26.4.09

Ou Eu, Ou Ele

A dra. Mary Cohen, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA, recebeu o ofício abaixo.

À
Dra. Mary Cohen,
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PA

Senhora Presidente,

Li o artigo do advogado Paulo Barradas, que se auto-intitula vice-presidente dessa Comissão de Direitos Humanos, publicado no jornal “O Liberal” do dia 25 de abril do presente ano, denominado “o Pará em clima de guerrilha”, abordando o clima tenso envolvendo o MST e proprietários rurais no Pará, deixando claro que estavam “de um lado, o MST – que existe com o único objetivo de cometer o crime do art. 161, inciso II do Código Penal (esbulho possessório) – e, do outro, os proprietários rurais que pagam impostos, produzem riquezas, fazem circular impostos, produzem, fazem circular produtos e criam empregos”. Enfim, de um lado os bandidos, de outro, os mocinhos.
No desenvolvimento do artigo, o advogado continua com seu pensamento contrário ao movimento dos trabalhadores, inclusive fazendo sérias acusações contra o mesmo tipificadas como crimes, o qual pode ser responsabilizado por isso.
Segue com outros argumentos - reacionários e conservadores - criminalizando o MST, taxando o Estado do Pará de omisso e, claro, exaltando os grandes proprietários de terra.
Senhora presidente, não vou perder meu tempo contradizendo esse cidadão – já que encaminharei um contraponto ao próprio jornal, inclusive ressalvando o respeito aos verdadeiros produtores deste Estado, no qual se enquadram alguns proprietários de terras.
Por oportuno, ressalto que ele – o advogado - pode, e deve, expor seus pensamentos, mesmo que não concordemos com eles. Contudo, dou-me o direito de não conviver na mesma Comissão de Direitos Humanos com esse profissional, que prega o oposto do que se propõe - ou deveria - uma Comissão desta natureza, ou seja, efetivação da reforma agrária, justiça social e defesa da função social da propriedade.
Diante disso, solicito que essa Comissão de Direitos Humanos tome todas as providências para afastar o advogado Paulo Barradas da mesma. Caso isso não ocorra, inclusive por questões regimentais, até o dia 1º de maio, considere-me excluído irremediavelmente desta respeitável Comissão, tão bem honrada com a sua presidência.

Atenciosamente,

Walmir Brelaz
Membro da CDH-OAB/PA

17 comentários:

Val-André Mutran disse...

Walmir quero através desse excepcional veículo de idéias e ideais. Mantido na "marra" de esforços pessoais do Juvêncio de Arruda, que sua postura é uma aula de ética e convicção pessoal.
Não entrarei no debate por você colocado. Até mesmo porque sua nobre postura é, antes de tudo, uma aula das melhores passagens da boa diplomacia.
Li seu livro e pretendo relê-lo com a intenção da colaboração a qual conversamos aqui em Brasília.
O livro é um documento extraordinário.
Brelaz mudando de assunto e para não pertubar o espaço do Mestre Juvêncio, generoso por demais da conta com esses atrevidos pensadores; consigno o registro que você é uma das raras pessoas que tenho orgulho de compartilhar uma cerveja, um almoço e o vier no nosso calejado lombo sonhador e realizador.
Sabemos muito bem o que nos torna sonhadores: Ideais de uma mundo muito melhor.
Penso que nossa grande utopia é viável: a política é um instrumento democrático de mudança.
Não é mesmo Brelaz?

P.S.: Juvêncio desculpe a contudência aqui em seu espaço.
Sabes o que me move.
Obrigado Walmir.
Muito obrigado Juvêncio.
Nos encontraremos em outras esquinas.

Anônimo disse...

pode preparar as malas, nao vao tirar o paulo barradas de la por conta de um artigo no jornal...
Ele e peça chave para a sucessao na OAB

David Carneiro disse...

Todo o apoio Walmir. Atitudes como a sua me dão esperança e nutrem as referências de todos os estudantes de direito que ainda sonham com um país mais justo.

Anônimo disse...

Ele apoia quem?

Juvencio de Arruda disse...

Abs pra vc , David, e obrigado pelas visitas ao blog.

RONALDO GIUSTI disse...

Caro Walmir,

Nossa Casa é o espaço de convivência democrática.
Ao invés de sair da comissão, o colega deve nela permanecer para proporcionar o contraditório e isolar, no debate, idéias tacanhas e reacionárias.
Afinal, você acha que o Ministro Joaquim Barbosa deveria renunciar ao cargo no STF, por permancer na direção da Corte o Gilmar Mendes?
Acredito na sua cooerência.
Grande abraço

Maria Aparecida disse...

