorar este post, no blog do Parsifal.
Já as pocilgas...

14 comentários:

Prof. Alan disse...

Juvencio, Mano Velho, fui a essa exposição em São Paulo. Levei meus filhos pra assistir. Ela é deslumbrante: nem de longe os cadáveres parecem com as bizarrices expostas nas pocilgas. É tudo muito técnico, ciência mesmo. Simplesmente maravilhoso. Aprendi mais sobre anatomia e fisiologia em duas horas lá do que no meu segundo grau todo!

O debate em torno dessa exposição na Europa surgiu depois que a empresa que prepara os cadáveres pra exposição foi acusada de usar cadáveres de prisioneiros chineses, sem qualquer comunicação ou indenização às respectivas famílias.

Juvencio de Arruda disse...

Mas é pra vc ver.
Há direitos no centro do debate.
E foi por isso, só por isso, que a exposição foi suspensa, até que esses direitos sejam atendidos.

Prof. Alan disse...

É porque na velha Europa o debate sobre direitos é algo comum, Parente. Não é à toa que a Alemanha monopoliza o conhecimento sobre direito constitucional moderno no mundo jurídico.

Já aqui, ao debater direitos você é acusado de tudo,ao sabor das vontades contrariadas: censura (se pedir o fim de abusos como os dos cadernos sangue), revanchismo (se cobra transparência na gestão pública), apoiador da baderna (se você defender os movimentos sociais), perseguição (se denuncia os malfeitos de algum político)...

Pinky disse...

Eu acho sensacional esse trabalho da exposição em questão. Há controvérsias, claro. Mas, voce vai à exposição se quiser. E se tiver dinheiro para vê-la (aqui no Brasil, pelo menos). Mas em relação aos jornais, quanto mais barato (em preço também), mais se usa a artimanha tosca de exibir sangue para chamar atenção dos leitores. Eu diria que a exposição é surpreendente, mas as fotos das "pocilgas" são deprimentes.

JOSÉ DE ALENCAR disse...

Prezado Juvêncio.


Vi essa exposição - com o nome em inglês, por supuesto - no centro comercial (los hermanos porteños não abrem mão de traduzir os as palavra de uso cotidiano) Abasto. O acesso era pela praça de alimentação.
O uso de cadáveres chineses causou polêmica.
Mas depois de ver os corpos - e até fetos - e vencida a estranheza inicial, a percepção que tive é de que se está diante de arte e ciência. É cultura, enfim.
Nada a ver com a subcultura dos nossos cadernos policiais.

Anônimo disse...

Os jornais exibem o sangue que é exposto pela sociedade.

Juvencio de Arruda disse...

De fato, caríssimo Alencar, nada a ver, senão a incidência de direitos a serem respeitados, diferentes, mas direitos.

Juvencio de Arruda disse...

As pocilgas exibem sua iontenções pecuniárias, e suas psicopatias.

Parsifal Pontes disse...

Olá Juvêncio,

Obrigado pela chamada.
De fato, a exposição é excepcional. A sentença, que eu ainda espero ter acesso, todavia, não contesta isto.
O que está em juízo é exatamente o direito do cadáver: com que direito os corpos foram manipulados? Quem autorizou a conduta?
Estes elementos a empresa não conseguiu levar à juízo.
Não podemos achar que o fato de estarmos pagando para ver, e só pagamos se quisermos - e só vemos se quisermos - descriminaliza a origem.
Foi exatamente por esta razão que os outros museus parisienses não aceitaram a amostra, mesmo sabendo que deixariam de faturar.
O centro do debate, portanto, não é a arte ou a ciência, ou restrições a elas: é a remanescência de um direito que não está sendo devidamente atendido.
O ser humano é bem mais que um corpo. E mesmo os corpos estendidos no chão têm direitos.

Obrigado,

Parsifal Pontes

Juvencio de Arruda disse...

Eu é que agradeço, deputado.
O (bom) debate sobre a decisão da desembargadora encorpa, difunde-se e diversifica-se.

Lafayette disse...

Acho que não se trata, no caso da sentença francesa, de proibição de divulgação científica como alguns comentaristas alegam. É outra coisa totalmente diferente.

O artigo do Parsifal destaca duas particularidades importantes na decisão: "princípio de direito do cadáver - a inviolabilidade do cadáver".

E a outra é que, o Tribunal determinou que, a decisão perde seus efeitos "...caso venham à vara os herdeiros legítimos dos cadáveres com suas devidas autorizações para o que deles está sendo feito."

Ou seja, direito há de expor, cientificamente, os cadáveres, mas com deveres a serem cumpridos, também.

E, entendo que há duas obrigações: 1) Dos expositores em apresentarem as autorizações; 2) E dos herdeiros, querendo ver seu de cujus fatiados e dissecados em prol da ciência, em autorizar, formalmente, tal disposição.

Ah, e antes de "dar idéia", lembro aos interessados que a lei brasileira PROIBE COMPRAR esta autorização.

Anônimo disse...

Não dêem idéia aos jornais. Vão dizer que as fotos dos cadáveres nas capas é uma concepção artística dos repórteres fotográficos em cima da realidade da cidade. (se bem que se for isso, ô arte ruim, não merece exposição nem no Iguatemi - epa, isso já aconteceu).

Anônimo disse...

Juva, eu acho que essa sua aproximação com o deputado Parsifal Pontes não irá lhe render bons frutos. Toma cuidado, ele é espertissímo e, está usando o seu blog para passar uma imagem pessoal, que não ilustra o seu verdadeiro carater. Seja sábio perante essa aproximação.

Juvencio de Arruda disse...

Agradeço seus conselhos, das 4:47, mas permita-me formar minha própria convicção sobre o caráter do depuatado Parsifal.
Aqui neste blog ele se comporta mutíssimo bem. Expõe suas idéias, debate as questões e traz importantes contribuições aos debates, embora não concorde com todas. Assim como ele não concorda com alguns termos que uso.
E importante: assinando embaixo do que escreve.
Curiosamente, encontrei-o casualmente ontem á noite, quando pude lhe agradecer, na presença de outras pessoas, a solidariedade que me prestou no caso da ação que me move a família Sefer.
Muitas pessoas podem pensar que outras se utilizam deste blog para se promover.
Permitam-me discordar. Este blog não projeta ninguém, senão é projetado pelas pesoas que aqui acorrem.
Parsifal tem muita exposição pública, não precisando deste blog para tal fim.
Ademais, não busco "frutos" em minhas "aproximações".
Já tenho muitos colhidos ao longo da vida, todos intangíveis.
Nada tenho a oferecer ou pedir ao deputado.
Portanto, reiterando meu agradecimento por seu comentário, desejo-lhe um ótimo final de semana.