Walmir, receba o abraço de quem admira o seu trabalho sempre em busca de justiça àqueles que estão verdadeiramente transformando este país em um lugar onde todos tenham o direito de sobreviver como o mínimo de dignidade. e essa OAB, hein? Já se foi o tempo em que era a guardiã dos direitos do cidadão.
Maria Aparecida

Juvencio de Arruda disse...

Poeta e adv, prazer em revê-lo.

Anônimo disse...

Essa é a OAB que temos. O Vice-Presidente da Comissão de Direitos Humanos defendendo quem viola os referidos direitos. Lembro aos colegas advogados comprometidos com uma sociedade mais justa e igualitária que esse ano tem eleição e a oportunidade de mudarmos a OAB, especialmente a Comissão de Direitos Humanos.

Polícia Consciente disse...

Não consegui entender...Quer dizer que é legítimo os "trabalhadores rurais" armarem-se, constrangerem pessoas, apropriar-se o bem alheio, etc... Deve-se sim fazer uma diferenciação daqueles que realmente brigam pela terra, mais pela terra justa, que é improdutiva e serve a especuladores, aí está o pecado dos movimentos sociais que lutam pela terra, colocam todos os produtores rurais no mesmo balaio, não diferenciam aqueles que produzem dos que usam a terra como forma que imposição. Esse "lideres", como dizem os mais jovens, estão "se achando" e distorcendo os objetivos dos movimentos sociais.

Anônimo disse...

O Paulo Barradas não é vice-presidente da CDH da OAB. Como bem dito pelo Brelaz, ele se auto-intitula. É só veirificar no site - link das comissões. O Vice da CDH é justamente o Brelaz, graças a Deus! E outra, senhor das 11:35 e 6:38 (Stael é o seu nome?), a OAB que queremos é exatamente esta que tem a Mary Cohen e o Brelaz, entre outros, na CDH, que defendem, sem anonimato e corajosamente, as causas abraçadas pela Ordem - combate à pedofilia, terra para trabalhadores rurais, saúde pública digna etc.
Giusti, um abraço companheiro!

Juvencio de Arruda disse...

De fato, major Pontes, o bem é alheio. A Justiça diz que as terras pertencem ao estado, e não de Daniel Dantas.
Sabe o sr muito bem, pois tb é advogado, sobre a função social da terra. Ou faltou à essa aula?
Que sabe o sr. sobre constrangimentos? É o que fez a tropa de sua corporação em Eldorado dos Carajás?
O "pecado" dos movimentos sociais é precisar recorrer à expedientes violentos em resposta à ausência de direitos, à grilagem desenfreada, a corrupção dos cartórios et caterva.
Esses não pecam?
Sou contrário a qualquer tipo de violência, menos às das situações que a História no ensina.Convenhamos, pecam até pouco.
Argua-se o estado de direito dentro do estado de direito.
Fora dele a arguição é ilegítima.
Exatamente o que acontece nessas terras
Boa noite, major, e obrigado pela visita.

Anônimo disse...

O que esperar de uma OAB que apoia a agressão que seu membro o Ronaldo ¨Sadam¨Maiorgrana, agrida o jonalista Lucio Flavio Pinto? Alias este senhor na atual direção da Ordem teve seu prestigio bombado, será que é por causa do IV Cezal?

Polícia Consciente disse...

A história realmente ensina, e a PM teve seu remédio amargo no episódio do conflito de Eldorado dos Carajás, posso dizer que outra PM surgiu, outra doutrina foi formada, a PM se preparou e todas as operações são programadas para que não ocorram episódios semenhantes.Tivemos que aprender com nossos erros, hoje na PM existi o maior programa de defesa de direito humanos, feita pelo propri Comite da Cruz Vermelha Internacional. Agora quem justifica o uso da violência para garantir direitos socias se iguala aqueles que usaram a violência para justificar a defesa da pátria. Boa noite

Juvencio de Arruda disse...

Boa noite, major.

David Carneiro disse...

A dor da gente não sai no jornal:

http://tribunadodavi.blogspot.com/2009/03/dor-da-gente-nao-sai-no-jornal.html

Juvencio de Arruda disse...

Na mosca, David (que tem o mesmo nome e com a mesma grafia do nome do meu pai).
Abs